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terça-feira, 20 de novembro de 2012 Decoração, Direto de Miami, Entrevistas, Imóveis, Miami | 10:27

Arquiteto brasileiro “faz a América”: da capital americana à capital latina nos EUA

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

“Audacioso” é como o arquiteto Marco Aurélio Gonçalves descreve sua trajetória profissional.  Mas sua postura não tem um pingo de petulância.  Pelo contrário.  De forma um pouco tímida, e com enorme humildade, ele encara os projetos com “Impulso da alma para atos difíceis ou perigosos”, uma das definições precisas do termo audácia em dicionários.

Marco abraça cada projeto como se fosse o único e o ultimo.  E foi assim com essa garra, que o carioca vem conquistando a América — primeiro a capital dos Estados Unidos, onde tem uma empresa de arquitetura e decoração — e agora a capital da América Latina nos Estados Unidos, que é como muitos se referem a Miami.

“Às  vezes, quando olho para trás, me vejo como muito audacioso, e penso, como é que fiz isso?  Mas no final acaba dando certo”, diz o arquiteto, que como um desbravador, tem como meta agora abrir novos caminhos na Flórida.  “Sempre tive esse sonho de vir para Miami”.

Marco, na frente de um de seus novos projetos em Miami. Foto de Carla Guarilha.

Ele chegou a fazer alguns projetos aqui em 2005 e 2006, mas acabou voltando para Washington para atender outros clientes na época e ficou por lá — até agora.

Em 2013, ele diz que vai ficar na ponte-aérea Washington-Miami.

“Me sinto agora mais estruturado profissionalmente”, diz Marco, que hoje tem um showroom em Alexandria, uma cidade do estado de Virginia, considerada parte da Grande Washington, onde sua empresa EuroDesign Solutions atende grandes nomes da elite americana, como Louis Hughes, ex-presidente da Lockheed Martin e da General Motors, que está reformando um apartamento de luxo na Ave. Massachusetts, numa área nobre da capital americana.

“Decidimos continuar trabalhando em D.C., mas abrir também o caminho em Miami, onde achamos que tem um público que se assemelha muito com nosso trabalho.  Achamos que vai haver um bom reconhecimento”.

E assim tem sido a história de sua vida: primeiro o desejo depois a meta, o desafio e a realização – e entre cada etapa, um obstáculo, que como numa concepção arquitetônica, pode apenas atrasar um pouco o projeto, mas no fim, todos seus passos acabam sempre em grandes conquistas sustentáveis, como pilares numa construção.

Foto de Carla Guarilha

E é assim também que ele começa seu processo de criação: como um desejo, quase irracional, de achar soluções para o estilo de vida do cliente.  “Tenho muito forte essa vontade de consertar, achar soluções para os problemas”, diz o arquiteto, que às vezes se posiciona quase como um psicólogo.   “Primeiro, tenho que entender qual o problema, o que a pessoa quer.  Acho que isso faz a diferença.  Enquanto não encontro aquela solução, não tenho paz”.

Marco cresceu no subúrbio do Rio de Janeiro, filho mais velho de quatro irmãos.  Sua mãe, dona Vera, era dona de casa, costureira de mão cheia, foi dona de alguns comércios e uma pequena confecção no Rio.  Seu pai, Seu João, era funcionário público, motorista de ônibus, e, nas horas extras, de taxi.  Marco lembra do pai estudando à noite para completar o segundo-grau.

E esse espírito de luta e empreendedorismo sempre fez parte da família Gonçalves.

“Não existia na minha cabeça a opção de não estudar”, diz ele, que desde cedo sabia que queria cursar uma faculdade.

Passou no vestibular e entrou na Universidade Gama Filho.

“Na época era completamente fora da nossa realidade”, conta.  “A mensalidade era muito cara”.

Mas Marco vive sua vida como o arquiteto audacioso que é: sempre em busca de soluções para projetos que cria – às vezes projetos no ramo profissional e, muitas outras vezes, na vida.

Marco no showroom da EuroDesign Solutions, na Grande Washington. Cortesia: Marco Gonçalves.

Conseguiu uma bolsa de estudos integral e crédito educativo.

“Era bem sacrificado”, diz. “Tinha dias que pegava mais de 10 ônibus”.

Ele trabalhava na administração de uma cervejaria e nos dois dias de folga que tinha na semana frequentava a universidade.  Tinha aula das 7h30 às 22h.

Nisso, pouco antes de entrar na faculdade, seus pais haviam se separado, e Seu João resolveu recomeçar a vida em Washington.  De subemprego, como muitos brasileiros que vem “fazer América”,  ele foi crescendo e logo abriu uma empresa de jardinagem, que tem até hoje, e aos poucos foi trazendo todos os filhos, um por um.

Marco resolveu trancar matricula em 1994 e veio passar uns tempos nos Estados Unidos com o pai.  Ficou seis meses, mas decidiu voltar para completar a faculdade. Três anos depois se formou e foi um dos poucos alunos na época a conseguir trabalho no ramo de arquitetura.  Mas não fazia projetos, que é sua maior vocação e paixão.  Por isso, pediu demissão e começou a correr atrás de seus próprios clientes.

Estava fazendo alguns projetos em parceria com colegas quando, em 1999, resolveu voltar a Washington em busca de novos desafios.

Lá, concorreu a uma vaga de arquitetura numa firma local e chegou a finalista, mas na última hora, perdeu.

Começou a trabalhar como entregador de pizza e garçom até que, um dia, uma festa que fez numa boate foi um sucesso tão grande que, naquele momento, Marco passou a ficar conhecido como “o promoter” brasileiro da cidade.  Logo abriu a Brazilian Night Entertainment, que chegou a promover festas para até 2 mil pessoas num dos maiores “night clubs” de Washington.

Foto de Carla Guarilha.

“Eu decidi, na época, que não iria mais tentar arrumar emprego como arquiteto.  Iria ganhar a vida e dinheiro e desenvolver meu lado de arquiteto fazendo casas para mim”, diz.  “Mas de uma certa forma, usava meu talento como arquiteto para promover eventos, da iluminação à decoração”.

Mas, novamente, apesar de Marco tentar se afastar da arquitetura, ela nunca desistiu dele.

Ele voltou a fazer um projeto aqui, outro ali, e aos poucos foi reconstruindo os pilares de sua vida.

“Acho que a arquitetura é algo que está dentro de mim.  Tenho certeza  que eu nasci para ser arquiteto”, diz, com humildade mas determinação.  “Eu deveria ter saído do Brasil consciente de que seria um percurso duro, que demoraria muito.  Por algum motivo, eu talvez subestimei”.

Mas nunca desistiu, e essa é a lição que deixa para jovens arquitetos:

“Se você acredita que tem talento, sabe que tem talento, estude, tente, não se derrote com barreiras, crie forças e crie uma meta,” diz.  “Acredite no seu potencial”.

No vídeo, Marco conta, em poucas palavras, o segredo do seu sucesso:

Arquiteto brasileiro “faz a América”: De Washington a Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 23 de outubro de 2012 Direitos Humanos, Direto de Miami, Educação, Entrevistas, Imigração, Miami, Sem categoria | 09:09

Brasileira revela os motivos do intenso fluxo migratório para a Flórida

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Valéria Magalhães estudou em escola pública toda sua vida, na periferia da zona leste de São Paulo, para onde seus pais migraram na década de 60.  O pai  havia deixado o Maranhão e a mãe, Minas.

“Não tenho uma formação brilhante”, diz Valéria, que superou os obstáculos de uma educação primária e secundária relativamente fraca e criou sua própria – e brilhante – trajetória acadêmica.

Valéria no quarto do hotel Hampton Inn, de Coconut Grove. Foto de Carla Guarilha.

Hoje, socióloga, doutora em História Social e docente da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, ela esteve aqui em Miami na semana passada para lançar seu livro: “O Brasil no Sul da Flórida: Subjetividade, identidade e memória”, publicado e lançado no ano passado no Brasil, pela editora Letra e Voz.

Valéria diz que não sabe se seu interesse por questões migratórias vem da história de seus pais, mas ela tem absoluto fascínio pelo tema.

“Sempre tive uma paixão pelas viagens e pela imigração, não só como objeto de estudo”, diz ela.  “Sempre fiquei fascinada com o fato da pessoa sair do lugar dela e às vezes não voltar, ficar longe de tudo e de todos”.

O livro, resultado de sua tese de doutorado, inclui 40 entrevistas feitas com brasileiros entre 2002 e 2006 nos condados de Miami-Dade e Broward.

“Cada história que ouvia era incrível”, diz ela.

