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terça-feira, 5 de junho de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Jornalismo, Miami | 09:17

O orgulho de ser brasileiro em terras estrangeiras. Carlos Borges construiu assim uma carreira e valorizou a imagem do país aqui fora.

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*Fotos de Carla Guarilha

Borges em sua casa com Dylan, de 6 anos, um Terrier Airedale, sempre a seu lado

“Meu sonho é ver o brasileiro que vive fora do país verdadeiramente tratado como cidadão, igual ao que vive dentro”.  Foi com esta meta que Carlos Borges traçou sua trajetória de vida: há mais de 20 anos valoriza a cultura brasileira no exterior. E por essa bagagem, na próxima semana, no dia 13 de junho, o jornalista e agitador cultural será agraciado com a Comenda da Ordem do Rio  Branco, em uma cerimônia no consulado do Brasil em Miami.

“Tudo que a gente faz é para valorizar a cultura brasileira, da imagem do Brasil como país e do brasileiro como povo”, diz Borges.  “É a confirmação de que estou no caminho certo”.

E esta é uma homenagem com um gosto especial para ele: além do reconhecimento,  a premiação tem o nome do patrono da diplomacia brasileira, o Barão de Rio Branco, um homem que Borges idolatra desde os anos de escola, quando estudava a história do Brasil e sonhava em ser diplomata.

“Confesso que foi provavelmente uma das coisas mais importantes que aconteceram para mim”, conta.  “Acho que o único sentido que uma vida pode ter, além dos prazeres cotidianos, materiais, é você fazer dela um instrumento de algum tipo de diferença positiva na vida dos outros”.

Borges trabalha e recebe apoio do corpo diplomático em Miami há duas décadas, e diz que toda vez que um novo cônsul-geral chega, dá frio na barriga.

“Ele pode gostar de você, odiar você, não entender que o você faz é relevante”, diz Borges.  “A única coisa que você tem a seu favor é sua historia”.

E foi sua história de sucesso, inclusão e determinação para divulgar a cultura do Brasil que fez com que o cônsul-geral, Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, solicitasse junto ao governo brasileiro essa condecoração.

Carlos Borges com o Embaixador Hélio Ramos no consulado do Brasil em Miami

“Esse é um reconhecimento do Itamaraty ao trabalho que Carlos Borges vem desenvolvendo há muitos anos no exterior, pela forma como ele encara as coisas – a maneira como ele enfrenta as dificuldades para fazer o que faz”, diz o Embaixador Hélio Ramos.  “Não é fácil.  O que ele se propõe a fazer para valorizar o Brasil é algo muito demandante”.

Borges, o único brasileiro condecorado este ano no exterior, nasceu na Bahia, onde foi criado por tios.  Sua mãe faleceu jovem e o pai colocou cada um dos três filhos para morar com um parente.

O valor mais importante que aprendeu quando criança foi não mentir, uma lição arraigada até hoje.

“A verdade não me assusta”, diz ele.  “A mentira me apavora”.

E é com sentido de verdade, como lema de vida, que vem lutando por um sonho: o resgate da autoestima do brasileiro no exterior, que vem conseguindo alcançar através de programas sociais, culturais e intelectuais.

Desde que chegou nos Estados Unidos, Borges criou um leque de iniciativas, que vão desde o Miss Brasil USA ao Press Awards, que começou em 1997, e hoje, representa o maior prêmio para a comunidade brasileiro no exterior.

Ele e a equipe de sua empresa, a PMM – Plus Media & Marketing, conquistaram um espaço em quase todos os segmentos da grande pirâmide social do brasileiro no sul da Flórida, e partiram no ano passado para outros pontos do mundo.

Em 2011, o Press Awards aconteceu, pela primeira vez, no Reino Unido e Japão. E a ambição de Borges não para por aí. No médio prazo, ele espera lançar a premiação em Angola, Paraguai, Portugal, Austrália ou Nova Zelândia, China, e finalmente fechar o ciclo mundial com um evento em São Paulo até 2017.

“Esses brasileiros são um exército da imagem do país no exterior e essas pessoas deveriam ser tratadas, no mínimo, com a mesma atenção, consideração e respeito”, diz Borges.

A carreira jornalística de Borges começou com 15 anos, quando lançou um jornal no Colégio Militar de Salvador.

Depois, trabalhou na Tribuna da Bahia, foi repórter e editor na Rede Globo de Salvador e diretor de produção e de eventos no SBT,  entre outros cargos e veículos da grande mídia brasileira.

“Todo mundo me conhecia, me cortejava”, conta.  “Eu era uma pessoa querida porque sempre defendi na televisão os valores locais, os artistas locais”.

Mas a desilusão com a profissão fez com que ele deixasse o Brasil.

Conversando com o grande amigo Nizan Guanaes, ele soube de uma oportunidade em Orlando, para um projeto de oito meses.

Borges gostou da ideia.

Estava casado há um ano com Andrea Vianna, que trabalhava no marketing da TV Globo, e em 1989, fizeram as malas e chegaram à Flórida.

“Quando você tem inquietações intelectuais e toma determinados socos, ou você se abaixa e, aí você vai cheirar poeira para o resto de sua vida, ou você toma uma atitude”, diz Borges.

Aqui, ele começou a escrever e editar alguns jornais comunitários até que uma nova decepção com um jornal que estava lançando afastou-o novamente do jornalismo como profissão.

Chegou a adoecer na época.  Ficou de cama quatro meses, e hoje, quase 20 anos depois, consegue identificar a fase como um período depressivo que passou, que fez com que reavaliasse a vida.

Era 1994.  E naquele ano, teve a certeza de que não conseguiria “fazer a diferença” de forma integral usando somente a mídia comunitária brasileira como instrumento.

“A ferida está exatamente nessa relação complicadíssima entre liberdade de expressão e financiamento”, diz Borges, que hoje é editor chefe da revista e website Acontece, colunista do Gazeta Brazilian News e colaborador de jornais em New Jersey, Boston e San Diego.

Mas desde então, o “agitador cultural”, como é muitas vezes identificado, passou a ir atrás de capital, agora, para realizar outros grandes projetos, traçando novos – e pioneiros – caminhos em busca da verdade, inclusão e o bem estar dos brasileiros no exterior.

“Ninguém tem o direito de ser feliz realmente enquanto você tem seus compatriotas passando fome, ignorantes”, diz ele.

E com essa mentalidade, em 2006, integrou o Press Awards ao Focus-Brazil, uma série de painéis no formato de uma conferência educativa e informativa sobre o Brasil e brasileiros no exterior.  Dois anos depois, começou um novo concurso, o Talento Brasil, com participação de adultos e crianças.

“Eu adoro crianças”, diz Borges que tem duas filhas.

Joana, de 34 anos, foi fruto de um relacionamento com uma colega de TV em Salvador.  Eles mantém uma ótima relação, mas a convivência foi limitada, muito pela distância: a filha mora na Bahia e Borges em Miami.

Já Amanda nasceu em Miami Beach em 1992, filha dele com Andrea com quem ficou casado até 2000.

Borges na frente do quadro da Amanda em sua casa, pintado por Jean Pierre Rousselet quando ela tinha 17 anos

Hoje com 19 anos, Amanda estuda filme e cinema na New York University, uma das universidades mais bem conceituadas dos Estados Unidos.  Orgulhoso, o pai, hoje diz que, aos 56 anos, seu maior sonho é ver a formatura da filha.  “Eu tenho que me preparar para isso”.

**No vídeo, Carlos Borges revela o segredo do seu sucesso: acima de tudo, ter fé e acreditar.

Carlos Borges: o orgulho de ser brasileiro em terras estrangeiras. from Chris Delboni on Vimeo.

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segunda-feira, 7 de maio de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Miami | 09:53

Maestro João Carlos Martins se supera mais uma vez e faz sua primeira apresentação de piano no exterior depois da cirurgia no cérebro.

