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terça-feira, 23 de outubro de 2012 Direitos Humanos, Direto de Miami, Educação, Entrevistas, Imigração, Miami, Sem categoria | 09:09

Brasileira revela os motivos do intenso fluxo migratório para a Flórida

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Valéria Magalhães estudou em escola pública toda sua vida, na periferia da zona leste de São Paulo, para onde seus pais migraram na década de 60.  O pai  havia deixado o Maranhão e a mãe, Minas.

“Não tenho uma formação brilhante”, diz Valéria, que superou os obstáculos de uma educação primária e secundária relativamente fraca e criou sua própria – e brilhante – trajetória acadêmica.

Valéria no quarto do hotel Hampton Inn, de Coconut Grove. Foto de Carla Guarilha.

Hoje, socióloga, doutora em História Social e docente da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, ela esteve aqui em Miami na semana passada para lançar seu livro: “O Brasil no Sul da Flórida: Subjetividade, identidade e memória”, publicado e lançado no ano passado no Brasil, pela editora Letra e Voz.

Valéria diz que não sabe se seu interesse por questões migratórias vem da história de seus pais, mas ela tem absoluto fascínio pelo tema.

“Sempre tive uma paixão pelas viagens e pela imigração, não só como objeto de estudo”, diz ela.  “Sempre fiquei fascinada com o fato da pessoa sair do lugar dela e às vezes não voltar, ficar longe de tudo e de todos”.

O livro, resultado de sua tese de doutorado, inclui 40 entrevistas feitas com brasileiros entre 2002 e 2006 nos condados de Miami-Dade e Broward.

“Cada história que ouvia era incrível”, diz ela.

Um dos capítulos conta o caso de um gay que conseguiu asilo político alegando às autoridades americanas que corria risco de vida no seu país de origem pela sua preferência sexual.  Outro conta a história de uma go go girl que se tornou garota de programa.  “Quando entrevistei, ela estava atendendo no hotel. Ela deu a entrevista nos intervalos.  Foi uma história, metodologicamente falando, bastante curiosa”.

Mas o que mais lhe surpreendeu foi o depoimento sobre um casamento para obter os papéis de imigração e condição legal como imigrante nos Estados Unidos, que custou R$18 mil.   “Era uma exploração muito grande da pessoa que vendia o casamento.  Fiquei meio surpresa com aquilo e quanto as pessoas se desdobravam para conseguir esse documento, o que elas aguentavam para se legalizarem aqui nos Estados Unidos”.

A noite de autógrafos foi na pizzaria Piola em South Beach, onde Valéria recebeu mais de 40 pessoas, entre velhos amigos e novos imigrantes.

“Eu acho que tem mais brasileiros chegando para abrir negócios aqui ou investir, aproveitando a situação econômica brasileira e as taxas de juros americanas”, diz. “Esse não é um fenômeno novo, mas sazonal, que acompanha conjunturas específicas dos dois países”.

Valéria aproveitou sua visita a Miami agora também para dar início ao seu próximo projeto, que deve ter duração de dois anos.  Será uma pesquisa extensa sobre gays brasileiros na Flórida, uma parceria com Steven F. Butterman, diretor do Programa de Estudos de Gênero e Sexualidade na Universidade de Miami e autor de “Vigiando a (in)visibilidade:  Representações midiáticas da maior parada gay do planeta.”

“Esses grupos, como gays, que não são estereótipos da imigração, quebram os paradigmas, de que a imigração brasileira para o exterior é só por causa das questões econômicas”, diz ela.  “É também.  Mas na Flórida, essa imigração tem muitas outras razões, muitas outras explicações e, historicamente, é diferente do resto”.

Foto de Carla Guarilha

Dez anos se passaram desde o começo da pesquisa e a catedrática da USP diz que pouca coisa parece ter mudado, mas é isso que ela está voltando para comprovar.

“A hipótese principal agora é que, com a crise [econômica], os fluxos migratórios não se alteraram.  Essa imigração continua tão importante quanto era –  o que mais uma vez reforça meu argumento de que só a economia não explica a imigração [brasileira]”.

Ela diz que apesar das diferenças sociais, culturais e econômicas, foram razões subjetivas que fizeram com que esses brasileiros se mudassem para Flórida.

“A razão econômica é fundamental mas não vai sozinha e é a mais fácil de você declarar”, diz ela.  “Nenhuma razão estrutural se sustenta sem as questões subjetivas.  A decisão de sair do país é tão difícil de tomar que você precisa de um impulso pessoal que te ajude a tomar essa decisão”.

E isso vale para a pesquisadora também.

“Eu adoro a Flórida.  Venho aqui e fico com vontade de ficar um tempo”, diz ela.

Mas agora não é mais estudante de doutorado e seus compromissos de pesquisas no Brasil lhe impedem de passar períodos mais longos como fez 10 anos atrás.  Ela pretende vir por períodos curtos cada vez para atualizar os estudos.

Valéria diz que seu maior desafio foi e continua sendo convencer os colegas que Miami é um “objeto importante de pesquisa”.

“Esse brasileiro mais metido a intelectual – o brasileiro mais voltado para questão das artes, da intelectualidade — não gosta de Miami”, diz Valéria. “Miami é visto como o lugar das compras, lugar brega, mas insisto que é interessante estudar isso aqui.  Há uma carência enorme de estudos sobre a Flórida.”

