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terça-feira, 18 de setembro de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Meio ambiente, Miami | 09:43

Projetos ecológicos de ambientalista brasileiro chamam a atenção de Obama

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Quando o presidente americano Barack Obama esteve em Miami Beach há alguns meses, seu governo reconheceu e elogiou o planejamento ambiental e ecológico que a cidade vem propondo e implementando.   Ele apelidou Miami Beach de “paraíso sustentável” — um elogio aos programas de conservação de energia e água, reciclagem, conscientização e restauração de recifes de corais em South Beach desenvolvidos por um brasileiro, de Niterói, Luiz Rodrigues, hoje diretor-executivo da ECOMB – Environmental Coalition of Miami & the Beaches ou, em português, Coalizão Ambiental de Miami e das Praias.

Rodrigues ao lado de um aparelho de reciclagem na sala da ECOMB. Foto de Carla Guarilha.

A ONG foi fundada em 1994 e sua principal atividade era limpeza de praias.

Em 2000, Luiz, que vinha para cá da Califórnia, com vasta experiência em biologia marinha e educação ambiental, passou a ser um assíduo voluntário da organização.

Sempre com novas ideias para melhorar as condições do meio ambiente na região, no ano seguinte, ele foi convidado para assumir a direção da ECOMB.

Depois de muita ponderação, aceitou.

Ele trabalhava no Discovery Channel – América Latina das 7h às 15h30, e na ECOMB, na sala de sua casa, até as 2 da manhã.

“Me chamavam de Luiz Ecomb”, conta rindo e orgulhoso do sobrenome do qual foi apelidado.

Rodrigues durante Dia Internacional de Limpeza Costeira, no último sábado, coordenando o trabalho com uma voluntária da ECOMB. Foto: Cortesia ECOMB.

Ele trabalhava praticamente sozinho, sem verba e dependendo de voluntários.

Mas com sua simpatia, dedicação e seriedade foi, aos poucos, criando uma enorme credibilidade com os governantes e moradores da cidade, que passaram a acreditar e apoiar suas iniciativas ambientais, entre elas a liderança e participação em grandes eventos de impacto mundial. Um dos principais é o Dia Internacional de Limpeza Costeira, que  aconteceu sábado passado e contou com mais de 1000 voluntários em Miami Beach.

Dia Internacional de Limpeza Costeira. Foto: Cortesia ECOMB.

“Acho que tenho um objetivo principal, que é de ser um agente de mudança na comunidade”, diz ele.  “Não temos condições de mudar o mundo sozinho, mas temos condições de mudar o mundo em nossa volta”.

E assim, a ECOMB foi crescendo, cada vez mais presente em Miami Beach.

Em 2007, sob sua orientação, a cidade criou um comitê de sustentabilidade, que usa como base, um guia que foi desenvolvido pelo brasileiro.

Determinado como um bom capricorniano, por sete anos, Luiz foi levando a jornada dupla entre o Discovery e a ONG, até que em 2008, conseguiu uma verba do condado de Miami-Dade, de US$42 mil, para estruturar melhor a ECOMB, já considerada praticamente uma instituição local.

“Eu sempre retiro barreiras”, diz, com humildade mas enorme orgulho de suas conquistas. “Todo trabalho é em beneficio da cidade de Miami Beach, dos turistas e moradores”.

A vida mudou: Luiz deixou o Discovery, passou a trabalhar integralmente nos projetos ambientais e transferiu o escritório de sua casa para uma sala em South Beach.

Na sua mesa no escritório da ECOMB. Foto de Carla Guarilha.

Mas seus planos não pararam por aí.

Ele diz que fez vários estudos e provou matematicamente para os governantes de Miami Beach que só de projeto de limpeza das praias seus esforços economizavam para a cidade mais de US$150 mil por ano.  “Fiz todos os cálculos, apresentei para os vereadores e pedi um prédio para a cidade”.

E mais uma vez, atingiu seu objetivo.

Em 2009, recebeu um telefonema comunicando que a ONG poderia usar o espaço de uma estação policial que estava se mudando.

“Foram uns seis meses até que finalmente a proposta foi aprovada”, diz.

Poster mostra o projeto de expansão do prédio da ECOMB onde, em breve, vai incorporar o Centro Ambiental de Miami Beach.

Hoje, ele aluga por US$1,25 (um dólar e 25 centavos) por ano um prédio pequeno mas que em breve se tornará um grande ícone: “Miami Beach Center for the Enviroment”, ou Centro Ambiental de Miami Beach, que vai incorporar todos os conceitos de sustentabilidade e se tornar um espaço de educação e conscientização ambiental e ecológica.  Terá aulas e treinamento, programa de reciclagem, biblioteca, uma horta orgânica e uma tela de cinema ao ar livre para passar filmes de meio ambiente, que também faz parte de um novo ramo que Luiz começou a desenvolver no ano passado.

