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terça-feira, 5 de junho de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Jornalismo, Miami | 09:17

O orgulho de ser brasileiro em terras estrangeiras. Carlos Borges construiu assim uma carreira e valorizou a imagem do país aqui fora.

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*Fotos de Carla Guarilha

Borges em sua casa com Dylan, de 6 anos, um Terrier Airedale, sempre a seu lado

“Meu sonho é ver o brasileiro que vive fora do país verdadeiramente tratado como cidadão, igual ao que vive dentro”.  Foi com esta meta que Carlos Borges traçou sua trajetória de vida: há mais de 20 anos valoriza a cultura brasileira no exterior. E por essa bagagem, na próxima semana, no dia 13 de junho, o jornalista e agitador cultural será agraciado com a Comenda da Ordem do Rio  Branco, em uma cerimônia no consulado do Brasil em Miami.

“Tudo que a gente faz é para valorizar a cultura brasileira, da imagem do Brasil como país e do brasileiro como povo”, diz Borges.  “É a confirmação de que estou no caminho certo”.

E esta é uma homenagem com um gosto especial para ele: além do reconhecimento,  a premiação tem o nome do patrono da diplomacia brasileira, o Barão de Rio Branco, um homem que Borges idolatra desde os anos de escola, quando estudava a história do Brasil e sonhava em ser diplomata.

“Confesso que foi provavelmente uma das coisas mais importantes que aconteceram para mim”, conta.  “Acho que o único sentido que uma vida pode ter, além dos prazeres cotidianos, materiais, é você fazer dela um instrumento de algum tipo de diferença positiva na vida dos outros”.

Borges trabalha e recebe apoio do corpo diplomático em Miami há duas décadas, e diz que toda vez que um novo cônsul-geral chega, dá frio na barriga.

“Ele pode gostar de você, odiar você, não entender que o você faz é relevante”, diz Borges.  “A única coisa que você tem a seu favor é sua historia”.

E foi sua história de sucesso, inclusão e determinação para divulgar a cultura do Brasil que fez com que o cônsul-geral, Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, solicitasse junto ao governo brasileiro essa condecoração.

Carlos Borges com o Embaixador Hélio Ramos no consulado do Brasil em Miami

“Esse é um reconhecimento do Itamaraty ao trabalho que Carlos Borges vem desenvolvendo há muitos anos no exterior, pela forma como ele encara as coisas – a maneira como ele enfrenta as dificuldades para fazer o que faz”, diz o Embaixador Hélio Ramos.  “Não é fácil.  O que ele se propõe a fazer para valorizar o Brasil é algo muito demandante”.

Borges, o único brasileiro condecorado este ano no exterior, nasceu na Bahia, onde foi criado por tios.  Sua mãe faleceu jovem e o pai colocou cada um dos três filhos para morar com um parente.

O valor mais importante que aprendeu quando criança foi não mentir, uma lição arraigada até hoje.

“A verdade não me assusta”, diz ele.  “A mentira me apavora”.

E é com sentido de verdade, como lema de vida, que vem lutando por um sonho: o resgate da autoestima do brasileiro no exterior, que vem conseguindo alcançar através de programas sociais, culturais e intelectuais.

Desde que chegou nos Estados Unidos, Borges criou um leque de iniciativas, que vão desde o Miss Brasil USA ao Press Awards, que começou em 1997, e hoje, representa o maior prêmio para a comunidade brasileiro no exterior.

Ele e a equipe de sua empresa, a PMM – Plus Media & Marketing, conquistaram um espaço em quase todos os segmentos da grande pirâmide social do brasileiro no sul da Flórida, e partiram no ano passado para outros pontos do mundo.

Em 2011, o Press Awards aconteceu, pela primeira vez, no Reino Unido e Japão. E a ambição de Borges não para por aí. No médio prazo, ele espera lançar a premiação em Angola, Paraguai, Portugal, Austrália ou Nova Zelândia, China, e finalmente fechar o ciclo mundial com um evento em São Paulo até 2017.

“Esses brasileiros são um exército da imagem do país no exterior e essas pessoas deveriam ser tratadas, no mínimo, com a mesma atenção, consideração e respeito”, diz Borges.

A carreira jornalística de Borges começou com 15 anos, quando lançou um jornal no Colégio Militar de Salvador.

