Publicidade

Arquivo da Categoria Entrevistas

terça-feira, 11 de junho de 2013 Comida, Direto de Miami, Entrevistas, Miami | 10:25

Mineira traz a roça da infância para um centro badalado da Flórida

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami @ http://diretodemiami.ig.com.br
Editora: Liliana Pinelli
Fotos: Carla Guarilha

Fogão a lenha da Fazendinha da Regina mata a saudade dos brasileiros na Flórida. Foto de Carla Guarilha.

Quando a mineira Regina Kátia chegou na Flórida em 1992, passou a morar numa quitinete no centro de Fort Lauderdale, a poucos quilômetros de Miami, com Elizeu, seu marido, e um filho pequeno, Caio, que hoje está com 25 anos.  Elizeu vendia verdura numa feirinha e Regina cuidava da casa e trabalhava em casas de família.

Estavam construindo uma nova vida, mas ela tinha tanta saudade do Brasil que a única forma de controlá-la foi alimentando-se da nostalgia da infância e construindo no fundo da casa um fogão a lenha.

Hoje, o casal, Caio e Matthew, o filho mais novo que nasceu aqui e está agora com 19 anos, vivem numa casa própria, que foi tombada pelo patrimônio público americano.  Mas é a herança da cultura brasileira que alimenta o corpo e a alma de muitos outros saudosos brasileiros na região de Miami.

Regina alimenta sua alma ao oferecer seus quitutes aos convidados. Foto de Carla Guarilha.

“Não esqueço minhas raízes”, diz Regina Kátia Martins Rodrigues, que agora com 50 anos se sente mais jovem do que nunca.  Todo sábado, ela recebe 60 ou 70 convidados na sua “fazendinha” para uma noite que só traz boas memórias da juventude na roça de Coronel Fabriciano, em Minas Gerais.

“Eu nasci numa fazenda”, diz ela. “Eu ia ao curral pegar leite de vaca e vivia a vida do povo”.  E é essa vida para o povo da comunidade brasileira que Regina busca resgatar.

Na “Fazendinha” tem galinha solta, galo cantando e criança brincando.

Elizeu com o galo da sua "fazendinha". Foto de Carla Guarilha.

É como um parque de diversão, só que neste caso, a diversão é a simplicidade da vida na roça do Brasil.

Regina começa a cozinhar cedo no fogão construído pelas mãos do marido, enquanto Elizeu prepara o terreno, literalmente, e coloca nas caixas de som um forró para animar o ambiente desde cedo.

O cardápio do dia inclui sempre três pratos principais, entre vários da especialidade da casa: frango ensopado, quiabo, rabada, escondidinho de mandioca, carne seca, couve, angu, chuchu, arroz carreteiro, galinhada, vaca atolada (carne de sol, feita em casa, desfiada com mandioca), moqueca de peixe, caldo verde, caldo de feijão, canjiquinha com costelinha de porco, angu com carne moída e milho verde, baião de dois – e muito mais.  Fora isso, os anfitriões oferecem caldo de cana moída na hora, pão de queijo assado na hora e pastel e biscoito de polvilho fritos na hora.  De sobremesa tem sempre pudim de leite, bolo de fubá ou uma canjica de milho, entre outras opções.  E claro, o café é passado fresquinho no coador.  O preço é único: US$12/adulto e US$6/criança.

Ninguém resiste ao frango ensopado da Regina. Foto de Carla Guarilha.

“Quando os brasileiros chegam e o galo canta, eles fecham os olhos, ouvem a música e dizem, ‘parece que estou no Brasil’”, diz ela.  “Meu marido se envolve do mesmo jeito. O Elizeu me inspira”.

E é essa inspiração — e união e cumplicidade — que está transformando o sábado na “Fazendinha” numa tradição que resgata não só a cultura brasileira, mas traz de volta – por alguns instantes – uma época em que a vida familiar era valorizada e o momento da refeição respeitado.

E isso, para Regina, é o que alimenta hoje seu dia a dia e acalma um coração saudoso de sua terra.

Mas essa trajetória não foi fácil.

“Eu sofri muito, queria ir embora, chorei muito. Foi horrível”, diz ela. “Você não imagina o que é a saudade, mata a gente, me definhou, me trouxe angústia. Eu  ficava na cama, não queria aprender a língua.  Eu não queria nada”.

Regina trabalhou muitos anos como motorista de ônibus escolar e foi cozinhando numa escola que começou a se encantar, cada vez mais, com o fogão e pediu que seu marido construísse um a lenha para ela.

Elizeu, cearense de Fortaleza, hoje dono de uma empresa de jardinagem e pastor de uma igreja americana, vizinha de sua casa, imediatamente concordou.  E logo que ficou pronto, o casal passou a convidar a todos depois do sermão aos domingos para um almoço na “fazendinha”.

“As mulheres da igreja me chamam de ‘First Lady’ (Primeira-Dama).  Todas são negras americanas”, diz Regina.   “Agora nossa igreja é internacional: tem brasileiro, mexicano e muitos negros americanos”.

Regina e Elizeu saem para namorar toda sexta-feira. Aqui, na rede da fazendinha. Foto de Carla Guarilha.

Hoje, a “Fazendinha” continua atendendo aos fiéis e amigos, mas tem também uma clientela fixa para os jantares aos sábados e pretende, em breve, aumentar as horas de atendimento, que para Regina, representa uma benção divina.

“Claro que eu sofri, claro que Elizeu sofreu”, diz ela.  “Eu já limpei muita casa aqui. Mas eu sabia que um dia ia encontrar aquilo que eu gosto de fazer.  A gente tem que perseverar, não jogar tudo para o alto e desistir –  porque vai dar certo.  Eu sonhei e deu certo”.

Para conhecer melhor a “Fazendinha”, visite sua página no Facebook: Regina’s Farm ou ligue (954) 465-1900, na Flórida.

No vídeo, Regina conta o segredo do seu sucesso:

Conheça um pouco da alma por trás da “Fazendinha” nesta entrevista com Regina Kátia. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 21 de maio de 2013 Direto de Miami, Entrevistas, Gastronomia, Hotel, Miami, Restaurantes, Turismo | 10:40

InterContinental Miami: Hotel internacional com alma brasileira

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami @ http://diretodemiami.ig.com.br
Editora: Liliana Pinelli
Fotos: Carla Guarilha

Aos 20 anos, Hadi Habib estudava engenharia no Rio de Janeiro.  Seus pais, imigrantes libaneses no Brasil, tinham uma enorme preocupação com a educação e o futuro dos filhos.  Sempre dedicado, enquanto cursava a faculdade, Hadi logo conseguiu seu primeiro emprego no Hotel InterContinental atendendo ao telefone no serviço de quartos e aos pedidos que chegavam dos hóspedes.

Ele achou que seria um trabalho temporário enquanto fazia a faculdade.  Mas suas responsabilidades foram aumentando e quando o hotel abriu o departamento de informática, foi contratado.

E hoje, 25 anos depois, Hadi é diretor de informática e responsável pelos departamentos de compras e segurança do InterContinental Miami, que acaba de passar por uma reforma de US$30 milhões, trazendo de volta ao hotel sua alma brasileira.

Hadi, na sala vip do InterContinental Miami. Foto de Carla Guarilha.

“Miami, eu digo, é quase um Rio de Janeiro. Só faltam as montanhas porque tem tanto brasileiro, tem tanta cultura brasileira envolvida aqui que parece que você está no Rio”, diz o carioca, que foi transferido para Flórida em 2000.  Hadi conta com orgulho que a história deste hotel internacional começou exatamente no Brasil.

O primeiro InterContinental no mundo foi aberto, em 1946, em Belém do Pará pela Pan American World Airways.  Conhecida mundialmente por Pan Am, na época a maior companhia aérea com voos internacionais, precisava de um local lá para hospedar seus tripulantes e comandantes e resolveu construir um hotel para acomodá-los.

Assim a Pan Am, extinta no início dos anos 90, que deixa saudade nos passageiros e tripulação que conduzia seus voos, deixou também sua marca no Brasil.

Hoje, o InterContinental é uma rede de hotéis presente em 60 países e como a Pan Am, em sua época áurea, é sinônimo de luxo – mas também de sentimento de família e oportunidades.