Está programado para o mês que vem, o  Festival de Cinema Ambiental – Miami & The Beaches Environmental Film Festival.

Desde pequeno, Luiz, hoje com 53 anos, diz que é apaixonado pela natureza.  Filho único, sempre viajava muito com os pais para apreciar a vida natural.  Mas foi na escola, numa aula de zoologia, que descobriu sua vocação.  Os alunos tiveram que dissecar uma rã e foi aí que tudo começou.

“Comecei a ter um conhecimento mais aprofundado sobre a essência da vida, a formação, a criação da vida”, conta.  “Quanto mais estudava, mais fascinado ficava”.

Cursou biologia marinha na Universidade Santa Úrsula, mas com 19 anos, surgiu uma oportunidade para estudar nos Estados Unidos e transferiu os estudos para a Universidade da Califórnia, em Santa Cruz.  Se formou com notas altas e em seguida conseguiu uma bolsa para  fazer um mestrado, também na Califórnia, onde foi ficando cada vez mais apaixonado por mergulho e recifes de corais, hoje um dos seus projetos favoritos, ainda não realizados em Miami.

Há mais de 10 anos, estava mergulhando em South Beach, logo no início da praia, quando foi surpreendido: encontrou uma mina de corais no mar.

“Tinha corais até perder de vista, tinha peixe borboleta, tinha tudo,” diz Luiz. “Era lindo, como um Jardim do Éden no quintal da sua casa”.

Rodrigues mostra orgulhoso o projeto de reconstrucão do recife de corais em South Beach. Foto de Carla Guarilha.

Mas não durou muito.

“Quando fui de novo mergulhar um dia em 2002, não achei nada, tudo desapareceu”.

Luiz descobriu que um projeto do condado para a restauração das praias naquela área não levou em consideração os corais.  Trouxeram tanta areia que aterraram e mataram os corais.  Agora, o projeto da ECOMB, que espera realizar em breve, vai reconstruir um pequeno grupo de recifes de corais.

Mas projetos novos como esse e a construção dos anexos do prédio da ECOMB não podem demorar muito.

Luiz está sentindo que seu ciclo nos Estados Unidos está terminando.  Quer ficar perto dos pais, já com 80 anos, e quando foi ao Brasil para a conferencia das Nações Unidas, Rio+20, percebeu que ainda pode fazer muita coisa por seu país.

“Conheci muita gente interessante”, diz.  “Comecei a ter uma ideia diferente que tinha vontade de fazer no Brasil para criar uma parceria – um grupo de ação – entre ONGs, o governo e a industria”.

Mas antes, ele quer finalizar seus projetos aqui, e espera conseguir cada vez mais apoio de empresas, inclusive as brasileiras como vem tido da Vita Coco, VeeV e Leblon Caipirinha.

“A gente nunca vai saber o que está do outro lado da montanha se você não escalar a montanha, então procuro sempre escalar, com persistência, insistência, e com carinho, com cuidado e respeito”, diz o ambientalista brasileiro, hoje o maior defensor do sistema ecológico de Miami Beach.

No vídeo, Luiz Rodrigues revela em  60 segundos o segredo de seu sucesso:

Luiz Rodrigues, diretor executivo da ECOMB, maior centro ambientalista de Miami Beach: segredo do sucesso from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 10 de julho de 2012 Direto de Miami, Diversão, Meio ambiente, Miami, Turismo, Viagem | 10:10

Direto de Miami mostra os bastidores do Seaquarium em Miami

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha


Como uma estória de amor, Romeo e Julieta chegaram juntos no Seaquarium em Miami em 1958. Juliet, como foi batizada em inglês, tinha sofrido um acidente por barco e precisava de cuidados médicos. O parque, aberto na época há apenas quatro anos, foi o local escolhido para tratar do peixe-boi, ainda filhote, que hoje pesa mais de 1300 quilos e é um dos mais velhos, com cerca de 60 anos de idade, e se tornou uma das grandes atrações do Seaquarium.

Juliet é a mais pesada do Seaquarium. Ela ficou com sequela de ferimento na região da cauda.

Já Romeo, trazido na época como acompanhante de Juliet, mantém a mesma função até hoje: serve de companhia para novos peixes-bois que chegam machucados ou doentes no centro de reabilitação do parque, um espaço fechado ao público, ao qual Direto de Miami teve acesso exclusivo.

Romeo recebe um agrado de uma das coordenadoras do centro de reabilitação.