Um dos capítulos conta o caso de um gay que conseguiu asilo político alegando às autoridades americanas que corria risco de vida no seu país de origem pela sua preferência sexual.  Outro conta a história de uma go go girl que se tornou garota de programa.  “Quando entrevistei, ela estava atendendo no hotel. Ela deu a entrevista nos intervalos.  Foi uma história, metodologicamente falando, bastante curiosa”.

Mas o que mais lhe surpreendeu foi o depoimento sobre um casamento para obter os papéis de imigração e condição legal como imigrante nos Estados Unidos, que custou R$18 mil.   “Era uma exploração muito grande da pessoa que vendia o casamento.  Fiquei meio surpresa com aquilo e quanto as pessoas se desdobravam para conseguir esse documento, o que elas aguentavam para se legalizarem aqui nos Estados Unidos”.

A noite de autógrafos foi na pizzaria Piola em South Beach, onde Valéria recebeu mais de 40 pessoas, entre velhos amigos e novos imigrantes.

“Eu acho que tem mais brasileiros chegando para abrir negócios aqui ou investir, aproveitando a situação econômica brasileira e as taxas de juros americanas”, diz. “Esse não é um fenômeno novo, mas sazonal, que acompanha conjunturas específicas dos dois países”.

Valéria aproveitou sua visita a Miami agora também para dar início ao seu próximo projeto, que deve ter duração de dois anos.  Será uma pesquisa extensa sobre gays brasileiros na Flórida, uma parceria com Steven F. Butterman, diretor do Programa de Estudos de Gênero e Sexualidade na Universidade de Miami e autor de “Vigiando a (in)visibilidade:  Representações midiáticas da maior parada gay do planeta.”

“Esses grupos, como gays, que não são estereótipos da imigração, quebram os paradigmas, de que a imigração brasileira para o exterior é só por causa das questões econômicas”, diz ela.  “É também.  Mas na Flórida, essa imigração tem muitas outras razões, muitas outras explicações e, historicamente, é diferente do resto”.

Foto de Carla Guarilha

Dez anos se passaram desde o começo da pesquisa e a catedrática da USP diz que pouca coisa parece ter mudado, mas é isso que ela está voltando para comprovar.

“A hipótese principal agora é que, com a crise [econômica], os fluxos migratórios não se alteraram.  Essa imigração continua tão importante quanto era –  o que mais uma vez reforça meu argumento de que só a economia não explica a imigração [brasileira]”.

Ela diz que apesar das diferenças sociais, culturais e econômicas, foram razões subjetivas que fizeram com que esses brasileiros se mudassem para Flórida.

“A razão econômica é fundamental mas não vai sozinha e é a mais fácil de você declarar”, diz ela.  “Nenhuma razão estrutural se sustenta sem as questões subjetivas.  A decisão de sair do país é tão difícil de tomar que você precisa de um impulso pessoal que te ajude a tomar essa decisão”.

E isso vale para a pesquisadora também.

“Eu adoro a Flórida.  Venho aqui e fico com vontade de ficar um tempo”, diz ela.

Mas agora não é mais estudante de doutorado e seus compromissos de pesquisas no Brasil lhe impedem de passar períodos mais longos como fez 10 anos atrás.  Ela pretende vir por períodos curtos cada vez para atualizar os estudos.

Valéria diz que seu maior desafio foi e continua sendo convencer os colegas que Miami é um “objeto importante de pesquisa”.

“Esse brasileiro mais metido a intelectual – o brasileiro mais voltado para questão das artes, da intelectualidade — não gosta de Miami”, diz Valéria. “Miami é visto como o lugar das compras, lugar brega, mas insisto que é interessante estudar isso aqui.  Há uma carência enorme de estudos sobre a Flórida.”

No video, Valéria conta em menos de 60 segundos o segredo do seu sucesso:

Brasileira lança livro sobre imigração brasileira em Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 2 de outubro de 2012 Direto de Miami, Entrevistas | 09:34

CSI: Brasileira integra seleto time de artistas forenses nos EUA

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Se você gosta de assistir séries na TV, como CSI, está acostumado com cenas fortes em necrotérios, onde profissionais fazem autópsias e reconstituem os rostos das vítimas em busca de pistas.

CSI é uma febre no mundo inteiro, inclusive aí no Brasil, mas o que pouca gente sabe é que há uma brasileira no time de cerca de somente 50 profissionais contratados nos Estados Unidos para trabalhar exclusivamente como artista forense. Ela se chama Catyana Skory e trabalha no departamento de policia do condado de Broward, em Fort Lauderdale.

Catyana Skory no estacionamento do Broward Sheriff's Office. Foto de Carla Guarilha.

Desde maio de 2008, quando chegou na Flórida, Skory já fez a reconstrução facial e crânio-facial de mais de 170 vítimas para identificar cadáveres.

Quando ela não é chamada imediatamente no local do crime ou acidente, a primeira parada de Skory é no necrotério, onde ela observa o cadáver e tira fotos.  Depois, ela leva para seu escritório a cabeça do morto e todos os relatórios policiais para começar a visualizar o rosto.

“Informação de cabelo e roupa é muito importante”, diz a artista forense, que começa o trabalho esculpindo e reconstruindo a cabeça.  Primeiro ela coloca os olhos e depois músculos para dar forma.  “Só olhando o crânio dá para ler o rosto”, diz.

Skory no seu escritório do Broward Sheriff's Office. Foto de Carla Guarilha

Skory nasceu em São Paulo, em 1975.

Mas sua história com o Brasil começou em 1927, quando seus bisavós imigraram do Japão para o município de Registro, hoje conhecido como o marco da colonização japonesa no estado.  Junto no navio vinha a filha do casal, com 7 anos, a avó de Catyana, Teruko Matsuzawa, a pessoa mais importante de sua vida.

“Ela era divertida e estava sempre sorrido”, diz a neta que mantém a foto da avó no escritório, a única foto de família pendurada na parede, ao lado dos seus computadores, como se fosse uma luz inspiradora.

“Sempre busque a felicidade onde estiver” foi a maior lição que aprendeu da avó, com quem conviveu intimamente.  “Ela morou conosco depois do divórcio dos meus pais e comigo depois da minha separação”, diz Skory.

Foto de Carla Guarilha.

Sua mãe saiu de casa cedo para estudar letras em São Paulo, onde conheceu o pai de Catyana, um dos primeiros jovens americanos a aderir ao programa de Peace Corps, criado pelo governo Kennedy, em 1961, como uma espécie de intercâmbio com o intuito de aproximar os países, facilitando a paz mundial e compreensão entre os povos.  Logo se casaram e quando o prazo do trabalho voluntário do pai no Brasil terminou, o casal se mudou para Nova York, com a filha pequena.

Catyana tinha pouco mais de um ano.

Ela cresceu nos Estados Unidos, mas sua avó, apesar de ter nascido no Japão, continuou sempre sendo seu maior eixo com suas raízes no Brasil.  Era a única pessoa com quem falava português na família e com quem passava as férias escolares em Registro – até ela falecer, há dois anos.

Catyana diz que como ela, sua avó também nunca teve medo da morte.

“Ela queria conhecer o necrotério e eu levei”, conta Catyana.  Ao saírem, bem humorada, a avó ligou para alguns amigos para contar: “Eu vi uma pessoa morta hoje”.

“O mundo é maior do que conseguimos ver”, diz Catyana.  “Não dá para saber o que está embaixo de tudo ou atrás”.

Dizem que todo mundo sempre tem "esqueletos no armário". Skory traz os seus para o escritório. Foto de Carla Guarilha.

Catyana se vê mais como uma artista plástica do que uma cientista.  Ela adora pintar.

Seus estudos universitários começaram no curso de artes na Universidade de Colorado.  Mas uma aula de antropologia mudou seu rumo.  Ela se encantou com a disciplina.

“Eu queria entender as raízes da humanidade, dentro de conceitos de moral, ética e cultura”, diz a artista forense, que tem dupla nacionalidade – brasileira por nascimento e americana pelo pai.  “Era muito confuso.  No Brasil, eu não era brasileira.  Nos Estados Unidos, eu não era americana.  Não sou branca nem asiática”.

Antropologia ajudou no seu autoconhecimento e na formação de uma identidade individual que hoje compreende melhor aos 37 anos,  mas foi também a disciplina que lhe abriu as portas para uma nova descoberta: ciência forense.

Foi lendo um livro de antropologia numa visita ao Brasil, em 1997, que descobriu o trabalho de reconstrução facial.

Se formou em antropologia e história na Universidade do Estado de Nova York em 1996 e, em 2000, completou mestrado em ciência forense na Universidade George Washington, na capital americana.

