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terça-feira, 2 de outubro de 2012 Direto de Miami, Entrevistas | 09:34

CSI: Brasileira integra seleto time de artistas forenses nos EUA

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Se você gosta de assistir séries na TV, como CSI, está acostumado com cenas fortes em necrotérios, onde profissionais fazem autópsias e reconstituem os rostos das vítimas em busca de pistas.

CSI é uma febre no mundo inteiro, inclusive aí no Brasil, mas o que pouca gente sabe é que há uma brasileira no time de cerca de somente 50 profissionais contratados nos Estados Unidos para trabalhar exclusivamente como artista forense. Ela se chama Catyana Skory e trabalha no departamento de policia do condado de Broward, em Fort Lauderdale.

Catyana Skory no estacionamento do Broward Sheriff's Office. Foto de Carla Guarilha.

Desde maio de 2008, quando chegou na Flórida, Skory já fez a reconstrução facial e crânio-facial de mais de 170 vítimas para identificar cadáveres.

Quando ela não é chamada imediatamente no local do crime ou acidente, a primeira parada de Skory é no necrotério, onde ela observa o cadáver e tira fotos.  Depois, ela leva para seu escritório a cabeça do morto e todos os relatórios policiais para começar a visualizar o rosto.

“Informação de cabelo e roupa é muito importante”, diz a artista forense, que começa o trabalho esculpindo e reconstruindo a cabeça.  Primeiro ela coloca os olhos e depois músculos para dar forma.  “Só olhando o crânio dá para ler o rosto”, diz.

Skory no seu escritório do Broward Sheriff's Office. Foto de Carla Guarilha

Skory nasceu em São Paulo, em 1975.

Mas sua história com o Brasil começou em 1927, quando seus bisavós imigraram do Japão para o município de Registro, hoje conhecido como o marco da colonização japonesa no estado.  Junto no navio vinha a filha do casal, com 7 anos, a avó de Catyana, Teruko Matsuzawa, a pessoa mais importante de sua vida.

“Ela era divertida e estava sempre sorrido”, diz a neta que mantém a foto da avó no escritório, a única foto de família pendurada na parede, ao lado dos seus computadores, como se fosse uma luz inspiradora.

“Sempre busque a felicidade onde estiver” foi a maior lição que aprendeu da avó, com quem conviveu intimamente.  “Ela morou conosco depois do divórcio dos meus pais e comigo depois da minha separação”, diz Skory.

Foto de Carla Guarilha.

Sua mãe saiu de casa cedo para estudar letras em São Paulo, onde conheceu o pai de Catyana, um dos primeiros jovens americanos a aderir ao programa de Peace Corps, criado pelo governo Kennedy, em 1961, como uma espécie de intercâmbio com o intuito de aproximar os países, facilitando a paz mundial e compreensão entre os povos.  Logo se casaram e quando o prazo do trabalho voluntário do pai no Brasil terminou, o casal se mudou para Nova York, com a filha pequena.

Catyana tinha pouco mais de um ano.

Ela cresceu nos Estados Unidos, mas sua avó, apesar de ter nascido no Japão, continuou sempre sendo seu maior eixo com suas raízes no Brasil.  Era a única pessoa com quem falava português na família e com quem passava as férias escolares em Registro – até ela falecer, há dois anos.

Catyana diz que como ela, sua avó também nunca teve medo da morte.

“Ela queria conhecer o necrotério e eu levei”, conta Catyana.  Ao saírem, bem humorada, a avó ligou para alguns amigos para contar: “Eu vi uma pessoa morta hoje”.

“O mundo é maior do que conseguimos ver”, diz Catyana.  “Não dá para saber o que está embaixo de tudo ou atrás”.

Dizem que todo mundo sempre tem "esqueletos no armário". Skory traz os seus para o escritório. Foto de Carla Guarilha.

Catyana se vê mais como uma artista plástica do que uma cientista.  Ela adora pintar.

Seus estudos universitários começaram no curso de artes na Universidade de Colorado.  Mas uma aula de antropologia mudou seu rumo.  Ela se encantou com a disciplina.