Lobby do InterContinental Miami depois da reforma de US$30 milhões. Foto de Carla Guarilha.

“São as pessoas que fazem esse hotel”, diz Hadi.  “A gente tem 500 funcionários em Miami, 200 tendo mais de 10 anos de casa. Tem gente que está aqui há 28 anos trabalhando no mesmo hotel”.

O diretor de recursos humanos começou como segurança e o atual diretor de operações, Arminio Rivero, um venezuelano casado com uma baiana, foi manobrista do hotel 20 anos atrás.  Hoje, Arminio é o segundo na hierarquia em Miami e, logo, deve ser promovido a gerente geral aqui ou em outro hotel da rede.

“A gente cuida dos funcionários como se fossem nossa família, como se fossem nossos filhos que a gente não quer que saiam de casa antes de se casarem”, diz Hadi.  “O InterContinental é uma escola de hotelaria”.

Para Hadi, que passou 12 anos galgando cargos na região do Cone Sul e já está há 13 em Miami, a meta agora, em cerca de um ano e meio, é assumir a posição de diretor de operações, de preferência em Miami, onde vive com Eloisa, sua esposa, e dois filhos: Thiago, 25, que acaba de obter o mestrado em arquitetura na Florida International University, e Thais, de 13 anos, que diz querer trabalhar no FBI quando crescer.

Hadi diz que tenta passar para os filhos os valores que aprendeu com seus pais.  O mais importante de todos, diz ele, é aprender sempre a valorizar o “ser sobre o ter”.

“Se você trabalha duro, se você realmente gosta do que faz e faz com prazer, não é um trabalho, passa a ser um hobby”, diz Hadi.  “Você vem, trabalha duro, passa 12, 13 horas e vê o resultado”.

E para ele, esse saldo, seja onde for, tem sempre um toque e gostinho brasileiro, como no primeiro hotel da rede, em Belém.

ToroToro, principal restaurante do hotel, com gostinho brasileiro. Foto de Carla Guarilha.

Em Miami, além dos inúmeros funcionários brasileiros em todos os setores, o hotel tem diversas programações que marcam a presença do Brasil.

No segundo semestre, Hadi está organizando o “Festival Brasileiro”, um evento anual com várias atividades culturais e gastronômicas em parceria com AB Catering, da chef Deborah Rosalem, e coordenação de Maria do Carmo Fulfaro, do conselho de Diretoria da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos da Flórida (Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida), que foi responsável pelo sucesso dos últimos anos dessas festividades e muitas outras.  Os membros da Câmara agora também têm acesso a uma carteirinha exclusiva de 15% de desconto no ToroToro, principal restaurante do hotel conduzido pelo renomado chef Richard Sandoval, que tem no cardápio, entre outros pratos típicos da culinária da América Latina, a marca brasileira: picanha na chapa que vem à mesa.

Picanha na chapa. Foto de Carla Guarilha.

“O conhecimento que a Maria [Fulfaro] tem para criar um evento de sucesso é impressionante. Fica tudo mais fácil quando você envolve a Maria”, diz Hadi, orgulhoso de seu país e de sua influência em trazer cada vez mais sua alma brasileira para o InterContinental de Miami, que já está se preparando para ser um ponto de encontro oficial da torcida brasileira durante a Copa do Mundo. O hotel será decorado de verde e amarelo e terá toda a estrutura para se assistir os jogos ao vivo, com uma série de atividades voltadas à cultura brasileira.

E é esse “jeitinho” brasileiro que se tornou sinônimo de sucesso do hotel.

“O sorriso é parte do uniforme”, diz Hadi.  “Tenho 25 anos na companhia, sou um executivo e trabalho todo dia como se fossem meus primeiros 90 dias, quando você tem que provar que é um bom funcionário”.

E esse é o segredo da vida, diz ele: vivê-la sem complicações.

“Eu preciso de muito pouco para ser feliz. Eu acho que assim você é feliz todos os dias”, diz ele. “Você acorda feliz quando o que você tem te satisfaz. Se você não faz coisas erradas, sua vida é muito simples e eu acho que essa é a meta para os meus filhos e para mim”.

Seu conselho aos jovens: “Tudo o que você quer na vida, trabalhando duro, sendo responsável e fazendo o que é certo, você vai ter sucesso.  Não tem como errar”.

Suíte presidencial, onde o Presidente Barack Obama se hospeda com frequência em visita a Miami, e onde Ivete Sangalo ficou no ano passado quando veio se apresentar. A diária é na faixa de US$2000, dependendo da época do ano. Foto de Carla Guarilha.

No vídeo, Hadi fala um pouco mais sobre o segredo do seu sucesso:

Hadi Habib, diretor do InterContinental Miami, deixa aqui o segredo do seu sucesso. from Chris Delboni on Vimeo.

Serviço:

InterContinental Miami
100 Chopin Plaza, Miami, FL 33131
Telefone: (305) 577-1000
http://www.icmiamihotel.com/Portugues

Restaurante ToroToro
Telefone: 305-372-4710
Almoço diário 11:30 às 15hrs; jantar 18hrs – 23hrs domingo-quinta, aberto até 1 da manhã sexta e sábado; brunch aos domingos das 11:30hrs às 15hrs.
http://Torotoromiami.com

Para reservar a "Table 40", uma mesa para 14 convidados numa sala privada localizada na enorme cozinha do restaurante, entrar em contato com Chermarie Perez pelo e-mail chermarie.perez@ihg.com ou ligar 305-372-4713 (em Miami). Foto de Carla Guarilha.

Autor: Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 22 de abril de 2013 Direto de Miami, Educação, Entrevistas, Miami | 11:03

Direto de Miami Exclusivo: Professor do ano deixa aqui mensagem de inclusão, tolerância e otimismo

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami @ http://diretodemiami.ig.com.br
Editora: Liliana Pinelli
Fotos: Carla Guarilha

O brasileiro Alexandre Lopes, Professor do Ano da Flórida, será recebido amanhã com todas as honras pelo presidente Barack Obama na Casa Branca, em Washington. Ele foi um de quatro finalistas do título de “Professor do Ano dos Estados Unidos”.  Infelizmente, não levou o prêmio. O título foi para Jeff Charbonneau, professor de química, física e engenharia no estado de Washington.

Mas seu caminho até aqui é uma grande vitória, e daqui para frente será ainda mais.

Alexandre agora vai terminar o doutorado e voltar para os seus alunos e ao programa de inclusão na sala de aula que o levou a essa trajetória de sucesso.

Alexandre agora deve voltar aos seus alunos e ao programa de inclusão que criou. Foto de Carla Guarilha.

Durante este ano que vestiu a “coroa” de Embaixador de Educação da Flórida, Alexandre deixou sua marca e o mais importante, conseguiu transmitir uma mensagem não só de inclusão na educação especial, mas de tolerância e aceitação de ideias – e principalmente, do convívio entre diferentes pessoas.

Sua voz ganhou força e ele espera poder transmitir sua visão ainda mais, aqui e no Brasil, através de palestras, de um blog e um livro que está escrevendo sobre sua vida, uma história de inspiração, motivação e superação.  Alexandre está negociando com algumas editoras para publicação em português e inglês.

Alexandre escorrega com seus alunos no "playground" da escola. Foto de Carla Guarilha.

Mas enquanto isso, antes de saber quem levaria o título nacional, Alexandre Lopes deixou aqui, com exclusividade para Direto de Miami, uma reflexão e mensagem direta aos professores, educadores e todos que torceram desde o início pelo sucesso desse brasileiro que trouxe, através de suas conquistas, a esperança para tantos imigrantes que lutam por uma vida digna fora de seu país.

Por Alexandre Lopes — Melhor Professor do Ano da Flórida
Miami, Flórida

Logo estarei sendo recebido pelo presidente dos Estados Unidos na Casa Branca. Sou um dos quatro finalistas ao título de Professor do Ano dos Estados Unidos. Lutei muito para chegar até aqui. Jamais esperei que o “aqui” tornar-se-ia a Casa Branca. Pensava, simplesmente, que o “aqui” seria um momento de auto-aceitação, um estado de felicidade e uma sensação de trabalho cumprido.

Alexandre Lopes com alguns de seus alunos na escola Carol City Elementary. Foto de Carla Guarilha.