Entre 2000 e 2008, trabalhou no instituto médico legal em Fairfax, Virginia, depois em Dallas no Texas e foi investigadora de CSI – Crime Scene Investigator – em Manassas, também em Virginia, até ser contratada há quatro anos em Broward, exclusivamente como artista forense.

Catyana Skory usa Photoshop no processo de reconstrução facial. Foto de Carla Guarilha.

“Os mortos têm paz mas não têm voz”, diz ela.   Com seu trabalho, Catyana diz que consegue dar “voz” através de uma imagem para que os mortos sejam identificados por seus familiares, trazendo assim um pouco de paz para eles.

Como existem muito poucos profissionais no país, o último caso que resolveu foi um pedido especial do instituto médico legal de Ohio, que enviou o crânio da vitima e todo o material disponível.  “Fiz a reconstrução facial, mandei a fotografia e colocaram na televisão”, diz a artista forense.  “Em um dia a sobrinha dele telefonou e disse: ‘acho que esse é meu tio’”.

Para saber mais sobre o trabalho de Catyana Skory, visite sua página na rede social LinkedIn, onde ela também criou um grupo de discussão para artistas forenses no mundo — Linkedin Discussion Group for Forensic Artists.

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terça-feira, 25 de setembro de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Política | 09:58

Brasileiro pode ser eleito deputado federal nos EUA em novembro

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Quando José Felix Peixoto tinha 22 anos, ele trabalhava em Ipatinga na Usiminas, que apoiava, na época, a candidatura de Eliseu Resende, do PDS, para governador de Minas.  Mas Peixoto fazia campanha para Tancredo Neves, do PMDB.  Era 1982.

Foi a primeira vez que Peixoto se viu numa posição de liderança política contrária a seus superiores.

Vindo de uma família humilde, de Ipanema, Minas Gerais, ele precisava do emprego.  Mas preferiu contrariar a direção da empresa a seus princípios.

Ele pediu demissão e se mudou para Brasília para trabalhar no Banco do Brasil, onde havia sido menor aprendiz até os 18 anos.

Hoje, fazendo 52 anos nesta sexta-feira, Peixoto é candidato para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América.

Ele concorre para deputado federal pelo Distrito 26 da Flórida — sem filiação partidária e uma pequena verba de US$15 mil.

Foto oficial da candidatura. Cortesia.

“Precisamos sair do armário e mostrar para este país que produzimos, que temos uma cultura e que não somos só carnaval e futebol”, diz ele.  “Somos pessoas inteligentes, podemos acrescentar a este país, mas precisamos ter gente lá, no congresso”.

Peixoto mora em Key Largo, no condado de Monroe, há uma hora e meia de carro de Miami.  A população é de pouco mais de 10 mil habitantes, de acordo com o Censo de 2010.  Mas como é uma cidade de veraneio, muita gente que tem propriedade e cédula eleitoral de lá, não reside o ano todo.

Peixoto calcula que mais de metade dos votos seja por correspondência, e esse é um de seus desafios: arrecadar fundos para uma mala direta e convencer os eleitores que ele é o melhor candidato para representar a região.

O segundo desafio é atingir todo seu eleitorado.

O Distrito 26, que foi acrescentado ao mapa eleitoral da Flórida este ano e vai de Key West, ao sul, à Cutler Bay, no condado de Miami-Dade, tem cerca de 600 mil eleitores com capacidade de voto, diz Peixoto, que está fazendo uma campanha simples, à moda antiga, de porta a porta mas tem grande chance de ganhar se seus adversários forem impugnados.

José Peixoto em visita a Miami. Foto de Carla Guarilha.

O republicano David Rivera é acusado de fraude e diz que tem informação que pode derrubar o democrata Joe Garcia.

Por sorte ou destino, essa tem sido a história da vida desse mineiro.

Seu pai, aposentado, trabalhava em laticínio, e sua mãe, dona de casa, cuidava dos seis filhos.  Aos 18 anos, José, que só completou o segundo grau no Brasil, saiu de casa para trabalhar na Usiminas.  Quando pediu demissão, imediatamente conseguiu trabalho no Banco do Brasil, em Brasília. Lá ficou um ano, até que surgiu uma oportunidade e resolveu tentar a vida nos Estados Unidos.

Chegou em Orlando, exatamente 27 anos atrás, no dia de seu aniversário, 28 de setembro, com US$500.  Na chegada, já no aeroporto, conheceu um brasileiro de Teresópolis, e seguiu de trem com ele para Nova York.  Novamente, sem a menor dificuldade, no dia seguinte foi indicado para outro brasileiro, dono de lojas de engraxate, e conseguiu seu primeiro trabalho no país, engraxando sapatos nas ruas de N.Y.

“Só falava, ‘thank you, I am sorry’”, diz Peixoto, hoje fluente em inglês. “No primeiro dia, já ganhei US$56”.

Continuou trabalhando em Nova York até que um passeio a Niágara Falls do lado do Canadá deu problema com a imigração americana.   Peixoto entrou nos Estados Unidos com visto de turista, pediu uma extensão de mais seis meses, mas não estava com seu passaporte nesta pequena viagem.  Apressado para pegar o carro, que havia deixado do lado americano, resolveu não esperar o ônibus da excursão, que parou num “duty free” na estrada.  Foi andando até a fronteira, poucos passos do onibus, mas aí foi detido pela imigração americana.  Logo foi solto com uma advertência.  Os oficiais disseram que ele estaria recebendo uma carta em breve.

Assustou-se, mas os tempos eram outros, diz Peixoto. “Não existia a caça ao imigrante”.

Mas por garantia, ele chegou em casa, avisou os amigos com quem morava e pegou a estrada em direção a Flórida.  Chegando em Miami, por sorte ou destino, seu caminho foi abrindo: logo conseguiu trabalho com fibra de vidro numa fábrica de barcos, casou-se com uma brasileira naturalizada americana, pegou seus documentos de imigração, se divorciou tempos depois, e numa ida ao Brasil, conheceu sua atual esposa, Bianca.

Quando retornaram, começaram a trabalhar como caseiros de um médico americano, numa mansão em Coral Gables.  Mas Bianca engravidou e a família americana, por receio de uma queda e algum problema durante a gravidez, preferiu demiti-los, mas o médico tinha uma casa em Key Largo que precisava de pintura.  O casal poderia morar lá enquanto pintava.

Isso foi 23 anos atrás.

Peixoto com seu cachorro, Simba, de 5 anos, em sua casa em Key Largo. Foto: Álbum de família.

Hoje, Peixoto e Bianca tem três filhos, seu próprio barco e moram numa casa a beira d’água num bairro onde o imóvel mais barato é US$500 mil.

O trabalho de pintura na casa do médico americano foi o inicio de sua carreira de sucesso.

Ele trabalha até hoje com manutenção e reforma. “Sou um prestador de serviços em construção civil”, diz ele.  “Um homem de 1000 ferramentas”.

E com suas ferramentas e simpatia foi conquistando os residentes de Key Largo, onde hoje ele é o único maçom latino da região.

Peixoto diz que o segredo de seu sucesso é “gostar da vida e do ser humano.  Acho que na vida você tem que estar sempre rodeado de pessoas”, diz.   “Você leva da sua vida a vida que você leva”.

E sua vida agora depende das eleições, em 6 de novembro.

Peixoto diz que mesmo se não ganhar desta vez, não vai desistir da vida política.

“Está no sangue”, diz José Felix, que descobriu há pouco tempo um diário do avô materno, do mesmo nome, onde ele escreveu durante os anos ’30 sobre os discursos que preparava para os políticos da época e os comícios que participava.  Ele morreu quando a mãe de Peixoto tinha 1 ano.

“A maior lição do diário é ter perseverança”, diz o neto de José Félix.  “A gente tem sempre que correr atrás do que tem vontade de ser”.

Uma página do diário do avô materno, José Félix. Foi encontrado recentemente pela família em Minas Gerais.

E Peixoto hoje quer ser a voz do brasileiro em Washington.

“Vou levar para o congresso dos Estados Unidos a bandeira do Brasil”, diz ele. “Temos que ter o prazer de falar: sou brasileiro-americano”.

Peixoto em comício este último fim de semana. Foto: coretsia da campanha.

Para maiores informações do político, visite seu website ou Facebook.

No vídeo, José Félix Peixoto fala sobre o diário do avô, também chamado José Félix, que conta um pouco de suas aventuras e atividades políticas na década de ’30.  Peixoto nunca conheceu seu avô materno.

