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terça-feira, 4 de setembro de 2012 Direto de Miami, Diversão, Esporte, Miami | 09:33

Rei do café surfa nos negócios e na vida

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Christian Wolthers, apesar do nome, é brasileiro. Mais precisamente de Santos, no litoral de São Paulo. E, como muitos que moram perto de praia, começou a surfar ainda garoto, com apenas 9 anos.

Hoje, com 53, Christian mora no sul da Flórida, onde abriu recentemente sua primeira loja de pranchas de surfe e Stand Up Paddles, o surfe a remo, uma modalidade do esporte aquático que vem crescendo rapidamente aqui, no Brasil e no mundo.

Christian Wolthers na sua loja em Fort Lauderdale. Fotos de Carla Guarilha.

O que atualmente é um negócio sério e consolidado, começou como uma brincadeira.

Apaixonados pelas ondas,  Christian e o irmão mais velho John começaram a fazer e vender pranchas para sustentar o hobby. E foi assim, ainda adolescentes e com incentivo do pai, que a dupla abriu uma pequena fábrica de pranchas de surfe, a “Viking”, apelido que ganharam nas praias  por conta do tipo físico e do seriado que passava na TV na época.

John, esq., e Christian, dir, com 12 anos. Cortesia.

Mas, a morte do pai em 1978, fez com que  Christian, aos 18 anos, assumisse outro negócio da família: o comércio de café. “Meu pai deixou uma herança, um nome muito forte no café”, diz.

E assim, o empresário das pranchas surfou muito bem no outro ramo também. Ele conhecia o potencial do café brasileiro, mas sabia que o Brasil tinha fama de exportar para os Estados Unidos produto de média qualidade. Estava disposto a enfrentar o desafio e mudar a imagem do café brasileiro no mundo inteiro.

“Foi nadando contra esse estigma que resolvi abrir um escritório nos Estados Unidos”, conta, orgulhoso, que poucos anos depois, o Starbucks estava vendendo em todas suas lojas a linha ‘Brazil Ipanema Bourbon’, da fazenda Ipanema, representada pelos Wolthers.

“Sem dúvida fui o primeiro a trazer cafés especiais para os Estados Unidos”, confirma.

E foi assim que Christian se mudou com a esposa e os filhos para Fort Lauderdale, perto de Miami, nos anos 90. “A Flórida sempre esteve com a gente”, brinca Christian, fazendo referência a praia da Flórida, em Praia Grande, onde surfava na sua infância e juventude.

Já instalado aqui, abriu a Wolthers America, uma importadora de café que trabalha diretamente com a Wolthers & Associates, que opera como corretora do produto no Brasil.

As duas empresas vendem hoje em média quatro milhões de sacas de café por ano e continuam expandindo os negócios com escritórios em outras partes no mundo — sempre tomando decisões, dentro do possível, com olho nos melhores pontos para o surfe.

“Montei escritório de café na Guatemala e abri uma distribuição de pranchas Viking lá. Guatemala talvez seja a onda mais perfeita e desabitada”,  conta, sorridente o surfista.

Ele lembra que até em locais não muito propícios ao surfe, ele sempre deu um jeito de aliar os bons negócios à onda perfeita, ou o mais perto possível disto.

Christian surfando no ano passado na Nicaragua, outro de seus pontos favoritos para surfar. Cortesia.

Christian conta orgulhoso que aos 21 anos foi a primeira pessoa a surfar na Dinamarca, isto com uma prancha feita com um ralador de queijo em cima de um arbusto.  Ele diz que não resistiu a visão de enormes ondas geradas por uma tempestade que tinha atingido a cidade de praia onde ele e a mulher estavam para ter o primeiro filho do casal, Rasmus.

Hoje, a Viking Surfboards produz em séries de até 50 pranchas, tem mais de 150 modelos seus exclusivos e vende anualmente cerca de 2.500 pranchas de vários tipos e tamanhos, entre elas a SUP – Stand Up Paddles, que está entre as mais procuradas e dá o nome a sua nova loja: Vikings Surf’s SUP, um trocadilho com a gíria em inglês, “surf’s up”, algo como, “E ai, surfando bem?”.