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*Fotos de Carla Guarilha

Maestro João Carlos Martins recebendo o prêmio nos EUA.

O Maestro João Carlos Martins tocou piano, pela primeira vez no exterior, depois de uma delicada cirurgia que realizou, recentemente, no cérebro.  A cidade palco foi Fort Lauderdale, perto de Miami, onde recebeu a principal categoria do  maior prêmio de brasileiros fora do país – Brazilian International Press Awards “Lifetime Achievemet”.

Carlos Borges, criador e presidente do Press Awards, que existe há 15 anos nos Estados Unidos, e em 2011, estreou também no Reino Unido e no Japão, coordena coletiva de imprensa com o ator homenageado, Marcelo Serrado, que fez o personagem Crodoaldo Valério, o Crô, na novela Fina Estampa, e dois grandes premiados do ano, o ator Juca de Oliveira e maestro João Carlos Martins.

Aqui, ele conversou com a coluna Direto de Miami sobre sua vida repleta de conquistas, mas também de enormes dificuldades.

Para quem não conhece a história dessa incrível personalidade, João Carlos Martins começou a tocar piano com 8 anos.  Aos 21, já lotava o Carnegie Hall, em Nova York.

Sua trajetória de superação foi marcada por dois grandes eventos: em 1966, perdeu o movimento da mão direita em decorrência de um acidente jogando futebol nos Estados Unidos e, 30 anos depois, um assalto na Europa também lhe tirou os movimentos da mão esquerda.  Para muitos, essa poderia ser razão mais do que suficiente para desistir.  Mas não para João Carlos Martins, que se reinventou profissionalmente há sete anos, depois de receber uma mensagem espiritual, e recomeçou sua carreira de músico, na regência.

O pianista e maestro, que já foi tema do enredo da escola de samba Vai-Vai, serviu de inspiração também para o mais novo personagem de Mauricio de Sousa na Turma da Mônica, o Maestrinho – batizado de Joca, que é seu apelido na vida real.

Ele espera que a Fundação Bachiana Filarmônica forme mil orquestras jovens no Brasil a médio prazo – e já começa a pensar em criar outras no exterior, inclusive na Flórida, onde existe uma enorme concentração de brasileiros.

Agora, uma curiosidade: a única coisa que ele ainda não fez — e gostaria — seria abrir uma Copa do Mundo.

Quem sabe esse sonho também não está próximo?

Maestro João Carlos Martins, Carlos Borges e o tenor Jean William

Leia a entrevista na integra:

Direto de Miami: Como consegue se reinventar, renascer tantas vezes?

Maestro João Carlos Martins: Eu acho que uma pessoa, de cada adversidade,  tem uma plataforma pra tentar construir seu legado ou seu caminho para o abismo.  Eu sempre procuro usar essa plataforma para criar alguma coisa.

DM:  De onde vem essa força?

JCM: Muita gente chama de superação.  Eu chamo de teimosia. Eu acho que uma pessoa quando nasce é como uma flecha.  Ela vai alcançar o seu destino.  Pode acontecer mil e uma coisas, mas ela tem que correr sua trajetória e cumprir sua missão.  Minha flecha está indo para direção certa.

DM: O senhor é espirita?

JCM: Não.  Mas minha mãe era.  Eu acredito no espiritismo.  Não frequento, mas vivo os valores.  Eu acho que o que estou passando nesta encarnação, devo ter aprontado muito na outra (risos).

DM: E foi uma mensagem de um desencarnado, o grande maestro Eleazar de Carvalho, que no sonho o chamou para reger, transformando novamente sua carreira. Como esse sonho passou a uma realidade de tanto sucesso em tão pouco tempo?

JCM: Eu tive um sonho com ele às 3 horas da madrugada, às 7 horas da manhã, tomei minha primeira aula de regência aos 64 anos, e de lá para cá, nesses sete anos, já realizei mais de mil concertos — não só em todos os grandes teatros do Brasil, como em alguns dos principais teatros do mundo, mas também nas comunidades, nas favelas, em regiões com pessoas profundamente carentes, mostrando como a música pode fazer diferença nas suas vidas.

DM: Como é o trabalho na Febem?

JCM: É muito emocionante.  Na véspera de Natal, aqueles que estavam com liberdade assistida, me deixaram uma carta, escrita: “Tio maestro, Feliz Natal.  A música venceu o crime”.

DM: Essa foi parte da mensagem divina que recebeu, de se tornar mais do que um grande maestro?

JCM: Não, mas eu assumi a responsabilidade social também.

DM: Sua última reinvenção — da recente cirurgia no cérebro — foi de uma coragem inigualável.  Por que correr o risco?

JCM: Como meu processo é degenerativo, o braço esquerdo já estava vindo cada vez mais para trás.  Então a razão da cirurgia foi abrir o braço.  E abriu o braço esquerdo no dia seguinte.  Mas durante a cirurgia, que demorou nove horas e meia com Paulo Niemeyer [neurocirurgião], ele pediu para eu abrir a mão, e eu abri.  Há 10 anos, eu não abria a mão esquerda.  Aí, eu comecei a sonhar se quem sabe ainda toco com a mão esquerda novamente.

DM: Essa é a meta?

JMC:  Voltar a tocar com a mão esquerda é o sonho.  A meta não sei, mas o sonho é esse.   Você corre atrás de um sonho, e, quando menos espera, o sonho corre atrás de você.

Maestro ao lado de Carmen, sua adorada – e adorável – esposa, no camarim do Broward Center for the Performing Arts

DM: Tem tantas fundações no mundo, a maioria com falta de verba e dificuldade para arrecadar.  Por que a Fundação Bachiana Filarmônica, que o senhor fundou em 2006, dá certo?

JCM: Porque é uma fundação que trata tudo com a palavra amor.  Hoje, estamos com 2200 crianças e o resultado que temos obtido é monumental.  Os nossos professores tratam cada criança como se fosse um filho.  Eu digo que essas crianças são meus bisnetos.

DM: Como é o processo de seleção dos músicos?  Como descobre os talentos?

Maestro com o jovem tenor Jean William

JCM: Quando você começa a educar uma criança, tem quatro partes: aquelas que, no futuro, vão fazer parte do público, as que vão ter a música como hobby, outras que poderão tornar-se músicos profissionais, e, finalmente, os diamantes a serem lapidados.  O [jovem tenor] Jean William é um diamante a ser lapidado.  De vez em quando, você encontra o diamante.

DM: E como o diamante é descoberto?

JCM: Para descobrir um diamante é muito simples. Se consegue unir ao talento, a genialidade e a disciplina, você está com um diamante.

DM: O que precisa para se tornar um João Carlos Martins?

JCM: Eu acho que como pianista, a obra de [Johann Sebastian] Bach, eu deixei um legado importante.  Como regente, iniciei uma nova carreira.  Já tem coisas que tem saído maravilhosamente bem, como a Nona Sinfonia de Beethoven no Ibirapuera [uma apresentação recente com sua orquestra Filarmônica Bachiana SESI-SP].  E tem outras coisas que você tem que ter a humildade para ir aprendendo. Se erro um gesto nos ensaios, eu falo para os músicos: “olha, acho que aqui não está muito bom.   O que acham?”  Você só consegue dar um passo pra frente quando há humildade – a humildade interna, dentro de você, funciona e te ajuda a você não ter vergonha de pedir um conselho e ter liderança pra mostrar aquilo que você quer.

DM: Já existe na sua mira o próximo João Carlos Martins?

JCM: Basta encontrar uma pessoa que quebre o braço, a perna, que toque piano e não consiga mexer as mãos, esse é o próximo (risos).  Eu estou com 71 anos, e pode ter certeza que em 10 anos, a fundação vai fazer parte da historia da música no mundo.  Eu vou começar, agora, um trabalho para formar mil orquestras jovens no Brasil.

DM: E em Miami?  Vai lançar uma orquestra para jovens brasileiros aqui?