Brasileiro na Flórida pode chegar este ano em Washington como deputado federal from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 18 de setembro de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Meio ambiente, Miami | 09:43

Projetos ecológicos de ambientalista brasileiro chamam a atenção de Obama

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Quando o presidente americano Barack Obama esteve em Miami Beach há alguns meses, seu governo reconheceu e elogiou o planejamento ambiental e ecológico que a cidade vem propondo e implementando.   Ele apelidou Miami Beach de “paraíso sustentável” — um elogio aos programas de conservação de energia e água, reciclagem, conscientização e restauração de recifes de corais em South Beach desenvolvidos por um brasileiro, de Niterói, Luiz Rodrigues, hoje diretor-executivo da ECOMB – Environmental Coalition of Miami & the Beaches ou, em português, Coalizão Ambiental de Miami e das Praias.

Rodrigues ao lado de um aparelho de reciclagem na sala da ECOMB. Foto de Carla Guarilha.

A ONG foi fundada em 1994 e sua principal atividade era limpeza de praias.

Em 2000, Luiz, que vinha para cá da Califórnia, com vasta experiência em biologia marinha e educação ambiental, passou a ser um assíduo voluntário da organização.

Sempre com novas ideias para melhorar as condições do meio ambiente na região, no ano seguinte, ele foi convidado para assumir a direção da ECOMB.

Depois de muita ponderação, aceitou.

Ele trabalhava no Discovery Channel – América Latina das 7h às 15h30, e na ECOMB, na sala de sua casa, até as 2 da manhã.

“Me chamavam de Luiz Ecomb”, conta rindo e orgulhoso do sobrenome do qual foi apelidado.

Rodrigues durante Dia Internacional de Limpeza Costeira, no último sábado, coordenando o trabalho com uma voluntária da ECOMB. Foto: Cortesia ECOMB.

Ele trabalhava praticamente sozinho, sem verba e dependendo de voluntários.

Mas com sua simpatia, dedicação e seriedade foi, aos poucos, criando uma enorme credibilidade com os governantes e moradores da cidade, que passaram a acreditar e apoiar suas iniciativas ambientais, entre elas a liderança e participação em grandes eventos de impacto mundial. Um dos principais é o Dia Internacional de Limpeza Costeira, que  aconteceu sábado passado e contou com mais de 1000 voluntários em Miami Beach.

Dia Internacional de Limpeza Costeira. Foto: Cortesia ECOMB.

“Acho que tenho um objetivo principal, que é de ser um agente de mudança na comunidade”, diz ele.  “Não temos condições de mudar o mundo sozinho, mas temos condições de mudar o mundo em nossa volta”.

E assim, a ECOMB foi crescendo, cada vez mais presente em Miami Beach.

Em 2007, sob sua orientação, a cidade criou um comitê de sustentabilidade, que usa como base, um guia que foi desenvolvido pelo brasileiro.

Determinado como um bom capricorniano, por sete anos, Luiz foi levando a jornada dupla entre o Discovery e a ONG, até que em 2008, conseguiu uma verba do condado de Miami-Dade, de US$42 mil, para estruturar melhor a ECOMB, já considerada praticamente uma instituição local.

“Eu sempre retiro barreiras”, diz, com humildade mas enorme orgulho de suas conquistas. “Todo trabalho é em beneficio da cidade de Miami Beach, dos turistas e moradores”.

A vida mudou: Luiz deixou o Discovery, passou a trabalhar integralmente nos projetos ambientais e transferiu o escritório de sua casa para uma sala em South Beach.

Na sua mesa no escritório da ECOMB. Foto de Carla Guarilha.

Mas seus planos não pararam por aí.

Ele diz que fez vários estudos e provou matematicamente para os governantes de Miami Beach que só de projeto de limpeza das praias seus esforços economizavam para a cidade mais de US$150 mil por ano.  “Fiz todos os cálculos, apresentei para os vereadores e pedi um prédio para a cidade”.

E mais uma vez, atingiu seu objetivo.

Em 2009, recebeu um telefonema comunicando que a ONG poderia usar o espaço de uma estação policial que estava se mudando.

“Foram uns seis meses até que finalmente a proposta foi aprovada”, diz.

Poster mostra o projeto de expansão do prédio da ECOMB onde, em breve, vai incorporar o Centro Ambiental de Miami Beach.

Hoje, ele aluga por US$1,25 (um dólar e 25 centavos) por ano um prédio pequeno mas que em breve se tornará um grande ícone: “Miami Beach Center for the Enviroment”, ou Centro Ambiental de Miami Beach, que vai incorporar todos os conceitos de sustentabilidade e se tornar um espaço de educação e conscientização ambiental e ecológica.  Terá aulas e treinamento, programa de reciclagem, biblioteca, uma horta orgânica e uma tela de cinema ao ar livre para passar filmes de meio ambiente, que também faz parte de um novo ramo que Luiz começou a desenvolver no ano passado.

Está programado para o mês que vem, o  Festival de Cinema Ambiental – Miami & The Beaches Environmental Film Festival.

Desde pequeno, Luiz, hoje com 53 anos, diz que é apaixonado pela natureza.  Filho único, sempre viajava muito com os pais para apreciar a vida natural.  Mas foi na escola, numa aula de zoologia, que descobriu sua vocação.  Os alunos tiveram que dissecar uma rã e foi aí que tudo começou.

“Comecei a ter um conhecimento mais aprofundado sobre a essência da vida, a formação, a criação da vida”, conta.  “Quanto mais estudava, mais fascinado ficava”.

Cursou biologia marinha na Universidade Santa Úrsula, mas com 19 anos, surgiu uma oportunidade para estudar nos Estados Unidos e transferiu os estudos para a Universidade da Califórnia, em Santa Cruz.  Se formou com notas altas e em seguida conseguiu uma bolsa para  fazer um mestrado, também na Califórnia, onde foi ficando cada vez mais apaixonado por mergulho e recifes de corais, hoje um dos seus projetos favoritos, ainda não realizados em Miami.

Há mais de 10 anos, estava mergulhando em South Beach, logo no início da praia, quando foi surpreendido: encontrou uma mina de corais no mar.

“Tinha corais até perder de vista, tinha peixe borboleta, tinha tudo,” diz Luiz. “Era lindo, como um Jardim do Éden no quintal da sua casa”.

Rodrigues mostra orgulhoso o projeto de reconstrucão do recife de corais em South Beach. Foto de Carla Guarilha.

Mas não durou muito.

“Quando fui de novo mergulhar um dia em 2002, não achei nada, tudo desapareceu”.

Luiz descobriu que um projeto do condado para a restauração das praias naquela área não levou em consideração os corais.  Trouxeram tanta areia que aterraram e mataram os corais.  Agora, o projeto da ECOMB, que espera realizar em breve, vai reconstruir um pequeno grupo de recifes de corais.

Mas projetos novos como esse e a construção dos anexos do prédio da ECOMB não podem demorar muito.

Luiz está sentindo que seu ciclo nos Estados Unidos está terminando.  Quer ficar perto dos pais, já com 80 anos, e quando foi ao Brasil para a conferencia das Nações Unidas, Rio+20, percebeu que ainda pode fazer muita coisa por seu país.

“Conheci muita gente interessante”, diz.  “Comecei a ter uma ideia diferente que tinha vontade de fazer no Brasil para criar uma parceria – um grupo de ação – entre ONGs, o governo e a industria”.

Mas antes, ele quer finalizar seus projetos aqui, e espera conseguir cada vez mais apoio de empresas, inclusive as brasileiras como vem tido da Vita Coco, VeeV e Leblon Caipirinha.

“A gente nunca vai saber o que está do outro lado da montanha se você não escalar a montanha, então procuro sempre escalar, com persistência, insistência, e com carinho, com cuidado e respeito”, diz o ambientalista brasileiro, hoje o maior defensor do sistema ecológico de Miami Beach.

No vídeo, Luiz Rodrigues revela em  60 segundos o segredo de seu sucesso:

Luiz Rodrigues, diretor executivo da ECOMB, maior centro ambientalista de Miami Beach: segredo do sucesso from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 14 de agosto de 2012 Arte & Cultura, Cinema, Direto de Miami, Diversão, Entrevistas, Miami | 09:05

Falta de patrocínio não impede uma mato-grossense de continuar divulgando o cinema brasileiro em Miami, em grande estilo.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

O Festival de Cinema Brasileiro de Miami completa 16 anos e, apesar da falta de grandes patrocínios, vai manter a qualidade e o padrão que o consagra.  Tudo isto por conta do amor de Viviane B. Spinelli e suas sócias, as irmãs Cláudia e Adriana Dutra. A crise econômica atingiu em cheio os negócios, mas não a garra, a dedicação e o empenho desse trio.

