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Arquivo da Categoria Entrevistas

terça-feira, 22 de maio de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Negócios, Turismo | 09:27

Com US$450, o motorista Jota da novela América fez a América. E hoje, ele conta como.

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*Fotos de Carla Guarilha

“Hoje um nome, amanhã uma lenda, quiçá um mito”.

Esse é o mote de João Geraldo Abussafi, um imigrante que, em 20 anos de Estados Unidos, realizou o sonho americano: se transformou em um empresário de sucesso, que muita gente se lembra como o personagem Jota Abdalla, o carismático motorista representado pelo ator Roberto Bomfim na novela América, exibida em 2005 pela Rede Globo.

“Nada tema, com Jota não há problema”.

Jota em seu apartamento em Miami

Esse lema, agora, é tema de palestra, que ele fará nas próximas três semanas no Brasil.

Com o título “O sucesso anda de limousine”, o palestrante vai correr vários estados, entre eles, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, motivando o público com sua trajetória de vida  –  do imigrante, que dormiu nas ruas dos Estados Unidos, ao grande empresário.

Ele garante que a fórmula de sucesso é determinação, dedicação, carisma e, acima de tudo, muito trabalho e uma dose de humildade misturada com autoconfiança.

“Meu telefone está ligado 24 horas até hoje”, conta Jota, que só conheceu o prazer de ir à praia em Miami há três anos.   “Não sou escravo do dinheiro, mas sou escravo do meu trabalho”, diz, com orgulho.

João Geraldo Abussafi nasceu em Londrina, no Paraná, em 1965, e aos 13 anos, se mudou com a família para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, terra natal do pai. Aos 25 anos veio para os Estados Unidos, depois de uma série de negócios fracassados  no Brasil e total falta de interesse nos estudos.

Nada dava certo.

“Montei uma loja no shopping, quebrei.  Montei uma engraxataria, quebrei.  Concorri para vereador, perdi”, conta.  “Tudo que eu fazia dava errado”.

Jota mostra seus amuletos da sorte: olho Grego e pimenta ficam na entrada de seu apartamento.

Aí resolveu mudar totalmente de vida:  vendeu o carro, comprou uma passagem para Miami e chegou aqui com US$450 no bolso.

No quarto dia nos Estados Unidos, o dinheiro já estava acabando, e ele não conseguia trabalho em Miami.  Se mudou, então, para Orlando, onde foi contratado como lavador de pratos em um restaurante brasileiro.

Quando terminou o expediente, às 2 da manhã, tinha US$65 no bolso.  O gerente disse que não poderia dormir no restaurante, por que era contra o regulamento, e sugeriu um hotel nas redondezas.   Mas quando chegou lá, descobriu que não tinha o suficiente para a diária.  E voltou para o restaurante.

“Atrás tinha uma caixa de papelão com sangue de frango.  Exausto, com a mesma roupa, olhei pro céu e falei: Deus vai me trazer alguma coisa boa. Dei uma choradinha, virei e dormi”, conta Jota.  “Duas horas depois, tinha sol de novo, escaldante.  Fiquei esperando o restaurante abrir”.

No mesmo dia, ele foi para a casa de um garçom, onde ficou por três meses, quando, finalmente, conseguiu alugar um apartamento.  Trabalhou das 9 às 2 da manha – os sete dias da semana, por 11 meses e 26 dias.

Lá, conheceu um cliente, que gostou do seu jeito simpático e o convidou para trabalhar em sua empresa de transportes.  Foi, então, que começou sua trajetória como motorista, como se identifica até hoje.

Jota com a noiva Giuliane. Depois de ter carros de todas as marcas, diz que hoje não trocaria seu Mini Cooper conversível por nenhum outro.

“Eu gosto de ser motorista”, diz ele.  “Eu tenho empresa, mas sou motorista, e adoro ser motorista.  Adoro servir.  E cheguei onde cheguei dirigindo”.

Jota hoje tem uma empresa chamada Jota+, que abrange todo tipo de serviço — de “concierge” particular de luxo à uma frota de carros de aluguel.  Sua meta com os clientes é: “eficiência Americana, pontualidade Britânica e versatilidade Brasileira”, uma atitude que exige de todos seus funcionários.

Mas, o caminho não foi fácil. Jota só conseguiu sua residência permanente nos Estados Unidos há seis anos e não pôde sair do país para ir ao enterro do pai.

“Perguntei para a imigração se poderia ir ao Brasil e me disseram: poder, pode, só que você não volta mais.  Eu tive que ficar aqui”, diz ele.  “A vida me deu umas castigadas boas mas, me presenteou com coisas maravilhosas”.

Com simpatia e extremo profissionalismo, foi sendo indicado de boca a boca, caindo nas mãos de celebridades, como Hebe Camargo, Glória Perez e Fausto Silva.

E foi aproveitando todas as oportunidades que a vida ofereceu e correndo atrás de outras, que Jota de Miami passou de motorista à empresário, apresentador de programas de TV — como o Florida Connection, um quadro do Amaury Jr. na Rede TV!, e Viajar é com J — palestrante e escritor.

Capa da nova edição do "Dicas do Jota: O Seu Roteiro de Viagem em Miami". Lançamento será em São Paulo, em julho.

Em 5 de julho, ele lança em São Paulo a 3º edição do guia “Jota: O Seu Roteiro de Viagem em Miami”, com prefácio do Faustão.

“Não tenho como pagar tudo o que Fausto Silva fez por mim”, diz Jota.  “Esse é amigo”.

O guia da Editora Letra Livre vai sair com 30 mil exemplares e um aplicativo de iPad.  Como nas outras duas edições, as vendas nos lançamentos serão doadas inteiramente à Associação dos Amigos das Crianças com Câncer em Mato Grosso do Sul.  Mas, desta vez, há uma novidade: ele vai escolher também entidades diferentes, todo mês, para doar mais 5% das vendas.