JCM: Você está lançando esta ideia.  É uma ideia maravilhosa. E não só na Flórida, mas em outras comunidades brasileiras fora.  Só tem uma regra: disciplina de um atleta, e alma de um poeta.  E assim, você forma um músico.

Maestro com Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, cônsul-geral do Brasil em Miami

DM: O que esse prêmio, que seria a categoria mais importante do “Oscar”, representa para o senhor, que já ganhou tantos na vida?

JCM: Um prêmio que você recebe no Brasil, de brasileiros, tem muita força para você, mas quando recebe de brasileiros que vivem no exterior, une o amor com as saudades, então esse prêmio tem um significado bárbaro para mim.

Outro prêmio “Lifetime Achievement” da noite foi para o grande escritor amazonense Milton Hatoum, aqui ao lado do lutador de boxe Michael Oliveira e Embaixador Hélio Ramos

DM: Existe algo que gostaria de fazer, e ainda não teve chance?

JCM: Ainda não abri uma Copa do Mundo.

DM: A coluna Direto de Miami tem como tradição uma questão central: o segredo do sucesso.  Mas o senhor supera todos, o herói da superação, como diz minha mãe.  Qual seu segredo?

JCM: O segredo é que o sinônimo da palavra dor é esperança.

E sua esperança de voltar a tocar piano nos palcos do mundo passou a ser realidade com uma breve apresentação surpresa no fim da premiação no Broward Center for the Performing Arts ao lado do jovem Jean William, 25 anos, que com sua voz de tenor, fez a plateia delirar, ao cantar “My Way”.

Jean William também falou com exclusividade ao Direto de Miami.

Jean William descontraído ao lado do “padrinho” profissional no hotel em Fort Lauderdale na manhã da apresentação.

Direto de Miami: Como foi seu primeiro encontro com o maestro?

Tenor Jean William:  A primeira vez que me recebeu em sua casa, ele falou, “nome bonito você tem, agora vamos ver se você canta”.  Eu tinha 23 anos.  Cantei, ele gostou bastante a ponto de me colocar para cantar para 2 mil pessoas no outro dia.  Foi uma experiência muito gratificante.

DM: Qual a música que mais lhe emociona cantar?

JW:  Una furtiva lagrima da ópera L’Elisir d’Amore, e, na música popular, é “My Way”.

DM: “My Way” (“Meu Caminho”) tem algum significado especial para você?

JW:  Em muitos aspectos.  Tive uma historia de vida, não digo que infeliz, mas fui criado pelos meus avós.  Meu avô era boia-fria, minha avó faxineira de um hospital.  Mas mesmo com as dificuldades, sempre houve muito amor dentro de casa.  Meu avô é músico, toca violão. “My Way” conta um pouco do meu caminho.  Meu avô, acredito, que se realize um pouco em mim.  Infelizmente, não teve a oportunidade de se transformar num artista de verdade, e, poder saber que o neto está levando esse legado, para eles, é motivo de orgulho.

DM: E aonde esse caminho o está levando?

JW: Quero chegar nos grandes palcos do circuito internacional de ópera, ser um artista realmente da grande arte.

*Assista ao video do maestro João Carlos Martins tocando “My Way” no piano do Broward Center for the Performing Arts, com o tenor Jean William e violinista Dorin Tudoras:

João Carlos Martins, herói da superação, é premiado nos EUA from Chris Delboni on Vimeo.

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segunda-feira, 30 de abril de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Sem categoria | 08:42

Fotógrafa recebe prêmio de Artes Visuais do “Oscar” da comunidade brasileira no exterior. A categoria, até então, era dominada por artistas plásticos.

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Jade no estudio em sua casa. Foto de Carla Guarilha.

A fotógrafa Jade Matarazzo vai receber esta semana o prêmio “Brazilian International Press Awards 2012”, na categoria de Artes Visuais, até então dominada por artista plásticos.

Jade, a primeira fotografa a receber o prêmio desta categoria, se junta a outras estrelas como Romero Britto, Vick Muniz, Carmen Gusmão, Albery, Naza, Pedro Lázaro e Erick Vittorino.

“Sempre tem fotógrafos indicados nessa categoria, mas a Jade foi a primeira a vencer essa barreira”,  diz Carlos Borges, criador e presidente do Press Awards, que existe há 15 anos nos Estados Unidos, e em 2011, estreou também no Reino Unido e no Japão.

A premiação vem coroar a vida desta mulher apaixonada pela fotografia desde os 17 anos.

Fruto da tradicional família Matarazzo, em São Paulo, foi batizada pelos pais de Paola.  O encontro com a fotografia aconteceu por uma via transversa. Aos 16 anos, ela se apaixonou pelo mundo da patinação, quando passou no teste do “Holiday on Ice” em turnê pelo Brasil e fugiu com o grupo para Londres.  Foi localizada pela Interpol e seus pais a encaminharam para Suíça para uma escola de meninas.  Lá, ela  descobriu a fotografia.

“Sempre esperavam que eu me encaixasse em um certo molde, que é a família tradicional, não trabalhasse, tivesse filhos e casasse”, afirma.

Ficou um ano na Suíça, voltou ao Brasil, estudou, casou, se divorciou e, com 19 anos, veio para Miami. A fotografia, que era um hobby, virou paixão.

Mas, como Paola Matarazzo virou Jade Matarazzo?

A sua empresa se chama Jade Photoart.

“As pessoas ligavam e falavam, a Jade está?,” diz a fotógrafa, que aos poucos foi assumindo o nome da pedra preciosa que sempre adorou.

Atualmente, Jade está participando da exposição Eco Art na galeria ArtServe em Fort Lauderdale, perto de Miami, na Flórida, onde em outubro também expõe solo com 20 fotos de suas várias séries e vai lançar um livro com 70 páginas, 50 fotografias e um pouco da sua trajetória e história dessas imagens – uma publicação do Museu das Américas, que levará algumas de suas fotos para expor em maio, em Istambul.

Foto vai para exposição em Istambul. Cortesia Jade Matarazzo.

Jade tem hoje uma agenda profissional lotada e pessoal ainda mais.  Ela tem cinco filhos – entre 6 e 20 anos – e vive feliz com o marido Patrick Callahan, em Weston, cidade próxima de Miami.

Jade com o marido Patrick no jardim de sua casa. Foto de Carla Guarilha.

“Patrick ainda me tira o folego”, diz a fotógrafa, que aos 45 anos, tem acumulado um vasto acervo — desde fotos de concertos de músicos famosos como Mick Jagger à desabrigados, uma série, de imagens e histórias, que ela demorou cinco anos coletando pelo mundo.

Esse foi um dos trabalhos que teve maior repercussão profissional para Jade e, também, uma das séries que mais mexeu com ela.

“É uma imagem diferente que a gente vê através da lente,” diz ela, conhecida como uma artista eclética, que fotografa de uma flor à uma pessoa abandonada, passando fome, com a mesma naturalidade e sensibilidade.

“Acho que esse contraste do meu trabalho vem do meu leque de interesse”, conta Jade, que utiliza muito — através de sua lente fotográfica — o conceito filosófico tibetano, “Miksang”, que tem como princípio mostrar o que o olho nu nem sempre consegue enxergar.

“Sou um pouco introvertida.”, diz ela.   “A lente me ajuda a mostrar aquilo que talvez eu não estaria falando, tipo, ‘olha, você não percebe que tem isso, acorda.  Tem coisas acontecendo no mundo e vocês não estão vendo, não estão percebendo – tanto o belo quanto o não tão belo e o difícil”.

Serie "Compassion": Pai e filho em Los Angeles. Cortesia Jade Matarazzo.

E foi o conceito de “belo” que levou a outro de seus trabalhos favoritos.

Sessão especial no estúdio com Maria, que comemorava o fim do tratamento de um câncer. Cortesia Jade Matarazzo.