Spinelli diz que apesar de ter menos ajuda financeira, a edição deste ano continua com o apoio local e alguns patrocínios importantes, como do Consulado do Brasil em Miami, e não deixa nada a desejar aos outros festivais.

“O conteúdo do festival está lindo, e a gente está com um cinema maravilhoso com filmes belíssimos”, diz ela.  “Acho que é isso que vale no fim das contas”. E foi com esse mesmo espírito que deu início, em 1997, ao primeiro Brazilian Film Festival of Miami.

Viviane diz que sempre buscou desafios e nunca gostou de se acomodar em nada na vida.

Viviane na piscina de sua casa com Athena Von Claude, uma cadela da raça Pastor Alemão - capa branca, com um ano e meio e 50 kg. Foto de Carla Guarilha.

Com 15 anos, tinha um vida confortável em Cuiabá e um Mustang na garagem.  Mas queria conhecer o mundo e começou pelo Rio de Janeiro, onde morava sua avó Dilza Maria Curvo Bressane, hoje com 91 anos.

Viviane, em Cuiabá, ao lado de sua vózinha, dona Dilza, sua "segunda mãe", hoje com 91 anos. Album de família,

Queria estudar artes plásticas mas acabou cedendo as pressões da família e, com 17 anos,  começou a estudar arquitetura.  Mas, sua vida mudou mesmo quando foi estudar inglês na Califórnia e na volta passou uns dias em Miami visitando as amigas Cláudia e Adriana  – sim, as mesmas que hoje são suas sócias. Ela adorou a cidade e sabia que voltaria. Assim foi.

Assim que conseguiu, retornou a Miami para morar, e em seguida, as três amigas abriram a Inffinito Promotions, transformando um sonho em um dos eventos mais importantes da cidade.

“O Brasil ainda era um pouco visto pelo estigma de futebol e samba.  Ninguém falava do lado cultural, dos filmes, teatro, da cultura brasileira”, conta Spinelli.  “A gente pensou, vamos fazer um festival de cinema brasileiro para mostrar a cultura por um outro prisma”.

Viviane ainda se emociona ao lembrar do primeiro ano do festival.

“Foi uma repercussão muito bonita”, diz Spinelli.  “A gente não esperava”.

Cortesia Inffinito

Cortesia Inffinito

A edição de lançamento foi realizada no cinema Bill Cosford, da Universidade de Miami, em Coral Gables, onde passa muitos filmes experimentais, estrangeiros e documentários, voltados para um público intelectual e apaixonado por cinema.   Só que o mais novo evento da cidade na época contava com um diferencial: o “glamour” brasileiro.

Vieram especialmente para o ocasião nomes importantes da grande tela do Brasil, como Andrea Beltrão, Marieta Severo e Evandro Mesquita, e mostraram filmes premiados e celebrados, como “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, de Carla Camurati, “O pequeno Dicionário Amoroso”, de Sandra Werneck, “Como Nascem os Anjos”, de Murilo Salles, e “Terra Estrangeira”, de Walter Salles e Daniela Thomas, entre outros.

“Às vezes, você tem umas ideias que não sabe o que vão dar, e dão certo”, diz Spinelli.  “A gente não tinha noção da dimensão que poderia tomar isso”.

O sucesso foi tanto que a prefeitura de Miami Beach convidou o grupo para fazer o segundo festival no Colony Theatre, na Lincoln Road, com a noite de estreia em um telão ao ar livre.

A sociedade das três amigas começou a crescer e hoje a empresa é dividida em três operações: Inffinito Núcleo de Arte e Cultura e Inffinito Eventos e Produções no Rio de Janeiro, onde Cláudia e Adriana moram atualmente, e Inffinito Foundation, em Miami, onde está Viviane.

“São 18 anos de parceria”, diz orgulhosa Spinelli, que cuida de toda a produção internacional.

Viviane no meio das sócias, Cláudia e Adriana. Cortesia Inffinito.

A Inffinito apresenta cerca de 10 festivais de cinema brasileiro no mundo, da América Latina à Europa, passando por Vancouver no Canadá e Canudos no Brasil.

Viviane conta que nunca esqueceu quando recebeu o primeiro grande patrocínio da Petrobras.  Diz que apareceu uma coruja na janela do escritório em Miami e, naquele momento, sabia que estava no caminho certo.

Ela acredita que ainda vai ter de volta os grandes patrocínios e aposta na força da letra F, que aparece em dose dupla no nome da empresa Inffinito, em palavras essências nesta história: filme, força e feminino.

“Acho que tudo na vida da gente é trabalho, realização e busca”, diz.  “Estou buscando ainda.  Não me sinto estagnada com 43 anos – não me sinto completa ainda”.

Spinelli nunca deixou de pintar ou perdeu sua paixão por arte.

Seu próximo desafio agora é abrir uma galeria de arte em Miami.

“A gente sempre tem que ter um sonho na gaveta”, diz. “Quando a gente para de sonhar, a gente para de ter razão para viver”.

Viviane com Samantha Jones, sua gata, ao lado de um de seus quadros. Ela tem um pequeno atelier em casa e ainda sonha em abrir uma galeria de arte em Miami. Foto de Carla Guarilha.

O Festival de Cinema Brasileiro de Miami acontece entre os dias 18 e 25 de agosto. Serão exibidos 22 filmes, entre curtas e longa metragens da Mostra Competitiva no Colony Theatre e Mostra Paralela no Miami Beach Cinematheque.

O festival vai abrir com uma programação gratuita do “O Palhaço”, de Selton Mello, no paredão ao ar livre no New World Symphony, em Miami Beach.

Para mais informações ou compra de ingressos visite http://www.brazilianfilmfestival.com/miami/2012/miami2012_en.html

*No vídeo, Viviane fala da relação com sua avó, sua grande inspiração:

Festival de Cinema Brasileiro de Miami completa 16 anos. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 7 de agosto de 2012 Animais, Direto de Miami, Entrevistas, Miami | 10:20

Brasileira é a rainha dos animais abandonados de Miami

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Apaixonada por animais, Gisela Tacao nunca se importou em se submeter a alguns sacrifícios em nomes deste amor.  Durante meses, ela tomou banho de mangueira fria e, só quando dava, dirigia 20 minutos até a marina pública de South Beach para uma ducha completa.  O galpão que alugou há um ano e meio para manter os animais não tinha chuveiro até pouco tempo atrás.

“Sempre amei animais”, conta a brasileira, que até porco já levou para casa da família em Niterói quando era criança.

Gisela Tacao no seu abrigo em Miami, cercada de seus mais de 200 melhores amigos.

Os anos se passaram, mas a paixão de Gisela não.

Morando há 17 anos nos Estados Unidos, Gigi, como é conhecida, não leva mais porcos para casa, mas salva todos os animais de estimação que pode, não só das ruas mas também de outros abrigos prestes a sacrificá-los por velhice, deficiência e, às vezes, para abrir espaço para entrar outros aparentemente mais aptos a uma rápida adoção. “Eu prefiro salvar os que ninguém quer”, diz ela.

E sempre foi assim. “Quando era pequena, vi um garoto batendo num cachorro na rua”, disse.  “Tomou um tapão meu.  Sempre defendi animais de rua.  Faz parte da minha personalidade”.

Mas quando chegou na Flórida, com um noivo brasileiro que veio terminar os estudos na Universidade de Miami, tentou a vida como muita gente: trabalhou em restaurantes, como corretora de imóveis, frequentou academia de ginástica e chegou até a fazer um curso na academia de polícia de Miami Beach, por gostar muito de armas de fogo – e justiça, acima de tudo.

Mas por mais que gostasse do que fazia, nada se comparava ao amor pelos animais.

Gigi patinava frequentemente em South Beach com, no mínimo, sete cachorros – seus cãezinhos de estimação – todos soltos e obedientes. Mas, sempre se comovia com os cães abandonados e acabava levando para casa todos os que encontrava sem destino.

Mas legalmente não se pode ter mais do que quatro cachorros num lar e começou a receber muitas reclamações dos vizinhos.  Para evitar dor de cabeça,  se mudou para um lugar mais afastado. Quando percebeu, já tinha 54 animais sob seus cuidados.

Desta vez,  as queixas dos vizinhos levaram a uma denúncia oficial.

Mas quando os oficiais de serviços de animais bateram em sua porta, ficaram surpresos que ela conhecia o nome de cada um e sua história. E para deixá-los ainda mais impressionados, todos os animais estavam de casacos, alguns até de camiseta por baixo, já que o inverno naquele ano em Miami, por incrível que pareça – estava rigoroso.