No entanto, aqui estou: satisfeito, feliz, e prestes a apertar a mão do Presidente Barack Obama. Trabalho cumprido? Ainda não. Ainda tenho muito a fazer. Para falar a verdade, a sensação de trabalho cumprido só virá quando sentir-me digno de minha própria morte. Ainda não sou digno dela. Porém, um dia serei. E quando esse dia chegar, dormirei tranquilo, deixando para trás um mundo mais compreensivo, mais carinhoso e mais inclusivo.

Quando vejo o carinho e a compreensão que meus alunos têm uns com os outros, vejo que a inclusão é não somente possível como também saudável para todos. Meus alunos são brancos, negros e amarelos. Eles entram na escola falando inglês, espanhol, português ou outra língua ou dialeto. Eles vêm de famílias com estruturas diversas. Eles têm autismo ou não. Por mais variados que sejam, eles têm pelo menos uma coisa em comum: eu.

Com um de seus alunos. Foto de Carla Guarilha.

Cabe a mim implementar um programa onde, ao longo dos anos, meus alunos e eu aprendemos a confiar uns nos outros, a respeitar uns aos outros e a aceitar que tudo é possível. Juntos, aprendemos as matérias acadêmicas, aperfeiçoamos nossa motricidade fina e nossa integração sensorial, praticamos nossas técnica de relaxamento e implementamos o currículo social. Não importa quem somos: Todos seguimos em frente juntos.

Quero ver todos os meus alunos – sejam eles quem forem – atingirem o seu potencial – seja ele qual for – e assim, aos poucos, um a um, fazer com que nossa sociedade não só enxergue como também aceite o potencial máximo individual que todos temos.  Quando penso nas nossas diferenças, nas nossas deficiências, nos nossos preconceitos, pergunto-me até que ponto eles são “nossos”? Até que ponto nossas deficiências não são parcialmente socialmente construídas, e assim, nossas oportunidades, destruídas?  Será que nossas diferenças, sejam elas quais forem, não são geradas por normas sociais restritas e absolutas? Sinto-me, às vezes, inocente como meus alunos.  Porém, inocente ou não,  tento transmitir diariamente a visão de mundo na qual acredito: Se construíssemos nossa percepção social de uma maneira mais flexível e mais compreensiva, seríamos menos preconceituosos, mais cheios de compaixão, mais livres e, consequentemente, mais  felizes.

Alexandre Lopes canta com as crianças. Foto de Carla Guarilha.

Acho que ganhei o titulo de Melhor Professor da Flórida não só pelo meu preparo e capacidade profissional como também por essa minha inocência e determinação de transformar o mundo, pessoa por pessoa, criando em cada uma delas um pouquinho mais de tolerância.

E agora, seja qual for o nome pronunciado pelo Presidente Obama hoje, continuarei buscando essa meta e, através dela, a felicidade: a minha, a de meus alunos, a das pessoas ao meu redor e a da sociedade com a qual sonho e na qual acredito.

Sinto-me privilegiado de ter chegado até aqui e conseguido, nessa jornada dos últimos meses, transmitir minha visão de vida e de mundo. Continuarei sempre lutando pelo meu ideal de uma sociedade mais justa, mais compreensível, mais flexível e mais inclusiva.

O desejo de aproximar-me cada vez mais desse ideal é muito maior do que minha ambição por qualquer premiação.  Ele só não é maior do que o carinho e a gratidão que sinto pelas adoráveis crianças de três, quatro e cinco anos de idade que dia após dia reforçam o meu desejo de tornar-me uma pessoa melhor e mostram-me a beleza de uma diversidade cultural, social e humana.

A vida nem sempre é justa. Porém, ela é bela e merece ser bem vivida.  Todos nós merecemos um lugar no sol.  Só nos resta aprender a brilhar juntos.

Para acompanhar os próximos passos do professor Alexandre Lopes, visite sua página no Facebook.

Neste vídeo logo após ter sido selecionado como finalista ao título nacional, Alexandre Lopes reflete sobre sua filosofia e missão de vida e conta o que o levou ao título de “Melhor Professor do Ano da Flórida”.

Alexandre Lopes é finalista para Melhor Professor do Ano dos Estados Unidos em 2013 from Chris Delboni on Vimeo.

Veja aqui a primeira reportagem quando Alexandre Lopes ganhou o prêmio de Melhor Professor do Ano do Condado de Miami Dade e assista ao vídeo:

Alexandre Lopes, brasileiro radicado em Miami, é escolhido melhor professor do ano de todo condado de Miami-Dade. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , ,

sexta-feira, 29 de março de 2013 Direto de Miami, Entrevistas, Eventos, Miami | 09:14

Gastromotiva e Instituto Barrichello Kanaan são homenageados da Segunda Edição do Gala Miami da BrazilFoundation

Compartilhe: Twitter

Por Barbara Corbellini Duarte / South Florida News Service
Especial para Direto de Miami

Perseverança e dedicação são duas fortes características dos dois brasileiros homenageados esta semana no II BrazilFoundation Gala Miami.

David Hertz, presidente e fundador da Gastromotiva, um curso de auxiliar de cozinha para jovens de baixa renda, e Tony Kanaan, fundador do Instituto Barrichello Kanaan, que apoia projetos de educação e esporte, foram os homenageados do evento no museu Vizcaya.

Todo ano, a BrazilFoundation escolhe diferentes projetos de caridade e filantropia no Brasil para patrocinar por um ou dois anos.  Baseada em Nova York, a fundação, já ajudou mais de 300 organizações que atuam em projetos sociais no Brasil.

E a Gastromotiva foi um dos projetos patrocinados com parte dos fundos arrecadados no Gala Miami do ano passado.

Para Hertz, ser homenageado nesta segunda edição do evento representa uma “fonte de energia” para o seu trabalho.

David Hertz foi um dos homenageados da noite pelo seu trabalho com a Gastromotiva, um programa de auxiliar de cozinha para jovens de baixa renda. Foto de Barbara Corbellini Duarte.

Em 2007, ele fundou a Gastromotiva, ensinando alunos da favela do Jaguaré em São Paulo dentro da Universidade Anhembi Morumbi, que cedia a cozinha para o curso.

“Nas favelas, tem muito mais talentos desperdiçados do que a gente imagina”, diz Hertz.  “Acontece que muitas vezes o jovem não sabe para onde focar suas energias, então aí que eu vi que essa seria uma oportunidade para muitos”.

O curso de auxiliar de cozinha dura seis meses.  Este ano, a Gastromotiva tem três turmas de 50 alunos, duas em São Paulo e uma no Rio de Janeiro.

O projeto tem parceria com 22 restaurantes em São Paulo e 12 no Rio, o que praticamente já garante um emprego para os alunos formados.

A ideia da Gastromotiva surgiu quando Hertz trabalhava de garçom, auxiliar de cozinha e motorista no Canadá, na Tailândia, em Hong King e na Índia.  Ele descobriu que culinária é uma linguagem universal.

“Você não precisa falar para cozinhar com alguém.  É natural –– uma forma de comunicação e de encontro”, diz o curitibano que retornou ao Brasil em 1998 e, em seguida, se mudou para São Paulo para trabalhar em restaurantes.

Dez anos depois, seu sonho se tornou realidade e agora foi reconhecido como um projeto modelo da BrazilFoundation.

Quando recebeu a homenagem no gala, ele disse que a gastronomia pode mudar o mundo, e espera poder levar o projeto para o mundo, inclusive Miami.

“Quando você se alimenta, você está alimentando a tua alma, a tua visão da vida”, diz Hertz. “E quanto mais você se conecta com a comida, mais você vai mudando sua forma de olhar o mundo”.

O piloto de Formula Indy Tony Kanaan também foi homenageado pelo seu trabalho com o Instituto Barrichello Kanaan, que ele fundou em 2004 junto com Rubens Barrichello. Foto de Barbara Corbellini Duarte.

O segundo homenageado da noite foi Tony Kanaan, piloto da Formula Indy que fundou o Instituto Barrichello Kanaan com Rubens Barrichello em 2004.

Foi o primeiro prêmio do Instituto.

“A gente não faz caridade para receber prêmio.  Caridade você faz de coração”, diz Kanaan. “Mas ser reconhecido, ainda mais por essa fundação, foi uma emoção grande e um orgulho”.

