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terça-feira, 16 de outubro de 2012 Direto de Miami, Economia, Imigração, Miami, Negócios | 09:30

Banco brasileiro chega com tudo nos Estados Unidos

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)

Há quase 30 anos, precisamente no dia 1/12/82, Leandro Martins Alves pisava os pés, pela primeira vez, no Banco do Brasil, como engenheiro.

Ontem, Alves abriu as portas do primeiro banco brasileiro a operar integralmente como uma instituição financeira nos Estados Unidos com serviço local, oferecendo conta bancária, cartão de credito, cartão de débito, acesso a 50 mil caixas eletrônicos, ou terminais de autoatendimento, conhecidos aqui como ATMs, e, logo terá financiamento imobiliário, entre outros produtos.

O objetivo principal da instituição é atender as necessidades da grande concentração de brasileiros na Flórida, na faixa de 300 mil, com perfil de renda diversificado, desde o trabalhador que veio “fazer América” ao estudante, o aposentado e o turista, de passagem.

“Você tem toda uma estratégia, o mais abrangente possível”, diz Alves, hoje com 51 anos e o primeiro presidente e CEO do Banco do Brasil Américas.

Leandro Alves no seu escritório do BB Américas em Coral Gables. Foto de Carla Guarilha.

O BB Américas comprou por US$6 milhões o EuroBank, um pequeno banco comunitário, que no início do ano apresentava fragilidades financeiras.  Com isso, o Federal Deposit Insurance Corporation, entidade que supervisiona o sistema bancário americano, limitou a ampliação de ativos e passivos, impedindo a atuação integral do Banco do Brasil aqui.

Desde então, o Banco do Brasil injetou US$49,5 milhões para reforçar o capital, demonstrando a força da instituição.

E assim o Banco do Brasil Américas passou a ser reconhecido pelas autoridades americanas como um banco sólido e saudável e abriu as portas oficialmente para o público ontem.

Leandro Alves no coquetel de lançamento do BB Américas na última sexta-feira. Foto: Fabiano Silva.

“Isso nos permite agora crescer e desenvolver com um grau de liberdade muito maior do que anteriormente”, diz o CEO, que informou às autoridades americanas sua estratégia de crescimento:  de menos de dois mil para 100 mil clientes até 2020 e a abertura de 16 agências nos Estados Unidos nos próximos cinco anos.

Hoje o banco tem três agências: em Coral Gables, Pompano Beach e Boca Raton.  Em janeiro, a agência de Coral Gables, onde fica a sede, estará se mudando para um local mais amplo na região da Brickell, que é o centro financeiro de Miami, e a quarta agência deve ser aberta em Orlando.

“Você vai poder passar numa máquina de autoatendimento do BB Américas e tirar o seu dinheiro para visitar o Pato Donald e o Mickey Mouse”, diz Alves.

Como em qualquer banco americano, o cliente aqui vai ter que apresentar dois documentos que comprovam identidade e um comprovante de endereço para abrir uma conta corrente.  O diferencial será no histórico de crédito, essencial para qualquer empréstimo ou financiamento nos Estados Unidos.

“Ninguém conhece esse brasileiro como nós.  Ninguém vai conseguir fazer uma avaliação da capacidade de pagamento ou da visão de risco desse cliente tão bem quanto nós”, diz Alves.  “Acho que é isso que a comunidade pode esperar dessa nossa chegada aqui na Flórida”.

Independentemente das condições financeiras no Brasil, quando o imigrante chega aqui, ele normalmente leva alguns anos para construir um histórico de crédito, dentro da estrutura financeira do país: sem crédito, não se tem dívidas, e sem dívidas não se consegue crédito para pegar um financiamento para um carro ou um imóvel, por exemplo.

“Temos a possibilidade de ir ao Brasil e recuperar um pouco dessa memória do histórico de investimentos desse brasileiro no seu pais de origem, que é o Brasil”, diz Alves.  “Isso faz com que, diferentemente de outras instituições, nós possamos, de alguma forma, sob jargão bancário, assumir o risco desse indivíduo, desse novo cliente, porque nós já conhecemos o seu histórico em relação ao Brasil”.

Isso vai agilizar a vida e ciclo financeiro do brasileiro aqui, assim como o fluxo de remessas entre os dois países.