Tudo começou com uma cliente, Maria, que estava terminando o tratamento de um câncer.  Paola fez uma sessão de fotos que acabou em um livro deslumbrante para a cliente.  “Ela estava careca na época, bem pouquinho cabelo e sempre teve um cabelão enorme.  Foi uma experiência que mudou a vida dela, mudou a percepção dela com ela mesma”.

Jade se emocionou com o impacto do trabalho e, nos últimos três anos, já fotografou mais de 25 mulheres diagnosticadas com câncer.  Ela não cobra pela sessão, que normalmente custaria US$650, e nem pelo livro de fotos que dá de presente para cada uma dessas clientes.

“É uma recompensa pra mim”, diz a fotógrafa.  “A pessoa vai ter aquela imagem pra sempre.  Pode olhar e pensar, se eu me arrumar, eu fico assim, pôr um batonzinho, uma coisinha, eu sou assim.  É tão legal poder fazer essa diferença.”

E esse é o segredo do sucesso de Jade, que faz cada trabalho com paixão, sempre buscando fazer a diferença.

Ela diz que seu trabalho e suas séries muitas vezes refletem uma fase de sua vida, que no momento é de introspecção.

Paola, recentemente, perdeu o pai, seu melhor amigo, que, ela afirma, compreendia sua alma melhor do que ninguém.

“Estou me reinventando”, diz ela, que deixa uma dica para o fotógrafo principiante: “Experimentar todos os tipos de fotografia. Você pode se apaixonar por uma coisa e ser excelente naquilo ou pode se apaixonar por um leque de coisas e se sair bem em todas elas”.

Foto de Carla Guarilha

No video, Jade Matarazzo conta o segredo de seu sucesso e deixa um conselho para todos os fotógrafos, principalmente no inicio de carreira:

Fotógrafa paulistana recebe maior prêmio de brasileiros nos EUA from Chris Delboni on Vimeo.

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sábado, 21 de abril de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Miami | 19:37

Pela primeira vez, casal de músicos brasileiros será grande atração em cruzeiro para Bahamas

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Fotos de Carla Guarilha

Rose Max & Ramatis recebem Direto de Miami em seu estúdio, montado dentro de sua casa na Flórida.

Escolhido de forma unânime, o casal de músicos Rose Max & Ramatis irá fazer show especial em comemoração aos 50 anos da música Garota de Ipanema, no Norwegian Sky. É a primeira vez que músicos brasileiros serão a atração de um cruzeiro de três dias até as Bahamas.

Os organizadores, Viviane Saide, da agência Alvatour Vacations, e Carlos Salles, promotor de eventos da tradicional Brazilian Party Productions, escolheram o casal de músicos de primeira:  “Eu poderia trazer qualquer cantora do Brasil”, disse Salles.  Mas, ele não conseguiu imaginar nomes melhores do que Rose Max, com sua  voz impecável, e Ramatis, no violão.  “São conhecidos, premiados e da comunidade brasileira nos Estados Unidos”.

O casal, que comemora 25 anos juntos “como parceiros de palco e de vida”, como dizem, aceitou na hora o convite, um dos muitos projetos de 2012.

O ano, para eles, começou com o lançamento de um CD do grande compositor Mexicano Armando Manzanero.  Rose Max foi convidada, especialmente por ele, para cantar “Me deixas louca”, uma das trilhas do “Manzanero Chill: Beautiful Electronica, vol 1”.

Rose Max pegando uma pitanga no pé, em sua casa em Miami Beach.

“Desde que me entendo por gente, eu ouvia músicas dele, e de repente, o próprio Manzanero me chama pra gravar essa música”, diz ela.  “Foi uma honra”.

E uma emoção ainda maior, diz Rose Max, por que a música, com a versão em português do escritor Paulo Coelho, virou um clássico na voz de Elis Regina, que como Manzanero, é um ídolo para Rose Max.

“Sou fã número 001 da Elis”, brinca. “Foi bastante difícil gravar ‘Me deixas louca’, por que Elis sempre foi uma referência.  Eu tive que fazer uma releitura, foi bastante difícil”.

Mas ela fez, como sempre, com humildade e dedicação, que é a essência do casal. Eles são conhecidos pelo profissionalismo e por se  apresentar da mesma forma em um barzinho para 10 pessoas como em um grande espetáculo, como no ano passado,  quando tiveram uma plateia de mil no The Fillmore at Jackie Gleason Theater, um importante palco de Miami Beach.

O show foi promovido pela entidade Voices Against Brain Cancer (Vozes Contra Câncer do Cérebro), que arrecada fundos para pesquisa contra o câncer.   Os homenageados foram grandes cantores vítimas da doença, como Célia Cruz, Bob Marley, George Harrison e Nara Leão.  As músicas da brasileira foram interpretadas por Rose Max e Ramatis.

“A gente dividiu palco com Beach Boys e Osmond Brothers”, disse Ramatis.  “Foi a primeira vez que me senti dentro do mundo musical americano”.

Mas, foi no Rio de Janeiro que o casal se conheceu.  Rosemeri Maximo Rodrigues, bisneta do maestro e compositor Cupertino de Menezes e neta do violonista Manuel de Menezes, descobriu a música muito cedo.  Rose conta que não conseguia parar de cantar, na sala de aula, ponto de ônibus, na igreja e que a frase que mais ouvia da família era, ‘cala a boca, Rosemeri’.

“Graças a Deus, eu nunca calei a boca”, brinca.

Ramatis

Ramatis Gonçalves Moraes também cresceu no mundo artístico.  Seus pais trabalhavam no teatro, com luz, cenografia e figurino. Quando tinha 7 anos, o pai perguntou: “você quer fazer judô ou tocar violão?”.  “Escolhi o violão, e aí tudo começou”, diz.

Ramatis tocou com grandes nomes da música brasileira, como Roberto Menescal e Maria Creuza, e ficou oito anos fazendo shows e viajando com Os Golden Boys, o grupo com quem veio pela primeira vez aos Estados Unidos, em 1992.

No ano seguinte, o restaurante Ipanema Grill abriu, em Miami, e chamou-o para tocar.  “Fui muito criticado por que estava saindo de uma situação onde era músico de artistas conhecidos pra ser músico de churrascaria”, conta Ramatis, que aqui fez muito mais do que isso, inclusive trabalhou mais de cinco anos como compositor contratado da gigante americana Warner / Chappell Music, onde tem mais de 50 músicas produzidas e gravadas com diversos artistas internacionais, inclusive a brasileira Wanessa Camargo.

E o que seria uma experiência de um mês se tornou uma mudança de vida.  Rose Max veio substituir a cantora do restaurante que tinha tirado uma licença e a parceria de vida entre os dois músicos acabou de forma definitiva marcada nos palcos de Miami, do mundo e agora em alto mar.

“A gente é uma empresa cuja moeda é o amor, respeito e cumplicidade”, diz Rose, que hoje tem cinco CDs de sucesso gravados com Ramatis, nos Estados Unidos, e os planos não param.

Até o fim do ano, o casal está lançando um novo CD de composições próprias e no ano que vem Rose Max espera publicar um livro,”REMINISCOR- Reminiscências do coração”, que conta um pouco de suas aventuras na América.

Rose Max & Ramatis: "A gente é uma empresa cuja moeda é o amor, respeito e cumplicidade".

No vídeo, o casal conta os segredos do sucesso, e deixa uma canjinha:

Pela primeira vez, casal de músicos brasileiros em Miami será grande atração em cruzeiro para Bahamas from Chris Delboni on Vimeo.

Agenda de shows:

1) Eventos especiais desta temporada:

Maio

Quinta-feira, dia 17 de maio, 17h00: MACY’S CELEBRATE BRAZIL! Show com o melhor da  bossa nova na Macy’s de Aventura Mall.

Sábado, dia 26 de maio, 20h00: Joe’s Stone Crab Jazz Series – Joe’s Stone Crab-11 Washington Ave. – South Beach.