Kanaan e Barrichello se conheceram quando crianças nas pistas de kart de São Paulo.  A ideia de ter uma organização para ajudar crianças carentes apareceu depois de uma corrida. Kanaan tinha 13 anos.

Kanaan e Barrichello deram um casaco como presente para um menino de 10 anos, que atendia pelo apelido de Nenê, e trabalhava no kartódromo cuidando dos carros.

Duas semanas depois, Nenê não tinha mais o casaco.

“A gente perguntou o que aconteceu e ele disse, ‘meu pai vendeu para comprar drogas’”, diz Kanaan. “Foi quando isto aconteceu que eu e o Rubens olhamos um para o outro e a gente falou, ‘se um dia a gente for alguém na vida, nós vamos precisar fazer alguma coisa por isso”.

Dezesseis anos depois, eles cumpriram a promessa.

Kanaan e Barrichello bancam a maior parte dos fundos do Instituto.

“É uma coisa que a gente faz de coração mesmo”, diz Kanaan. “O nosso sonho é ter a nossa própria sede, mas por enquanto a gente ainda não se aposentou”.

Uma luva e o macacão assinados por ele foram leiloados por US$6,000 no Gala Miami, que arrecadou este ano US$250 mil, o suficiente para patrocinar oito projetos no Brasil.

O jornalista, ator e modelo Pedro Andrade e a atriz Guilhermina Guinle foram os mestres de cerimônia do evento.

O jornalista, ator e modelo Pedro Andrade (esq.) e a atriz Guilhermina Guinle lideraram a noite como mestres de cerimônia e entregaram os prêmios para os homenageados Tony Kanaan e David Hertz (dir.). Foto de Barbara Corbellini Duarte.

“Parece que porque o Brasil é o quarto país mais rico do mundo, o Brasil não precisa mais de ajuda. Mas não é verdade porque a diferença no Brasil é atroz. Quem é rico no Brasil é muito rico, e quem é pobre é muito pobre”, diz Andrade. “Isso é um desafio que a BrazilFoundation está encontrando hoje em dia. Com o gala em Miami a gente está conquistando todo um novo território e uma legião de novos fãs e pessoas interessadas”.

Patricia Lobaccaro, presidente da BrazilFoundation desde 2010, diz que recebe entre 500 e 1000 projetos para avaliar todo ano, mas só consegue apoiar uma média de 25 por ano.

Patricia Lobaccaro, presidente da BrazilFoundation, está feliz com o sucesso do segundo Gala Miami. Foto de Barbara Corbellini Duarte.

A seleção é baseada em projetos que possam contribuir e gerar grande impacto positivo no desenvolvimento social do brasil no longo prazo.

“É uma homenagem a um trabalho que se destacou por algum motivo”, diz Lobaccaro, que está muito feliz com a segunda edição do evento em Miami, um evento que tem uma década de tradição em Nova York e agora está se tornando uma tradição aqui também.

O Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, cônsul-geral do Brasil em Miami e chair honorário do Gala Miami, diz que o evento é uma excelente iniciativa que beneficia tanto a Fundação como o Brasil.

“Hoje Miami é uma cidade quase Brasileira.  No ano passado, houve 700 mil turistas brasileiros em Miami”, diz Ramos Filho. “E esses brasileiros de alguma forma são pessoas que tem condições de levantar recursos para ajudar nesse trabalho junto às comunidades carentes”.

O Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, chair honorário do evento, com sua esposa Milma. Foto de Barbara Corbellini Duarte.

O cantor Naldo lançou a sua carreira internacional no II BrazilFoundation Gala Miami. Foto de Barbara Corbellini Duarte.

Autor: Tags: , , , ,

terça-feira, 26 de março de 2013 Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Saude | 09:24

Famosos velejadores brasileiros revelam seu “pequeno segredo” agora em Miami

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Nos anos 80, Heloisa Schurmann enfrentou 10 anos no mar, dando a volta ao mundo num veleiro com o marido e três filhos pequenos, de 7, 10 e 15 anos.  Mas nenhum temporal assustou-a tanto quanto a tempestade pessoal que viveu em 2006 quando perdeu sua filha adotiva, Katherine.

Kat nasceu com o vírus HIV e morreu de uma parada cardíaca, aos 13 anos, por complicações da doença.

Mas foi sua vida, 10 anos ao lado da família Schurmann, que mudou o percurso do vento espiritual de Heloisa, a matriarca dos velejadores brasileiros, apelidada carinhosamente de “formiga atômica”.

“Minha irmã diz assim, ‘você conseguiu dar a volta ao mundo, e o que mais te tirou o tapete de baixo é que você não conseguiu com que a Kat vivesse’.  E isso realmente é uma coisa que aprendi”, diz ela.  “Você não tem o controle do seu destino”.

David Schurmann (esq.), Eddie, padrasto de Heloisa, que mora em Miami e fez 90 anos no domingo, Heloisa e Wilhelm, o caçula da família. Foto de Carla Guarilha.

E agora, é essa lição de desapego afetivo e tolerância que a navegadora e escritora está levando ao mundo com seu novo livro, “Pequeno Segredo: A lição de vida de Kat para a família Schurmann”, publicado no Brasil e semana passada lançado na galeria do artista Romero Britto em Miami, a primeira noite de autografo fora do país e onde ela viveu intensos momentos com sua filha.

Na noite de autógrafo em Miami. Foto de Carla Guarilha.

“Miami era o centro de tratamento dela”, diz Heloisa, que se lembra como se fosse ontem cada ajuste dos remédios, os famosos “coquetéis da AIDS”.

Ela conta que uma vez Kat começou a vomitar em plena I-95, uma via rápida aqui.  Heloisa foi acalmando-a com palavras de carinho e compreensão até conseguir parar o carro num posto de gasolina para abraça-la e limpar o automóvel.

“Ela ficava bem seis meses, um ano, e começava a baixar a imunidade e tinha que trocar de remédio”, diz Heloisa, que manteve o segredo de Kat guardado a sete chaves até pouco antes dela falecer, com o intuito de protege-la contra preconceitos em relação a AIDS.

A direção de uma escola uma vez deixou claro que se a condição de Katherine chegasse ao ouvido de pais e houvesse alguma reclamação, a menina teria que parar de frequentar as aulas imediatamente.

Quando Kat finalmente soube da verdadeira razão porque se sentia às vezes enfraquecida e tinha que tomar tantas “vitaminas”, ela disse que aos 14 anos queria contar para o mundo que era soropositiva e poder fazer a diferença com sua historia.

“Eu dizia, ‘vai ser uma barra’.  E ela falava, ‘não faz mal.  Eu já aprendi  a viver com a barra’”, diz Heloisa.

Heloisa, na casa de Eddie, em Miami, mostra com orgulho a capa do livro. Seu pai biológico morreu quando ela tinha 4 anos. Foto de Carla Guarilha.

E assim Kat foi mantendo um diário, que hoje faz parte desse livro, dessa historia que ela nunca pode contar, mas que se tornou uma missão para sua madrasta, que ela chamava de “mommy”, seu padrasto, Vilfredo, que era o “daddy”, e os três irmãos, Pierre, Wilhelm e David, diretor de cinema que está trabalhando no seu primeiro filme de ficção que deve ser lançado no próximo ano e também vai contar uma historia semelhante: de uma menina portadora do vírus HIV que transformou a vida de uma família brasileira.

Na primeira expedição ao mundo da família Schurmann, David tinha 10 anos.  Com 13, já filmava, e com 16 começou a trabalhar no ramo.  Durante a viagem, ele decidiu ficar em terra para cursar uma faculdade de cinema na Nova Zelândia, onde a família conheceu os pais de Kat.

Foi a bandeira do Brasil no barco dos Shurmann que aproximou as famílias.

Robert, neozelandês, também um velejador assíduo, havia se apaixonado por Jeanne no Brasil.  Mas antes de se casarem, ela foi atropelada e, numa transfusão de sangue, adquiriu o vírus HIV, que sem saber, transmitiu ao marido e filha.

Após a morte de Jeanne, Roberto procurou os brasileiros e acabou contando a historia, e deixando Kat nas mãos dos amigos, antes dele morrer.