“Queremos buscar essa conectividade entre o Brasil e Estados Unidos de forma que o brasileiro que aqui está possa mandar dinheiro para o Brasil de uma maneira barata, simples e direta e que esse dinheiro possa vir do Brasil para os Estados Unidos de uma forma simples”, diz Alves.  “Vamos obviamente ter tarifas adequadas, condizentes, competitivas e pode ter certeza de que o que nós pudermos fazer, inclusive conversar com nossas autoridades com vista a facilitar esse processo, nós faremos. Acho que essa própria entrada do BB aqui pode gerar alguns aprimoramentos dos processos hoje existentes”.

Leandro Martins Alves entrega simbolicamente o primeiro cartão de débito "0000000001" do Banco do Brasil Américas para o Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, Cônsul-geral do Brasil em Miami. Ao lado, Jefferson Hammes, vice presidente do Banco do Brasil Américas. Foto: Fabiano Silva.

Alves diz que espera, em breve, estar atendendo também brasileiros interessados em adquirir um imóvel aqui com a facilidade de financiamento de longo prazo.

“Nesse lançamento, focamos em produtos mais urgentes para nossa comunidade, que é conta corrente, cartão de credito e a poupança.  O financiamento imobiliário vem à frente”, diz ele.  “Temos uma grande preocupação com brasileiros aqui residentes, mas também trabalharemos com os brasileiros que vivem lá no Brasil e tem interesse em comprar imóveis aqui nos Estados Unidos”.

Gaúcho, Alves passou por várias cidades do Brasil antes de chegar em Nova York, em 2006, com a esposa e três filhos, como gerente regional para coordenar a operação do BB na América do Norte.

Seu maior desafio foi a adaptação pessoal num novo país.

Na sua sala. Foto de Carla Guarilha.

“Na chegada é sempre um processo muito mais difícil do que as pessoas imaginam, mesmo numa cidade maravilhosa como Nova York ou uma cidade maravilhosa como Miami.  Você não tem referência”, diz ele.  “A ambientação cultural não é um processo simples. Você não sabe o que comprar no supermercado.  Você tem que aprender algumas coisas, começando pela língua. Por mais que fale inglês, não é a mesma coisa.  Meu filho mais novo não entendia absolutamente nada”.

Hoje, sua filha, com 26 anos, está de volta no Brasil, e os outros dois, 18 e 20, estão na faculdade, um em Maryland e outro na Pensilvânia.

“Acho que minha responsabilidade como pai é de conseguir fazer com que os meus filhos sejam melhores, sob todos os aspectos, do que eu fui”, diz Alves, que mora hoje em Sunny Isles com a esposa e recebe os filhos na época das férias.

Alves diz que o grande segredo do sucesso é “muito trabalho, muita dedicação e muito foco”.

“Para ter sucesso, você tem que ter bastante clareza de onde quer chegar, mas tem que acreditar muito nas pessoas.  Acho que quem faz as empresas são as pessoas”, diz ele  “O sucesso para mim é saber que você está conseguindo agregar valor, conseguindo fazer alguma diferença e que, de alguma forma, isso seja percebido pelas pessoas”.

No vídeo, Leandro Martins Alves revela um pouco mais da sua fórmula de sucesso:

Banco do Brasil abre as portas oficialmente em Miami. Entrevista com Leandro Martins Alves, presidente e CEO. from Chris Delboni on Vimeo.

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26 comentários | Comentar

  1. 76 Patricia Kraemer Corretora Miami 04/09/2013 18:58

    Meus clients se sentem muito felizes de poder utilizer o BB por ajudar nos valores das remesas! Sem falar que o atendimento se oferece em Portugues, tendo a facilidade de utilizer o advogado local para fechar a compra…excelente !

  2. 75 Lilian 20/08/2013 17:08

    Eu gostaria de saber da possibilidade de financiar para comprar um terreno commercial em Utah.
    Tenho conta no Banco do Brasil, no Brasil. Esta bloqueada. Eu gostaria de saber se eu posso reabrir desde daqui, ou eu tenho que abrir outra.
    Estou vivendo em Utah. E gostaria de saber se posso ter conta com voces ainda assim.
    Favor entrar em contato.
    Lilian

  3. 74 sergio De Assumpção 02/05/2013 20:41

    Hoje resido no brasil, estou prestes a me aposentar nos EEUU.
    Quero abrir uma conta na florida para fins de depositar a aposentadoria.
    Como devo proceder?