Depois, trabalhou na Tribuna da Bahia, foi repórter e editor na Rede Globo de Salvador e diretor de produção e de eventos no SBT,  entre outros cargos e veículos da grande mídia brasileira.

“Todo mundo me conhecia, me cortejava”, conta.  “Eu era uma pessoa querida porque sempre defendi na televisão os valores locais, os artistas locais”.

Mas a desilusão com a profissão fez com que ele deixasse o Brasil.

Conversando com o grande amigo Nizan Guanaes, ele soube de uma oportunidade em Orlando, para um projeto de oito meses.

Borges gostou da ideia.

Estava casado há um ano com Andrea Vianna, que trabalhava no marketing da TV Globo, e em 1989, fizeram as malas e chegaram à Flórida.

“Quando você tem inquietações intelectuais e toma determinados socos, ou você se abaixa e, aí você vai cheirar poeira para o resto de sua vida, ou você toma uma atitude”, diz Borges.

Aqui, ele começou a escrever e editar alguns jornais comunitários até que uma nova decepção com um jornal que estava lançando afastou-o novamente do jornalismo como profissão.

Chegou a adoecer na época.  Ficou de cama quatro meses, e hoje, quase 20 anos depois, consegue identificar a fase como um período depressivo que passou, que fez com que reavaliasse a vida.

Era 1994.  E naquele ano, teve a certeza de que não conseguiria “fazer a diferença” de forma integral usando somente a mídia comunitária brasileira como instrumento.

“A ferida está exatamente nessa relação complicadíssima entre liberdade de expressão e financiamento”, diz Borges, que hoje é editor chefe da revista e website Acontece, colunista do Gazeta Brazilian News e colaborador de jornais em New Jersey, Boston e San Diego.

Mas desde então, o “agitador cultural”, como é muitas vezes identificado, passou a ir atrás de capital, agora, para realizar outros grandes projetos, traçando novos – e pioneiros – caminhos em busca da verdade, inclusão e o bem estar dos brasileiros no exterior.

“Ninguém tem o direito de ser feliz realmente enquanto você tem seus compatriotas passando fome, ignorantes”, diz ele.

E com essa mentalidade, em 2006, integrou o Press Awards ao Focus-Brazil, uma série de painéis no formato de uma conferência educativa e informativa sobre o Brasil e brasileiros no exterior.  Dois anos depois, começou um novo concurso, o Talento Brasil, com participação de adultos e crianças.

“Eu adoro crianças”, diz Borges que tem duas filhas.

Joana, de 34 anos, foi fruto de um relacionamento com uma colega de TV em Salvador.  Eles mantém uma ótima relação, mas a convivência foi limitada, muito pela distância: a filha mora na Bahia e Borges em Miami.

Já Amanda nasceu em Miami Beach em 1992, filha dele com Andrea com quem ficou casado até 2000.

Borges na frente do quadro da Amanda em sua casa, pintado por Jean Pierre Rousselet quando ela tinha 17 anos

Hoje com 19 anos, Amanda estuda filme e cinema na New York University, uma das universidades mais bem conceituadas dos Estados Unidos.  Orgulhoso, o pai, hoje diz que, aos 56 anos, seu maior sonho é ver a formatura da filha.  “Eu tenho que me preparar para isso”.

**No vídeo, Carlos Borges revela o segredo do seu sucesso: acima de tudo, ter fé e acreditar.

Carlos Borges: o orgulho de ser brasileiro em terras estrangeiras. from Chris Delboni on Vimeo.

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11 comentários | Comentar

  1. 61 Heraldo 25/06/2012 16:41

    Uma trajetoria admiravel. Enfrentar as dificuldades da vida de igrante e dedicat a vida a promover nossa cultura, eh algo digno de respeito e elogios.

  2. 60 Cleiva Allakani 08/06/2012 1:01

    Parabens pela belissima entrevista Chris, com certeza deixar registrado nossa historia e muito importante…Saber que temos alguem advogando livremente a favor da cidadania de nos brasileiros no exterior ,realmente e um expetaculo..PARABENS A VOCE CARLOS BORGES!