“Eu queria entender as raízes da humanidade, dentro de conceitos de moral, ética e cultura”, diz a artista forense, que tem dupla nacionalidade – brasileira por nascimento e americana pelo pai.  “Era muito confuso.  No Brasil, eu não era brasileira.  Nos Estados Unidos, eu não era americana.  Não sou branca nem asiática”.

Antropologia ajudou no seu autoconhecimento e na formação de uma identidade individual que hoje compreende melhor aos 37 anos,  mas foi também a disciplina que lhe abriu as portas para uma nova descoberta: ciência forense.

Foi lendo um livro de antropologia numa visita ao Brasil, em 1997, que descobriu o trabalho de reconstrução facial.

Se formou em antropologia e história na Universidade do Estado de Nova York em 1996 e, em 2000, completou mestrado em ciência forense na Universidade George Washington, na capital americana.

Entre 2000 e 2008, trabalhou no instituto médico legal em Fairfax, Virginia, depois em Dallas no Texas e foi investigadora de CSI – Crime Scene Investigator – em Manassas, também em Virginia, até ser contratada há quatro anos em Broward, exclusivamente como artista forense.

Catyana Skory usa Photoshop no processo de reconstrução facial. Foto de Carla Guarilha.

“Os mortos têm paz mas não têm voz”, diz ela.   Com seu trabalho, Catyana diz que consegue dar “voz” através de uma imagem para que os mortos sejam identificados por seus familiares, trazendo assim um pouco de paz para eles.

Como existem muito poucos profissionais no país, o último caso que resolveu foi um pedido especial do instituto médico legal de Ohio, que enviou o crânio da vitima e todo o material disponível.  “Fiz a reconstrução facial, mandei a fotografia e colocaram na televisão”, diz a artista forense.  “Em um dia a sobrinha dele telefonou e disse: ‘acho que esse é meu tio’”.

Para saber mais sobre o trabalho de Catyana Skory, visite sua página na rede social LinkedIn, onde ela também criou um grupo de discussão para artistas forenses no mundo — Linkedin Discussion Group for Forensic Artists.

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21 comentários | Comentar

  1. 71 CSI: Brasileira integra seleto time de artistas forenses nos EUA | Pavablog 06/10/2012 7:17

    […] CSI: Brasileira integra seleto time de artistas forenses nos EUA 6 de outubro de 2012 tininha Chris Delboni, no Direto de Miami […]

  2. 70 Jerry 03/10/2012 10:11

    Se no Brasil não tivesse tanta corrupção, má vontade política e INCOMPETÊNCIA das AUTORIDADES, brasileiros como Catyana estariam tornando maior este país que têm muita gente capacitada e competente como ela. Quando vamos acordar e passar a investir no meio mais nobre de capacitar um ser humano, que é a EDUCAÇÃO ??/. Vamos Brasil, acorda cambada de políticos safados, parem de matar este povo cordial e trabalhador.

  3. 69 Rogerio lopes 03/10/2012 10:03

    Fico muito feliz por ter uma pessoa csi brasileira sou da cidade de Registro terra da sua vo ….

  4. 68 del 03/10/2012 0:50

    Ela não é brasileira, é americana.
    Nós brasileiros gostamos de nos iludir para melhorar a auto estima, esqueçam isso!!!

  5. 67 Yvonne 02/10/2012 23:13

    Cada um tem sua história, e essa é a da nossa brasileirinha Catyana Skory. Ela estudou e teve determinação e está onde está. Se lá ou aqui, serve a mesma regra, estudo e determinação, que aliados ao profissionalismo, enobrece qualquer cidadão.
    Nós brasileiros, sabemos onde estão os erros e temos na ponta da lígua muitas soluções.
    Mas infelizmente, ficamos somente no discurso. Para mudar essa situação que todos nós tão bem conhecemos, desse país chamado Brasil, é preciso ter voz conjunta, sair as ruas em grande massa e cobrar que ” nossos” funcionários públicos trabalhem conforme esperamos, Então, quem sabe teremos tudo que precisamos para nos orgulharmos realmente de sermos brasileiros.