A SUP, na parede, é uma das modalidades que mais cresce nos Estados Unidos.

Christian diz que sua identidade como surfista aos poucos está desaparecendo, mas ele tenta não perder nenhuma oportunidade.  No último furacão, Isaac, aproveitou as ondas fortes na praia de Haulover, perto de Miami e esta semana segue de prancha para Orlando para a Surf Expo – uma grande feira de esportes aquáticos, com participação de 12 mil participantes.

“Vamos subir surfando e voltar surfando, se tiver onda”, diz o empresário de café, que aprendeu com os 18 anos de vida que conviveu com seu pai a valorizar sempre o nome da família e nunca trabalhar apenas pelo dinheiro, valores compartilhados pela esposa de 33 anos, companheira do surfe e da vida.

Christian e a esposa Viviane, sua companheira no surfe e na vida.

“Quando você tem paixão pelo que faz, você sempre tem motivação para criar coisas novas”, diz Viviane, enfermeira e acupunturista especializada em medicina oriental.  “Tem que ter sempre um estímulo para uma coisa nova e muita perseverança”.

E assim a família de surfistas cresce com netos e novos negócios.

E eles têm fôlego para muito mais.  Abriram há três anos o Bikkini Barista, um multiplex de três andares em Santos, com café, restaurante, nightclub e casa de shows.

Foi uma ideia de Rasmus para diversificar os negócios da família, que tem como sócio o primo, barista e músico, conhecido nas rodas do entretenimento como Crica.

“O nome é uma fusão das nossas duas raízes: o barista é o café e o biquíni é a brisa do mar e surfe”, diz Christian.

Wolthers mostra, orgulhoso, sua assinatura numa de suas pranchas favoritas.

*No vídeo, Christian fala um pouco sobre sua visão de sucesso, que conquistou graças a sua esposa, conforme se identifica com o relato de Michelle Obama, primeira-dama dos Estados Unidos.

Christian Wolthers, rei do café e do surf brasileiro, revela o segredo do seu sucesso: visão de futuro e amor da família. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 21 de agosto de 2012 Comida, Diversão, Gastronomia, Miami | 10:01

Direto de Miami traz duas programações imperdíveis para cortar a monotonia dos domingos

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

A voz de Maryel Epps anima os domingos no Restaurante City Hall. Foto de Carla Guarilha.

Uma estranha e deliciosa mistura: o santo e o profano.  É o que oferece o City Hall The Restaurant, um local tipicamente americano, que aos domingos serve um almoço regado à voz de uma das maiores cantoras de música gospel daqui, Maryel Epps.

“As pessoas comentam comigo: me sinto como se tivesse ido à igreja – mas comi e bebi ao mesmo tempo”, brinca Steven Hass, dono do restaurante.  “É o domingo perfeito”.

Steven Hass com a velha amiga Maryel Epps no City Hall. Foto de Carla Guarilha.

O show é informal e interativo, mais ou menos das 12h45 às 14h45, com um breve intervalo.  Mas o horário não é lá muito britânico.  Às vezes, começa um pouco mais tarde e vai até 15h30, tamanha a animação do público,  sedento pela voz mágica e encantadora da cantora americana, e por uma boa panqueca, omelete ou a famosa polenta cremosa da casa.

Epps veio de Nova York para fazer um show em Miami há mais de 10 anos e se apaixonou pela cidade.  Lançou seu programa, “Gospel Brunch”, primeiro no elegante e aconchegante bistrô francês Caviar Kaspia, tradicional de Paris, que existia no primeiro andar da badalada boutique The Webster em South Beach.  Quando o restaurante fechou, a cantora fez um tour pelo mundo até que Hass, veterano no ramo de gastronomia em Miami abriu o City Hall há pouco mais de um ano.