  4. 73 ADILSON 17/03/2013 20:35

    O banco do brasil e otimo sim tenho conta nele a mais de 20 anos e nunca tive problema

  5. 72 Caroline 01/02/2013 18:51

    Estando no Brasil o banco ja eh uma porcaria, mal atendimento e filas sem fim!
    E estando no exterior nao consigo resolver nada! Porcaria ao quadrado!

  6. 71 medeiros 05/12/2012 2:25

    Ola, vivo aki na carolina do sul…………..temos mtos brasileiros aki………..e qdo vcs vao mandar uma agencia ou um caixa eletronico pra ka. thanks Charleston sc

  7. 70 paulo 16/10/2012 21:33

    Sinceramente, o atendimento bancario no BB ou CEF pode ser muito ruim nunca pelos funcionarios que la atendem em si. Quem fala isto ou pensa isto é porque de longe nao conhece nenhum dos dois bancos e muito menos seus funcionarios. O que compromete o atendimento é que a relacao funcionarios/clientes é algo absurdamente desproporcional. Quem trabalha num destes faz horas extras, têm problemas de dort/ler e sao mal remunerados no geral. Nao tem como prestar o atendimento ideal sem condicoes adequadas de trabalho. Quanto à iniciativa da CEF e BB de entrar nos EUA acho muito boa sim pois pode ajudar a muitos brasileiros a terem um pouco mais de opçoes financeiras. Tambem angariar recursos para o Brasil.

  8. 69 SONIA 16/10/2012 16:38

    realmente site partidario do PIG:Banco Brasileiro!BB !Banco do Brasil…ou vcs tem seus leitores como analfabetos funcionais e preguiçosos que vão ler o titulo e a materia passara batida?chega a ser ridicula a torcida contra!

  9. 68 Getúlio 16/10/2012 16:08

    É tas! vc tem toda razão. mas vc sabe… lá será diferente! aqui é uma zona o seriço bancário kkk

  10. 67 Prof. Mauricio 16/10/2012 15:40

    Jovem Skywalker, vc nunca será “mestre Jedi” desse jeito…

  11. 66 MARCELO TAS 16/10/2012 14:44

    NAO ESCREVI QUE O EXEMPLO QUE DEI ERA DO SANTANDER.

  12. 65 MARCELO TAS 16/10/2012 14:42

    CARO SKYWALKER, O RUBENS TEM RAZAO, O BB (SO FORMALMENTE NAO É ESTATAL) MAS O ATENDIMENTO É PIOR QUE UM BANCO ESTATAL, CONSEGUE SER MAIS RUIM QUE A CEF, VEJAM O EXEMPLO DAS AGENCIAS QUE ANTES ERAM BANESPA, O ATENDIMENTO É PESSIMO, E UM BANCO PRIVADO COM FUNCIONARIOS QUE TEM UMA MENTE DE PRIVADA. AONDE ERA EX-REAL OU EX-ABN-ANRO A COISA VAI. PORTANTO O BB SÓ E CAPITAL MISTO NA SUA COMPOSIÇAO ACIONARIA, NA PRATICA E MAIS LENTO QUE QQ REPARTIÇAO PUBLICA.

  13. 64 MARCELO TAS 16/10/2012 14:38

    PRIMEIRO, SE TIRAR UM CARTAO DE CREDITO LÁ, E USAR AQUI QUAL SERÁ A TAXA DE JUROS, AS DE LA, TIPO 1% AO ANO, OU AS DAQUI DE 14% AO MES? SE FOR ASSIM, NO PRIMEIRO CASO, VAI TER FILA DE BRASILEIRO QUERENDO TIRAR CARTAO LÁ.

    SEGUNDA PERGUNTA, O ATENDIMENTO VAI SER RUIM COMO É AQUI NO BRASIL QUE SE DEIXAR DUAS TARTARUGAS COM O CAIXA, UMA FOGE E A OUTRA FICA GRAVIDA?

    TERCEIRO QUANDO TIVER GREVE (QUE ACONTECE TODO ANO) LÁ OS FUNCIONARIOS VAO ENTRAR EM GREVE TAMBÉM, E O SINDICATO VAI MANDA ALGUNS “MACACOS” PRA FICAR NA PORTA IMPEDINDO AS PESSOAS DE ENTRAREM?

  14. 63 Skywalker 16/10/2012 14:23

    Caro Rubem.

