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terça-feira, 4 de dezembro de 2012 Arte & Cultura, Decoração, Imóveis, Miami | 11:01

Ornare premia arquitetos brasileiros em Miami esta semana. Mas é o sucesso do casal – na vida e nos negócios – que merece um grande prêmio.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Vinte-seis anos atrás, Esther e Murillo Schattan abriam a primeira loja da Ornare em São Paulo.

Jovens, recém casados, Murillo decidiu deixar o trabalho como engenheiro e abrir seu próprio negócio.  Depois de muita pesquisa, resolveu entrar no ramo de armários de luxo para casa, um nicho de mercado não tão comum na época.

Esther, engenheira química, com 22 anos, topou o desafio.  Largou o emprego na sua área e assumiu a parceria ao lado do marido nessa nova trajetória profissional.

Pioneiros, hoje o casal, considerado um modelo de sucesso, tanto na vida pessoal como profissional, continua unido, feliz e tem dois filhos que os ajudam a manter, renovar e expandir a empresa internacionalmente.   Pitter, 24, e Stefan, que faz 22 daqui a dois dias, também se formaram em engenharia, por conselho e recomendação dos pais, que estão por aqui para vários eventos da Ornare em Miami esta semana.

“Engenharia é uma ferramenta que ensina a pensar de uma maneira mais funcional, mais técnica – problema e solução”, diz Esther.  “Tem um problema, ótimo, você vai e encontra uma solução”.

Esther Schattan na loja de Miami. Foto de Carla Guarilha.

E foi essa forma clara e estruturada de pensar e solucionar problemas que serviu de base para o crescimento da empresa, que abriu sua primeira loja nos Estados Unidos em 2006, no auge da crise econômica.

Vários prédios pararam as construções na época e o setor imobiliário estava completamente paralisado.

“Nós pensamos que íamos fazer prédios inteiros, e naquela ocasião, parou tudo”, diz Esther.

Mas já estavam aqui e não dava para voltar atrás.  “Falamos, ‘bom, se é assim, ‘vamos trabalhar’.  Sempre tem gente que quer ter suas coisas em ordem, sua casa bonita para receber os amigos, e foi o que aconteceu”.

Há seis meses, o showroom se mudou para um novo endereço, também no Design District, um bairro com as melhores lojas de decoração e design de móveis, e a segunda loja nos Estados Unidos será aberta em Dallas, no Texas, no início do ano que vem.

Esther Schattan, entre os irmãos Claudio (dir.), e Olavo Faria (esq.), donos das franquias de Miami e Dallas. Foto de Carla Guarilha.

E não para por ai.

Esther diz que espera levar a Ornare — que além de armários, hoje tem diversas linhas de cozinha, salas de banho, home offices e home theaters — para vários países da América Latina – e abrir cinco lojas nos Estados Unidos nos próximos dois anos.

Ela diz que seu sucesso vem muito de sua filosofia de vida, baseada na “corrente do bem”.  “Uma coisa puxa a outra”.

Assim, a premiada Ornare, através de seus donos, cultiva e aplica valores do bem no dia a dia das operações, sempre buscando novas causas de responsabilidade social e cativando seus funcionários e parceiros, como uma grande família.

Com a equipe do showroom de Miami. Foto de Carla Guarilha.

E como parte desse reconhecimento, a Ornare criou uma premiação especial para os arquitetos que mais vendem seus produtos e, pelo terceiro ano consecutivo, a empresa traz mais de 20 deles para Miami durante Art Basel, uma das mais respeitadas feiras de arte do mundo

Este ano, chegam hoje aqui 28 brasileiros, 25 vem do Brasil e três de Dallas.  Eles estão hospedados, com tudo pago, no One Bal Harbour, um dos hotéis mais badalados atualmente, e são convidados especiais de várias atividades VIP numa das semanas mais movimentadas da cidade, com muita festa e muitos eventos.

“Uma coisa é vir para Miami como qualquer mortal – todo mundo pode vir para Miami”, diz Esther.  “Mas vir com essa honra, homenagem, com esse reconhecimento, é outra historia”.

E é com esse espírito de reconhecimento e de parceria que Esther e Murillo, e agora os filhos, lideram a empresa.

No modelo de cozinha, logo na entrada da Ornare em Miami. Foto de Carla Guarilha.