O filme Pequeno Segredo vai contar a historia desses encontros e fatalidades, mas em forma de ficção.  O roteiro é de Marcos Bernstein, roteirista de “Central do Brasil” e “Chico Xavier”.

"Formiga atômica" com seu filho cineasta: admiração e respeito no olhar. Foto de Carla Guarilha.

O cineasta, hoje com 38 anos, diz que o filme não é um “melodrama” e vai deixar uma sensação positiva no fim.

“É triste mas você sai querendo valorizar mais sua vida”, diz ele.  “Não é quanto tempo você tem de vida, mas o que você faz com ela que conta.  Fica a dor, a tristeza, mas a vida continua.  O sol vai nascer e o vento vai soprar”.

E é justamente esse sentido de desapego emocional que se tornou a maior lição de vida que Kat deixou para Heloisa.

“A passagem da Kat para outro mundo me ensinou que a vida é um desapego muito grande”, diz Heloisa, que demorou seis anos para conseguir colocar em palavras esse sentimento tão profundo.

“A Kat apareceu na nossa vida e realmente foi um presente.  Ela acendeu uma luz”, diz Heloisa, que adotou a menina em 1995, quando ela tinha 3 anos.  “Ela me ensinou a lição do amor incondicional. Independentemente de quem você é, de como você é, você aceita aquela pessoa no seu coração”.

Velejar é sua vida.  Foto de Carla Guarilha.

E essa lição se tornou sua missão hoje em dia, uma missão adotada por todos os membros dessa família de navegadores brasileiros, que saem em novembro numa nova volta ao mundo no que estão chamando de Expedição Oriente.  Eles saem de Itajaí em Santa Catarina e devem ficar no mar dois anos.

Nova Zelândia, mais uma vez, faz parte do trajeto.

As vendas do livro em Miami vão beneficiar a entidade de caridade “Natal de Renata” em Pernambuco e o Instituto Kat Schurmann em Santa Catarina.

Para saber mais sobre as aventuras da família Schurmann, visite: http://www.schurmann.com.br.

No vídeo, Heloisa Schurmann revela o segredo do seu sucesso.

Velejadora e escritora Heloisa Schurmann lança livro em Miami. Ela conta aqui o segredo de seu sucesso. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 19 de março de 2013 Arte & Cultura, Direto de Miami, Educação, Empreendedorismo, Entrevistas, Miami, Negócios | 09:05

Embaixador de Donald Trump no Brasil lança o verdadeiro “Aprendiz” nas ruas de Miami.

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Ricardo Bellino sempre foi empreendedor, algumas vezes por aptidão outras por necessidade. Por isso mesmo, ele sabe da importância deste instinto para fazer sucesso no ambiente empresarial.

Assim, amanhã, às 14 horas, horário de Brasília, Bellino irá lançar oficialmente o programa School of Life durante o Congresso Global de Empreendedorismo no Rio de Janeiro.

A Escola da Vida traz um novo conceito de educação e tem muita similaridade com os reality shows que fazem tanto sucesso ao redor do planeta. O objetivo: descobrir talentos empreendedores. O nome do primeiro concurso: “Em Busca do Novo Steve Jobs” (“Finding the Next Steve Jobs”), título do novo livro de Nolan Bushnell, gênio do vídeo game que fundou a Atari.  Bushnell, que foi um mentor de Jobs, o legendário fundador da Apple, será o “presidente de honra” da School of Life.

O conceito básico do programa será formar empreendedores de sucesso e, o segredo desse sucesso, diz Bellino, começa com caráter.

“Não quero saber de ideias.  Quero saber quem está por trás das ideias, quero saber quem são as pessoas”, diz ele.  “Queremos conseguir dar as pessoas a capacidade, a resiliência, que são valores fundamentais, intrínsecos a qualquer empreendedor de sucesso para que ele possa enfrentar a guerra, o dia a dia dos seus negócios, e construir negócios aonde muitos não acreditam que seria possível, e fazer o impossível”.

Ricardo Bellino na sede da School of Life, em Miami. Foto de Carla Guarilha.

A primeira turma da Escola da Vida, com 20 aprendizes, deve começar em julho.  A sede da ONG vai ser montada inicialmente dentro de um novo centro de “start-ups”, ou inovações empreendedoras chamado The Lab Miami, um investimento da Fundação Knight, no Design District, região criativa e artística de Miami.  Mas a School of Life vai operar virtualmente no mundo inteiro através do site www.schooloflife.com, que vai ao ar amanhã, assim que for cortada a fita simbólica, simultaneamente em três cantos do mundo.  No congresso no Brasil vai estar Gustavo Caetano, fundador da SambaTech, gigante em distribuição de vídeos educativos e educacionais; Bellino estará em Atenas, na Grécia, participando como o 111º convidado de um jantar anual oferecido pelo escritor Paulo Coelho em homenagem a seu padroeiro São José; e em Los Angeles vai estar Bushnell, a grande estrela do anuncio.

“Juntos vamos procurar pessoas com talento extraordinário, com ideias extraordinárias, e que possam, de fato, fazer a diferença e serem tratadas e desenvolvidas, incubadas dentro do ambiente da School of Life”, diz Bellino.

School of Life vai estar localizada nessa primeira fase no The Lab Miami. Foto de Carla Guarilha.

Assim que o website for lançado, os candidatos podem começar a concorrer a vaga.

Como Bellino foi o 111º convidado de Coelho, um numero importante na Cabala, simbolicamente, o “jogo da vida” também terá duração de 111 dias, diz ele.

O curso será dividido em três módulos, que Bellino compara com reality shows.  O primeiro será como o “Survivor” ou “No Limite”, onde os alunos vão se submeter a testes psicológicos que vão avaliar sua capacidade de enfrentar os outros dois estágios. “Fizemos o trabalho orientado para realmente quebrar, destruir para construir de novo”, diz Bellino.  A segunda fase será como o programa “Aprendiz”, com  uma série de atividades, outros testes e projetos concretos.  A última fase, para aqueles que não tiverem desistido ou sido eliminados, será parecido com o “reality” americano “Shark Tank”, ou “Tanque de Tubarão”, onde, assim como no programa, os aprendizes da Escola da Vida terão três minutos para apresentar seus projetos a um grupo de investidores e a chance de tornar seu sonho realidade.

Bellino numa das salas do The Lab Miami. Foto de Carla Guarilha.

“Mostrar que você pode atingir o sucesso, mas não o sucesso a qualquer preço, é muito importante para criar valores morais, que para nós são fundamentais”, diz Bellino, que ainda afirma que as escolas tradicionais não dão esta oportunidade.  “Ela quer que você ande dentro de uma reta, dentro de uma caixa para você seguir um protocolo, terminar recebendo uma certificação para que com essa certificação você procure um emprego, e esse circulo vicioso destrói a capacidade, a imaginação e o sonho das pessoas”, diz Bellino que nunca completou uma faculdade mas passou com nota 10 na escola da vida, se transformando num dos melhores “aprendizes” de Donald Trump.

Em 2003, Bellino convenceu o magnata a fazer o primeiro investimento imobiliário Trump no Brasil. Mas não foi tão simples quanto parece. Trump não estava em seus melhores dias e deu três minutos para Bellino vender sua ideia de levar a marca Trump para o mercado de imóveis no Brasil.  Perante a situação inesperada, Bellino imediatamente deixou de lado sua apresentação original e para vencer o desafio, usou de sua genialidade empresarial, baseada em dois fatores: carisma e coragem de errar.  O projeto Villa Trump Golf & Resort em Itatiba, São Paulo, acabou não indo para frente mas rendeu uma forte amizade entre eles até hoje.

E agora, Bellino quer aplicar a mesma regra de “3 minutos” para criar novos aprendizes.

“Quero poder resetar essas pessoas no sentido de dar a elas a possibilidade de acreditar no sonho de novo, acreditar no impossível de novo, porque quando somos crianças, acreditamos que podemos fazer coisas extraordinárias, mas a nossa vida, nossa escola, nossa igreja, nossos amigos, nosso clube, estornam a nossa capacidade de sonhar”, diz o CEO da School of Life.

Parece um tanto arrojado, mas ele está calcando o sucesso do seu novo projeto na sua própria história de ousadia.