Jota sente enorme carinho pelo estado onde cresceu, e uma divida de gratidão, que espera pagar com seu trabalho:

“Ainda vou ser Secretario de Turismo do Mato Grosso do Sul”, diz com a mesma confiança que demonstrou desde o primeiro minuto que pisou os pés nos Estados Unidos.  “Acho que tenho uma missão lá.  Tem riquezas naturais, mas o turismo nunca foi olhado com carinho”.

O casamento está previsto para o fim do ano.

Para maiores informações sobre a palestra “O Sucesso Anda de Limousine”, clique aqui.

No vídeo, Jota revela a receita do seu sucesso, com uma pitada de humildade e gratidão:

Com US$450, o motorista Jota da novela América fez a América. E hoje, ele conta como. from Chris Delboni on Vimeo.

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segunda-feira, 30 de abril de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Sem categoria | 08:42

Fotógrafa recebe prêmio de Artes Visuais do “Oscar” da comunidade brasileira no exterior. A categoria, até então, era dominada por artistas plásticos.

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Jade no estudio em sua casa. Foto de Carla Guarilha.

A fotógrafa Jade Matarazzo vai receber esta semana o prêmio “Brazilian International Press Awards 2012”, na categoria de Artes Visuais, até então dominada por artista plásticos.

Jade, a primeira fotografa a receber o prêmio desta categoria, se junta a outras estrelas como Romero Britto, Vick Muniz, Carmen Gusmão, Albery, Naza, Pedro Lázaro e Erick Vittorino.

“Sempre tem fotógrafos indicados nessa categoria, mas a Jade foi a primeira a vencer essa barreira”,  diz Carlos Borges, criador e presidente do Press Awards, que existe há 15 anos nos Estados Unidos, e em 2011, estreou também no Reino Unido e no Japão.

A premiação vem coroar a vida desta mulher apaixonada pela fotografia desde os 17 anos.

Fruto da tradicional família Matarazzo, em São Paulo, foi batizada pelos pais de Paola.  O encontro com a fotografia aconteceu por uma via transversa. Aos 16 anos, ela se apaixonou pelo mundo da patinação, quando passou no teste do “Holiday on Ice” em turnê pelo Brasil e fugiu com o grupo para Londres.  Foi localizada pela Interpol e seus pais a encaminharam para Suíça para uma escola de meninas.  Lá, ela  descobriu a fotografia.

“Sempre esperavam que eu me encaixasse em um certo molde, que é a família tradicional, não trabalhasse, tivesse filhos e casasse”, afirma.

Ficou um ano na Suíça, voltou ao Brasil, estudou, casou, se divorciou e, com 19 anos, veio para Miami. A fotografia, que era um hobby, virou paixão.

Mas, como Paola Matarazzo virou Jade Matarazzo?

A sua empresa se chama Jade Photoart.

“As pessoas ligavam e falavam, a Jade está?,” diz a fotógrafa, que aos poucos foi assumindo o nome da pedra preciosa que sempre adorou.

Atualmente, Jade está participando da exposição Eco Art na galeria ArtServe em Fort Lauderdale, perto de Miami, na Flórida, onde em outubro também expõe solo com 20 fotos de suas várias séries e vai lançar um livro com 70 páginas, 50 fotografias e um pouco da sua trajetória e história dessas imagens – uma publicação do Museu das Américas, que levará algumas de suas fotos para expor em maio, em Istambul.

Foto vai para exposição em Istambul. Cortesia Jade Matarazzo.

Jade tem hoje uma agenda profissional lotada e pessoal ainda mais.  Ela tem cinco filhos – entre 6 e 20 anos – e vive feliz com o marido Patrick Callahan, em Weston, cidade próxima de Miami.

Jade com o marido Patrick no jardim de sua casa. Foto de Carla Guarilha.

“Patrick ainda me tira o folego”, diz a fotógrafa, que aos 45 anos, tem acumulado um vasto acervo — desde fotos de concertos de músicos famosos como Mick Jagger à desabrigados, uma série, de imagens e histórias, que ela demorou cinco anos coletando pelo mundo.

Esse foi um dos trabalhos que teve maior repercussão profissional para Jade e, também, uma das séries que mais mexeu com ela.

“É uma imagem diferente que a gente vê através da lente,” diz ela, conhecida como uma artista eclética, que fotografa de uma flor à uma pessoa abandonada, passando fome, com a mesma naturalidade e sensibilidade.

“Acho que esse contraste do meu trabalho vem do meu leque de interesse”, conta Jade, que utiliza muito — através de sua lente fotográfica — o conceito filosófico tibetano, “Miksang”, que tem como princípio mostrar o que o olho nu nem sempre consegue enxergar.

“Sou um pouco introvertida.”, diz ela.   “A lente me ajuda a mostrar aquilo que talvez eu não estaria falando, tipo, ‘olha, você não percebe que tem isso, acorda.  Tem coisas acontecendo no mundo e vocês não estão vendo, não estão percebendo – tanto o belo quanto o não tão belo e o difícil”.

Serie "Compassion": Pai e filho em Los Angeles. Cortesia Jade Matarazzo.

E foi o conceito de “belo” que levou a outro de seus trabalhos favoritos.

Sessão especial no estúdio com Maria, que comemorava o fim do tratamento de um câncer. Cortesia Jade Matarazzo.

Tudo começou com uma cliente, Maria, que estava terminando o tratamento de um câncer.  Paola fez uma sessão de fotos que acabou em um livro deslumbrante para a cliente.  “Ela estava careca na época, bem pouquinho cabelo e sempre teve um cabelão enorme.  Foi uma experiência que mudou a vida dela, mudou a percepção dela com ela mesma”.

Jade se emocionou com o impacto do trabalho e, nos últimos três anos, já fotografou mais de 25 mulheres diagnosticadas com câncer.  Ela não cobra pela sessão, que normalmente custaria US$650, e nem pelo livro de fotos que dá de presente para cada uma dessas clientes.