A Ornare, que trabalha com várias ONGs, este ano está oferecendo também esta semana um coquetel na quinta-feira para lançar o segundo Gala-Miami da BrazilFoundation, uma grande ONG de Nova York que arrecada fundos nos Estados Unidos para ajudar diferentes projetos de ONGs no Brasil.  O evento, tradicional e badaladíssimo em NY, fez grande sucesso no seu debut em Miami este ano e para o próximo, em março de 2013, vai contar com o novo apoio da Ornare.

“BrazilFoundation é nossa homenageada e queremos divulgá-la”, diz Esther.  “Nossa educação é voltada a ajudar o próximo.  Desde que a gente nasce, a gente sabe que isso faz parte da nossa vida.  A BrazilFoundation agora entrou na lista”.

Esther diz que o mundo hoje está muito diferente de quando se casou e abriu a primeira loja da Ornare há 26 anos.  Mas o segredo, tanto no casamento como na empresa, é simples: a renovação constante e o amor ao próximo.

“A essência é essa: amor, confiança, fidelidade e lealdade”, diz, se referindo não só ao marido, mas também a seus clientes e funcionários.

“Queria que a empresa fosse eleita a melhor empresa para se trabalhar.  Que todo mundo fosse muito feliz e orgulhoso de estar com a gente”, diz.  “Esse é meu sonho.  Trabalhamos para isso”.

No vídeo, Esther conta, em poucas palavras, o segredo de 26 anos de sucesso no casamento e nos negócios:

Esther Schattan revela aqui o segredo do sucesso da Ornare e deixa um conselho para casais que trabalham juntos. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 27 de novembro de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Entrevistas, Miami | 10:07

Brasileira faz sucesso nos Estados Unidos em “reality” que inspirou o programa Mulheres Ricas.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Aos 7 anos, Adriana de Moura frequentava um conservatório de piano em Campinas, onde cresceu, e passava as férias em Araraquara com papel, pincel e tinta nas mãos, ao lado da avó paterna, dona Elisa, artista plástica.

“Minha avó era uma mulher muito especial, com muita bagagem, muita cultura e  sempre me influenciou”, diz a curadora e marchand brasileira, que hoje vive um papel público quase oposto da mulher intelectual, caseira e tímida que é.

Com seu cachorro -- e a escultura dele -- na sala de sua casa em Miami Beach. Foto de Carla Guarilha.

Desde o ano passado, quando foi escolhida como uma das personagens do “The Real Housewives of Miami” – que inspirou aí no Brasil o programa “Mulheres Ricas” – sua vida e imagem se transformaram também.

A Bravo, o canal de TV da rede NBC que exibe o reality, classificou Adriana de Moura, como “Brazilian bombshell”, a explosiva e devastadora dona de casa, que amanhã lança seu single, “Feel the Rush”, a música que é tema da nova temporada do programa.

Ela vai se apresentar para 2 mil pessoas pela primeira vez,  ao vivo, no Mansion, um dos mais badalados clubes em South Beach.

“Não perco oportunidades”, diz.  “Pela publicidade desse show e exposição que estou tendo, tenho meus 15 minutos de fama que estou tentando transformar em 45”, brinca.

Adriana, em sua casa, com óculos de sol de uma linha que desenvolveu chamada Adri O, inspirada na ex-primeira dama americana Jacqueline Kennedy, também conhecida como Jackie O. Foto de Carla Guarilha.

Mas sua essência está em um outro evento, que está promovendo hoje à noite: uma vernissage da artista plástica Carmem Gusmão (entrevistada recentemente nessa coluna.)

“O papel da arte é de desafiar, abrir os horizontes e trazer aquela emoção que está guardada dentro de você”, diz.  “Os grandes artistas sempre tiveram um aspecto sociopolítico por trás das obras deles”.

Adriana tenta sempre apoiar artistas brasileiros.  “Gosto de mostrar ao mundo que somos mais do que samba e futebol”, diz, com orgulho.  “A Carmem [Gusmão], por exemplo, é uma guerreira que merece a visibilidade, que acho que posso trazer para ela”.

Adriana diz que a arte preenche sua alma e lembra que uma das mais importantes  lições que aprendeu com sua avó foi que as necessidades da alma são maiores do que as materiais.

“A fama é um meio.  Não um fim”, diz a curadora-cantora-atriz, que se auto denomina como “camaleoa”.

No porta-retrato, na sua sala, Adriana com Barack Obama, num jantar em Miami há quatro anos para arrecadar fundos para sua primeira campanha presidencial.

Mas é seu papel de mãe que supera todos os demais.

“No minuto que você põe uma criança no mundo, sua função número um deve ser fazer desse ser humano o melhor que ele pode ser”, diz.