Epps no inicio do show. Foto de Carla Guarilha.

Hass tem um longo histórico de administração de restaurantes em Miami, do tradicional The Forge ao China Grill – até que no ano passado, resolveu arriscar uma carreira solo e abrir o City Hall, que tem tido tanto sucesso que ele pensa agora em expandir internacionalmente.  Um dos locais em consideração é São Paulo.

“Adoro o Brasil e não tenho medo de pegar um avião”, diz, sorridente.  “Os brasileiros nos conhecem bem.  Isso ajuda bastante. Já ter um nome reconhecido é um fator importante  quando a gente pensa em abrir em outra cidade”.

Epps anima uma mesa de brasileiros e conversa com dona Yedda Paradela, carioca, em Miami desde 1959, que comemorava seus 84 anos com a família no City Hall. Foto de Carla Guarilha.

O City Hall é um dos cerca de 200 restaurantes que participam do “Miami Spice”, uma iniciativa proposta por Hass há mais de uma década para lidar com a crise econômica depois dos atentados terroristas de 2001.  Os restaurantes estavam às moscas e Hass, atualmente “chair” do Greater Miami Convention & Visitors Bureau, propôs à cidade na época um programa onde os participantes ofereceriam um cardápio de preço fixo, com direito a entrada, prato principal e sobremesa. Ele conta que ninguém hesitou, e hoje o Miami Spice é um sucesso nos meses de agosto e setembro.  Uma conta que sairia US$100 por pessoa nos outros meses do ano, durante Miami Spice fica entre US$19-23 no almoço e US$33-39 no jantar, sem bebida.  Vale a pena conferir os detalhes pelo site: http://ilovemiamispice.com.

Epps com sua banda. Foto de Carla Guarilha.

City Hall The Restaurant
2004 Biscayne Blvd, Miami, FL 33137-5012
(305) 764-3130
http://www.cityhalltherestaurant.com.

VIDEO: Assista ao vídeo de uma pequena amostra da voz de Maryel Epps e sua mensagem para os brasileiros:

Cantora Gospel Maryel Epps encanta com sua voz mágica no restaurante City Hall. from Chris Delboni on Vimeo.

BOX:

Para quem busca uma opção mais sofisticada para o domingo – mas ainda acessível durante os meses do Miami Spice, nada melhor do que o Smith & Wollensky, uma “steakhouse” que existe em várias partes dos Estados Unidos, mas que em Miami tem um diferencial:  uma vista imbatível com um espetacular pôr-do-sol, o que torna o local perfeito para um “happy hour”.

Fica em South Pointe, um dos pontos residenciais mais caros de Miami – e passagem obrigatória dos cruzeiros que saem do porto.

Quem preferir pedir pelo cardápio habitual,  o “bouquet” de frutos do mar, que vem com lagosta, ostras, camarão e caranguejo é uma das entradas favoritas dos frequentadores (US$32) e, como prato principal, há muitas opções de carne (de US$42-56) – do filet “Au Poivre” ao “Oscar Style”, recheado com carne de caranguejo, ou um Porterhouse,  gigante para duas pessoas (US$95). Os peixes também são fresquíssimos e a lagosta é um dos pratos principais.  Só que aí, lembre-se de perguntar o valor do dia antes de pedir lagosta para não tomar um susto quando a conta chegar.

Filet Oscar - com carne de caranguejo

Filet Oscar, recheado com carne de caranguejo

"Bouquet” de frutos do mar.

Smith & Wollensky
1 Washington Avenue 
(em South Pointe Park)
Miami Beach, FL 33139
(305) 673-2800
Para informações do restaurante de South Beach, visite: http://www.smithandwollensky.com/sw-miami-beach

Fotos: Cortesia S&W

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terça-feira, 14 de agosto de 2012 Arte & Cultura, Cinema, Direto de Miami, Diversão, Entrevistas, Miami | 09:05

Falta de patrocínio não impede uma mato-grossense de continuar divulgando o cinema brasileiro em Miami, em grande estilo.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

O Festival de Cinema Brasileiro de Miami completa 16 anos e, apesar da falta de grandes patrocínios, vai manter a qualidade e o padrão que o consagra.  Tudo isto por conta do amor de Viviane B. Spinelli e suas sócias, as irmãs Cláudia e Adriana Dutra. A crise econômica atingiu em cheio os negócios, mas não a garra, a dedicação e o empenho desse trio.