Jodi Tuzinski, especialista em cuidados com os animais aquáticos, há 15 anos no Seaquarium, diz que atualmente há sete peixes-bois em reabilitação, que devem ser levados de volta ao mar ou às suas águas de origem quando estiverem curados.

Jodi Tuzinski é especialista em cuidados com os animais aquáticos.

“Nosso objetivo é salvá-los e mantê-los livres para que continuem se reproduzindo”, diz ela. “Só são trazidos por que precisam de cuidados”.

Espécie em extinção, hoje há cerca de 4 mil peixes-bois nos Estados Unidos, metade, diz Tuzinski, vivendo na Florida.

Tuzinski diz que eles chegam no Seaquarium da mesma forma que seres humanos são levados a um pronto socorro.

Quando são encontrados machucados ou doentes, os veterinários e especialistas em campo determinam o que fazer e para onde levá-los.

O Seaquarium é um de três estabelecimentos especializados na Flórida em resgate e reabilitação.

Tuzinski conta que já chegou a receber 23 deles em um ano que fez muito frio, mas, em média, chegam 10.

Eles não suportam o frio, diz ela. A temperatura ideal da água para eles é entre 20º e 26º. Abaixo disso, as funções de seus órgãos começam a ser prejudicadas.

O peixe-boi é vegetariano, brinca Tuzinski. Eles comem cenoura e muito alface: 12 caixas de 18 quilos cada, diariamente.

Como os “snow birds”, ou “pássaros de neve”, conhecidos por pessoas aposentadas que passam os meses de inverno americano na Flórida, de novembro a março, o peixe-boi migra enormes distâncias — de estados como o Texas, Geórgia e Virginia – e chega em massa nas águas rasas do estado tropical.

Mas durante esses meses, mesmo salvos da hipotermia, correm sérios riscos de atropelamento por barco, como foi o caso de Wiley, com cerca de 2 anos de idade e, no Seaquarium, há seis meses.

Wiley quando chegou. Foto: Cortesia Seaquarium.

“Quando chegou, Wiley tinha sido ferido por um barco. Dava para ver suas vértebras”, conta Tuzinski. “Estava bem fraco, com infecção, letárgico. Por sorte não ficou paralítico”.

Hoje, diz ela, Wiley é um dos mais gulosos e assim que atingir o peso ideal, será colocado de volta ao seu habitat natural.

“Preferiríamos não ter nenhum peixe-boi aqui”, diz. “Mas, infelizmente, eles adoecem ou são feridos”.

O caminho para diminuir os acidentes, diz ela, é respeitar as regras marítimas: Não jogar sujeira na água para evitar que eles fiquem presos em sacos de lixo e outros objetos, como o anzol, e respeitar os limites de velocidade para os barcos mais próximos da costa ou águas mais rasas.

OUTRAS ATRAÇÕES DO SEAQUARIUM

O Seaquarium recebe até três mil visitantes por ano para ver seus habitantes, como o peixe-boi, mas também o leão-marinho, golfinhos e outros.

O golfinho é o animal mais sociável do Seaquarium. Sempre se aproxima quando percebe a presença de seus admiradores.

Além dos divertidos shows aquáticos, as atividades favoritas são nadar com os golfinhos e mergulhar com os peixes, ao lado dos recifes, como se estivessem no mar.

Kevin, de 5 anos, estava com a mãe, Rebeca Eikel, visitando o Seaquarium pela primeira vez. Os peixes foram a atração favorita do menino, que nasceu em Recife, mora na Suíça e passa férias em Miami, onde a família brasileira comprou um imóvel há um ano. O programa de mergulho -- "Sea Trek" -- tem sido uma enorme atração desde sua inauguração no ano passado.

BOX:

Miami Seaquarium:
Entrada: US$39.95 para adultos, e US$29.95 para crianças 3 – 10 anos.

É preciso fazer reserva para nadar com os golfinhos (no raso, US$139/pessoa, US$99 para crianças. Para nadar no fundo, US$199/pessoa. Sessão de 1h30) e para mergulhar com os peixes no“Sea trek” (US$99/pessoa. Não é exigida experiência). Telefone para reserva de programas interativos: 305-365-2501.

Endereço:
Miami Seaquarium
4400 Rickenbacker Causeway
Miami, Fl 33149

Para mais informações, horário dos shows e reservas, visite o site http://www.miamiseaquarium.com/ ou ligue 305-361-5705 (atendimento em inglês).


*Nos vídeos, Direto de Miami mostra os bastidores dos manatins no Seaquarium e outras atrações do parque.

Conheça os bastidores do Seaquarium em Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

Outras atrações do Seaquarium em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

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