Seu filho Alexandre hoje está com 12 anos e, como Adriana, é apaixonado pela musicalidade.  Frequenta duas vezes por semana o programa preparatório da faculdade de música da Universidade de Miami, Frost School of Music, para jovens pré-universitários.

Depois que Adriana se formou em letras e linguística pela PUC de Campinas, ela passou uns meses estudando arte na Sorbonne, na França, depois na Itália e acabou no Texas, nos Estados Unidos, onde conheceu o pai do seu filho.  Moraram em Dallas alguns anos até que o casamento começou a balançar.

Adriana buscava novos desafios e uma nova vida.  Resolveu, então, estudar Direito Internacional e Arte e foi aceita em quatro faculdades, inclusive a Universidade de Miami.

Para evitar maiores problemas conjugais, apesar de divorciados, o casal permaneceu morando junto e se mudou para Miami, na badalada e exclusiva ilha de Fisher Island.  Ali Adriana abriu sua primeira galeria de arte. Mas a situação entre o casal só piorava e acabaram se separando definitivamente.

Sua prioridade absoluta passou a ser os cuidados com seu filho.

Ao lado do porta-retrato do seu filho, Alexandre. Foto de Carla Guarilha.

“Você tem que prover não só as coisas materiais, como casa, comida e uma educação, mas também harmonia, amor e passar aquele senso de segurança, de amor próprio para aquela criança”, diz.  “Ser mãe e ser brasileira é, ‘levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima’. Acho que essa é uma das coisas que a mulher brasileira tem: muita garra”.

E com essa garra, Adriana foi construindo e reconstruindo sua vida, sozinha.

“Quero ser lembrada pelo meu filho como uma mulher intelectual,  que luta, que almeja, mais do que tudo, uma presença, como brasileira, como uma pessoa culta e centrada”, diz.  “Meu propósito final é me realizar como uma mulher de negócios, ter minha independência financeira completa, proporcionar uma educação de altíssimo nível para o meu filho, mas como minha avó já tinha me dito, lembrando sempre que as nossas necessidades interiores, espirituais são bem mais poderosas e muito mais demandantes do que os bens materiais”.

Seu sonho em 20 anos? Fazer doutorado em linguística.

“No mundo perfeito, estaria voltando para quem realmente sou: amante da arte e linguística.  Gostaria de terminar meus dias como professora universitária, lendo, estudando, discutindo com os alunos”, diz.  “Eu adoro tudo que tem relação com a educação.  Eu poderia ser uma eterna estudante”.

Sua mensagem?

“Acho que no fim, se você é verdadeiro, consegue sonhar e realizar, mas o sonho vem primeiro”.

No vídeo, Adriana de Moura compartilha o segredo do seu sucesso:

O segredo do sucesso de Adriana de Moura, apelidada de “Brazilian bombshell” no “reality” Real Housewives of Miami, é garra. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 20 de novembro de 2012 Decoração, Direto de Miami, Entrevistas, Imóveis, Miami | 10:27

Arquiteto brasileiro “faz a América”: da capital americana à capital latina nos EUA

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

“Audacioso” é como o arquiteto Marco Aurélio Gonçalves descreve sua trajetória profissional.  Mas sua postura não tem um pingo de petulância.  Pelo contrário.  De forma um pouco tímida, e com enorme humildade, ele encara os projetos com “Impulso da alma para atos difíceis ou perigosos”, uma das definições precisas do termo audácia em dicionários.

Marco abraça cada projeto como se fosse o único e o ultimo.  E foi assim com essa garra, que o carioca vem conquistando a América — primeiro a capital dos Estados Unidos, onde tem uma empresa de arquitetura e decoração — e agora a capital da América Latina nos Estados Unidos, que é como muitos se referem a Miami.

“Às  vezes, quando olho para trás, me vejo como muito audacioso, e penso, como é que fiz isso?  Mas no final acaba dando certo”, diz o arquiteto, que como um desbravador, tem como meta agora abrir novos caminhos na Flórida.  “Sempre tive esse sonho de vir para Miami”.

Marco, na frente de um de seus novos projetos em Miami. Foto de Carla Guarilha.

Ele chegou a fazer alguns projetos aqui em 2005 e 2006, mas acabou voltando para Washington para atender outros clientes na época e ficou por lá — até agora.

Em 2013, ele diz que vai ficar na ponte-aérea Washington-Miami.