Spinelli diz que apesar de ter menos ajuda financeira, a edição deste ano continua com o apoio local e alguns patrocínios importantes, como do Consulado do Brasil em Miami, e não deixa nada a desejar aos outros festivais.

“O conteúdo do festival está lindo, e a gente está com um cinema maravilhoso com filmes belíssimos”, diz ela.  “Acho que é isso que vale no fim das contas”. E foi com esse mesmo espírito que deu início, em 1997, ao primeiro Brazilian Film Festival of Miami.

Viviane diz que sempre buscou desafios e nunca gostou de se acomodar em nada na vida.

Viviane na piscina de sua casa com Athena Von Claude, uma cadela da raça Pastor Alemão - capa branca, com um ano e meio e 50 kg. Foto de Carla Guarilha.

Com 15 anos, tinha um vida confortável em Cuiabá e um Mustang na garagem.  Mas queria conhecer o mundo e começou pelo Rio de Janeiro, onde morava sua avó Dilza Maria Curvo Bressane, hoje com 91 anos.

Viviane, em Cuiabá, ao lado de sua vózinha, dona Dilza, sua "segunda mãe", hoje com 91 anos. Album de família,

Queria estudar artes plásticas mas acabou cedendo as pressões da família e, com 17 anos,  começou a estudar arquitetura.  Mas, sua vida mudou mesmo quando foi estudar inglês na Califórnia e na volta passou uns dias em Miami visitando as amigas Cláudia e Adriana  – sim, as mesmas que hoje são suas sócias. Ela adorou a cidade e sabia que voltaria. Assim foi.

Assim que conseguiu, retornou a Miami para morar, e em seguida, as três amigas abriram a Inffinito Promotions, transformando um sonho em um dos eventos mais importantes da cidade.

“O Brasil ainda era um pouco visto pelo estigma de futebol e samba.  Ninguém falava do lado cultural, dos filmes, teatro, da cultura brasileira”, conta Spinelli.  “A gente pensou, vamos fazer um festival de cinema brasileiro para mostrar a cultura por um outro prisma”.

Viviane ainda se emociona ao lembrar do primeiro ano do festival.

“Foi uma repercussão muito bonita”, diz Spinelli.  “A gente não esperava”.

Cortesia Inffinito

Cortesia Inffinito

A edição de lançamento foi realizada no cinema Bill Cosford, da Universidade de Miami, em Coral Gables, onde passa muitos filmes experimentais, estrangeiros e documentários, voltados para um público intelectual e apaixonado por cinema.   Só que o mais novo evento da cidade na época contava com um diferencial: o “glamour” brasileiro.

Vieram especialmente para o ocasião nomes importantes da grande tela do Brasil, como Andrea Beltrão, Marieta Severo e Evandro Mesquita, e mostraram filmes premiados e celebrados, como “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, de Carla Camurati, “O pequeno Dicionário Amoroso”, de Sandra Werneck, “Como Nascem os Anjos”, de Murilo Salles, e “Terra Estrangeira”, de Walter Salles e Daniela Thomas, entre outros.

“Às vezes, você tem umas ideias que não sabe o que vão dar, e dão certo”, diz Spinelli.  “A gente não tinha noção da dimensão que poderia tomar isso”.

O sucesso foi tanto que a prefeitura de Miami Beach convidou o grupo para fazer o segundo festival no Colony Theatre, na Lincoln Road, com a noite de estreia em um telão ao ar livre.