O quadro ao lado de Bellino é outra iniciativa do empreendedor.  São 100 obras feitas com capsulas da Nespresso.  Este é de Andy Warhol, artista que desenhou a lata de sopa Campbell's, inspiração para Sopa de Pedras, tema de palestras de Ricardo Bellino.  Os quadros vendem por US$15 mil cada.  Este foi uma doação para a sede da School of Life.  Todos podem ser vistos no site http://www.saatchionline.com/Artmakers. Foto de Carla Guarilha.

O quadro ao lado de Bellino é outra iniciativa do empreendedor. São 100 obras feitas com capsulas da Nespresso. Este é de Andy Warhol, artista que desenhou a lata de sopa Campbell's, inspiração para Sopa de Pedra, tema de palestras de Ricardo Bellino. Os quadros são vendidos por US$15 mil cada. Este foi uma doação para a sede da School of Life. Para ver todos, visite http://www.saatchionline.com/Artmakers. Foto de Carla Guarilha.

Aos 14 anos, Bellino teve sua primeira experiência empreendedora ao negociar com o dono de uma oficina eletrônica uma comissão por cada Atari que seus amigos de escola levavam até ele para codificar do modelo americano para o brasileiro. Quando conseguiu juntar US$300 com as comissões, Bellino investiu num equipamento de som e se associou ao grupo que mais tocava nas festas dos colegas.

Bellino e sua lata de sopa de pedra.

E esta foi a primeira de muitas vezes que Bellino aproveitou o limão para fazer uma boa limonada.

O investimento surgiu de um pequeno problema que na época lhe incomodava. Como tinha vergonha de chamar as meninas para dançar, ele ficava atrás dos DJs nas festas.  Assim, acabou virando sócio da equipe.

“Essa timidez foi o que me alavancou”, diz ele.  “Eu consegui transformar literalmente timidez em carisma”.

E foi, exatamente, esse carisma que o ajudou a vencer barreiras, aproveitar todas as oportunidades que sua escola da vida apresentou e conquistar grandes negócios.

No fim dos ano 80, com pouco mais de 20 anos, ele convenceu John Casablancas, dono da famosa agência de modelos “Elite”, em Nova York a abrir a Elite Models Brasil.  Casablancas concordou e se tornou seu “mentor e pai espiritual”.  Foi quem, de fato, o apresentou ao Trump, que acabou sendo a chave de sua trajetória de sucesso.

Seu lema:  “Como não sabia que era impossível, fui lá e fiz!”, uma frase do escritor francês Jean Cocteau.

“O empreendedor de sucesso assume risco, ele vai no limite, acredita no impossível, passa pelas chamas, abre o mar e atravessa o oceano”, diz Bellino. “Acho que uma das minhas maiores virtudes é não ter medo de errar e, não tendo medo de errar, eu arrisco mais, dentro de uma perspectiva responsável, com a cabeça no céu e pé no chão”.

E “não ter medo de errar” , diz ele, é um de cinco simples conceitos para o sucesso.  Os outros quatro são: entusiasmo, persistência, coragem de assumir risco e a verdade.

Sendo a “verdade” o fator determinante na seleção dos aprendizes, diz Bellino.  “A verdade vem com o caráter. Se você não tem caráter, a verdade não existe”.

Para testar suas aptidões de empreendedor, visite o site em inglês do livro “You Have 3 Minutes”.

No vídeo, Ricardo Bellino conta o segredo do seu sucesso, em menos de 1 minuto:

Empreendedor brasileiro Ricardo Bellino abre Escola da Vida em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 5 de março de 2013 Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Saude | 11:02

Trabalho de brasileiro em Miami salva vidas de crianças no mundo

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Leucemia e linfoma são dois fantasmas da medicina que aterrorizam pais no mundo inteiro, que temem pela saúde de seus filhos, vulneráveis a esses tipos de câncer no sangue, muitas vezes curáveis apenas através de um transplante de medula óssea.

O problema é que nem sempre se encontra um doador compatível em tempo.

Esse foi o caso de Icla da Silva, uma brasileira de Maceió, que faleceu com leucemia, aos 13 anos, em 1992, em Nova York, onde buscava um doador.

Nunca encontrou, mas partiu, deixando uma missão, que hoje faz parte da vida de Carlos Wesley, representante em Miami da Fundação Icla da Silva, atualmente o maior centro de recrutamento do registro nacional de doadores de medula óssea nos Estados Unidos, conhecido como “Be the Match” (“seja compatível”).

A Fundação, baseada em Nova York, completa 21 anos em 2013.  E há cinco, conquistou o coração e dedicação do jornalista carioca, casado há 20 anos e pai de duas crianças saudáveis, Bruno, hoje com 15 anos, e Carolina com 8.

Logo que chegou na Flórida, estava em um evento, e conheceu Airam da Silva, irmão de Icla, que hoje dirige a entidade com o nome de sua irmã.

Wesley escreveu uma matéria sobre o assunto e uma família de Dallas, no Texas, leu e entrou em contato com a Fundação.

Carlos Wesley, em sua casa, em Miami, sempre sorridente -- e trabalhando, constantemente em busca de doadores de medula óssea. Um caso de compatibilidade é o suficiente para salvar uma vida, diz ele. Foto de Carla Guarilha.

O menino que precisava do transplante tinha 6 anos e se chamava Bruno.

“O mesmo nome do meu filho”, diz Wesley.  “Eu realmente me envolvi e fiquei muito impressionado com o trabalho da Fundação desde o primeiro momento que conheci o presidente [Airam da Silva] e o trabalho que realizam”.

A Fundação Icla da Silva conseguiu 40 mil doadores nos Estados Unidos no ano passado, e muitos vieram através do empenho de Wesley, que mantém uma presença ativa na comunidade brasileira do Sul da Flórida e acaba de mandar 88 novos formulários preenchidos durante uma campanha recente no consulado do Brasil em Miami.

Na mesa, já prontos os envelopes para ele colocar no correio com formulários de novos doadores. Foto de Carla Guarilha.

“O consulado em Miami tem sido um grande parceiro da Fundação”, diz Wesley. “Através desta aliança com o cônsul-geral , Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, que sempre abre as portas para realizarmos as campanhas, a gente consegue  encontrar mais brasileiros”.

E são especificamente os brasileiros – e outras minorias étnicas – que Wesley procura diariamente para aumentar as chances de compatibilidade, que depende da genética e raça do indivíduo.

Das 10 milhões de pessoas registradas no banco de doadores aqui nos EUA, oito milhões são americanos caucasianos, diz Wesley.

Isso dificulta as chances de compatibilidade.

“Nós [brasileiros] somos uma mistura de raças.  Somos europeus, africanos, índios, então, para um paciente brasileiro é mais difícil encontrar um doador compatível”, diz.  “Por esse motivo, precisamos registrar mais e mais brasileiros dessas misturas. São vidas que estão sendo salvas, são pessoas que estão tendo essa segunda oportunidade na vida porque conseguem encontrar, dentro do registro de doadores, um doador compatível”.

Wesley manda para a sede da Fundação em NY, em média, de 200 a 250 formulários todo mês.

Ele diz que a satisfação de poder salvar uma vida não tem preço.

“Acho que nosso primeiro trabalho é educar e informar que qualquer pessoa pode fazer a diferença dentro da nossa comunidade, sem pagar nada”, diz.

Wesley mostra como é simples o teste que determina a compatibilidade dos doadores. Foto de Carla Guarilha.

O processo para se tornar doador aqui nos Estados Unidos é simples: preencher um formulário com dados básicos, como endereço e telefone para que o doador possa ser encontrado no caso de compatibilidade, e passar quatro cotonetes na parte interna da bochecha.  Com isso, as informações entram no banco de dados nacional e ficam disponíveis para pacientes no mundo inteiro, inclusive no Brasil, onde a Fundação e seus representantes, como Wesley, também atuam e auxiliam pacientes que necessitam de um transplante de medula óssea com informações, contatos e, principalmente, na busca por doadores compatíveis.

E para Wesley, não há nada melhor do que a sensação de missão cumprida quando um paciente encontra um doador compatível.