Junho

Norwegian Sky: O cruzeiro é de 1 a 4 de junho, saindo do Porto de Miami. O show será no domingo à noite, depois de um dia em Nassau e outro em Great Stirrup Cay, uma ilha exclusiva da linha Norwegian.  Os preços das cabines variam de US$269 a US$1,289 por pessoa.  O show é aberto por adesão, de US$50, a todos os passageiros do Norwegian Sky, um navio com capacidade para mais de 2000.  Para mais informações, mande e-mail para sales@alvatour.com, ou ligue, (11) 3522-5627 em São Paulo, (81) 4062-8198 em Recife, e (954) 784-7656 ou 1-888-889-1060 nos EUA.

2) Shows fixos:

Segunda-feira, 19h00: Bar & Lounge no St. Regis Hotel and Resort Bal Harbour – 9701 Collins Ave – Bal Harbour

Quarta-feira,  18h00: Maxine’s Bistro & Bar – Catalina Hotel – 1754 Collins Ave – Miami Beach

Sexta e sábado,  20h00: Boteco Copacabana – 437 Española Way – Miami Beach

Domingo, 13h00: Cascade Bar – Biltmore Hotel, 1200 Anastacia Ave- Coral Gables; e às 19h00: Boteco Brazilian Point – 916 NE 79th Street — Miami

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segunda-feira, 16 de abril de 2012 Direto de Miami, Miami, Viagem | 09:54

Cão é anfitrião de passageiros no Aeroporto Internacional de Miami

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Cão Embaixador do Aeroporto Internacional de Miami. “Pode me acariciar”, diz seu colete.

Casey tem 3 anos,  é da raça Golden Retriever e trabalha duas vezes por semana como voluntária no Aeroporto Internacional de Miami.  Sua missão é simples: receber e dar carinho, e amenizar o tempo e a tensão natural dos passageiros nos portões de embarque – nacional e internacional.

Abril Iriondo, de 3 anos, se encantou com Casey enquanto esperava o voo para Buenos Aires com a família.

Casey e Liz Miller, sua dona, passeiam pelos saguões todas segundas e quintas, orientando os passageiros com dúvidas ou aqueles que estão só precisando de um agrado ou uma lambida.

“Queremos ter certeza que todos estão tendo um dia agradável”, diz Miller.

Alicia Vasquez, de Buenos Aires, ganha um beijo enquanto espera seu voo.

E de fato, Casey alegrou o dia da brasileira Carem Monteiro, que adorou a surpresa no portão de embarque, onde aguardava o voo de volta à Brasília.

Carem Monteiro e Victor Mendes Sutarelli, de Brasilia.

“A ideia é muito legal pra descontrair”, disse Carem, que visitava Miami pela primeira vez com o noivo, Victor Mendes Sutarelli.

Miller já participava do programa de voluntários do aeroporto há um ano quando resolveu dois meses atrás inscrever Casey, que se tornou o primeiro cachorro a se juntar a esse grupo seleto de 80 pessoas que auxilia os passageiros.  A cadela é treinada e certificada como cão de terapia.

“Nosso objetivo como voluntário é tornar o tempo do passageiro no aeroporto o mais agradável possível e ajudá-lo como podemos”, diz Miller.  “Então pensei, por que não trazer Casey?  No minuto que ela entra, as pessoas ficam mais leves, alegres, começam a conversar.  Quebra o gelo completamente”.

Os passageiros – adultos e crianças – batem o olho na adorável cadela e o sorriso é imediato.

Ivan Dates e seu filho, Felipe, de 2 anos, curtem momentos alegres com Casey antes do embarque para Argentina.

Liz conta que, recentemente, se emocionou quando uma senhora veio ao encontro de Casey, sentou-se no chão, colocou os braços na cadela e disse, “tive um dia péssimo.  Esse cão fez a diferença”.  A passageira era veterinária e tudo que ela precisava naquele momento era estar junto de um cachorro para tranquilizá-la enquanto esperava seu voo.

Casey e Liz em busca de um passageiro em necessidade de um chamego canino.

E não é diferente com os comissários de bordo.

Mesmo correndo, prontos para entrar no avião com destino `a Brasília, Marcos Lopes e Larissa Bruch, ambos há seis anos na TAM, não resistiram:  pararam para ver Casey.

Disseram que nunca tinham visto um cachorro como anfitrião em aeroportos.

“As pessoas ficam nervosas para o voo normalmente e ajuda bastante ter um bichinho ao lado”, diz Lopes.

Bruch concorda.  “Eu adoro cachorro”, diz a gaúcha, que tem dois em sua casa no Rio Grande do Sul — uma Yorkie e um gigante Dogo Argentino.

A dona diz que recebe centenas de visitas na página de Internet da Casey e muitos e-mails de passageiros agradecendo o carinho.

Marc Henderson, assessor de imprensa do Aeroporto Internacional de Miami, disse que essa iniciativa de Liz e Casey ajuda muito a amenizar a tensão da viagem e criar uma experiência positiva dos passageiros.  “Eu acho que isso é muito importante em um aeroporto que já tem stress suficiente, desde encontrar um lugar para estacionar, check-in, segurança até o portão de embarque.  Com todo esse stress, você vê esse peludão de quatro patas que vem a seu encontro, e sem a menor preocupação com nada, só quer lamber seu rosto”, diz ele, “é lindo”.

Quem quiser se comunicar com Casey, é só mandar um e-mail para casey@miami-airport.com.  Mas lembre que ela só fala inglês.

Fotos de Daniel Bock

Assista ao vídeo da mais nova voluntária do Aeroporto Internacional de Miami:

Cão é anfitrião de passageiros no Aeroporto Internacional de Miami from Chris Delboni on Vimeo.

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quinta-feira, 12 de abril de 2012 Direto de Miami, Educação, Miami | 09:25

Português pode se tornar língua oficial nas escolas de Miami

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Algumas vezes andando pelas ruas de Miami temos a impressão de estarmos em alguma cidade do Brasil, tamanha a facilidade de encontrar pessoas em lojas, shoppings, restaurantes e supermercados falando português.  E não são só brasileiros, mas também americanos e hispanos que tentam um “tudo bom” ou “oi” para se comunicar no idioma.

Mas, o que antes era um movimento involuntário de quem via na língua portuguesa uma oportunidade de negócios, agora é prioridade do governo brasileiro e do embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, novo cônsul-geral em Miami, que chegou em setembro do ano passado.

Ramos Filho está negociando para introduzir o português como segunda língua nas salas de aula das escolas do sul da Flórida, onde há uma enorme concentração de brasileiros e turistas.

Embaixador Hélio Ramos na sua sala no consulado do Brasil em Miami. Fotos de Carla Guarilha.

“A gente quer construir uma relação formal [entre o governo brasileiro e Miami-Dade e Broward] para que nesses dois condados a gente passe a ter o português como uma opção em algumas escolas”, diz Ramos Filho.

De fato,  o contingente de turistas vindos do Brasil vem crescendo e, no ano passado, 634 mil brasileiros desembarcaram por aqui, batendo pela primeira vez o número de turistas canadenses, que mantinham o recorde há muito tempo.

“Você, hoje, tem Brasil em tudo aqui, na área imobiliária, o Brasil na cultura”, diz o cônsul-geral.  “Agora chegou a hora do Brasil na educação”.

Já existe, em Miami, uma escola pioneira quando o assunto é educação bilíngue português-inglês: Ada Merritt, uma iniciativa do Centro Cultural Brasil-USA. Lá, até a oitava série, o aluno recebe 60% das aulas em inglês e 40% em espanhol ou português.  Mas agora, ampliar o ensino do português por aqui “é uma politica de governo”, diz o cônsul-geral.

Para promover a formação de professores de português nos Estados Unidos, o Itamaraty tem colocado ênfase em um novo programa, chamado Formação Continuada de Professores de Português Língua de Herança. O piloto aconteceu em San Francisco, na Califórnia, em junho do ano passado, e em outubro, o mesmo módulo foi replicado em Washington. Agora, Miami recebe o  curso este mês.