A sociedade das três amigas começou a crescer e hoje a empresa é dividida em três operações: Inffinito Núcleo de Arte e Cultura e Inffinito Eventos e Produções no Rio de Janeiro, onde Cláudia e Adriana moram atualmente, e Inffinito Foundation, em Miami, onde está Viviane.

“São 18 anos de parceria”, diz orgulhosa Spinelli, que cuida de toda a produção internacional.

Viviane no meio das sócias, Cláudia e Adriana. Cortesia Inffinito.

A Inffinito apresenta cerca de 10 festivais de cinema brasileiro no mundo, da América Latina à Europa, passando por Vancouver no Canadá e Canudos no Brasil.

Viviane conta que nunca esqueceu quando recebeu o primeiro grande patrocínio da Petrobras.  Diz que apareceu uma coruja na janela do escritório em Miami e, naquele momento, sabia que estava no caminho certo.

Ela acredita que ainda vai ter de volta os grandes patrocínios e aposta na força da letra F, que aparece em dose dupla no nome da empresa Inffinito, em palavras essências nesta história: filme, força e feminino.

“Acho que tudo na vida da gente é trabalho, realização e busca”, diz.  “Estou buscando ainda.  Não me sinto estagnada com 43 anos – não me sinto completa ainda”.

Spinelli nunca deixou de pintar ou perdeu sua paixão por arte.

Seu próximo desafio agora é abrir uma galeria de arte em Miami.

“A gente sempre tem que ter um sonho na gaveta”, diz. “Quando a gente para de sonhar, a gente para de ter razão para viver”.

Viviane com Samantha Jones, sua gata, ao lado de um de seus quadros. Ela tem um pequeno atelier em casa e ainda sonha em abrir uma galeria de arte em Miami. Foto de Carla Guarilha.

O Festival de Cinema Brasileiro de Miami acontece entre os dias 18 e 25 de agosto. Serão exibidos 22 filmes, entre curtas e longa metragens da Mostra Competitiva no Colony Theatre e Mostra Paralela no Miami Beach Cinematheque.

O festival vai abrir com uma programação gratuita do “O Palhaço”, de Selton Mello, no paredão ao ar livre no New World Symphony, em Miami Beach.

Para mais informações ou compra de ingressos visite http://www.brazilianfilmfestival.com/miami/2012/miami2012_en.html

*No vídeo, Viviane fala da relação com sua avó, sua grande inspiração:

Festival de Cinema Brasileiro de Miami completa 16 anos. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 10 de julho de 2012 Direto de Miami, Diversão, Meio ambiente, Miami, Turismo, Viagem | 10:10

Direto de Miami mostra os bastidores do Seaquarium em Miami

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha


Como uma estória de amor, Romeo e Julieta chegaram juntos no Seaquarium em Miami em 1958. Juliet, como foi batizada em inglês, tinha sofrido um acidente por barco e precisava de cuidados médicos. O parque, aberto na época há apenas quatro anos, foi o local escolhido para tratar do peixe-boi, ainda filhote, que hoje pesa mais de 1300 quilos e é um dos mais velhos, com cerca de 60 anos de idade, e se tornou uma das grandes atrações do Seaquarium.

Juliet é a mais pesada do Seaquarium. Ela ficou com sequela de ferimento na região da cauda.

Já Romeo, trazido na época como acompanhante de Juliet, mantém a mesma função até hoje: serve de companhia para novos peixes-bois que chegam machucados ou doentes no centro de reabilitação do parque, um espaço fechado ao público, ao qual Direto de Miami teve acesso exclusivo.

Romeo recebe um agrado de uma das coordenadoras do centro de reabilitação.

Jodi Tuzinski, especialista em cuidados com os animais aquáticos, há 15 anos no Seaquarium, diz que atualmente há sete peixes-bois em reabilitação, que devem ser levados de volta ao mar ou às suas águas de origem quando estiverem curados.

Jodi Tuzinski é especialista em cuidados com os animais aquáticos.

“Nosso objetivo é salvá-los e mantê-los livres para que continuem se reproduzindo”, diz ela. “Só são trazidos por que precisam de cuidados”.

