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terça-feira, 5 de março de 2013 Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Saude | 11:02

Trabalho de brasileiro em Miami salva vidas de crianças no mundo

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Leucemia e linfoma são dois fantasmas da medicina que aterrorizam pais no mundo inteiro, que temem pela saúde de seus filhos, vulneráveis a esses tipos de câncer no sangue, muitas vezes curáveis apenas através de um transplante de medula óssea.

O problema é que nem sempre se encontra um doador compatível em tempo.

Esse foi o caso de Icla da Silva, uma brasileira de Maceió, que faleceu com leucemia, aos 13 anos, em 1992, em Nova York, onde buscava um doador.

Nunca encontrou, mas partiu, deixando uma missão, que hoje faz parte da vida de Carlos Wesley, representante em Miami da Fundação Icla da Silva, atualmente o maior centro de recrutamento do registro nacional de doadores de medula óssea nos Estados Unidos, conhecido como “Be the Match” (“seja compatível”).

A Fundação, baseada em Nova York, completa 21 anos em 2013.  E há cinco, conquistou o coração e dedicação do jornalista carioca, casado há 20 anos e pai de duas crianças saudáveis, Bruno, hoje com 15 anos, e Carolina com 8.

Logo que chegou na Flórida, estava em um evento, e conheceu Airam da Silva, irmão de Icla, que hoje dirige a entidade com o nome de sua irmã.

Wesley escreveu uma matéria sobre o assunto e uma família de Dallas, no Texas, leu e entrou em contato com a Fundação.

Carlos Wesley, em sua casa, em Miami, sempre sorridente -- e trabalhando, constantemente em busca de doadores de medula óssea. Um caso de compatibilidade é o suficiente para salvar uma vida, diz ele. Foto de Carla Guarilha.

O menino que precisava do transplante tinha 6 anos e se chamava Bruno.

“O mesmo nome do meu filho”, diz Wesley.  “Eu realmente me envolvi e fiquei muito impressionado com o trabalho da Fundação desde o primeiro momento que conheci o presidente [Airam da Silva] e o trabalho que realizam”.

A Fundação Icla da Silva conseguiu 40 mil doadores nos Estados Unidos no ano passado, e muitos vieram através do empenho de Wesley, que mantém uma presença ativa na comunidade brasileira do Sul da Flórida e acaba de mandar 88 novos formulários preenchidos durante uma campanha recente no consulado do Brasil em Miami.

Na mesa, já prontos os envelopes para ele colocar no correio com formulários de novos doadores. Foto de Carla Guarilha.

“O consulado em Miami tem sido um grande parceiro da Fundação”, diz Wesley. “Através desta aliança com o cônsul-geral , Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, que sempre abre as portas para realizarmos as campanhas, a gente consegue  encontrar mais brasileiros”.

E são especificamente os brasileiros – e outras minorias étnicas – que Wesley procura diariamente para aumentar as chances de compatibilidade, que depende da genética e raça do indivíduo.

Das 10 milhões de pessoas registradas no banco de doadores aqui nos EUA, oito milhões são americanos caucasianos, diz Wesley.

Isso dificulta as chances de compatibilidade.

“Nós [brasileiros] somos uma mistura de raças.  Somos europeus, africanos, índios, então, para um paciente brasileiro é mais difícil encontrar um doador compatível”, diz.  “Por esse motivo, precisamos registrar mais e mais brasileiros dessas misturas. São vidas que estão sendo salvas, são pessoas que estão tendo essa segunda oportunidade na vida porque conseguem encontrar, dentro do registro de doadores, um doador compatível”.

Wesley manda para a sede da Fundação em NY, em média, de 200 a 250 formulários todo mês.

Ele diz que a satisfação de poder salvar uma vida não tem preço.

“Acho que nosso primeiro trabalho é educar e informar que qualquer pessoa pode fazer a diferença dentro da nossa comunidade, sem pagar nada”, diz.

Wesley mostra como é simples o teste que determina a compatibilidade dos doadores. Foto de Carla Guarilha.