“É uma recompensa pra mim”, diz a fotógrafa.  “A pessoa vai ter aquela imagem pra sempre.  Pode olhar e pensar, se eu me arrumar, eu fico assim, pôr um batonzinho, uma coisinha, eu sou assim.  É tão legal poder fazer essa diferença.”

E esse é o segredo do sucesso de Jade, que faz cada trabalho com paixão, sempre buscando fazer a diferença.

Ela diz que seu trabalho e suas séries muitas vezes refletem uma fase de sua vida, que no momento é de introspecção.

Paola, recentemente, perdeu o pai, seu melhor amigo, que, ela afirma, compreendia sua alma melhor do que ninguém.

“Estou me reinventando”, diz ela, que deixa uma dica para o fotógrafo principiante: “Experimentar todos os tipos de fotografia. Você pode se apaixonar por uma coisa e ser excelente naquilo ou pode se apaixonar por um leque de coisas e se sair bem em todas elas”.

Foto de Carla Guarilha

No video, Jade Matarazzo conta o segredo de seu sucesso e deixa um conselho para todos os fotógrafos, principalmente no inicio de carreira:

Fotógrafa paulistana recebe maior prêmio de brasileiros nos EUA from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 20 de março de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Miami | 09:17

Brasileiro é escolhido melhor professor do ano de todo condado de Miami-Dade

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Alexandre Lopes com as crianças do programa de inclusão que criou na escola Carol City Elementary, em Miami. Foto de Carla Guarilha.

Um brasileiro está fazendo história nos EUA com um projeto de inclusão em escolas: Alexandre Lopes recebeu o prêmio de Melhor Professor do Ano de Miami-Dade.

Ele foi escolhido entre 24 mil professores de todas as escolas públicas do condado.  O processo de seleção é longo e incorpora diversos aspectos do professor, fora e dentro da sala de aula, desde o seu método de ensino à filosofia e politica educacional.

“É um orgulho, uma honra muito, muito grande deles terem escolhido neste país um brasileiro nascido e criado no Brasil”, diz ele.   “Foi um processo intenso de seleção.  “Não foi só pré-escola, não foi só no departamento de crianças especiais, não foi só entre os latinos.  Eu competi em termos de igualdade com todos os professores daqui”.

Lopes ganhou um Toyota novinho, US$5.500 e uma bolsa de estudos na Nova University – que ele abriu mão pois já está cursando o doutorado na Florida International University.

Lopes com seu novo Toyota. Foto de Carla Guarilha.

Mas para ele, o mais importante foi receber o troféu, que simboliza o reconhecimento do seu trabalho. E as homenagens não param. Hoje, Alexandre vai receber uma homenagem de Bárbara J. Jordan, representante de um dos condados de Miami-Dade.

Troféu de Melhor Professor do Ano. Cortesia Alexandre Lopes.

Alexandre Lopes na sala de aula. Foto de Carla Guarilha.

“Levou um bom tempo para conseguir o respeito pelo que eu faço, e acho que foi muito importante ganhar esse titulo, não só por mim mas, por todos os outros professores que trabalham na pré-escola”, diz Lopes emocionado.

Hoje aos 43 anos, o petropolitano é, agora, o porta-voz de educação de todo o condado de Miami-Dade. O próximo passo é o prêmio estadual com mais 71 concorrentes.  Se ganhar, entra como finalista ao prêmio nacional, que será anunciado no inicio de 2013.

Seu programa de inclusão é composto de dois grupos diários de 12 crianças, de 3 a 5 anos – um de manhã e outro no inicio da tarde. Em cada grupo, há oito que exibem desenvolvimento regular da idade e quatro com algum tipo de desordem que compromete o desenvolvimento, como, por exemplo, o autismo.

“As crianças com autismo estão integradas a um ambiente onde elas tem a capacidade de interagir socialmente com crianças fora do espectro autista”, diz ele. “É uma sala de aula normal, onde temos alunos com autismo e alunos sem autismo.  Não são diferenciados em absolutamente nada”.

Lopes com um dos alunos. Foto de Carla Guarilha.

Numa rotina extremamente bem estruturada, Lopes, apaixonado pela música – e um estudioso de piano desde cedo, usa a sonoridade e a melodia como técnicas de ensino – na comunicação, compreensão e aprendizado de palavras e respeito mútuo.

Na hora que entram na sala de aula, as crianças dão as mãos e formam uma roda, cantando, “we are glad you are here.  Hello to you and me” (“estamos felizes por estarem aqui. Olá para você e para mim”), fazendo com que todos se sintam bem-vindos e unidos.  Lopes usa tambores e canções para ensinar conceitos, como tolerância e o controle emocional: “When you are mad, take a deep breath and relax” (“quando está bravo, respira fundo e relaxa”).  (Veja vídeo no fim da coluna.)

“O que enfatizamos aqui, que de repente não é tão enfatizado em outras salas de aula, — mas que na minha opinião deveria ser enfatizado em todos os lugares — é o ensino da interação social: como lidar com uma pessoa, pegar sua atenção, olhar no olho daquela pessoa, chamá-la pelo nome”, diz o petropolitano, que atribui parte do seu sucesso ao fato de ser brasileiro – não só pela sua musicalidade mas pela forma que se relaciona com as pessoas.

Foto de Carla Guarilha.

“Eu acho que faço com que cada um se sinta especial, e isso é importante”, diz ele.  “Eu acho que o brasileiro tem isso, quando quer, de realmente mostrar ao mundo do que ele é capaz”.

Lopes nunca se imaginou trabalhando na área de educação.  Nascido e criado em Petrópolis, ele se formou em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhava em companhias aéreas.  Sempre gostou muito de viajar, e em 1995, se mudou para Miami.  Aqui, como comissário de bordo, na época pela United Airlines, fazia rotas para a América Latina e servia como intérprete de português e espanhol.  Com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, as companhias aéreas tiveram muitos problemas financeiros, e a United ofereceu um pacote de benefícios para quem se afastasse.  Lopes aceitou imediatamente, e retomou os estudos.  Validou em Miami seu diploma do Brasil e começou mestrado em “Educação Especial” na Universidade de Miami, com foco em crianças autistas, rumo a um trabalho sério que, está rendendo frutos.