Espécie em extinção, hoje há cerca de 4 mil peixes-bois nos Estados Unidos, metade, diz Tuzinski, vivendo na Florida.

Tuzinski diz que eles chegam no Seaquarium da mesma forma que seres humanos são levados a um pronto socorro.

Quando são encontrados machucados ou doentes, os veterinários e especialistas em campo determinam o que fazer e para onde levá-los.

O Seaquarium é um de três estabelecimentos especializados na Flórida em resgate e reabilitação.

Tuzinski conta que já chegou a receber 23 deles em um ano que fez muito frio, mas, em média, chegam 10.

Eles não suportam o frio, diz ela. A temperatura ideal da água para eles é entre 20º e 26º. Abaixo disso, as funções de seus órgãos começam a ser prejudicadas.

O peixe-boi é vegetariano, brinca Tuzinski. Eles comem cenoura e muito alface: 12 caixas de 18 quilos cada, diariamente.

Como os “snow birds”, ou “pássaros de neve”, conhecidos por pessoas aposentadas que passam os meses de inverno americano na Flórida, de novembro a março, o peixe-boi migra enormes distâncias — de estados como o Texas, Geórgia e Virginia – e chega em massa nas águas rasas do estado tropical.

Mas durante esses meses, mesmo salvos da hipotermia, correm sérios riscos de atropelamento por barco, como foi o caso de Wiley, com cerca de 2 anos de idade e, no Seaquarium, há seis meses.

Wiley quando chegou. Foto: Cortesia Seaquarium.

“Quando chegou, Wiley tinha sido ferido por um barco. Dava para ver suas vértebras”, conta Tuzinski. “Estava bem fraco, com infecção, letárgico. Por sorte não ficou paralítico”.

Hoje, diz ela, Wiley é um dos mais gulosos e assim que atingir o peso ideal, será colocado de volta ao seu habitat natural.

“Preferiríamos não ter nenhum peixe-boi aqui”, diz. “Mas, infelizmente, eles adoecem ou são feridos”.

O caminho para diminuir os acidentes, diz ela, é respeitar as regras marítimas: Não jogar sujeira na água para evitar que eles fiquem presos em sacos de lixo e outros objetos, como o anzol, e respeitar os limites de velocidade para os barcos mais próximos da costa ou águas mais rasas.

OUTRAS ATRAÇÕES DO SEAQUARIUM

O Seaquarium recebe até três mil visitantes por ano para ver seus habitantes, como o peixe-boi, mas também o leão-marinho, golfinhos e outros.

O golfinho é o animal mais sociável do Seaquarium. Sempre se aproxima quando percebe a presença de seus admiradores.

Além dos divertidos shows aquáticos, as atividades favoritas são nadar com os golfinhos e mergulhar com os peixes, ao lado dos recifes, como se estivessem no mar.

Kevin, de 5 anos, estava com a mãe, Rebeca Eikel, visitando o Seaquarium pela primeira vez. Os peixes foram a atração favorita do menino, que nasceu em Recife, mora na Suíça e passa férias em Miami, onde a família brasileira comprou um imóvel há um ano. O programa de mergulho -- "Sea Trek" -- tem sido uma enorme atração desde sua inauguração no ano passado.

BOX:

Miami Seaquarium:
Entrada: US$39.95 para adultos, e US$29.95 para crianças 3 – 10 anos.

É preciso fazer reserva para nadar com os golfinhos (no raso, US$139/pessoa, US$99 para crianças. Para nadar no fundo, US$199/pessoa. Sessão de 1h30) e para mergulhar com os peixes no“Sea trek” (US$99/pessoa. Não é exigida experiência). Telefone para reserva de programas interativos: 305-365-2501.

Endereço:
Miami Seaquarium
4400 Rickenbacker Causeway
Miami, Fl 33149

Para mais informações, horário dos shows e reservas, visite o site http://www.miamiseaquarium.com/ ou ligue 305-361-5705 (atendimento em inglês).