  3. 59 Ernesto da Silva 05/06/2012 16:40

    São pessoas iguais a Carlo Borges que fazem a humanidade avançar, não fica pelos cantos reclamando disto ou daquilo.

  4. 58 murrhardt 05/06/2012 16:28

    Ele está de parabéns e é um exemplo a ser seguido por aqueles brasileiros que sofrem do complexo de cachorro vira lata e que vivem falando mal do Brasil.Quem não valoriza o seu país não se valoriza.

  5. 57 Fernanda Cirino 05/06/2012 14:38

    Parabéns Chris pelo reconhecimento ao jornalista Carlso Borges, que faz diferença nesta comundiade por acreditar no seu trabalho e aguentar todas os contras que enfrentamos no dia a dia fora do Brasil. Mesmo vivendo neste maravilhoso pais que é os EUA, ainda enfrentamos muitos desafios, mas o final sempre vale a pena. Carlos merece esta homenagem por fazer diferença e você.
    É com orgulho que recebemos toda semana os textos de Borges que relata sua opinião de forma clara e totalmente em defesa do imigrante brasileiro e contra a corrupção e o preconceito.
    Parabéns a todos!

  6. 56 bruno 05/06/2012 14:18

    Não vejo vantagem alguma. O Borges deveria, isso sim, se indignar com a desconsideração do Governo e Congresso brasileiros para valores como democracia e liberdade de expressão.

  7. 55 Rose Max 05/06/2012 13:05

    CB (forma carinhosa como trato o Carlos Borges) é um dos poucos baianos “nervosos” que conheço. Ele está o tempo todo futucando, buscando, criando, pensando, instigando.
    Sempre digo que seu cérebro é um vulcão de idéias e criatividade em constante e infinita ebulição.
    Quero aproveitar o espaço para fazer uma declaração de amor pública e explícita a esse baiano arretado, com quem tive o prazer de trabalhar algumas vezes.
    Aplausos para nosso querido CB, que a partir de agora será CCB : Comendador Carlos Borges!!
    Que Deus, Jesus e os amigos espirituais de amor e de luz estejam sempre ao seu lado, Carlinhos, dando-lhe, acima de tudo, muita saúde para você seguir sua caminhada pessoal e profissional com muita lucidez, alegria, amor e sucesso. E bom humor pois, afinal de contas, gosto muito de gargalhar e comer bolo de abacaxi com você.
    Loviú pra chuchu! Abraço feliz da sua fã Rose

  8. 54 Clayton 05/06/2012 12:27

    Fico feliz em ver que brasileiros são bem reconhecidos e trabalham pelo bom reconhecimento do Brasil em terras estrangeiras. Há exato um mês, minha esposa e eu fomos para Cancun no México em nossa primeira viagem internacional, e ficamos maravilhados com a forma com que os brasileiros foram tratados, seja na cidade pelos moradores e trabalhadores locais, ou os japoneses tirando fotos dos brasileiros alegres e bagunceiros (no bom sentido claro) ou até mesmo nas dependências do hotel onde “montamos” uma alegre turma com brasileiros, argentinos e canadenses. O ápice do “orgulho de ser brasileiro”foi quando dentro da casa de shows COCO BONGO colocaram a bandeira do Brasil nos telões e tocaram o hino nacional brasileiro (foi o único hino que tocaram naquela noite). Independentemente de motivos comerciais ( pois brasileiros estão em alta no mercado turístico) pela primeira vez em terras estrangeiras eu senti o orgulho de ser brasileiro.

  9. 53 O Bigorna 05/06/2012 12:01

    Tem gente que trabalha para o bem da Nação Brasiliera e essa pessoa e uma delas, um verdadeiro Patriota que exalta a Nossa Patria no exterior parabens Sr. Carlos bem se ve que o Senhor não é politico graças a DEUS.

  10. 52 Lincoln Gomes 05/06/2012 11:08

    História de vida com superação e ideal, mais um vitorioso; detalhe, orgulhosamente brasileiro, parabéns e votos de uma carreira plena e exemplar diante de um país onde reina a corrupção e políticos incompetentes.

  11. 51 JEFF LEPPARD 05/06/2012 10:09

    Fico feliz quanto vejo pessoas que, buscam ideais de vida, voltados para o bem dos semelhantes baseando-se na cultura e educação do seu país.

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