O processo para se tornar doador aqui nos Estados Unidos é simples: preencher um formulário com dados básicos, como endereço e telefone para que o doador possa ser encontrado no caso de compatibilidade, e passar quatro cotonetes na parte interna da bochecha.  Com isso, as informações entram no banco de dados nacional e ficam disponíveis para pacientes no mundo inteiro, inclusive no Brasil, onde a Fundação e seus representantes, como Wesley, também atuam e auxiliam pacientes que necessitam de um transplante de medula óssea com informações, contatos e, principalmente, na busca por doadores compatíveis.

E para Wesley, não há nada melhor do que a sensação de missão cumprida quando um paciente encontra um doador compatível.

“Quando você vê uma mãe e um pai com um filho no leito de um hospital esperando um doador sem poder fazer nada, você coloca seus problemas na perspectiva certa.  A Fundação me dá a oportunidade de agradecer tudo que Deus tem me dado”, diz Wesley, que hoje, aos 47 anos, divide seu tempo entre a Fundação, seu outro trabalho como coordenador de mídia digital da HBO em Miami e sua família.  “Eu tenho que agradecer a Deus diariamente — e eu agradeço diariamente — por tudo que Ele me deu: uma família maravilhosa, filhos saudáveis, meu trabalho e amigos.  Às vezes, a gente chega num hospital para confortar uma família e são eles que nos confortam”.

Para conhecer mais o trabalho da Fundação Icla da Silva, visite o site http://www.icla.org/pt.  Para se tornar um doador, entre em contato com Carlos Wesley pelo e-mail  carlos@icla.org ou telefone (646) 385-0671.

No vídeo, Carlos Wesley revela em menos de 60 segundos o segredo do seu sucesso:

Trabalho do brasileiro Carlos Wesley em Miami salva vidas de crianças no mundo. from Chris Delboni on Vimeo.

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17 comentários | Comentar

  1. 67 Ivonete Leite 12/03/2013 13:34

    E um belisimo humanitario trabalho. Minha admiracao!!

  2. 66 Jade Matarazzo 08/03/2013 3:17

    Trabalho dificil de divulgar este do Wesley! Parabens por levar sempre adiante e nunca desisitr! salvando-se uma vida de cada vez e aumentando o “awarness” das pessoas de como e simples contribuir para aumentarmos as chances de encontrar-se doadores compativeis cada vez mais rapidamente!!!

  3. 65 Angela Valle 07/03/2013 20:02

    Carlinhos, que trabalho super bacana! Parabéns e continue assim ! Grande abraço.

  4. 64 amanda ferreira 06/03/2013 12:39

    Belíssimo trabalho!!! São fatos como estes que nos fazem pensar num mundo melhor!!

    Gostaria de ajudar, se tiverem notícias de como fazer algo me falem.

  5. 63 Cláudio José 06/03/2013 11:20

    Parabéns, e que Deus te ilumine sempre!

  6. 62 elita 05/03/2013 21:51

    Parabens Wesley, pelo lindo trabalho e pelo sorriso estampado escancarado no rosto sempre que te encontro, Sao pessoas como voce que o mundo precisa…..Um beijo grande, me sinto orgulhosa de ser tua amiga……..beijo Elita

  7. 61 Ricardo 05/03/2013 21:12

    Respondendo a Regiane, já temos aqui no Brasil o centro de medula ossea, no site do instituto nacional do cancer, todos podemos participar, http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=64, acredito que seja internacional.

  8. 60 Adilio Faustini 05/03/2013 20:25

    Essa é a diferença de um país Democrático de uma Ditadura.Lá nos EUA tem gente de todas as nacionalidades como no Brasil e que trabalham, estudam e fazem muitas coisas que ajudam inúmeros países.A maioria das drogas contidas no coquetel utilizado nas pessoas infectadas com HIV foram desenvolvidas nos EUA onde tem cérebro do mundo inteiro como nosso cientista Miguel Nicolellis.Se o Brasil permanecer democrático atingirá os mesmos índices de excelência dos EUA, temos muita gente estudiosa e dedicada é só o Governo ajudar e não atrapalhar.