Apesar de tudo isto, o que Gigi estava fazendo era ilegal e ela tinha duas alternativas: abandonar os animais no abrigo da cidade ou procurar um lugar que pudesse mantê-los todos oficialmente, ou seja, fundar um abrigo.

Voluntária alimentando os animais, que educadamente esperam sua vez.

E essa foi sua decisão. Mas não bastava ser mais um abrigo de animais. Gigi tinha um objetivo muito preciso:  criar uma casa de repouso onde animais idosos, deficientes e com doenças terminais pudessem viver em paz seus últimos dias, semanas ou meses de vida – um “lar” para cães e gatos morrerem cercados de carinho, cuidado e muito amor.

E aos poucos, ela está conseguindo realizar seu sonho.

Quase toda manhã, seu dia começa com um telefonema do abrigo da cidade que está prestes a sacrificar um animal.  Ela corre para salvá-lo e traz para seu galpão.  O animalzinho às vezes dura poucas horas – mas no meio de outros órfãos, latindo e brincando, tem momentos felizes.

“Não tem luxo, caminhas cor-de-rosa – mas são bem cuidados”, diz a rainha dos animais carentes de Miami, que, com 38 anos, praticamente abdicou de sua vida para cuidar do seu canil em Hialeah, numa parte industrial da cidade.

Gigi tem muita fé em Deus e diz que essa é sua missão.  Conta que quando veio para Miami não tinha noção que este seria o seu caminho.

No Brasil, ela tinha tudo:  pais empresários, duas irmãs, uma casa bonita, empregados, carro, moto e sempre um churrasquinho no fim de semana.   Mas faltava algo, não estava satisfeita.

“Li num livro espírita que quando você não sabe o que fazer de sua vida, deixa que Deus vai te dar uma luz”.

E assim foi.

Um dia, preencheu, sem muita fé, a loteria do Green Card, que daria direito a residência definitiva nos Estados Unidos. Colocou a carta no correio e pediu que se fosse para ela permanecer aqui que Deus lhe desse um sinal.  Logo depois, sua mãe receberia em Niterói uma carta confirmando que Gisela havia sido sorteada.

Por coincidência, foi no dia que saiu o divórcio do homem com quem chegou noiva em Miami, e se casou aqui.

Teve outros relacionamentos, mas ainda não encontrou um companheiro que a entendesse como ela compreende seus tantos animais – cada um com sua individualidade e problemas.

Mas ela não desiste: “Tinha uma voz dentro de mim que dizia, aqui que você vai conseguir alguma coisa”, conta.

Gigi com Gordita, a primeira Chihuahua que tirou da rua

E é essa voz que lhe dá esperança de encontrar as duas coisas que faltam na sua vida: um grande amor para compartilhar sua paixão pelos animais e dinheiro para realizar seu maior sonho, que é transformar seu galpão num castelo de amor e compaixão – uma casa de repouso – com todo conforto, limpeza e cuidado — para os animais abandonados e idosos.

Hoje, com muita fé, Gisela joga na loteria toda semana e pede a Deus por um milagre, ou um anjo que traga condições dela continuar seguindo em frente com sua missão.

Para mais informações sobre Gigi’s Rescue, ou para fazer uma doação, ligue para Gisela Tacao, em Miami, no telefone (786) 991.8201, mande email para gigisrescue@gmail.com ou visite: http://www.gigisrescue.com.  Para ver mais fotos ou vídeos de cachorros e gatos para adoção ou acompanhar as novidades do Gigi’s Rescue e suas novas aquisições diárias, visite sua página no Facebook.

*No vídeo, Gigi Tacao, rainha dos animais abandonados em Miami, fala um pouco de sua luta, sucesso e seu conceito de felicidade:

Brasileira salva animais abandonados em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 24 de julho de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Gastronomia, Miami, Negócios, Restaurantes | 10:02

Gigante da franquia brasileira investe no seu primeiro negócio no exterior.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

O empresário paulista José Carlos Semenzato está trazendo ainda este ano uma de suas marcas de sucesso para os Estados Unidos.  Até o fim de 2012, ele promete abrir a primeira unidade do L’Entrecôte de Paris no exterior, na região da Brickell, o coração financeiro de Miami.

“Sempre resisti um pouco à expansão internacional no momento em que o Brasil tem oportunidades incríveis”, diz o empreendedor, presidente da SMZTO Participações, gigante holding de franquias multissetoriais no Brasil.

Mas há um ano e meio, quando comprou um imóvel de férias numa das torres Trump em Sunny Isles, com três suítes e pé na areia, começou a mudar de ideia e decidiu abrir seu primeiro empreendimento fora do Brasil.

José Carlos Semenzato em seu apartamento em Sunny Isles.

“Quando cheguei em Miami, comecei a pensar, ‘como é que vou ganhar dinheiro por aqui’?  Como bom empreendedor, não dá para chegar aqui só para gastar”, diz, rindo.

E quando começou a avaliar as oportunidades, chegou a uma conclusão: “O L’Entrecôte cabe aqui como uma luva”, diz, confiante no restaurante que vem fazendo sucesso no Itaim Bibi, em São Paulo, com um prato só: “entrecôte”, uma espécie de contrafilet, servido com batatas fritas e um molho secreto.

Semenzato diz que já tem um grupo de investidores para o empreendimento aqui e está negociando agora com um sócio experiente no ramo gastronômico na cidade para administrar o restaurante.

“Uma vez que o cliente entrou no L’Entrecote de Paris, ele vicia e, no mínimo, a cada 15 dias, ele tem que voltar”, diz, orgulhoso.  “Queremos criar aqui o mesmo produto, que tenha qualidade no atendimento e preço”.

Semenzato espera expandir a versão brasileira do L’Entrecote de Paris pelo mundo. Já tem algumas franquias encaminhadas no Brasil e planos de abrir até 10 unidades em cinco anos na Flórida.

Semenzato, hoje com 44 anos e um nome que é sinônimo de sucesso, conquista e superação no Brasil, possui 11 marcas, inclusive o Instituto Embelleze, um negócio que espera também trazer para os Estados Unidos no futuro.

E a SMZTO não para de crescer.

“Estamos falando de 500 franquias novas em 2012 no Brasil – é um número muito audacioso”, diz.

Sua fórmula de sucesso é inovação, pioneirismo e liderança de mercado.

“Nos setores que eu entro, quero ser líder, quero dar o melhor, quero fazer o melhor”, diz.  “Eu aprendi que você tem duas opções no mercado.  Ou você faz poeira ou você come poeira.  Eu sempre optei por fazer poeira”.

Semenzato, com Samara, sua esposa, e Beatriz, sua filha, de 15 anos.

O empreendedor conta que sempre procurou inovar.  “A cada dois ou três anos, eu faço grandes mudanças na minha vida – uma inovação, uma sacada nova, eu invento”, diz.

E assim foi desde pequeno, quando ajudava o pai, pedreiro, a carregar tijolo em Lins, no interior de São Paulo.  Com 13 anos, vendia coxinhas que a mãe fazia para completar a renda da família.  Um ano depois, resolveu fazer um curso de informática aos sábados para aprender a digitar e operar um computador.  Logo em seguida, aprendeu a programar e passou a trabalhar no ramo como analista de sistemas e à noite dava aula de computação no Instituto Americano de Lins.

Seu sogro, padeiro, tinha um computador no escritório da padaria, e percebendo a demanda dos alunos, Semenzato passou a dar aulas particulares também nos fins de semana, o que o levou ao seu primeiro grande negócio: a Microlins, que abriu aos 21 anos.

Em um ano e meio, a escola de informática tinha 17 unidades espalhadas pelo estado de São Paulo.

Na época, era recém-casado com a esposa Samara, mãe de seus dois filhos – Beatriz, hoje com 15 anos, e Bruno, com 20 anos, é tenista profissional e aluno da Duke University, uma grande universidade americana, onde estuda economia e finanças.

Tudo ia bem, até que três anos depois veio o Plano Real e Semenzato não tinha verba disponível para pagar o leasing dos computadores das escolas.  “Eu estava literalmente falido”, diz.   “Foi a minha primeira experiência negativa na vida”.

A solução que deu foi o “franchise” da marca.  “Ou eu franqueava ou fechava as escolas”, diz.  “Foi uma reestruturação generalizada, um susto tremendo.  Tive que passar alguns anos me recuperando”.

A empresa foi crescendo cada vez mais, e em quatro anos, se lançou como uma escola profissionalizante.