“Esse é o começo de tudo”, diz o cônsul-geral.  “É um indicativo das muitas coisas que a gente quer fazer aqui para que o português seja efetivamente uma língua oferecida pelas escolas da Flórida”.   E isso não quer dizer o português como segunda língua, mas sim como língua de ensino, como é o inglês nas escolas americanas no Brasil.  Só que o Itamaraty quer ir além: Ramos Filho tem como objetivo um acordo com o sistema escolar do sul da Flórida.

Augusta Vono, diretora do programa de português na Florida International University, é a representante junto ao Consulado-Geral na organização do II Curso em Miami, que vai ser realizado na FIU, dias 20-22 de abril.

Professora Augusta Vono, de camisa bege, orgulhosa ao lado de alunos e colegas participando da formação do Brazilian Culture Club, na FIU. Seu programa vai receber em maio o respeitado prêmio do “Press Awards”, o “Óscar” da comunidade brasileira no exterior, na categoria de Ensino e Promoção de Idioma.

“O Programa de Formação Continuada de Professores de Português Língua de Herança chega a Miami para a satisfação de um grupo de educadores, que esperava esse momento com ansiedade”, diz Vono . “Vamos ter a oportunidade única de discutir aspectos relevantes para todos nós, educadores”.

O cônsul-geral disse que o curso vai rodar o país e servir de mecanismo e incentivo para criar mais escolas de ensino bilíngue inglês-português nos Estados Unidos.

“A gente ainda está no início, mas o principal já existe, que é a vontade politica”.

O cônsul-geral está morando em Coral Gables com a esposa Milma e o filho caçula Antônio Pedro, de 14 anos. O casal encontrou em Miami uma vida cultural que não esperava e tem desfrutado com frequência de concertos no Adrienne Arsht Center for the Performing Arts e no novo New World Symphony em Miami Beach. Foto de Carla Guarilha.

Serviço:

As inscrições para o II Curso de Formação Continuada para Professores de Português como Língua de Herança estão abertas para professores de português nos Estados Unidos até 16 de abril. Os interessados devem  mandar o currículo para o departamento cultural do Itamaraty através do e-mail dplp@itamaraty.gov.br.  O curso é gratuito.  Para mais informações, clique aqui.

Vídeo:

Embaixador Hélio Ramos, cônsul-geral do Brasil em Miami, entrou no Ministério das Relações Exteriores com 20 anos.  Neste vídeo, ele aconselha novos diplomatas e conta em poucas palavras a formula de seu sucesso: Trabalho, dedicação e amor ao Brasil.  “Eu fui formado pelo Ministério, que é uma Instituição, uma casa, como a gente chama”, diz ele. “O trabalho que a gente desenvolve aqui é o trabalho de servir o Brasil”.

Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, cônsul-geral do Brasil em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

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quinta-feira, 5 de abril de 2012 Miami, Negócios | 09:12

Giraffas – cadeia de fast-food brasileira – vai investir mais de R$35 milhões na Flórida nos próximos cinco anos

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"Brutos", um dos favoritos no Giraffas em Miami: Hamburguer de picanha, ovo frito, queijo, presunto, tomate, alface e bacon. Fotos de Carla Guarilha.

“Picanha with rice, beans and farofa” é o que mais se escuta no primeiro restaurante Giraffas nos Estados Unidos, e a rede de alimentação tem planos de tornar esta combinação tipicamente brasileira em prato preferido dos americanos.

Logo na abertura do negócio, o público era 80% brasileiro e 20% americano ou hispano.  Esta divisão já está hoje próxima de 50-50 e essa é a meta do Giraffas USA.

O Giraffas desembarcou em Miami em meados do ano passado porque viu no momento de crise uma ótima oportunidade.

“Antes só de aluguel estaria gastando o dobro, o que tornaria inviável o risco”, afirma João Barbosa, CEO e presidente do Giraffas USA. “Nós ainda  somos recente nos Estados Unidos, não temos ainda o peso da marca por aqui, então a nossa negociação é complicada”, explicou.  “Agora, quando os Estados Unidos derem uma melhorada, já estaremos com os restaurantes abertos”.

O investimento, até agora, mostrou resultados. A estreante já superou o faturamento previsto, com vendas de US$900 mil.

Mas o modelo de negócios aqui nos EUA é completamente diferente do brasileiro. O Giraffas Brasil é 100% uma franqueadora com sede em Brasília, que presta suporte às franquias e vive de royalties dos estabelecimentos espalhados pelo Brasil – serão 400 até o fim do ano.

Já por aqui,  o primeiro restaurante – aberto na região de North Miami — foi um investimento exclusivo dos sócios para testar o mercado.

Mas, os próximos não serão assim. O Giraffas passou três anos planejando,  captando recursos e criando o Girainvest Brasil, um grupo fechado com pouco mais de 200 investidores e um investimento total de R$35,5 milhões para abrir 34 restaurantes na Florida nos próximos cinco anos.

João Barbosa, CEO e presidente do Giraffas USA

Mas Barbosa tem sonhos ainda mais ambiciosos: “Eu acho que a gente tem o potencial para ser muito maior”, diz o CEO, que desde fevereiro assumiu a direção do Giraffas USA e se muda para Miami definitivamente em julho, com a família.

Ele disse que quando foi abordado para assumir toda a operação de expansão nos Estados Unidos, um mês depois da abertura do primeiro restaurante, ele não hesitou.  “Pedi cinco segundos para pensar no assunto”, brincou.

Tinha acabado de nascer seu terceiro filho e, pronto para uma mudança de vida, ele imediatamente aceitou a proposta.

Nascido em Londres, Barbosa morou e visitou várias cidades do mundo durante seus 41 anos e diz que está muito feliz de poder expor outras culturas para seus filhos agora.

“Eu literalmente aniquilei a carreira diplomática da família”, diz Barbosa, que é filho, neto e bisneto de diplomatas.  “Sei o valor que é você ter chance de morar fora quando é criança e ter oportunidade de conviver com outras culturas e aprender outros idiomas”.

Barbosa acredita que o momento foi perfeito para essa transição e a aposta deu tão certo que já tem recebido muitas chamadas de investidores interessados em abrir uma franquia da rede nos Estados Unidos.

“A gente mal abriu este restaurante e já há grupos querendo se tornar sócios nos Estados Unidos.  Mas está muito cedo”, diz Barbosa.

No momento, a prioridade de investimento está por conta do Girainvest.  Mas no futuro, não se sabe.

“Estamos estudando novos pontos de crescimento nos Estados Unidos, em toda a região de New England, New Jersey, aí podemos ou replicar esse modelo, se for bem na Flórida, ou a gente pode abrir para parceiros locais que tenham recursos”.

Mas isso, em principio, só daqui a cinco anos.

Barbosa na primeira loja do Giraffas USA, em Miami.

Transparência, comprometimento e humildade são os principais ingredientes do segredo de seu sucesso:

“Procuro sempre me cercar de pessoas extremamente competentes.  Eu brinco com todo mundo que as pessoas que eu lidero, no primeiro escalão, elas literalmente tem que saber muito mais do que eu em cada um de seus negócios.  Aí, eu pessoalmente vou crescer, o negocio vai crescer.  Acho que não tenho que ser dono de tudo.  O que eu vou fazer é juntar o pessoal e ter uma visão mais ampla do negocio.  Isso é que sempre usei de filosofia dentro dos meus negócios, e vou procurar buscar aqui também”, diz Barbosa que espera contratar cerca de 1000 funcionários na Flórida nos próximos cinco anos.

FOTOS DE CARLA GUARILHA

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quinta-feira, 29 de março de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Miami | 10:06

Preta Gil canta pela primeira vez em Miami em noite beneficente que arrecada US$ 250 mil para programas sociais brasileiros.

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Preta Gil. Fotos de Carla Guarilha.