  6. 66 FLÁVIO 02/10/2012 20:46

    Fico contente em saber sobre os brasileiros que fazem sucesso lá fora. Mas ficaria muito mais satisfeito em ler as reportagens de sucesso sobre os brasileiros que fazem por merecer AQUI NO NOSSO PRÓPRIO PAÍS. Méritos à Katyana Skory por seu esforço e competência. Mas méritos também a todos os brasileiros, que gostariam de atingir o mesmo “status”, porem, não o conseguem por falta de estrutura e oportunidades.

  7. 65 L.Rocha 02/10/2012 20:07

    Muito bem dito M. Teresa

  8. 64 José Guimarães 02/10/2012 20:05

    Parabéns à nossa patrícia! Infelizmente continuamos a exportar cérebros. Só que durante muito tempo os que saíam daqui para EUA e Europa eram humilhados, explorados e desvalorizados mesmo sendo mais competentes que eles, quando estavam por cima. Agora que eles estão no sufoco deveríamos dar o troco. Deveriam todos voltar pro Brasil e criar novo patamar de cultura e ciência aqui e deixá-los sem a nossa capacidade e os estrangeiros que vierem pra cá humilhá-los da mesma forma. Por exemplo: depois de os portugueses humilharem e hostilizarem dentistas e engenheiros nossos, agora querem ocupar nossas vagas e ser nossos chefes com ministro deles AGORA nos chamando de “irmãos, amigos e sócios”. Repito: deveríamos fazer o mesmo que fizeram com a gente, até porque, na verdade, nós somos melhores que eles.

  9. 63 M.Teresa 02/10/2012 13:32

    Olá, Pessoal!

    O Brasil é um País, maravilhoso. Pouca gente sabe disto. Como em outros tantos países, aqui
    também há pessoas talentosas, criativas, honestas, trabalhadoras e batalhadoras. Catyana
    Skory, com certeza, é motivo de orgulho para todos nós. Se ela ocupa um lugar de destaque
    em sua profissão, além do mérito, faz com que ela ocupe o lugar de um estrangeiro em seu
    próprio país. Ela deve ser convidada para promover palestras e cursos de aperfeiçoamento
    profissional para os brasileiros. Somos ricos e ainda não nos demos conta disto. Não podemos
    admitir uma rotulação genérica de baixo nível. Temos que investir na educação, na cultura, na formação acadêmica e na ciência. Se até hoje nosso País, apesar da corrupção e de maus
    governantes, não quebrou. Temos uma natureza exuberante, um povo com beleza exótica,
    artistas, esportistas, na maioria, astros do futebol; talentosos, mas não basta. Temos que
    apagar o estigma de País exportador de ulas e prostituta/o(s), de pessoas com baixa ou sem qualificação profissional – que fatalmente estão destinados a abastecerem o mercado da vida marginal, humilhante e desqualificada. O Brasil precisa recuperar a auto-estima e impor igualmente aos países estrangeiros impor suas regras a quem chega de fora. Precisamos de
    estudo, disciplina e menos corrupção. O voto é a única forma de promover mudanças para melhor ou pior, de repetir erros ou reprisar acertos. Não podemos mais ser o País da gambiarra.Trabalho, doutrinação e disciplina recuperaram até pequenos países que perderam grandes guerras, mostrando a grandeza de seus povos. Temos que mostrar nossos valores, que são muitos, mas que ainda são ocultos. O ‘jeitinho brasileiro’ tem que mudar, tem que tomar jeito. Criminoso tem que ser tratado como criminoso, e bom cidadão como bom cidadão.
    Mais trabalho, menos conversa. Eficiência e competência na pauta. Que Catyana sirva de referência profissional para os brasileiros que realmente queiram lutar por melhores oportunidades e progredir.