DICA:  Alexandre adora correr ao ar livre e comer asinhas de frango no Wilton Wings em Fort Lauderdale, favorito dos locais.  Telefone: 954-462-9696.  Endereço: 1428 NE 4 Ave., Fort Lauderdale, FL  33304.

Assista ao video de Alexandre Lopes com um de seus grupos de inclusão:

Alexandre Lopes, brasileiro radicado em Miami, é escolhido melhor professor do ano de todo condado de Miami-Dade. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 13 de março de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Negócios | 10:41

Milionários brasileiros aquecem mercado imobiliário de Miami. Mas, há oportunidades para todos, até para quem quer se mudar para lá de vez.

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O Trump Hollywood tem uma adega especial. Os donos dos apartamentos podem optar por espaço de 12 (por US$12,000) a 60 garrafas (por US$60 mil). Foto de Carla Guarilha.

O mercado imobiliário de Miami está  aquecido graças aos estrangeiros, afinal, foram eles que adquiriram 60% dos imóveis da cidade.  Os brasileiros, claro, tem um papel relevante neste cenário: estão em segundo lugar no ranking dos maiores compradores, atrás apenas dos venezuelanos.

As imobiliárias – que estão batendo recorde de vendas, como a tradicional Elite International Realty, do paulista Léo Ickowicz, estão aproveitando o momento.  Os números são superlativos.  No ano passado, a empresa vendeu US$160 milhões de dólares em imóveis na Florida.

“2011 foi o melhor ano de longe”, diz Ickowicz, que fechou 365 imóveis no total, um por dia, batendo recorde de vendas desde que abriu nos Estados Unidos, em 1993.

E ele está apostando que a festa ainda vai durar, pelo menos, mais três ou quatro anos, quando alguns grandes empreendimentos devem ficar prontos.

Alguns projetos são espetaculares e mudaram um pouco a cara do mercado local.  Um deles é o Regalia, projeto incorporado por um grupo de investidores brasileiros, que no momento só aceita reservas.  É um dos mais novos lançamentos, com 43 andares.  São 40 apartamentos, um por andar, o que é raríssimo nos Estados Unidos, começando por US$6 milhões.

Este é o mais novo e luxuoso lançamento de Sunny Isles. Um apartamento por andar, começando por 500m2 por US$6M. Fica pronto em 2015. Foto: cortesia do Regalia Beach Developers LLC

Outro projeto pioneiro é o Porsche Design Tower, que além de todas amenidades esperadas em um apartamento de extremo luxo, vai ter elevador próprio para levar os automóveis até o andar.

Porsche Design Tower vai ter até elevador para os automóveis dormirem mais perto do dono. Foto: Cortesia Porsche Design

Mas, enquanto essas construções não ficam prontas, os novos condomínios já lançados não ficam tão atrás.  E os brasileiros estão comprando.

Dos 2000 clientes da Elite no ano passado, cerca de 100 compraram imóveis acima de US$1 milhão, deles 30% desembolsaram mais de US$2 milhões.

Mas, há quem faça ainda mais extravagâncias. A maior venda da Elite foi de US$6 milhões no St. Regis, o mais novo e cobiçado condomínio em frente ao Bal Harbour, shopping das grandes grifes. O negócio foi fechado por um banqueiro paulista, que pede sigilo. Mas ele não chegou a comprar um apartamente e, sim, um espaço onde vai poder personalizar a planta do futuro apartamento. O custo da obra deve ficar em mais US$1,5 milhão.

A cobertura do St. Regis, de US$20 milhões, também foi vendida para um empresário brasileiro. Foto: Cortesia St. Regis.

W South Beach, Trump Towers em Sunny Isles e Trump Hollywood são outros condomínios favoritos dos brasileiros hoje em dia, cada um com seu charme.

W South Beach Residences é um dos favoritos dos brasileiros - Os preços variam de US$620 mil por um studio com 53m2 a mais de US$7 milhões. Foto: cortesia do W South Beach

O Trump Hollywood tem também uma sala especial de charutos. Foto de Carla Guarilha.

Apesar de não ser mais um prédio novo, o Trump Towers, em Sunny Isles, ainda é muito cobiçado por brasileiros.   A Elite já vendeu mais de 20 apartamentos, valor total de US$18  milhões, nos últimos dois anos.

Os estrangeiros investiram US$82 bilhões em imóveis em 2011 no país inteiro e representam 31% das vendas do estado da Florida. O Trump Towers ainda é um dos favoritos.

Daniel Ickowicz, filho de Léo, é diretor de vendas da imobiliária e, como o  pai,  um homem de visão.

Léo e Daniel Ickowicz no Trump Hollywood. Foto de Carla Guarilha.

Chegou em Miami com a família em 1990. Tinha 13 anos. Se encantou. Com 17, acabando o colegial, os pais e a irmã resolveram retornar ao Brasil. Mas ele fechou o tempo e disse que daqui não sairia. Passou a administrar a Mandala, agência de turismo que Léo havia aberto em Miami. Atualmente a Mandala, nas mãos da irmã Renata, existe somente em São Paulo, e a Elite se tornou o xodó de Daniel e seu pai, que voltou de vez para Florida em 2001.

A Elite tem hoje com 88 corretores, 30 deles brasileiros – que representam 70% das vendas da imobiliária, que está expandindo no momento no ramo comercial.

De acordo com a Associação de Corretores de Imóveis, quase 50% dos brasileiros compraram imóvel no ano passado na Florida por lazer, para vir de férias.  E Daniel aposta que de 20 a 25% dos clientes atuais, muitos com este perfil, possam se interessar e querer passar mais tempo aqui se tiverem um negócio.

“A gente percebeu que o brasileiro tem ficado muito tempo aqui”, diz Daniel.  “E, agora, quer montar um negócio ”.

A Elite está abrindo em dois meses uma nova divisão – Elite International Commercial Division, que vai auxiliar o brasileiro a entrar no comércio americano.