“Quando você vê uma mãe e um pai com um filho no leito de um hospital esperando um doador sem poder fazer nada, você coloca seus problemas na perspectiva certa.  A Fundação me dá a oportunidade de agradecer tudo que Deus tem me dado”, diz Wesley, que hoje, aos 47 anos, divide seu tempo entre a Fundação, seu outro trabalho como coordenador de mídia digital da HBO em Miami e sua família.  “Eu tenho que agradecer a Deus diariamente — e eu agradeço diariamente — por tudo que Ele me deu: uma família maravilhosa, filhos saudáveis, meu trabalho e amigos.  Às vezes, a gente chega num hospital para confortar uma família e são eles que nos confortam”.

Para conhecer mais o trabalho da Fundação Icla da Silva, visite o site http://www.icla.org/pt.  Para se tornar um doador, entre em contato com Carlos Wesley pelo e-mail  carlos@icla.org ou telefone (646) 385-0671.

No vídeo, Carlos Wesley revela em menos de 60 segundos o segredo do seu sucesso:

Trabalho do brasileiro Carlos Wesley em Miami salva vidas de crianças no mundo. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013 Beleza, Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Sem categoria, Shopping | 10:18

Sonho de designer brasileiro em Miami é vender sua marca exclusiva para Sônia Braga e Ivete Sangalo.

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Eduardo nasceu em Santos, filho de pai alemão e mãe espanhola.

Seus pais se conheceram numa viagem na Itália, se casaram em Roma e se mudaram para o Brasil no final da década de quarenta.

Seu pai, joalheiro, queria estar próximo de um porto e achou Santos a melhor opção. Com simpatia e bom atendimento, logo foi conquistando uma clientela de luxo, de turistas estrangeiros que chegavam de navio ao Brasil.

Comerciante visionário, no fim dos anos 60, ele começou a ver que o turismo estava mudando com o aumento do tráfego aéreo e partiu em busca de novos horizontes. Em 1969, a família se mudou para Porto-Rico e continuou o sucesso no ramo de joias.

Mas essa não era a praia de Eduardo, que procurava uma jornada profissional independente dos negócios da família.

“Eu não sabia o que iria fazer.  Não queria trabalhar com o meu pai, me dava bem com ele, mas não queria trabalhar com a família”, diz.  “Queria encontrar o meu caminho na vida.  Tinha que buscar o meu futuro”.

Eduardo no escritório da "Edward Beiner" em South Miami, onde fica sua primeira loja, desde 1981. Foto de Carla Guarilha.

E assim, jovem e “hippie” com cabelos longos, típico dos anos 60 e 70, resolveu estudar no Canadá.  Logo que chegou, conseguiu um trabalho de vendedor numa ótica.  E essa foi sua largada.

Em 1980, pediu transferência para Miami e, no ano seguinte, abriu sua primeira loja na Sunset Drive, que existe até hoje.

Só que  agora, aos 57 anos e com nova identidade norte-americana, Edward Beiner, se tornou um grande designer de óculos de luxo e uma das maiores coleções na Flórida, com 11 lojas espalhadas pelo estado e planos de expansão.

Sua marca, vista em rostos famosos como dos jogadores LeBron James, Dwyane Wade ou Alicia Keys, virou sinônimo de bom gosto e qualidade.

Mas, diz Edward, só estará realizado quando vir seus óculos nos olhos de mais brasileiros.

“Sonho vendê-los para Sônia Braga e Ivete Sangalo”, brinca.

Na loja da Sunset Drive, Edward conta com orgulho que faz questão de tratar os clientes com o "carinho brasileiro". Foto de Carla Guarilha.

Eduardo diz que quando chegou em Miami e falava que era do Brasil, sempre ouvia: “Ah, Buenos Aires”.  Ninguém conhecia o país, diz, lembrando dos tempos que brasileiros só vinham para comprar eletrônicos nas lojas do centro da cidade.

Não era seu público.

Com a mesma atenção com os clientes que aprendeu com seu pai, ele foi conquistando um mercado de luxo  – mas, tipicamente americano e europeu.

Mas hoje tudo mudou, diz Edward, que tem uma de suas lojas no shopping Aventura, um dos favoritos dos brasileiros e onde o português está virando o primeiro idioma, depois do espanhol.  O inglês amarra a terceira colocação.

“O que o brasileiro traz para a economia de Miami é uma coisa incrível”, diz, orgulhoso.  “O brasileiro está levantando Miami”.

Edward diz que sua trajetória aqui não foi fácil.  Batalhou muito para chegar onde está.

“Os Estados Unidos não perdoam”, diz com humildade, o santista que lutou para criar um nome reconhecido pela qualidade mas que lhe deixou sem identidade.

Foto de Carla Guarilha.

Eduardo conta que se realiza cada vez que escuta um brasileiro falando português em sua loja, mesmo sem saber que Edward Beiner é mais brasileiro do que qualquer João ou Maria.

“Já falei para minha esposa que quero morrer Eduardo, não Edward”, brinca.  “Eu nasci Eduardo e quero morrer Eduardo”.

Já se está nos planos uma loja no Brasil, o designer prefere não antecipar nada.

Só diz: “Eu gosto da Rua Oscar Freire”, em São Paulo.  “É uma rua muito interessante”.

Quem sabe logo o brasileiro não vai mais precisar vir a Miami para comprar um par de óculos Edward Beiner.

No vídeo, Eduardo “Edward” Beiner conta o segredo do seu sucesso.

Grande designer da marca Edward Beiner conta aqui o segredo do seu sucesso. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 Decoração, Entrevistas, Imóveis, Miami | 10:23

Badalada decoradora paulista fecha acordo com premiado arquiteto americano

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Decoração sempre correu no sangue de Camilla Matarazzo, que desde pequena se encantava com as plantas de apartamentos nos jornais e as corrigia.  E agora, a designer de interiores paulista, que virou sinônimo de bom gosto em São Paulo, está trazendo seu trabalho para Miami.

Camilla Matarazzo chega em Miami com força total. Foto de Carla Guarilha.

“Pode ser um passo a mais para o escritório”, diz a decoradora que logo completa duas décadas de existência e sucesso de sua empresa – Camilla Matarazzo Interior Designer.

Sua irmã, a fotógrafa Paola Matarazzo, conhecida aqui como Jade — pelo nome de seu estúdio fotográfico, sempre insistia para que Camilla expandisse os negócios e oferecesse serviços para velhos e novos clientes em Miami.

E agora, diz a designer de interiores, chegou a hora.

E já chegou com dois grandes clientes, que preferem não se expor.

“Agora o escritório já está estabelecido.  Não preciso ficar lá o tempo todo, dá para ir e vir”, diz Camilla, que pela primeira vez, participou de um evento em parceria com sua irmã.

Numa exposição conjunta de fotografia e decoração, as Matarazzo receberam cerca de 150 convidados num coquetel na loja da Ornare, no Design District, para lançar a chegada de Camilla aos Estados Unidos.

Camilla com Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, cônsul-geral do Brasil em Miami, no coquetel da Ornare. Foto de Carla Guarilha.

Entre eles estava presente Tony Abbate, professor de arquitetura e vice-reitor da Florida Atlantic University e dono da Anthony Abbate Architect PA, uma grande e tradicional firma de arquitetura na Flórida, com mais de 20 prêmios nas costas, e agora, parceiro da decoradora brasileira.

Jaye Abbate, Camilla Matarazzo, Tony Abbate e Jade Matarazzo. Foto de Carla Guarilha

Camilla diz que entrar no mercado americano vai ser um “desafio interessante.”

“Em São Paulo, todo mundo me conhece, conhece a qualidade do meu trabalho.  Não sei se consigo transportar isso para cá”, diz, com humildade, a designer de interiores conhecida pelos grandes projetos comerciais, como o Iate Clube de Santos, um enorme escritório de marketing esportivo e a BM&F Bovespa.

Camilla também executa projetos residenciais milionários e participa com freqüência da Casa Cor, onde em 2011, foi responsável pela decoração do espaço de uma suite para o jogador Neymar, o que foi alvo de admiração pela perfeição da mistura do ambiente – moderno com classe, que é sua marca registrada.

“Era um desafio mostrar para todo mundo que eu também posso fazer essa coisa mais jovem”, diz.  “Acho que ele [Neymar] tem a cara do Brasil de hoje, do desafio, meio irreverente”.

E é essa irreverência com classe que a brasileira espera trazer para o mercado americano em Miami.

Atrás, um painel expondo um de seus trabalhos, no coquetel da Ornare. Foto de Carla Guarilha.