  9. 59 SENA 05/03/2013 19:58

    Pastor Brito – Que alegria ver tu dar “a velha medula” Sou Espirita KARDEC comenta em sua teses que vários Pastores participaram na construção da Doutrina Espírita que se molda pelo EXEPLO que tú deste ao oferecer a MEDULA – Parabens – Oxalá.

  10. 58 ANÍBAL DOS SANTOS FILHO 05/03/2013 17:24

    Excelente! Tenho certeza que lá, ele é valorizado! Aqui, tenho minhas dúvidas! Quem tem valor por aqui, é a corrupção, pessoas de caráter indefinido. Carlos, o Mestre dos médicos, está contigo!

  11. 57 Tuca Bortoli Bruhns 05/03/2013 17:16

    Maravilhoso!!! Isso sim é relevante. Garanto que pouca gente aqui no Brasil conhece este homem, mas as falcatruas, as sem-vergonhices de nossos políticos todos sabem. Brasil abre sua porta, mostra sua cara, isso é trabalho, não inaugurações de estádios para essa droga de Copa que vamos perder. Ah!Ah!Ah!…

  12. 56 josé Britto Barros 05/03/2013 15:04

    Parabéns, conterrâneo. Essa é a gloria da vida que por um instante vivemos neste mundo SERVIR.DEUS CONTINUE ABENÇOANDO SEU TRABALHO E SALVANDO VIDAS. SE FOR POSSÍVEL DIGA SE HÁ LIMITE DE IDADE PARA SER CONSIDERADO COMPATÍVEL, PERGUNTO PORQUE JÁ TENHO 82 ANOS, MAS SE AINDA PUDER OFERECER MINHA VELHA MEDULA, TEREI PRAZER NISSO.
    UM ABRAÇO BRASILEIRO DE EFUSIVOS PARABÉNS.
    PASTOR BRITTO

  13. 55 Roosevelt R da Silva 05/03/2013 13:59

    Parabens Wesley pela iniciativa em divulgar o trabalho da Fundacao!
    Este tipo de materia eh fundamental para educar e estimular as pessoas a serem possiveis doadores de medula ossea, uma esperanca de vida para centenas de pacientes de enfermidades do sangue e outras trataveis atrves do transplante de medula ossea!
    Esta energia que nos aproxima eh o amor ao proximo!!

    Abracos,
    Roosevelt

  14. 54 Lorena 05/03/2013 13:40

    Carlos Wesley e sua esposa sao brasileiros fazendo a diferenca no sul da Florida, sempre apoiando campanhas como essa, presentes nos maiores e mais importantes eventos, divulgando, por meio de um dos maiores veiculos de comunicao, informacoes de imensa importancia para a comunidade brasileira. Parabens por mais este trabalho.

  15. 53 Mariana 05/03/2013 12:32

    Seria bom deixar claro nesta materia que o entrevistado nao faz este trabalho gratuitamente ou como voluntario, ele ganha salario para isso.
    Nao que seja errado, mas isso nao e comum no Brasil, As pessoas nornalmente fazem voluntariado de graca sem salario fixo. O trabalho do consulado tbm e pequeno perto das igrejas, que ha anos colaboram com esta instituicao…e o ultimo doador que foi compativel com uma crianca e brasileiro e foi encontrado dentro da igreja que dedicou tempo e pessoas ajudando nas coletas.
    88 novos doadores nao sao nada, perto de campanhas feitas antes pelo pais e pela Florida, as vezes a vaidade toma conta da reportagem sendo que o foco poderia ter sido outro. Mas mesmo assim o entrevistado e a reporter merecem seu destaque!

  16. 52 Mariana 05/03/2013 12:26

    Muito bonito o trabalho desta instituicao, e dos voluntarios.

  17. 51 Regiane 05/03/2013 12:03

    Porque não estão fazendo o mesmo aqui?

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