Um franquia de fast-food, por exemplo, como o Subway ou Burger King, é um investimento entre US$500 mil e US$1 milhão, que além de renda, oferece a facilidade para adquirir um visto de trabalho no País.

“Uma renda aqui é o ponta pé que falta pra eles”, diz Daniel.  “Essa é nossa meta”.

Mas, Daniel afirma que a oportunidade não é só para milionários,  tanto que os dados oficiais indicam que 30% dos brasileiros compram imóveis de valor inferior a US$100 mil.

Comprovando renda, com 40% de entrada, esse novo perfil de investidores  da classe média, que é o profissional liberal no Brasil, pode financiar um apartamento de US$200 mil, com uma prestação de US$650 por mês.

E para facilitar o acesso a informação para todos esses clientes no Brasil, a Elite se juntou ao escritório Braga Nascimento e Zilio Antunes Advogados Associados [http://www.braganascimento.com.br/] em São Paulo, que a partir de abril fará seminários mensais para esclarecer as duvidas do brasileiro que pensa em investir em Miami.

Essa parceria jurídica vai dar o suporte legal para o cliente.

“O atendimento começa no Brasil”, diz Daniel.

Video: Daniel conta em menos de um minuto os segredos do seu sucesso.

Daniel Ickowicz, campeão de vendas de imóveis para brasileiros em Miami, revela segredo do seu sucesso em menos de 60 segundos from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Saude | 10:11

Miami não é só feito de praia, festas e crise econômica. Há grandes exemplos de superação. Claudia Heimes é um deles.

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Carolina no seu quarto poucos dias depois de tirar o cateter. Foto de Carla Guarilha.

Uma batalha vencida e o começo de uma outra grande luta. Este pode muito bem resumir o atual momento de Claudia Heimes, uma das mais respeitadas e badaladas promotoras de eventos de Miami por mais de uma década. O inimigo é o mesmo: o câncer.

Claudia tem motivos para comemorar: Carolina, sua filha de 7 anos, está curada de uma leucemia. Mesmo assim, ela decidiu seguir em frente e ajudar arrecadar fundos para pesquisas voltadas para o tratamento e cura do câncer.

Em apenas dois dias, Claudia levantou US$6.185 para CureSearch, uma organização que destina verba para 175 hospitais para o tratamento da doença. Foi a maior arrecadação individual de um total de US$ 47 mil. Mas ela quer mais: pretende chegar aos US$ 10 mil.

A doação foi captada através da formação de uma equipe chamada Carolina’s Class para uma caminhada realizada em Hollywood, no sul da Florida.

“Minha filha esta curada, mas eu me preocupo com outras crianças, com o futuro”, diz ela. Claudia sabe muito bem como a vida de qualquer um pode virar de cabeça para baixo de uma hora para outra.

Claudia e Carolina. Foto de Carla Guarilha.

Em 2004, depois de passar 12 anos como uma das maiores promoters em Miami, Claudia decidiu desacelerar e se tornar mãe. Tudo parecia perfeito, até que, em 2008, a pequena Carolina começou a apresentar alguns sintomas da doença, e no começo do ano seguinte, o quadro se agravou: a menina não comia, perdeu peso, ficou muito nervosa e chorava demais – até que um dia ela começou a bater com a cabeça na parede. “Ela não estava mais enxergando”, diz Claudia. “Perdeu a visão e não ouvia”.

Claudia levou Carol imediatamente ao hospital. Chegando lá escutou dos médicos que era uma bactéria, um diagnóstico errado que ela ouviu durante dois meses.

Carol no JoeDiMaggio. Cortesia de Claudia Heimes.

Claudia decidiu que, desta vez, não ficaria sem uma resposta. “Ela não vai pra casa. Eu quero todos os exames ”, disse Claudia no hospital JoeDiMaggio. E assim foi feito – até chegar o diagnóstico certo: leucemia linfoblastica aguda, que atinge 70% das crianças com câncer no mundo inteiro.

“Meu mundo desabou”, diz ela. “Primeiro fiquei desacreditada. Perdi a fé.” Mas logo, Claudia conta que se apegou muito a Deus. “A gente rezava muito. E todo mundo fazia corrente de orações – na Alemanha, Brasil e Miami”.

Durante este período difícil, Claudia passou a se dedicar mais ao hobby que aos poucos virava sua nova profissão. “Quando Carol foi diagnosticada, eu comecei a desenhar joias para umas amigas, enquanto ela dormia, e acabou dando certo. Além disso, quando eu comprava as pedras, ela me ajudava a escolher as combinações”. A pedra favorita de Carolina é a pérola.

Carol e sua cachorrinha de estimação. Foto de Carla Guarilha.

Carol e seu outro cachorro favorito, de Romero Britto, amigo de Claudia. Foto de Carla Guarilha.

Hoje, Carol está virando uma página de sua vida, mas não quer esquecer dos amigos que fez no JoeDiMaggio. No próximo Natal, espera colocar na árvore de casa o cateter, que levou com ela como lembrança, um símbolo de saúde e cura.

O mais curioso é que Carol tirou o cateter, em 16 de fevereiro, mesmo dia que três anos atrás foi diagnosticada a doença. “Eu não sei se é coincidência ou destino”, diz Claudia.

O processo foi doloroso, mas Claudia afirma que aprendeu duas importantes lições: não se estressar com pequenas coisas e nem com pessoas fúteis. “Eu vivi esse mundo de futilidade, mas nunca participei e me recusava a entrar nele”, conta.

Ela diz que o segredo de seu sucesso, em tudo que faz, de promoção de eventos à joias, e agora na luta pela cura do câncer, é sua disposição e os amigos. “Eu me dedico, sou insistente, persistente e não desisto. Tenho muita garra e muitos bons amigos do meu lado”, diz.

E, claro, para quem quer ajudar Claudia nesta sua luta ainda é possível até 22 de março doar através do Carolina’s Class — clique aqui.