“Gosto é muito subjetivo, mas brinco que o bom gosto não,” diz ela.  “Quando é bonito, todo mundo gosta”.

Suas primeiras experiências com decoração começaram com projetos de família, primeiro fazendo uma casa de fazenda para seu sogro na época, uma outra casa no sítio do seu pai, até realizar seu primeiro projeto profissional na Casa Cor, em 1994, que foi ambientada na casa de seu avô paterno na Rua Argentina.

“Fiz um banheiro, e era como se estivesse fazendo na minha casa, então foi bárbaro”, conta.  “Muitas pessoas não sabiam quem eu era, estava lá parada e ouvia comentarem entre elas.  Todo mundo elogiou muito”.

A cortina de plástico americana no banheiro de mármore fez enorme sucesso, dando inicio a sua marca registrada: simplicidade com sofisticação. Foto cortesia de Camilla Matarazzo.

Foi um marco profissional para Camilla.

“Naquele período, a Casa Cor dava uma projeção muito grande”, diz.  “Tenho grandes amigos dessa fase”.

Desde então, Camilla diz que muita coisa mudou no ramo de decoração, mas não seu estilo, que ela preservou ao longo dos anos.  A sua fórmula de sucesso é a essência do equilíbrio entre a “sofisticação do clássico e a praticidade do moderno”.

“Meus projetos são muito atemporais.  Eles podem ter sido feitos hoje ou há 10 anos”, afirma.  “Gosto de alguns detalhes clássicos, de algumas peças que têm uma história na vida da pessoa.  Se você põe tudo muito contemporâneo, muito moderno, parece que mora em uma loja”.

E essa mistura que agrada os clientes: conseguir trazer numa decoração elegante um pouco da personalidade do cliente, transformando assim uma casa impessoal em um lar.

Seu maior prazer é ver a satisfação do resultado final.

“É muito bom quando vejo um projeto realizado e falo, ‘nossa, era exatamente isso que eu imaginei’ e melhor ainda, quando a pessoa fala, ‘ai, que delícia chegar em casa, como é gostoso’.  Acho fantástico uma pessoa me pagar para fazer isso”, brinca.  “Eu faria de graça”.

No vídeo, Camilla Matarazzo conta, em menos de 60 segundos, o segredo do seu sucesso:

Badalada decoradora paulista expande seu trabalho em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , , , , , ,

terça-feira, 27 de novembro de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Entrevistas, Miami | 10:07

Brasileira faz sucesso nos Estados Unidos em “reality” que inspirou o programa Mulheres Ricas.

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Aos 7 anos, Adriana de Moura frequentava um conservatório de piano em Campinas, onde cresceu, e passava as férias em Araraquara com papel, pincel e tinta nas mãos, ao lado da avó paterna, dona Elisa, artista plástica.

“Minha avó era uma mulher muito especial, com muita bagagem, muita cultura e  sempre me influenciou”, diz a curadora e marchand brasileira, que hoje vive um papel público quase oposto da mulher intelectual, caseira e tímida que é.

Com seu cachorro -- e a escultura dele -- na sala de sua casa em Miami Beach. Foto de Carla Guarilha.

Desde o ano passado, quando foi escolhida como uma das personagens do “The Real Housewives of Miami” – que inspirou aí no Brasil o programa “Mulheres Ricas” – sua vida e imagem se transformaram também.

A Bravo, o canal de TV da rede NBC que exibe o reality, classificou Adriana de Moura, como “Brazilian bombshell”, a explosiva e devastadora dona de casa, que amanhã lança seu single, “Feel the Rush”, a música que é tema da nova temporada do programa.

Ela vai se apresentar para 2 mil pessoas pela primeira vez,  ao vivo, no Mansion, um dos mais badalados clubes em South Beach.

“Não perco oportunidades”, diz.  “Pela publicidade desse show e exposição que estou tendo, tenho meus 15 minutos de fama que estou tentando transformar em 45”, brinca.

Adriana, em sua casa, com óculos de sol de uma linha que desenvolveu chamada Adri O, inspirada na ex-primeira dama americana Jacqueline Kennedy, também conhecida como Jackie O. Foto de Carla Guarilha.

Mas sua essência está em um outro evento, que está promovendo hoje à noite: uma vernissage da artista plástica Carmem Gusmão (entrevistada recentemente nessa coluna.)

“O papel da arte é de desafiar, abrir os horizontes e trazer aquela emoção que está guardada dentro de você”, diz.  “Os grandes artistas sempre tiveram um aspecto sociopolítico por trás das obras deles”.

Adriana tenta sempre apoiar artistas brasileiros.  “Gosto de mostrar ao mundo que somos mais do que samba e futebol”, diz, com orgulho.  “A Carmem [Gusmão], por exemplo, é uma guerreira que merece a visibilidade, que acho que posso trazer para ela”.

Adriana diz que a arte preenche sua alma e lembra que uma das mais importantes  lições que aprendeu com sua avó foi que as necessidades da alma são maiores do que as materiais.

“A fama é um meio.  Não um fim”, diz a curadora-cantora-atriz, que se auto denomina como “camaleoa”.

No porta-retrato, na sua sala, Adriana com Barack Obama, num jantar em Miami há quatro anos para arrecadar fundos para sua primeira campanha presidencial.

Mas é seu papel de mãe que supera todos os demais.

“No minuto que você põe uma criança no mundo, sua função número um deve ser fazer desse ser humano o melhor que ele pode ser”, diz.

Seu filho Alexandre hoje está com 12 anos e, como Adriana, é apaixonado pela musicalidade.  Frequenta duas vezes por semana o programa preparatório da faculdade de música da Universidade de Miami, Frost School of Music, para jovens pré-universitários.

Depois que Adriana se formou em letras e linguística pela PUC de Campinas, ela passou uns meses estudando arte na Sorbonne, na França, depois na Itália e acabou no Texas, nos Estados Unidos, onde conheceu o pai do seu filho.  Moraram em Dallas alguns anos até que o casamento começou a balançar.

Adriana buscava novos desafios e uma nova vida.  Resolveu, então, estudar Direito Internacional e Arte e foi aceita em quatro faculdades, inclusive a Universidade de Miami.

Para evitar maiores problemas conjugais, apesar de divorciados, o casal permaneceu morando junto e se mudou para Miami, na badalada e exclusiva ilha de Fisher Island.  Ali Adriana abriu sua primeira galeria de arte. Mas a situação entre o casal só piorava e acabaram se separando definitivamente.

Sua prioridade absoluta passou a ser os cuidados com seu filho.

Ao lado do porta-retrato do seu filho, Alexandre. Foto de Carla Guarilha.

“Você tem que prover não só as coisas materiais, como casa, comida e uma educação, mas também harmonia, amor e passar aquele senso de segurança, de amor próprio para aquela criança”, diz.  “Ser mãe e ser brasileira é, ‘levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima’. Acho que essa é uma das coisas que a mulher brasileira tem: muita garra”.

E com essa garra, Adriana foi construindo e reconstruindo sua vida, sozinha.

“Quero ser lembrada pelo meu filho como uma mulher intelectual,  que luta, que almeja, mais do que tudo, uma presença, como brasileira, como uma pessoa culta e centrada”, diz.  “Meu propósito final é me realizar como uma mulher de negócios, ter minha independência financeira completa, proporcionar uma educação de altíssimo nível para o meu filho, mas como minha avó já tinha me dito, lembrando sempre que as nossas necessidades interiores, espirituais são bem mais poderosas e muito mais demandantes do que os bens materiais”.

Seu sonho em 20 anos? Fazer doutorado em linguística.

“No mundo perfeito, estaria voltando para quem realmente sou: amante da arte e linguística.  Gostaria de terminar meus dias como professora universitária, lendo, estudando, discutindo com os alunos”, diz.  “Eu adoro tudo que tem relação com a educação.  Eu poderia ser uma eterna estudante”.

Sua mensagem?

“Acho que no fim, se você é verdadeiro, consegue sonhar e realizar, mas o sonho vem primeiro”.

No vídeo, Adriana de Moura compartilha o segredo do seu sucesso:

O segredo do sucesso de Adriana de Moura, apelidada de “Brazilian bombshell” no “reality” Real Housewives of Miami, é garra. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. Última