“Me sinto agora mais estruturado profissionalmente”, diz Marco, que hoje tem um showroom em Alexandria, uma cidade do estado de Virginia, considerada parte da Grande Washington, onde sua empresa EuroDesign Solutions atende grandes nomes da elite americana, como Louis Hughes, ex-presidente da Lockheed Martin e da General Motors, que está reformando um apartamento de luxo na Ave. Massachusetts, numa área nobre da capital americana.

“Decidimos continuar trabalhando em D.C., mas abrir também o caminho em Miami, onde achamos que tem um público que se assemelha muito com nosso trabalho.  Achamos que vai haver um bom reconhecimento”.

E assim tem sido a história de sua vida: primeiro o desejo depois a meta, o desafio e a realização – e entre cada etapa, um obstáculo, que como numa concepção arquitetônica, pode apenas atrasar um pouco o projeto, mas no fim, todos seus passos acabam sempre em grandes conquistas sustentáveis, como pilares numa construção.

Foto de Carla Guarilha

E é assim também que ele começa seu processo de criação: como um desejo, quase irracional, de achar soluções para o estilo de vida do cliente.  “Tenho muito forte essa vontade de consertar, achar soluções para os problemas”, diz o arquiteto, que às vezes se posiciona quase como um psicólogo.   “Primeiro, tenho que entender qual o problema, o que a pessoa quer.  Acho que isso faz a diferença.  Enquanto não encontro aquela solução, não tenho paz”.

Marco cresceu no subúrbio do Rio de Janeiro, filho mais velho de quatro irmãos.  Sua mãe, dona Vera, era dona de casa, costureira de mão cheia, foi dona de alguns comércios e uma pequena confecção no Rio.  Seu pai, Seu João, era funcionário público, motorista de ônibus, e, nas horas extras, de taxi.  Marco lembra do pai estudando à noite para completar o segundo-grau.

E esse espírito de luta e empreendedorismo sempre fez parte da família Gonçalves.

“Não existia na minha cabeça a opção de não estudar”, diz ele, que desde cedo sabia que queria cursar uma faculdade.

Passou no vestibular e entrou na Universidade Gama Filho.

“Na época era completamente fora da nossa realidade”, conta.  “A mensalidade era muito cara”.

Mas Marco vive sua vida como o arquiteto audacioso que é: sempre em busca de soluções para projetos que cria – às vezes projetos no ramo profissional e, muitas outras vezes, na vida.

Marco no showroom da EuroDesign Solutions, na Grande Washington. Cortesia: Marco Gonçalves.

Conseguiu uma bolsa de estudos integral e crédito educativo.

“Era bem sacrificado”, diz. “Tinha dias que pegava mais de 10 ônibus”.

Ele trabalhava na administração de uma cervejaria e nos dois dias de folga que tinha na semana frequentava a universidade.  Tinha aula das 7h30 às 22h.

Nisso, pouco antes de entrar na faculdade, seus pais haviam se separado, e Seu João resolveu recomeçar a vida em Washington.  De subemprego, como muitos brasileiros que vem “fazer América”,  ele foi crescendo e logo abriu uma empresa de jardinagem, que tem até hoje, e aos poucos foi trazendo todos os filhos, um por um.

Marco resolveu trancar matricula em 1994 e veio passar uns tempos nos Estados Unidos com o pai.  Ficou seis meses, mas decidiu voltar para completar a faculdade. Três anos depois se formou e foi um dos poucos alunos na época a conseguir trabalho no ramo de arquitetura.  Mas não fazia projetos, que é sua maior vocação e paixão.  Por isso, pediu demissão e começou a correr atrás de seus próprios clientes.

Estava fazendo alguns projetos em parceria com colegas quando, em 1999, resolveu voltar a Washington em busca de novos desafios.

Lá, concorreu a uma vaga de arquitetura numa firma local e chegou a finalista, mas na última hora, perdeu.

Começou a trabalhar como entregador de pizza e garçom até que, um dia, uma festa que fez numa boate foi um sucesso tão grande que, naquele momento, Marco passou a ficar conhecido como “o promoter” brasileiro da cidade.  Logo abriu a Brazilian Night Entertainment, que chegou a promover festas para até 2 mil pessoas num dos maiores “night clubs” de Washington.

Foto de Carla Guarilha.

“Eu decidi, na época, que não iria mais tentar arrumar emprego como arquiteto.  Iria ganhar a vida e dinheiro e desenvolver meu lado de arquiteto fazendo casas para mim”, diz.  “Mas de uma certa forma, usava meu talento como arquiteto para promover eventos, da iluminação à decoração”.