Carol na caminhada da CureSearch em 11 de fevereiro. Cortesia de Claudia Heimes.

DICA da CLAUDIA: Seu restaurante favorito em Miami é o Tutto Pasta — do chef brasileiro Juca Oliveira. Endereço: 1751 SW 3rd Ave – Miami – FL – 33129. Fone: (305) 857-0709.

Entrevista com Claudia Heimes | O segredo do seu sucesso em menos de 60 segundos. from Chris Delboni on Vimeo.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Arte & Cultura, Entrevistas | 10:32

Músico Antonio Adolfo se prepara para novo show em março na Florida

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O grande mestre Antonio Adolfo já formou muitos nomes da música popular brasileira, entre eles filhos e netos de ícones como Tom Jobim e Ivan Lins. Mas seu maior orgulho são suas duas filhas. Luisa, com 31 anos, hoje toma conta do Centro Musical Antonio Adolfo no Leblon, que abriu em 1985, e Carol Saboya, que faz 38 anos em março, se tornou a parceira do sonho de qualquer pai, com quem já fez alguns shows, gravou CDs e em 10 de março, a dupla se apresenta em Fort Lauderdale, perto de Miami aonde o músico mora atualmente com a esposa Ana, a força por trás desse talento musical familiar.

Depois de passar um ano em Los Angeles em 1971 – pouco após o enorme sucesso de “Sá Marina”, com Tibério Gaspar, gravada por Sérgio Mendes nos Estados Unidos – a solidão levou Antonio Adolfo de volta ao Rio de Janeiro, onde conheceu e casou-se em 1974 com Ana, a quem se refere até hoje como “minha namorada” e quando fala da relação, cita Vinicius de Moraes, “Minha amiga e companheira no infinito de nós dois.”

Antonio Adolfo e Ana na varanda do apartamento. Foto de Carla Guarilha.

Logo que se casaram, se mudaram para França, onde ele estudou com Nadia Boulanger, mestre de grandes músicos como o compositor Aaron Copland.

Ana engravidou e o casal resolveu ter Carol no Rio, onde Antonio Adolfo nasceu e cresceu nos bairros de Tijuca e Leme. Ele, então, continuou na época sua brilhante e premiada carreira trabalhando com renomados da MPB, como Chico Buarque, Maria Bethania, Emilio Santiago e Elis Regina.

Hoje Antonio Adolfo tem cerca de 1500 alunos entre as duas escolas no Rio e de 50 a 80 em Hollywood, há poucos quilômetros de Miami, onde abriu há uns quatros anos.  No inicio, era um workshop aos sábados, mas cresceu e atualmente Antonio Adolfo School of Music funciona de segunda à sexta com aulas de vários instrumentos como piano, violão e bateria, e canto.

No estúdio do apartamento. Foto de Carla Guarilha.

“Eu acho que o fato de ter estudado com a Nadia Boulanger, especificamente, eu sempre tive uma admiração muito grande pelos mestres, sempre achei muito bonito o fato de você passar para outros seu conhecimento”, diz Antonio Adolfo, um mestre que valoriza todos os alunos sem distinção.  “Eu respeito da mesma forma o iniciante, o que não sabe nada, uma criancinha de quatro anos que vai estudar e aprender o dó-ré-mi àquele que eu ensino coisas super sofisticadas que aprendi durante a vida, não só com meus professores mas também com a minha experiência como musico.”

E isso ele aprendeu com sua mãe, Yolanda Maurity, que foi violinista da Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, uma mulher forte, pioneira e corajosa.

“Naquela época existia muito preconceito e muita distância entre a musica popular e a erudita”, conta Antonio Adolfo.  “Mas ela não tinha nenhum preconceito contra a música popular.  Pelo contrario, sempre gostou que eu fosse músico e tocasse as musicas que eu quisesse.  Dava a maior força.  Ficava emocionada e aplaudia”.

E é essa “autenticidade” que ele espera passar para Carol, que convivia desde pequena dentro de casa com vários cantores como Ney Matogrosso, Emilio Santiago e Zizi Possi que iam fazer arranjos com Antonio Adolfo.

“Ela viu que eu nunca quis fazer uma coisa comercial musical só pra vender, pra fazer sucesso”, diz ele.  “A Carol tem uma coerência muito grande na carreira dela.  Ela canta realmente o que ela gosta”.

Ele empre sorri quando fala das filhas. Foto de Carla Guarilha.

Antonio Adolfo descobriu o talento musical de sua filha mais velha muito cedo, começando pela emoção que ela sentia ao ouvir uma canção.  Ele conta que uma vez, ele e amigos estavam tocando “Travessia”, e Carol, com 7 anos, começou a chorar.

“Ela se emocionava muito com as músicas”, diz o pai que se lembra com orgulho quando Carol gravou nessa época um compacto simples com Miéle, “A Menina e a TV”.

“O pessoal todo ficou espantado que ela gravou de primeira, no estúdio, sem desafinar nada”, diz o compositor, que hoje é quem se emociona ao ouvir sua filha cantar “Sá Marina”, um dos grandes sucessos desse pianista, produtor, arranjador e professor – e acima de tudo, um grande amante da música, que com sua mágica, guiou a vida de um menino tímido e gago que cresceu para se tornar esse fenômeno musical internacional.

Antonio Adolfo e Carol Saboya. Foto de Rodrigo Lopes.

“A musica é quase que uma religião pra mim”, diz ele. “Eu tenho tanta intimidade com a música, tanta compreensão com a música, que eu sigo a vida pela música”.

E esse é o segredo de seu sucesso — a paixão pela música e sua dedicação.

“Tem gente que fala, Antonio Adolfo, tudo que ele faz, dá certo.  Mas dá certo, por muita luta.  Não é fácil”, diz ele.  “Mas eu gosto dessa dificuldade por que dá uma adrenalina que você precisa pra criar”.

Foto de Carla Guarilha.