  10. 62 Ricardo Garcia 02/10/2012 13:21

    Boa tarde para todos, Nao sou perito nem conhecedor do caso em questao. mais é importante que se resalte que temos muita gente boa em outras areas aqui e lá fora também, a pouco li em algum lugar sobre uma Brasilero que descobriu uma parcela importante para a cura do cancer de mama, ele tambem trabalha nos estados unidos, nao lembro onde, temos evoluido muito em todas as areas, só temos é que fazer com que nossos filhos tenham um pouco mais de respeito pelo nosso sacrificio como tinhamos pelo os nossos Pais, isso sim esta faltando, reeducar nossos filhos que hoje só para as POPOZUDAS e para o Computador sem se quer estar estudando…Abçs para todos

  11. 61 Fabio 02/10/2012 12:55

    Na minha opiniao, o maior problema e sempre acharmos que la fora tudo e melhor! De fato, algumas coisas sao. E so sao, porque para muitos aqui, cuidar dos detalhes, e frescura e/ou sem importancia. Coisa que la fora, e valorizado! Nao podemos esquecer, que houve uma evasao muito grande de brazucas para os EUA e de alguma forma, pudemos contribuir com aquele pais miseravel e de politica de caça as bruxas. Acho que a hora e de nos valorizarmos e valorizarmos nossa brasilidade! Pensamos que o costume de falar mal e o certo. So que nos cega e faz com que nao sintamos as diferencas ou que olhemos para fora. E quem disse que nos EUA, nao existem problemas, gente miseravel ou ladroes? Falar mal e facil, o dificil e trabalharmos para melhor e construir algo melhor para nos. Ela foi e ficou! E qtos de la estao vindo pra ca, fugindo da economia? Quantos sequer, nao sabem o hino nacional? Quantos sabem sequer falar sobre nossos rios, Estados e suas capitais? Belezas naturais que temos! ALguem se interessa pela nossa historia? Isso sim, quando dominarmos, daremos mais valor ao que e nosso, nao permitindo que degradem nosso DNA historico. Acho que vale a reflexao! Abs a todos

  12. 60 rainel junior 02/10/2012 12:29

    Acho que não Amorim ,acho que o Brasil sim é o celeiro do mundo não só no alimento (grãos ) como tbm na ciência , esporte e etc e tal hoje existe um brasiliense que estudou no Brasil e tem como oficio Xerife chefe em Ohio nesta mesma cidade citada ele passou na sabatina com 50.000 canditato por uma vaga a a sim ele nasceu e foi criado aqui .

  13. 59 eliomar martins 02/10/2012 11:46

    muito legal…….Brasil tem muito gente boa…….pena que são mal remunerados aqui…….temos que melhorar a divisão de renda em todos os níveis…

  14. 58 Fabiano Santos 02/10/2012 11:42

    Vi isso num filme do Mc Giver…

  15. 57 amorim 02/10/2012 11:36

    Brasileira ?? só de nascimento, estudos, cultura, etc… tudo americana, dai o sucesso, se estivesse no brasil, seria dançarina de funk

  16. 56 Carlos 02/10/2012 10:50

    Amigos, vcs acham que se fosse no Brasil ela estaria sorrindo desse jeito? Ela estaria em greve por melhores salários. No Brasil nenhuma classe profissional é valorizada. Agora os políticos…….

  17. 55 Orlando Grassi 02/10/2012 10:43

    Acho um trabalho super legal este da Catyana só lamento que gente talentosa e profissionais desta estirpe são contratadas e valorisada por outros paises,enquanto uma grande parcela dos nossos politicos estão emvolvidos em falcatruas e mensalôes da vida não se preocupando o minimo com nosso pais e nossa gente.Até que enfim a jutissa esta mostrando sua fáce,talvez reconstruida pela Catyana.

  18. 54 gilberto jesus ferraz 02/10/2012 10:35

    Excelente exemplo de vida e de profissionalismo.

  19. 53 Rubens Antônio da silva 02/10/2012 10:29

    Essa querida Brasileira Catyana Scory, é tão competente no que faz que deveria estar fazendo o seu trabalho aqui no Brasil, nós brasileiros não perdemos em competência para nenhum outro País. Viva os Brasileiros!!!!!!!!!!!!!!!!!!! abs a todos.

  20. 52 LOURENÇO 02/10/2012 10:21

    ASSISTO CSI SEMPRE QUE POSSO E FIQUEI FELIZ , POR TER UMA CONTERRANEA NESSA ESTORIA .
    PS : JORNALISTA , ELA NICROPSIA E NÃO AUTOPSIA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! .

  21. 51 Otilia 02/10/2012 10:19

    Exemplo! Queria ter seguido a profissão de perito criminal, hoje me arrependo!!

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