*Nos vídeos, Direto de Miami mostra os bastidores dos manatins no Seaquarium e outras atrações do parque.

Conheça os bastidores do Seaquarium em Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

Outras atrações do Seaquarium em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 19 de junho de 2012 Direto de Miami, Diversão, Educação, Miami | 09:40

Diversão e aprendizagem é a fórmula desenvolvida por uma brasileira para ensinar português para crianças em Miami.

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*Fotos de Carla Guarilha

Ex-modelo paulista investiu US$100 mil para montar um playground em Miami com atividades em português.

Um cantinho de recreação e aprendizagem, divertido para as crianças, com a segurança desejada pelos pais e ainda com gostinho brasileiro. Este é o Planet Kids, que fica em Midtown Miami e foi criado pela paulistana Amanda Cavinati Lopez.

A ideia do negócio surgiu quando ela teve a primeira filha, há três anos. Amanda descobriu que não havia um espaço para brincar na cidade quando estava chovendo.

Os centros de recreação existentes ficavam longe de sua casa em Miami Beach e não tinham o que ela considerava essencial para um espaço de convívio para crianças pequenas.  Sua filha Isabella ficava misturada com crianças muito mais velhas, não havia estacionamento, não havia local para os pais ficarem – o que os obrigava a ficar em pé sem ter nem água para beber – e ainda o prédio tinha pé direito baixo e era sem janelas. Amanda diz que todos se sentiam “sufocados com um monte de criança gritando ao mesmo tempo”.

Ela levou dois anos fazendo pesquisa de mercado e, em janeiro deste ano, convenceu seus pais, Miguel e Rosa, a se mudarem do Tatuapé, em São Paulo, para ajudá-la com o Planet Kids Indoor Playground & Café.

Três gerações: Isabella entre a mãe, Amanda, e o avô, Miguel.

Agora, sim, as crianças tem um centro de recreação – com estacionamento gratuito e interno, uma lanchonete com sanduíches, saladas e quitutes brasileiros, como coxinha e brigadeiro, alas separadas para crianças de idades diferentes, pé direito alto e muito vidro com a vista da rua, dando uma maior sensação de liberdade.

Seis meses depois, e um investimento de US$100 mil, o espaço é um sucesso.

“Muita gente fala que a gente abriu a coisa certa, no lugar certo, na hora certa”, diz Amanda.  “Teve um dia chuvoso que tivemos que fechar as portas.  Chegaram 70 crianças”.

Amanda recebe, em média, 40 crianças por dia, de várias nacionalidades.  Mas diz que cerca de 50% são brasileiros, que, na maior parte, querem proporcionar aos filhos um pouco da infância que tiveram no Brasil.

Nic'co, com 1 ano, visita pela primeira vez o Planet Kids.

Jaclyn Bergman leva o filho Aven, de quase 2 anos, com frequência para brincar no Planet Kids.

O único problema, conta, são os pais que não tiveram infância.  De vez em quando, ela tem que pedir com jeitinho para saírem do tobogã.

“Aqui não é como no Brasil que o pessoal leva tudo mais na brincadeira”, diz, rindo.

Quase todo fim de semana tem festa de aniversário, com brigadeiros e outros docinhos brasileiros.

Mas não são só as brincadeiras e os docinhos que Amanda queria resgatar com seu novo estabelecimento em Miami.

Seu sonho, como mãe brasileira, era ver esse espaço infantil se tornar também um núcleo de aprendizagem para filhos de outros brasileiros.

E no inicio deste mês, Amanda conseguiu: lançou um programa de português como língua de herança para crianças e pais brasileiros.

Gabriela Barbosa, de 4 anos, é filha de brasileiros, que moram em Miami há 6 anos.

“Eu e meu marido, que não é brasileiro, achamos muito importante para nossa filha falar fluentemente e escrever na língua portuguesa”, diz Amanda, hoje com 32 anos e mais um filho, Matteo, de 5 meses.