Dica: O restaurante favorito de Antonio Adolfo em Miami é o Adriana, um peruano perto de Bal Harbour (9477 Harding Ave., Surfside, FL), onde jantou recentemente para comemorar seus 65 anos.  Seu prato favorito lá é Ceviche de tuna.

Antonio Adolfo conta em poucas palavras o segredo de seu sucesso, fala de sua mãe e dá uma “canjinha” ao Direto de Miami com um show particular de “Sá Marina”.

Antonio Adolfo from Chris Delboni on Vimeo.

Para comprar entradas do show de Antonio Adolfo e Carol Saboya, em 10 de março, clique aqui.  Com Claudio Spiewak na guitarra, Jamey Ousley no baixo, Rafael Barata na bateria e Carlomagno Araya na percussão.  Endereço: Rose & Alfred Miniaci Performing Arts Center na Nova Southeastern University – 3100 Ray Ferrero Jr. Blvd., Ft. Lauderdale, Fl. 33314 | Telefone: 954-462-0222

Um pouco de nostalgia: “Sá Marina”/”Pretty World”, com Lani Hall.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 Arte & Cultura, Entrevistas | 10:42

Artista visual Eleonora Goretkin expõe “Encontros”

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A artista visual brasileira Eleonora Goretkin surpreende mais a cada dia com sua simplicidade pessoal e grandiosidade artística.

Eleonora e seu desenhos.

Ela tem hoje um acervo de mais de 3000 desenhos, em séries.

Atualmente está exibido a série “Encontros” no Village at Gulfstream Park, em Hallandale, na loja e espaço artístico do empresário e joalheiro brasileiro Fernando Costantini.

Ela diz que não tem pressa de expor seu trabalho em grandes galerias ou museus.

“Eu ainda gostaria de esperar um pouco, firmar um pouco minha empresa de arte, minhas imagens.”

Eleonora diz que suas séries – distribuídas pelas paredes de sua casa em Hollywood, no condado de Broward, ao norte de Miami, não representam diretamente fases de sua vida.

“Eu não escolho, ‘agora eu vou desenhar isso’. Acaba acontecendo,” diz.  “Eu acho que a inspiração é uma coisa muito inconsciente.”

Sua inspiração vem de emoções, diz.

Uma de suas séries favoritas são as “mãos.”

Série "Mãos"

“Fala de emoções femininas,” diz Eleonora, que começa a desenhar no momento que acorda.

“Do lado [da cama] tem um papel, e a primeira coisa que eu faço é um desenho,” diz ela.  “Antes de levantar, eu já desenho.”

E assim foi, mesmo com os filhos pequenos.

“Quando eu ia levar as crianças para algum lugar, estava sempre com papel, o caderno de desenhos,” conta a artista, que desenhava em qualquer momento disponível – entre as aulas de natação e piano dos dois filhos.

Carioca, ela se formou em comunicação visual pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.  Casou-se com Guilherme, e depois de idas e vindas de passeios no Sul da Florida, o casal resolveu se mudar com os dois filhos pequenos para Hollywood em 1993.

“Eu cheguei com uma mala e meia de livros e a outra mala de roupa,” diz ela.  “Deixei o apartamento montado lá [no Rio]. Eu achei que ia ficar um tempo aqui e voltar para ver tudo.”

Mas isso não aconteceu.

Ela logo matriculou as crianças na escola e começou sua vida com a família nos Estados Unidos – sem a estrutura habitual que tinha no Rio, de babá, empregada, faxineira e passadeira.

“Aqui eu fazia tudo.  E eu adorava,” diz ela, afirmando com orgulho que sua maior realização pessoal são seus dois filhos, que hoje são seus grandes amigos –  Guilherme, 26, e Gustavo, 20.

“Eu não trocaria sucesso nenhum, nem nada do que eu fiz se isso fosse prejudicar a relação que a gente tem,” diz.

Hoje, Gustavo está fazendo faculdade na Massachusetts Institute of Technology, uma das universidades de maior prestigio nos Estados Unidos na área de tecnologia e informática, seguindo os passos do irmão, Guilherme, que trabalha com o pai em Boston, onde Eleonora acaba de passar mais de um ano e mantém uma estrutura profissional.

Eles se veem com frequência, e ela sente falta dos três homens de sua vida no dia a dia, mas preferiu manter sua base artística no clima tropical.

Por mais que goste de Boston e aprecie a história da cidade e da região, Eleonora diz que tem um carinho especial por Miami.

“Por mais que eu trabalhe lá — e eu trabalho muito também, é muito bonito aqui,” diz.  “A liberdade, o espaço.  Eu adoro,” diz com uma modéstia pouco vista entre artistas desse porte.

“Eu acho que minha realização profissional  é eu ter conseguido botar em pratica todos esses anos de aprendizado,” diz.  “Quanto mais você trabalha, mais você quer produzir mais, mais você tem vontade de trabalhar.”

E ela não deixa por menos.

“Eu trabalho na criação no mínimo oito horas por dia,” diz.  “As vezes eu fico até 12-14 horas.  Tem épocas que eu fico a madrugada toda.”

E Eleonora não se cansa e não se queixa.

O segredo do seu sucesso é justamente a busca constante pelo bem estar – seu, de sua família e todos a sua volta.

“Eu acho que você tem que estar todo dia com bem estar.  Acordar com bem estar interior.  Estar feliz, estar alegre, mesmo quando as vezes as coisas não são tão felizes e tão alegres,” diz.  “Eu tenho paixão pelo que eu faço, tenho paixão pelo meu trabalho, e conseguir transmitir essa paixão, conseguir transmitir para as pessoas o que você quer explicar, expressar no seu trabalho, acho que já é um sucesso.”

Além dos quadros, Eleonora também escreve poesias e tem um acervo de composições musicais, entre elas o musical Um Sonho Infantil pra Você. Confira no vídeo uma das canções, o Tema da Lua, e o segredo do sucesso da talentosa artista.

Eleonora Goretkin from Chris Delboni on Vimeo.