Mas, novamente, apesar de Marco tentar se afastar da arquitetura, ela nunca desistiu dele.

Ele voltou a fazer um projeto aqui, outro ali, e aos poucos foi reconstruindo os pilares de sua vida.

“Acho que a arquitetura é algo que está dentro de mim.  Tenho certeza  que eu nasci para ser arquiteto”, diz, com humildade mas determinação.  “Eu deveria ter saído do Brasil consciente de que seria um percurso duro, que demoraria muito.  Por algum motivo, eu talvez subestimei”.

Mas nunca desistiu, e essa é a lição que deixa para jovens arquitetos:

“Se você acredita que tem talento, sabe que tem talento, estude, tente, não se derrote com barreiras, crie forças e crie uma meta,” diz.  “Acredite no seu potencial”.

No vídeo, Marco conta, em poucas palavras, o segredo do seu sucesso:

Arquiteto brasileiro “faz a América”: De Washington a Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 13 de novembro de 2012 Arte & Cultura, Miami | 10:19

Brasileira guarda segredos por trás das telas: uma arte voltada para o bem.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Carmem Gusmão começou a pintar com 5 anos e, com 13, já fazia sua primeira exposição.

Mas seu sucesso não vem só de seu talento.  Vem mais da essência, de tudo que está por trás das telas, o que corresponde exatamente a cada momento e fase de sua vida.

Cada tom de cor de uma pincelada é resultado de muita leitura, pesquisa, pensamentos, palavras e, claro, sentimentos.  Mas bem lá no fundo é sua razão, às vezes até inconsciente, que acaba determinando o impacto final de suas obras.

“Quando tenho uma tela branca na frente, eu começo a escrever várias coisas que queria falar e por algum motivo não falei, não tive vontade de falar ou não consegui falar”, diz a artista-poeta-escritora.  “Nunca ninguém viu e nunca ninguém vai ver, mas eu sei que está ali.  Em um milhão de anos, se resolverem raspar, vai ter muita coisa escrita”.

Seu processo de criação é constante. Foto de Carla Guarilha.

E em poucos dias, algumas dessas telas estarão sendo exibidas numa mostra paralela à Art Basel, a grande feira de arte anual em Miami.

Carmem é um dos  sete brasileiros que vem expor na Artexpo Miami + Miami SOLO 2012, trazidos pela “B Licenças Poéticas”, de Bia Duarte. Hoje, um coquetel de “bota-fora” reúne, em São Paulo, os artistas que participarão da exposição em Miami nos dias 5 a 9 de dezembro.

Além de Carmem, vem para os três estandes da “B Licenças Poéticas”: Anna Guerra, Daniel Azulay, Martin Gurfen, Eduardo Kobra, Alessandro Jordão e Federico Guerreros.

"The art to see beyond the normal range of sensorial perception" é uma das obras que vai entrar na exposição Artexpo Miami Solo "Basel". Foto: Cortesia Carmem Gusmão.

“Miami inspira arte”, diz Carmem, que mora aqui há quatro anos.  “É bacana participar da semana de Art Basel com uma pessoa como a Bia.  O escritório “B Licenças Poéticas” é fantástico.  Acho que é um trabalho muito sério e, de uma certa forma, você está representando o Brasil, mostrando o que a gente tem de bom”.

Ainda no final deste mês, Carmem inaugura também em Miami uma exposição solo, que tem um significado muito especial para a artista plástica.

Em julho, Carmem perdeu seu pai, que sempre foi sua maior influência emocional e intelectual. “Acho que foi o ano mais difícil da minha vida”, diz ela.  “Meu pai foi quem me inspirou, me ensinou e me apoiou.  De repente, ele foi arrancado de minha vida”.

E nesse período de sofrimento, tristeza e luto, Carmem passou refletindo através das tintas e palavras que colocava por trás de uma tela, que batizou de “July 12”, 12 de julho, o dia que seu pai faleceu.

"July 12". Cortesia: Carmem Gusmão.

“Na hora que terminei, falei, agora estou pronta.  Vamos embora, né? pai.  Você deve estar num lugar bom, bacana”.

Logo depois veio uma boa notícia e nascia o seu neto, Pedro, no dia 30 de outubro. “É o ciclo da vida“’ diz.  “Essa exposição encerra um ciclo”.

Entre as 15 obras que fazem parte da exposição “The art to see beyond the imagination”  (“A Arte de ver além da imaginação”) no dia 27 de novembro na galeria Markowicz Fine Art está o quadro “July 12”.