A coordenadora do programa Planet Kids Fala Português é Ivian Destro Boruchowski, paulista, há quatro anos em Miami.  Formada em pedagogia pela Universidade de São Paulo, a professora está fazendo mestrado na mesma área na Flórida International University, com especialização em bilinguismo infantil.

“A língua não é somente um elo social de comunicação, mas também um elo de identidade cultural”, diz Boruchowski, 36 anos.

Ela conta que quando chegou aos Estados Unidos com o marido e o filho, que na época tinha oito meses, percebeu que se o casal não tomasse uma decisão consciente e agisse rapidamente, o bebê não teria a chance de aprender o idioma dos pais.

“No Brasil, você tem acesso a língua não só na escola, mas na mídia, nas placas de rua, todos os meios, não só no ambiente familiar”, diz a professora.  “Aqui não”.

Professora Ivian Destro Boruchowski lança programa "Planet Kids Fala Português".

E essa preocupação foi se transformando numa enorme vontade de estudar o bilinguismo dentro do conceito de português como língua de herança e o sentido de pertencimento à cultura brasileira no exterior.

Hoje, o filho mais velho, Heitor tem 4 anos e o mais novo, Victor, 2.

Ivian frequentava o Planet Kids como cliente e viu lá uma oportunidade de desenvolver programas didáticos voltados para filhos de brasileiros.

Amanda, que já tinha esse sonho, imediatamente aderiu a ideia de poder, de fato, implantar o português nas atividades do espaço de recreação.

Ela descobriu o enorme afeto pelo seu país natal quando foi para o Japão com 16 anos, cumprir um contrato como modelo, uma carreira que seguia desde os 5.

Depois de algum tempo, deveria ir para Milão, mas não aguentou.

“Cheguei lá sozinha”, diz.   “Eu era muito mimada”.

Amanda, então, contou com o auxílio do consulado do Brasil para romper o contrato e retornar ao Brasil.

“Quando cheguei no aeroporto, eu beijei o chão”.

Mas o tempo passou e 13 anos atrás veio para Miami com uma colega de faculdade. Trabalhou em vários lugares, de restaurantes à hotéis, até se firmar no ramo de decoração. Sempre falava que queria voltar ao Brasil, mas acabou ficando até que um dia saindo do escritório para almoçar, conheceu o marido, Jared, um advogado americano de família porto-riquenha.

Amanda com Isabella

“Quando as coisas estão para acontecer, não precisa procurar, acontecem”, diz ela.  “Nunca mais ouviram eu falar, vou embora”.

Com 300 mil brasileiros no sul da Flórida, Amanda agora tem como meta criar cartilhas “Planet Kids” de alfabetização em português e sessões semanais de “contação de história” na língua portuguesa.

E no futuro?

“Quero ver vários Planet Kids espalhados por Miami e meus filhos crescerem com saúde”.

BOX:

Planet Kids Indoor Playground & Café
Telefone em Miami: 786-312-0737 ou 305-573-1379
Endereço: 2403 NE 2nd Ave., Suíte 107, Miami, Florida 33137
info@planetkidsplayground.com
http://planetkidsplayground.com

PROGRAMAÇÃO:

Diário: US$10/primeira criança, US$7/segunda criança em diante

Férias escolares para brasileiros de passeio em Miami (a partir de 20 de junho): US$40/período/criança, das 10 às 13hrs ou das 14hrs às  17 hrs – crianças de 3 a 9 anos.  Incluí lanche.

Férias de verão nos EUA (23 de julho à 17 de agosto): US$250/semana, das 9hrs às  15 hrs, com várias programações, como aula de musica, arte, teatro, culinária e jogos.

* No vídeo, Amanda revela o segredo de seu sucesso e fala um pouco  sobre seu sonho de difundir o português como língua de herança para filhos de brasileiros em Miami.

Brasileira investe US$100 mil para montar playground em Miami com atividades em português. from Chris Delboni on Vimeo.

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