“A Microlins deixou de ser uma escola de informática e virou uma escola de profissões”, diz ele.  “Foi a grande sacada que realmente revolucionou o mercado”.

Em 2000, entrou no setor de telecomunicações, abrindo 150 escolas de instalações de telefones e aparelhos.  “Colocamos 30 mil homens instaladores de telefones para trabalhar nas telecomunicações”, diz Semenzato.  “Foi um momento mágico na nossa história”.

E assim foi: cada dois anos, uma inovação, até que vendeu a Microlins em 2010 com cerca de 750 franquias em vários setores de profissionalização, de informática à administração.

A familia Semenzato curte uma tarde ensolarada em Miami.

“Acho que esta minha visão de futuro, de realmente conseguir enxergar onde poucos conseguem, foi o que me moveu”, diz o empreendedor, que hoje tem como meta passar um pouco dessa visão e confiança para os jovens carentes através de um livro autobiográfico que deve ser publicado no ano que vem.

“Comprei meu jato, tenho uma mansão no interior e  um apartamento maravilhoso”, diz.  “O jovem tem que entender que foram 20 anos para construir uma história.  Não dá para fazer com menos de 10 anos uma trajetória de sucesso”.

O importante, diz ele, é ter foco, dedicação e paciência, e não deixar nunca de sonhar.

*No vídeo, José Carlos Semenzato revela o segredo do seu sucesso e a receita para o jovem empreendedor de hoje.

No vídeo, José Carlos Semenzato revela o segredo do seu sucesso e a receita para o jovem empreendedor de hoje. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 12 de junho de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Gastronomia | 08:58

Ele não falava inglês. Hoje comanda um grupo de restaurantes em Miami. Conheça João Carlos Oliveira.

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*Fotos de Carla Guarilha

Juca no Tutto's Mare

João Carlos Oliveira cresceu entre pratos da comida mineira e italiana. O que era gosto de infância virou profissão de sucesso. Hoje, ele é um dos chefs de cozinha mais respeitados de Miami, dono de uma cadeia de restaurantes.

Mas, a porta de entrada dele nos Estados Unidos foi Nova York. Foi lá, que aos 17 anos, João Carlos vendia  livros numa mesinha nas ruas da cidade.  Não falava inglês, mas com sorriso solto e os preços na ponta da língua, ganhava US$60 por dia, de comissão.  Não era pouco, 25 anos atrás, mas Juca, como é conhecido aqui, tinha vontade de trabalhar no ramo da gastronômia.

Pode-se dizer que esta conexão com a culinária começou em casa.  O avô dele, Antonio Delleu, imigrante italiano, abriu um restaurante em Belo Horizonte, e sua filha, Lourdes, mãe do Juca, aprendeu muito com o pai e sempre gostou de cozinhar.

Mas, eram apenas alguns privilegiados que se deliciavam com os quitutes de Dona Lourdes. Dona de casa, ela só cozinhava para a família, que não era pequena: marido e sete filhos.

Lourdes fazia questão da família reunida na hora do almoço, e desde cedo, plantou a raiz da culinária no Juca. No cardápio, não podia faltar arroz e feijão para o marido – tradicional patriarca mineiro –  e massa, carne e legumes. As refeições tinham, no mínimo, seis pratos, um costume que Juca mantem até hoje quando recebe amigos em casa.

“Era um banquete diário”, diz ele, saudoso, ainda mais, dos almoços de domingo e da sopinha de grão de bico. “Ela gostava de descascar grão por grão”, conta.  “A gente sentava ali para tomar o café da manhã, e cada um contava uma história e descascava o grão de bico.  E ela fazia a sopa”.

Juca na cozinha aberta do restaurante

Hoje, com 43 anos, é Juca quem mais cozinha na família. Sua mãe, de 75 anos, mora em Miami, mas não está mais por conta dos almoços.  Está, sim, curtindo os netos e degustando da culinária do filho, que abriu seu primeiro restaurante, o Tutto Pasta, em 1994, e acaba de abrir as portas do Tutto’s Mare.

Mas, houve pedras no caminho.  No local, onde hoje fica o Tutto’s Mare, Juca abriu em 2008, um restaurante chamado Zucchero.  Este foi o início de uma fase difícil para o chef, que passou por duas grandes crises de sua vida: a econômica, que foi uma das maiores enfrentadas pelos Estados Unidos, e uma pessoal – estava se divorciando da mãe de seus três filhos, Fabrício, hoje, com 12 anos, Luciano, 10 e Daniela, 7.

Juca tinha investido US$1 milhão no restaurante e não tinha a menor pretensão de abandonar seu sonho. “É na crise que a gente aprende”, diz ele.

E Juca aprendeu, acima de tudo, a ter paciência para se reerguer.  Diariamente tinha gente espalhando a mentira de que o Zucchero havia fechado.

No bar que ele criou para o Zucchero, hoje Tutto's Mare

“Me enterraram e jogaram terra em cima, e todo dia jogavam uma pá de cal nessa porta”, conta, com determinação mas sem a menor mágoa.  “Falei, não vão me enterrar”.

E assim foi.  Logo que as difíceis negociações do divórcio foram concluídas, Juca transformou o Zucchero no Tutto’s Mare, que renasceu, com sucesso imediato, em maio de 2012.

“Sempre tive esperança nesse lugar”, diz o chef, que concebeu a ideia do espaço – do piso até o teto.  “Comprei tudo aqui dentro, até os parafusos.  Fiz com muito carinho, muito esforço e muitos anos de trabalho para poder investir aqui”.

Mas, como foi a transformação profissional do menino que vendia livros para o grande chef? Três meses depois que Juca havia chegado em Nova York, o Bice, o tradicional restaurante italiano de Milão, estava abrindo a primeira casa nos Estados Unidos.  Um amigo do irmão conhecia o gerente.  Juca imediatamente largou o trabalho como vendedor de livros na rua, e entrou no Bice como lavador de pratos.

Logo passou para assistente de cozinha, depois cozinheiro, assistente de chef, e em um ano, já foi contratado como chef. “O Bice foi minha escola”, diz Juca que nunca fez um curso de culinária.  Aprendeu tudo na prática, e com dedicação, humildade e curiosidade, o jovem foi ganhando a confiança dos italianos.

“Viam que eu tinha interesse e comecei a gostar”, diz.   “Aprendia um prato no restaurante, e chegava em casa e fazia aquele prato no meu jantar para aperfeiçoar”.

Depois de quatro anos na posição de chef em Nova York, o Bice estava abrindo uma nova casa em Washington, D.C., e escolheu-o como chef executivo.  Deu certo, e no ano seguinte, ele abriu o Bice de Palm Beach, o que trouxe Juca para as águas da Flórida.

Sempre crescendo, aprendendo e correndo atrás de novos desafios, ele foi convidado a trabalhar em outros restaurantes em Miami Beach até que se sentiu pronto para uma carreira solo.

Em 1998, quatro anos depois do Tutto Pasta, Juca abriu o Tutto Pizza, bem ao lado um do outro.  Os dois restaurantes ficaram conhecidos pela sofisticação – simples e saborosa — de sua culinária e do local — e pela simpatia do chef mineiro, que começava a virar uma celebridade em Miami.

Juca com o pizzaiolo do Tutto Pizza & Beer House

Mas apesar do sucesso, e das visitas freqüentes de personalidades como Hebe Carmago, Juca sempre se manteve fiel às suas receitas – nunca ficou esnobe.  “Minha fama chega através do trabalho, através da dedicação”, diz.  “O que forma a pessoa é ser dedicado, saber escutar e ter uma mente aberta”.

Hoje, renomado como um “chef internacional”, Juca está se dedicando no Tutto’s Mare à combinações de uma culinária mundial, de, por exemplo, pratos espanhóis com italianos ou peruanos com brasileiros ou asiáticos.  O escondidinho de camarão é impecável. O gnocchi, um dos carros-chefe do Tutto Pasta, é preparado no novo restaurante com cogumelos ao Barolo com parmesão. Já o arroz com mariscos é uma espécie de Paella peruana.

“O Tutto’s Mare foi um sonho”, diz o chef que acabou de fazer uma consultoria para  um restaurante que abriu em Belo Horizonte, recentemente, e foi convidado para abrir, em breve, um conceituado restaurante de São Paulo em Miami.

Mas apesar da fama, ele se mantém firme ao lado da família Tutto. E como cada filho tem um personalidade e um nível de maturidade, ele está sempre atento.