No video, Valéria conta em menos de 60 segundos o segredo do seu sucesso:

Brasileira lança livro sobre imigração brasileira em Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

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16 comentários | Comentar

  1. 66 eloa 09/02/2013 23:40

    porque as pessoas nao falam a verdade sobre miami? roubos, mortes violendas miseria sujeira no centro de miami e muito mendingo por favor falem a verdade nao seja falsos.abcccc

  2. 65 Dayse Sena 07/12/2012 17:08

    Oi Chris, estava navegando pela Net e te encontrei. Vc se lembra de mim?? Do cafezinho mineiro que vc me pediu pra fazer na sua casa?? Estou em São Paulo e simplesmente moooorro de saudades de Miami. Quero e vou voltar de qualquer jeito. Um beijo querida e sei que vc é super ocupada, mas me escreva se tiver um tempinho. :)

  3. 64 marcelo 06/11/2012 11:55

    Gosto demais de Miami – vou de 02 a 03 vezes por ano´- me lembra o RJ porém com uma maior sensação de segurança. Acho divertido ver as pessoas andando com seus conversíveis TOP (Ferraris, Porsches e outros), com a capota abaixada em pleno sábado à noite. Em SP isso seria impensável, pois dentro de um carro desses tem uma pessoa rica, com um relógio caro, cartões de crédito com bons limites ou ILIMITADOS – alvo fácil e certeiro para assaltos, sequestros, etc. Vejo em Miami a possibilidade de uma pessoa não se sentir culpada ou ameaçada por ser rica ou ter uma condição financeira mais privilegiada. Adoraria morar lá e estou pensando seriamente em comprar um imovel na FLorida – diga-se de passagem a preço bem reduzido em relação ao mercado brasileiro atual.

  4. 63 ademir 24/10/2012 23:42

    Quero muito conhecer Miami, em breve se Deus permitir.

  5. 62 Tô de olho!!! 24/10/2012 1:47

    Lá as coisas funcionam. Não há tanta corrupção como aqui.

  6. 61 Leila Dacosta 23/10/2012 13:33

    OI Valéria

    Parabéns pelo livro! Está na hora de voltar e estudar os brasileiros da Flórida 10 anos depois!!!!

    Parabéns também a Chris que proporcionou esta oportunidade!!! Obrigada!!

    Leila

  7. 60 guimarães 23/10/2012 13:30

    Concordo com a doutora quando diz que o fluxo migratório não depende só da situação econômica do país .Pois não adianta a economia brasileira ir bem , se as pessoas não se prepararam para as opotunidades e investirem em si mesma.Acho um pouco de fuga esta ida para fora ,quase todas as pessoas que conheci que embarcaram nessa não tinham qualificação profissional vão atras de algo utópico Se for a luta o BRASIL é o melhor país do momento !!!

  8. 59 Edson Ferreira 23/10/2012 13:20

    Gostaria de obter o contato da Valéria Magalhães. Tenho interesses na Flórida e ela pode me ajudar ou indicar alguém conhecido.

    Obrigado

  9. 58 josemar candido 23/10/2012 13:17

    Realmente o que Ela diz está correto. Digo isto porque morei em Miami por 3 anos. Não fui por causa da situação econômica e sim pela experieência de vida e tudo mais. Fui para lá em 97 e voltei em 99 depois 2001 e voltei em 2002 e semprec digo que a cidade depois de Sampa na qual moraria seria Miami. Oh cidade maravilhosa. Estarei viltando em julho/2013 para matar a saudade de férias.

  10. 57 dulce 23/10/2012 13:07

    Tenho vários amigos que moram no exterior eles dizem que jamais voltam ao Brasil, que tudo é diferente daqui, parece que tudo funciona direito.Mas eu não sei, não estou lá prá ver.Alguns deles depois que foram nunca mais vieram porque não tem dinheiro .Uma amiga mora na Itália é formada em enfermagem aqui no Brasil e lá trabalha numa sorveteria.Será que aqui não encontraria um bom emprego com essa formação?

  11. 56 p 23/10/2012 11:52

    Por “ACASO” o BRUNO que escreve é brasileiro??? se for, deixa de ser.

  12. 55 Ricardo 23/10/2012 11:33

    É triste ver que há tantos brasileiros e brasileiras que vão se prostituir no estrangeiro, seja na Florida, ou na Europa. Muitos migraram na época das vacas magras, agora que o Brasil está novamente crescendo, voltam com o rabo entra as pernas depois de passarem humilhações no estrangeiro, para entrar no mercado, disputando com quem ficou aqui aguentando o rojão.

  13. 54 Bruno 23/10/2012 10:44

    Brasil é um país hipócrita, onde o governo só tem interesse de fazer alguma coisa dentro dos interesses pessoais dos partidos aliados, lugar FEIO, de gente FEIA e com mentalidade primitiva. Me admiro muito ver alguém que tem orgulho de ser BRASILEIRO.

  14. 53 Ivan-S.Paulo 23/10/2012 10:35

    Jamais iria embora do Brasil pelo fator economico,mas sim pelas grandes e odiosas injustiças que há neste pais,pela impunidade,pela escancarada corrupção,pela saude,educação que não funciona,enfim iria daqui por se sentir impotente de ver tanta coisa errada,e não conseguir mudar.

  15. 52 Marisa barbosa 23/10/2012 10:31

    Parabens pelo trabalho de pesquisa. Realmente sinto essa carencia de estudos sobre nos aqui. Muita coragem mesmo um tema desse dentro do mundo academico… Conheco bem!

  16. 51 Sonia Pennacchiotti 23/10/2012 10:27

    Parabéns, Valeria, todos os seus esforços valeram a pena. Certamente o seu sucesso já está garantido. Concordo plenamente quando você diz que o estudo é tudo na vida de uma pessoa. O aprender é infinito e muito gratificante! Que você continue trilhando esse caminho maravilhoso de pesquisas sobre comportamentos do ser humano. Beijos carinhosos, Sonia Pennacchiotti

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