A cantora Preta Gil foi a grande atração do primeiro Gala da BrazilFoudation em Miami, que reuniu a comunidade brasileira na cidade. “Poder cantar pela primeira vez em Miami é muita emoção”, disse. “Eu agradeço a BrazilFoundation por me proporcionar isso”.

A cantora diz que Miami, para ela, é o Rio de Janeiro dos Estados Unidos.  “Miami significa toda a latinidade que os Estados Unidos tem, todo calor de alma, calor do amor, da felicidade, da liberdade”.

Mas, se mudar para a Miami, é outra história. “Não.  Tenho uma agenda muita cheia de muitos shows no Brasil.  Mas um dia também terei uma aqui”, comenta.

Preta Gil já havia participado do último BrazilFoundation Gala em Nova York, que completa 10 edições em setembro deste ano.

Um dos anfitriões da noite de estreia em Miami foi o Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, Cônsul-geral do Brasil em Miami, que disse que o evento foi um marco histórico.

Co-chairs do evento Daniela Fonseca e Maria Carolina Tavares de Melo, chair Hélio Castroneves, Embaixatriz Milma e Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho

“A BrazilFoundation promete inaugurar uma nova tradição de filantropia na Flórida, em um momento especial, pois sua vinda coincide com o grande crescimento da participação do Brasil na economia desse estado norte-americano”, diz ele.

Leona Forman, fundadora da ONG, com Dr. Sanford Ziff, um dos maiores filantropos de Miami, entre os mais de 300 presentes

Gilberto Neves, presidente da Odebrecht nos Estados Unidos, recebe prêmio em nome de Norberto Odebrecht, principal homenageado da noite.

Marcus Vinicius Ribeiro, do conselho de diretores e um dos membros fundadores da BrazilFoundation, recebe prêmio em nome do artista Romero Britto que não pode comparecer. Britto doou um capacete que leiloou por US$20 mil.

Lorenzo Martone e top model Isabeli Fontana, com o capacete de Romero Britto nas mãos, foram os mestres de cerimônia do evento.

Uniforme de Formula Indy foi outro item leiloado – este foi para as mãos do casal Paulo e Carol Tavares de Melo, na foto com Daniela Fonseca e os mestres de cerimônia.

Patricia Lobaccaro é CEO e presidente da BrazilFoundation, fundação baseada em Nova York que investiu, desde 2000, $17 milhões de dólares em projetos de cerca de 300 organizações no Brasil nas áreas de educação, saúde, cidadania, cultura e direitos humanos.

Patricia Lobaccaro: O evento de Miami foi uma realização de um antigo sonho da BrazilFoundation. Ela espera que o sucesso da noite se repita anualmente aqui como ocorre em Nova York.

Mais fotos do evento no badalado W South Beach Hotel & Residences nesta terça-feira:

Modelos Natalia Beber, Carime Lobo, Tassara Vilaça e Schynaider Garnero com Karim Masri , o sócio-proprietário do W Hotel

Leona Forman, Embaixador Hélio Ramos e esposa Milma

Paulo e Lais Bacchi

Cris e Marcos Machado

Frederico Gouveia, Yara Gouveia e Patricia Lobaccaro

Marcus Vinicius Ribeiro

Patricia Borges e Patricia Lobaccaro

Maria Inês Dal Borgo

Gonzalo Dal Borgo e Eleonora Goretkin

Jornalista Pedro Henrique França

Fotos de Carla Guarilha

Entrevista com Patricia Lobaccaro pré-Gala: BrazilFoundation se prepara para realizar antigo sonho e abrir espaço em Miami


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terça-feira, 20 de março de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Miami | 09:17

Brasileiro é escolhido melhor professor do ano de todo condado de Miami-Dade

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Alexandre Lopes com as crianças do programa de inclusão que criou na escola Carol City Elementary, em Miami. Foto de Carla Guarilha.

Um brasileiro está fazendo história nos EUA com um projeto de inclusão em escolas: Alexandre Lopes recebeu o prêmio de Melhor Professor do Ano de Miami-Dade.

Ele foi escolhido entre 24 mil professores de todas as escolas públicas do condado.  O processo de seleção é longo e incorpora diversos aspectos do professor, fora e dentro da sala de aula, desde o seu método de ensino à filosofia e politica educacional.

“É um orgulho, uma honra muito, muito grande deles terem escolhido neste país um brasileiro nascido e criado no Brasil”, diz ele.   “Foi um processo intenso de seleção.  “Não foi só pré-escola, não foi só no departamento de crianças especiais, não foi só entre os latinos.  Eu competi em termos de igualdade com todos os professores daqui”.

Lopes ganhou um Toyota novinho, US$5.500 e uma bolsa de estudos na Nova University – que ele abriu mão pois já está cursando o doutorado na Florida International University.

Lopes com seu novo Toyota. Foto de Carla Guarilha.

Mas para ele, o mais importante foi receber o troféu, que simboliza o reconhecimento do seu trabalho. E as homenagens não param. Hoje, Alexandre vai receber uma homenagem de Bárbara J. Jordan, representante de um dos condados de Miami-Dade.

Troféu de Melhor Professor do Ano. Cortesia Alexandre Lopes.

Alexandre Lopes na sala de aula. Foto de Carla Guarilha.

“Levou um bom tempo para conseguir o respeito pelo que eu faço, e acho que foi muito importante ganhar esse titulo, não só por mim mas, por todos os outros professores que trabalham na pré-escola”, diz Lopes emocionado.

Hoje aos 43 anos, o petropolitano é, agora, o porta-voz de educação de todo o condado de Miami-Dade. O próximo passo é o prêmio estadual com mais 71 concorrentes.  Se ganhar, entra como finalista ao prêmio nacional, que será anunciado no inicio de 2013.

Seu programa de inclusão é composto de dois grupos diários de 12 crianças, de 3 a 5 anos – um de manhã e outro no inicio da tarde. Em cada grupo, há oito que exibem desenvolvimento regular da idade e quatro com algum tipo de desordem que compromete o desenvolvimento, como, por exemplo, o autismo.

“As crianças com autismo estão integradas a um ambiente onde elas tem a capacidade de interagir socialmente com crianças fora do espectro autista”, diz ele. “É uma sala de aula normal, onde temos alunos com autismo e alunos sem autismo.  Não são diferenciados em absolutamente nada”.

Lopes com um dos alunos. Foto de Carla Guarilha.

Numa rotina extremamente bem estruturada, Lopes, apaixonado pela música – e um estudioso de piano desde cedo, usa a sonoridade e a melodia como técnicas de ensino – na comunicação, compreensão e aprendizado de palavras e respeito mútuo.

Na hora que entram na sala de aula, as crianças dão as mãos e formam uma roda, cantando, “we are glad you are here.  Hello to you and me” (“estamos felizes por estarem aqui. Olá para você e para mim”), fazendo com que todos se sintam bem-vindos e unidos.  Lopes usa tambores e canções para ensinar conceitos, como tolerância e o controle emocional: “When you are mad, take a deep breath and relax” (“quando está bravo, respira fundo e relaxa”).  (Veja vídeo no fim da coluna.)

“O que enfatizamos aqui, que de repente não é tão enfatizado em outras salas de aula, — mas que na minha opinião deveria ser enfatizado em todos os lugares — é o ensino da interação social: como lidar com uma pessoa, pegar sua atenção, olhar no olho daquela pessoa, chamá-la pelo nome”, diz o petropolitano, que atribui parte do seu sucesso ao fato de ser brasileiro – não só pela sua musicalidade mas pela forma que se relaciona com as pessoas.

Foto de Carla Guarilha.

“Eu acho que faço com que cada um se sinta especial, e isso é importante”, diz ele.  “Eu acho que o brasileiro tem isso, quando quer, de realmente mostrar ao mundo do que ele é capaz”.