    Para sua informação o BB não é um banco “Estatal”. E sim uma empresa de econoomia mista. Por isso ele se chama Banco do Brasil SA, mas a diferença é que sabemos quem é seu maior assionista, no caso o governo federal.

    E o fato de o BB entrar no mercado internacional não interfere nas suas ações no país. Os investimentos saem de contas diferentes.

    E quanto aos financiamentos imobiliários o BB já pratica as melhores taxas do mercado. Procure uma agência do BB e faça uma simulação. E, ainda, as taxas no Brasil só caíram por que o Banco do Brasil baixou as suas taxas, por isso a concorrência também teve de se mexer.

    Saudações!

  15. 62 josé carlos 16/10/2012 14:14

    O bom que la nos estado unidos nao tem a bancada ruralista e nem este monte de senadores e politicos em geral pegando dinheiro emprestado e nao pagando ao banco do brasil e a cef esperamos que eles nao migrem para o USA e que nao va levar o viros da corrupçao Brasileira para o states.

  16. 61 Leda 16/10/2012 13:26

    Se os funcionários lá tiverem a mesma mentalidade ociosa e morosa dos funcionários “públicos” do Banco do Brasil daqui a estratégia vai por agua abaixo: pois aqui para ser atendido funciona na base de rodar a baiana.

  17. 60 Renerd Ventura 16/10/2012 12:57

    Parabéns Brasil, temos que pensar alto, o governo federal acertou em cheio, os brasileiros residentes em miami estão muito felizes….

  18. 59 osvaldo 16/10/2012 12:57

    olha aí Oscar

  19. 58 Charles Galvão 16/10/2012 12:45

    É isso aí. É um passo muito importante para a instituição e para o Brasil.
    Apesar do atendimento de péssima qualidade, lento, arcaico e de filas, não em tamanho, mas emtempo de espera, miseráveis, o Banco do Brasil sempre foi Um orgulho Nacional. Está valendo.

  20. 57 Aramis 16/10/2012 12:37

    Ei podiamos aproveitar e importar as taxas praticadas la , ou sera que no cartão de credito americano vão aplicar taxas de 10% ao mes???

  21. 56 Marcelo 16/10/2012 12:24

    Demorou mais saiu, finalmente o BB começa a atuar na EUA… com certeza demonstrará sua força e ajudará os brasileiros que vivem, passeiam ou investem nos EUA.

    Parabéns ao BB!

  22. 55 Josias 16/10/2012 11:37

    É muito importante estrategicamente para o Brasil, um país que pretende ser desenvolvido, ter um banco nos EUA, isto possibilita expandir nossas fronteiras também no mercado financeiro mundial, é melhor os brasileiros e latinos serem clientes do BB do que de bancos bancos americanos, porque quem vai ganhar somos nós, brasileiros, haja visto que o BB é público e as divisas obtidas da internacionalização do banco podem ser revertidas em benefícios para nós.
    DESTA VEZ O GOVERNO BRASILEIRO ACERTOU!

  23. 54 Manoel Rodrigues da Silva 16/10/2012 11:34

    Com o processo de globalização, as empresas brasileiras independentemente do setor de atuação, precisam abrir as asas e voar em outras direções, pois somente assim o nosso Brasil passa a ser reconhecido internacionalmente como uma grande economia e a ser tratado com o respeito que todos nós esperamos.

  24. 53 priscila 16/10/2012 11:31

    LEANDRO,

    VOCE ESTA OTIMO NA FOTO.
    INDICAÇÃO PARA O CARGO NÃO PODERIA TER SIDO MELHOR NO BB.

  25. 52 jorge 16/10/2012 10:54

    Meu Deus! E pensar que por muito pouco os tucanos não deram o BB de presente para seus amigos, como fizeram com a Vale.

  26. 51 Rubem 16/10/2012 10:20

    se ve que nós clientes brasileiros não valemos nada, para que abrir agencia no exterior, para ajudar um País arrogante como os EUA , deve estar sobrando dinheiro tambem com estes juros que nos cobram, pois quando eles estavam no auge, pisavam no terceiro mundo, agora que a crise bateu em sua arrogancia nós vamos para lá para até financiar imóveis, absurdo, enquanto que aqui nós pagamos a conta e nem temos acesso a estes financiamentos, pois os juros extrapolam a extratosfera, fora que é estatal esta instituição, deveria dar acesso a simples mortais como nós, o que não acontece.

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