Para informação de preços e seus trabalhos completos, visite http://eleonoragoretkin.com.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012 Entrevistas | 10:30

Direto de Miami lança primeira coluna com Paulo Bacchi, um exemplo de sucesso

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A coluna “Direto de Miami” vai trazer toda semana histórias saborosas de personagens, fatos, tendências, gastronomia e eventos que fazem de Miami a principal cidade dos brasileiros nos Estados Unidos.

Estamos inaugurando hoje com um dos brasileiros mais bem sucedidos aqui, Paulo Bacchi, que 10 anos atrás abriu a primeira loja da Artefacto nos Estados Unidos.

Paulo Bacchi na loja de Aventura. Fotos de Valéria Casseb.

Bacchi é um modelo de sucesso e seu maior segredo é o sorriso, sua marca registrada e uma arma poderosa para vencer a acirrada competição no mercado internacional.

“A pessoa tem que ter bom relacionamento com todos – desde o mais simples funcionário até o mais rico dos seus clientes,” diz Bacchi.  “Você tem que estar aberto e com um sorriso na cara para se dar bem com todo mundo.”

E assim ele foi conquistando Miami quando chegou de São Paulo em 2002 com sua esposa, Laís, e os filhos gêmeos, Bruno e Pietro, na época com 5 anos.

Não foi fácil.

“Apesar da Artefacto ser líder de mercado muito famosa no Brasil, aqui a gente não era nada,” diz ele.  “O maior desafio foi a gente mostrar a que veio.  Que não éramos mais uma empresinha que estava querendo vender sofá e cadeira e sim uma empresa correta que estava aqui não só para vender produto mas para prestar serviço a comunidade, para ficar e se estabelecer.”

A família chegou em junho, e em setembro Bacchi, hoje com 44 anos, estava inaugurando a loja no shopping “Village of Merrick Park” em Coral Gables, perto de onde moram desde que se mudaram do Brasil.

Sorriso é seu maior segredo.

A meta era de abrir 20 lojas nos Estados Unidos.  E seguiram firme com a abertura de três mais em 2005 — em Palm Beach, Washington, D.C., e Atlanta – e no ano seguinte mais uma em Fort Lauderdale, também na Florida.  Entretanto, a crise econômica e, principalmente a imobiliária, brecou seus planos e forçou o fechamento de todas as lojas, deixando apenas a original de Coral Gables.

“Todas eram muito lucrativas até que em 2008 veio a crise econômica americana que acabou momentaneamente com meu desejo de ter uma grande empresa com vários números de loja nos Estados Unidos,” disse Bacchi.  “Meu ramo depende diretamente de lançamentos imobiliários,” que despencou aqui na época, mas acabou gerando um mercado ainda mais benéfico para Artefacto.

Com a queda dos preço de imóveis em Miami e a força do Real, o brasileiro começou a investir pesado no mercado imobiliário americano e montar sua casa de praia em alto estilo, dando novo fôlego a Artefacto, que abriu recentemente um enorme showroom e loja em Aventura e hoje tem um dos maiores faturamentos no ramo na Florida.

“Imagine se a gente falasse 10 anos atrás que o Brasil estaria melhor do que os Estados Unidos, ninguém ia acreditar,” disse orgulhoso do seu país e também dos produtos e serviço que oferece.

“A gente faz um trabalho estético muito interessante,” diz.  “A gente aproveita a beleza natural de Miami e faz um trabalho de desenho de interiores que tem a ver com isso, saindo daquela coisa antiga, pesada, que é madeira escura que não combina com Miami.”

Sua filosofia comercial para vencer a concorrência desde o principio era unir o bonito e elegante “design” dos italianos com a potência e grande estoque das lojas de móveis americanas.

“Chega uma pessoa do Brasil, se encanta com o apartamento dos sonhos em Miami, e em três dias a casa esta montada,” diz ele.  “Todo mundo que está comprando em Miami busca uma empresa que tenha produto em estoque, e a Artefacto é uma das poucas que tem capital e estoque para ter esse serviço.  A gente tem aqui mercadoria suficiente pra fazer mais de 1000 apartamentos.”

Ele diz que esse foi o segredo do sucesso da sua loja, que hoje é reconhecida não só entre os brasileiros mas também entre outros principais consumidores como os venezuelanos, colombianos, europeus, russos e franceses.

A mudança do Brasil foi uma decisão pessoal e profissional.  A Artefacto queria expandir e ele queria sair de São Paulo.

“Eu queria sair do “risco” Brasil.  Risco pessoal.  Segurança pessoal que hoje ainda é um problema, mas 10 anos atrás era muito pior,” disse.  “Eu acordava de manhã, levava meus filhos para escola com carro blindado, e eu achava sempre que aquilo não era vida.  Então tomei a decisão de sair do Brasil para poder criar meus filhos como eu fui criado – solto com liberdade, com direito de ir e vir a qualquer momento.”

Bacchi diz que não se imagina morando em outro lugar do mundo hoje em dia.

“O que eu mais gosto de Miami é o clima,” diz ele.  “Todo dia é um dia bonito, independente se é um dia nublado, se está chovendo, se está frio.  Miami é um lugar ímpar – a capital da América Latina.  Você tem as regras de segurança e organização americana, porém com muita latinidade.”

Bacchi disse que gostaria muito de um dia poder dizer aos seus filhos que é seguro voltar a viver no Brasil.  “Acho que a pior coisa que uma pessoa pode perder na vida é a liberdade,” diz ele. “Em São Paulo, eu tinha perdido a liberdade de poder ir e vir.”

Mas ele está confiante que isso vai mudar e já está mudando.  “Eu vejo um futuro brilhante para o Brasil,” diz. “Todos meus amigos, minhas raízes estão lá.  O bom de Miami é que todo dia tem um amigo aqui.”

Seu restaurante favorito em Miami atualmente é o Zuma – “talvez o melhor restaurante japonês do mundo,” diz Bacchi.

Paulo Bacchi: Segredo de sucesso em menos de 30 segundos

Paulo Bacchi from Chris Delboni on Vimeo.

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