Lopes nunca se imaginou trabalhando na área de educação.  Nascido e criado em Petrópolis, ele se formou em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhava em companhias aéreas.  Sempre gostou muito de viajar, e em 1995, se mudou para Miami.  Aqui, como comissário de bordo, na época pela United Airlines, fazia rotas para a América Latina e servia como intérprete de português e espanhol.  Com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, as companhias aéreas tiveram muitos problemas financeiros, e a United ofereceu um pacote de benefícios para quem se afastasse.  Lopes aceitou imediatamente, e retomou os estudos.  Validou em Miami seu diploma do Brasil e começou mestrado em “Educação Especial” na Universidade de Miami, com foco em crianças autistas, rumo a um trabalho sério que, está rendendo frutos.

DICA:  Alexandre adora correr ao ar livre e comer asinhas de frango no Wilton Wings em Fort Lauderdale, favorito dos locais.  Telefone: 954-462-9696.  Endereço: 1428 NE 4 Ave., Fort Lauderdale, FL  33304.

Assista ao video de Alexandre Lopes com um de seus grupos de inclusão:

Alexandre Lopes, brasileiro radicado em Miami, é escolhido melhor professor do ano de todo condado de Miami-Dade. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 13 de março de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Negócios | 10:41

Milionários brasileiros aquecem mercado imobiliário de Miami. Mas, há oportunidades para todos, até para quem quer se mudar para lá de vez.

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O Trump Hollywood tem uma adega especial. Os donos dos apartamentos podem optar por espaço de 12 (por US$12,000) a 60 garrafas (por US$60 mil). Foto de Carla Guarilha.

O mercado imobiliário de Miami está  aquecido graças aos estrangeiros, afinal, foram eles que adquiriram 60% dos imóveis da cidade.  Os brasileiros, claro, tem um papel relevante neste cenário: estão em segundo lugar no ranking dos maiores compradores, atrás apenas dos venezuelanos.

As imobiliárias – que estão batendo recorde de vendas, como a tradicional Elite International Realty, do paulista Léo Ickowicz, estão aproveitando o momento.  Os números são superlativos.  No ano passado, a empresa vendeu US$160 milhões de dólares em imóveis na Florida.

“2011 foi o melhor ano de longe”, diz Ickowicz, que fechou 365 imóveis no total, um por dia, batendo recorde de vendas desde que abriu nos Estados Unidos, em 1993.

E ele está apostando que a festa ainda vai durar, pelo menos, mais três ou quatro anos, quando alguns grandes empreendimentos devem ficar prontos.

Alguns projetos são espetaculares e mudaram um pouco a cara do mercado local.  Um deles é o Regalia, projeto incorporado por um grupo de investidores brasileiros, que no momento só aceita reservas.  É um dos mais novos lançamentos, com 43 andares.  São 40 apartamentos, um por andar, o que é raríssimo nos Estados Unidos, começando por US$6 milhões.

Este é o mais novo e luxuoso lançamento de Sunny Isles. Um apartamento por andar, começando por 500m2 por US$6M. Fica pronto em 2015. Foto: cortesia do Regalia Beach Developers LLC

Outro projeto pioneiro é o Porsche Design Tower, que além de todas amenidades esperadas em um apartamento de extremo luxo, vai ter elevador próprio para levar os automóveis até o andar.

Porsche Design Tower vai ter até elevador para os automóveis dormirem mais perto do dono. Foto: Cortesia Porsche Design

Mas, enquanto essas construções não ficam prontas, os novos condomínios já lançados não ficam tão atrás.  E os brasileiros estão comprando.

Dos 2000 clientes da Elite no ano passado, cerca de 100 compraram imóveis acima de US$1 milhão, deles 30% desembolsaram mais de US$2 milhões.

Mas, há quem faça ainda mais extravagâncias. A maior venda da Elite foi de US$6 milhões no St. Regis, o mais novo e cobiçado condomínio em frente ao Bal Harbour, shopping das grandes grifes. O negócio foi fechado por um banqueiro paulista, que pede sigilo. Mas ele não chegou a comprar um apartamente e, sim, um espaço onde vai poder personalizar a planta do futuro apartamento. O custo da obra deve ficar em mais US$1,5 milhão.

A cobertura do St. Regis, de US$20 milhões, também foi vendida para um empresário brasileiro. Foto: Cortesia St. Regis.

W South Beach, Trump Towers em Sunny Isles e Trump Hollywood são outros condomínios favoritos dos brasileiros hoje em dia, cada um com seu charme.

W South Beach Residences é um dos favoritos dos brasileiros - Os preços variam de US$620 mil por um studio com 53m2 a mais de US$7 milhões. Foto: cortesia do W South Beach

O Trump Hollywood tem também uma sala especial de charutos. Foto de Carla Guarilha.

Apesar de não ser mais um prédio novo, o Trump Towers, em Sunny Isles, ainda é muito cobiçado por brasileiros.   A Elite já vendeu mais de 20 apartamentos, valor total de US$18  milhões, nos últimos dois anos.

Os estrangeiros investiram US$82 bilhões em imóveis em 2011 no país inteiro e representam 31% das vendas do estado da Florida. O Trump Towers ainda é um dos favoritos.

Daniel Ickowicz, filho de Léo, é diretor de vendas da imobiliária e, como o  pai,  um homem de visão.

Léo e Daniel Ickowicz no Trump Hollywood. Foto de Carla Guarilha.

Chegou em Miami com a família em 1990. Tinha 13 anos. Se encantou. Com 17, acabando o colegial, os pais e a irmã resolveram retornar ao Brasil. Mas ele fechou o tempo e disse que daqui não sairia. Passou a administrar a Mandala, agência de turismo que Léo havia aberto em Miami. Atualmente a Mandala, nas mãos da irmã Renata, existe somente em São Paulo, e a Elite se tornou o xodó de Daniel e seu pai, que voltou de vez para Florida em 2001.

A Elite tem hoje com 88 corretores, 30 deles brasileiros – que representam 70% das vendas da imobiliária, que está expandindo no momento no ramo comercial.

De acordo com a Associação de Corretores de Imóveis, quase 50% dos brasileiros compraram imóvel no ano passado na Florida por lazer, para vir de férias.  E Daniel aposta que de 20 a 25% dos clientes atuais, muitos com este perfil, possam se interessar e querer passar mais tempo aqui se tiverem um negócio.

“A gente percebeu que o brasileiro tem ficado muito tempo aqui”, diz Daniel.  “E, agora, quer montar um negócio ”.

A Elite está abrindo em dois meses uma nova divisão – Elite International Commercial Division, que vai auxiliar o brasileiro a entrar no comércio americano.

Um franquia de fast-food, por exemplo, como o Subway ou Burger King, é um investimento entre US$500 mil e US$1 milhão, que além de renda, oferece a facilidade para adquirir um visto de trabalho no País.

“Uma renda aqui é o ponta pé que falta pra eles”, diz Daniel.  “Essa é nossa meta”.

Mas, Daniel afirma que a oportunidade não é só para milionários,  tanto que os dados oficiais indicam que 30% dos brasileiros compram imóveis de valor inferior a US$100 mil.

Comprovando renda, com 40% de entrada, esse novo perfil de investidores  da classe média, que é o profissional liberal no Brasil, pode financiar um apartamento de US$200 mil, com uma prestação de US$650 por mês.

E para facilitar o acesso a informação para todos esses clientes no Brasil, a Elite se juntou ao escritório Braga Nascimento e Zilio Antunes Advogados Associados [http://www.braganascimento.com.br/] em São Paulo, que a partir de abril fará seminários mensais para esclarecer as duvidas do brasileiro que pensa em investir em Miami.

Essa parceria jurídica vai dar o suporte legal para o cliente.

“O atendimento começa no Brasil”, diz Daniel.

Video: Daniel conta em menos de um minuto os segredos do seu sucesso.

Daniel Ickowicz, campeão de vendas de imóveis para brasileiros em Miami, revela segredo do seu sucesso em menos de 60 segundos from Chris Delboni on Vimeo.

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