“O Tutto Pasta hoje já está na universidade, caminha sozinho.  O Tutto Pizza & Beer House é um adolescente, tem 16 anos, e tenho que ficar atrás dele.  O Tutto’s Mare é o bebê, a criança, que ainda tenho que trocar fralda.  O próximo projeto agora é o Tutto Pasta Deli”, que vai vender massa fresca para fazer em casa.

Box:

Tutto’s Mare

2525 SW 3rd Ave, Miami, Fl 33129
Segunda à quinta, das 11hrs30 às 22hrs30; sexta e sábado, das 11:30 às 23hrs.  Fechado aos domingos.
Telefone em Miami: (305) 858-2525
Email: info@tuttosmare.com
http://www.tuttosmare.com/

Tutto Pizza & Beer House

1753 SW 3rd Ave – Miami – FL – 33129
Aberto todos os dias.
Telefone em Miami: (305) 858-0909
http://www.tuttopizza.org/

*No video, Juca revela o que o transformou em um chef renomado.

Brasileiro faz sucesso com culinária italiana em Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 5 de junho de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Jornalismo, Miami | 09:17

O orgulho de ser brasileiro em terras estrangeiras. Carlos Borges construiu assim uma carreira e valorizou a imagem do país aqui fora.

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*Fotos de Carla Guarilha

Borges em sua casa com Dylan, de 6 anos, um Terrier Airedale, sempre a seu lado

“Meu sonho é ver o brasileiro que vive fora do país verdadeiramente tratado como cidadão, igual ao que vive dentro”.  Foi com esta meta que Carlos Borges traçou sua trajetória de vida: há mais de 20 anos valoriza a cultura brasileira no exterior. E por essa bagagem, na próxima semana, no dia 13 de junho, o jornalista e agitador cultural será agraciado com a Comenda da Ordem do Rio  Branco, em uma cerimônia no consulado do Brasil em Miami.

“Tudo que a gente faz é para valorizar a cultura brasileira, da imagem do Brasil como país e do brasileiro como povo”, diz Borges.  “É a confirmação de que estou no caminho certo”.

E esta é uma homenagem com um gosto especial para ele: além do reconhecimento,  a premiação tem o nome do patrono da diplomacia brasileira, o Barão de Rio Branco, um homem que Borges idolatra desde os anos de escola, quando estudava a história do Brasil e sonhava em ser diplomata.

“Confesso que foi provavelmente uma das coisas mais importantes que aconteceram para mim”, conta.  “Acho que o único sentido que uma vida pode ter, além dos prazeres cotidianos, materiais, é você fazer dela um instrumento de algum tipo de diferença positiva na vida dos outros”.

Borges trabalha e recebe apoio do corpo diplomático em Miami há duas décadas, e diz que toda vez que um novo cônsul-geral chega, dá frio na barriga.

“Ele pode gostar de você, odiar você, não entender que o você faz é relevante”, diz Borges.  “A única coisa que você tem a seu favor é sua historia”.

E foi sua história de sucesso, inclusão e determinação para divulgar a cultura do Brasil que fez com que o cônsul-geral, Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, solicitasse junto ao governo brasileiro essa condecoração.

Carlos Borges com o Embaixador Hélio Ramos no consulado do Brasil em Miami

“Esse é um reconhecimento do Itamaraty ao trabalho que Carlos Borges vem desenvolvendo há muitos anos no exterior, pela forma como ele encara as coisas – a maneira como ele enfrenta as dificuldades para fazer o que faz”, diz o Embaixador Hélio Ramos.  “Não é fácil.  O que ele se propõe a fazer para valorizar o Brasil é algo muito demandante”.

Borges, o único brasileiro condecorado este ano no exterior, nasceu na Bahia, onde foi criado por tios.  Sua mãe faleceu jovem e o pai colocou cada um dos três filhos para morar com um parente.

O valor mais importante que aprendeu quando criança foi não mentir, uma lição arraigada até hoje.

“A verdade não me assusta”, diz ele.  “A mentira me apavora”.

E é com sentido de verdade, como lema de vida, que vem lutando por um sonho: o resgate da autoestima do brasileiro no exterior, que vem conseguindo alcançar através de programas sociais, culturais e intelectuais.

Desde que chegou nos Estados Unidos, Borges criou um leque de iniciativas, que vão desde o Miss Brasil USA ao Press Awards, que começou em 1997, e hoje, representa o maior prêmio para a comunidade brasileiro no exterior.

Ele e a equipe de sua empresa, a PMM – Plus Media & Marketing, conquistaram um espaço em quase todos os segmentos da grande pirâmide social do brasileiro no sul da Flórida, e partiram no ano passado para outros pontos do mundo.

Em 2011, o Press Awards aconteceu, pela primeira vez, no Reino Unido e Japão. E a ambição de Borges não para por aí. No médio prazo, ele espera lançar a premiação em Angola, Paraguai, Portugal, Austrália ou Nova Zelândia, China, e finalmente fechar o ciclo mundial com um evento em São Paulo até 2017.

“Esses brasileiros são um exército da imagem do país no exterior e essas pessoas deveriam ser tratadas, no mínimo, com a mesma atenção, consideração e respeito”, diz Borges.

A carreira jornalística de Borges começou com 15 anos, quando lançou um jornal no Colégio Militar de Salvador.

Depois, trabalhou na Tribuna da Bahia, foi repórter e editor na Rede Globo de Salvador e diretor de produção e de eventos no SBT,  entre outros cargos e veículos da grande mídia brasileira.

“Todo mundo me conhecia, me cortejava”, conta.  “Eu era uma pessoa querida porque sempre defendi na televisão os valores locais, os artistas locais”.

Mas a desilusão com a profissão fez com que ele deixasse o Brasil.

Conversando com o grande amigo Nizan Guanaes, ele soube de uma oportunidade em Orlando, para um projeto de oito meses.

Borges gostou da ideia.

Estava casado há um ano com Andrea Vianna, que trabalhava no marketing da TV Globo, e em 1989, fizeram as malas e chegaram à Flórida.

“Quando você tem inquietações intelectuais e toma determinados socos, ou você se abaixa e, aí você vai cheirar poeira para o resto de sua vida, ou você toma uma atitude”, diz Borges.

Aqui, ele começou a escrever e editar alguns jornais comunitários até que uma nova decepção com um jornal que estava lançando afastou-o novamente do jornalismo como profissão.

Chegou a adoecer na época.  Ficou de cama quatro meses, e hoje, quase 20 anos depois, consegue identificar a fase como um período depressivo que passou, que fez com que reavaliasse a vida.

Era 1994.  E naquele ano, teve a certeza de que não conseguiria “fazer a diferença” de forma integral usando somente a mídia comunitária brasileira como instrumento.

“A ferida está exatamente nessa relação complicadíssima entre liberdade de expressão e financiamento”, diz Borges, que hoje é editor chefe da revista e website Acontece, colunista do Gazeta Brazilian News e colaborador de jornais em New Jersey, Boston e San Diego.

Mas desde então, o “agitador cultural”, como é muitas vezes identificado, passou a ir atrás de capital, agora, para realizar outros grandes projetos, traçando novos – e pioneiros – caminhos em busca da verdade, inclusão e o bem estar dos brasileiros no exterior.

“Ninguém tem o direito de ser feliz realmente enquanto você tem seus compatriotas passando fome, ignorantes”, diz ele.

E com essa mentalidade, em 2006, integrou o Press Awards ao Focus-Brazil, uma série de painéis no formato de uma conferência educativa e informativa sobre o Brasil e brasileiros no exterior.  Dois anos depois, começou um novo concurso, o Talento Brasil, com participação de adultos e crianças.

“Eu adoro crianças”, diz Borges que tem duas filhas.

Joana, de 34 anos, foi fruto de um relacionamento com uma colega de TV em Salvador.  Eles mantém uma ótima relação, mas a convivência foi limitada, muito pela distância: a filha mora na Bahia e Borges em Miami.

Já Amanda nasceu em Miami Beach em 1992, filha dele com Andrea com quem ficou casado até 2000.

Borges na frente do quadro da Amanda em sua casa, pintado por Jean Pierre Rousselet quando ela tinha 17 anos

Hoje com 19 anos, Amanda estuda filme e cinema na New York University, uma das universidades mais bem conceituadas dos Estados Unidos.  Orgulhoso, o pai, hoje diz que, aos 56 anos, seu maior sonho é ver a formatura da filha.  “Eu tenho que me preparar para isso”.

**No vídeo, Carlos Borges revela o segredo do seu sucesso: acima de tudo, ter fé e acreditar.

Carlos Borges: o orgulho de ser brasileiro em terras estrangeiras. from Chris Delboni on Vimeo.

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