Mas durante seus 37 anos de criação e inspiração, sua arte nem sempre, ou melhor, quase nunca, refletiu uma mensagem de âmbito tão pessoal.   São causas sociais que mais lhe atraem.

Sua obra vem de uma influência regional muito forte de Minas Gerais, onde nasceu, e da Amazônia, onde cresceu depois dos 12 anos, quando seu pai comprou uma fazenda e a família se mudou para Belém, onde ela passou grande parte de sua vida.

Carmem Gusmão no seu "loft" e estúdio em Miami. Foto de Carla Guarilha.

Suas ideias surgem como uma luz e ela as abraça e se dedica inteira e profundamente, como fez há mais de uma década quando conviveu intimamente com os Kayapós para conhecer e divulgar a cultura desses índios da Amazônia.

E assim, sua obra transmite com clareza, de forma sútil, porém firme mensagens que se codificam visualmente, muitas vezes, em forma de símbolos da psicologia, que é sua formação universitária.

“Acho que não teria o trabalho que eu tenho se não tivesse estudado psicologia. A arte tem que ser muito mais do que um trabalho lindo e maravilhoso que vai ficar enfeitando uma casa”, diz ela.  “A arte tem que fazer pensar”.

E com essa meta de educar e transformar, Carmem usa sua arte como instrumento do bem, que nem ela, às vezes, sabe como começou e, muito menos, como conseguiu acabar.

“Tem obra que eu termino e tenho que ajoelhar no chão e falar, ‘Deus, obrigada’.  Nem eu sei como eu fiz aquilo”, conta.  “Eu falo, ‘como é que isso chegou pra mim?’.  Tem dias que tento fazer a mesma coisa e não vem de jeito nenhum.  Pintar é visceral”.

Rodeada de sua arte e seus livros. Foto de Carla Guarilha.

E é essa essência do ser humano, na sua forma mais pura, que mais lhe fascina.

“Acredito em tudo que se posiciona na minha frente, mas em primeiro lugar, acredito no ser humano e na bondade que você tem que ter dentro de você”, diz ela.  “Não adianta nada você praticar mil religiões.  Sua religião tem que ser a bondade e a verdade”.

Para conhecer mais o trabalho de Carmem Gusmão, visite seu website.

No vídeo, ela resume o segredo de seu sucesso em uma palavra: verdade.  Confira.

Artista plástica Carmem Gusmão usa uma palavra para definir o segredo de seu sucesso: a verdade. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Miami | 10:02

Brasileiro rouba coração de âncora americano

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

“Hoje soa estranho aos ouvidos quando alguém fala:  ‘vamos a um casamento inter-racial este final de semana’.  A gente espera que em alguns anos também soe estranho ouvir vamos a um casamento gay”, diz Rubem Robierb, fotógrafo brasileiro.  Em dezembro, ele se casa com Sam Champion, âncora do tempo do programa matinal, Good Morning America, da rede de televisão americana ABC.  “Não existe casamento inter-racial ou gay.  Existe casamento entre duas pessoas”.

Rubem Robierb com Sam Champion. Foto: Álbum de família.

Mas casamento gay ainda é ilegal em vários estados norte-americanos, inclusive na Flórida.

O matrimônio civil será realizado em Nova York, onde é permitido casamento entre dois homens ou duas mulheres, e a festa será em Miami, com poucos e seletos convidados.

“A gente não quer transformar num grande evento.  Em Nova York, seria uma festa para 500 pessoas, mas não é a nossa cara”, diz o brasileiro.  “Se pudéssemos casar na praia com as 20 pessoas mais próximas, pé na areia, seria o ideal, mas não é possível por questão de logística, porque não pode ter segurança na praia.”

Em Nova York e Miami, o casal costuma andar de mãos dadas nas ruas e recebeu muitos cumprimentos e carinho do grande público que assistiu, recentemente, o anúncio do casamento e a declaração de amor de Champion ao companheiro, feita ao vivo durante o programa da ABC.

“Encontrei a pessoa mais maravilhosa, carinhosa e cuidadosa.  Tenho a maior sorte do mundo de ter uma pessoa assim na minha vida”, disse publicamente o âncora americano.

Os dois já se relacionavam há dois anos.  Champion nunca escondeu sua homossexualidade, mas preferia manter sua privacidade até encontrar o fotógrafo e artista brasileiro.

“Sam sempre foi uma pessoa muito discreta e reservada, mas se você encontra alguém que você quer dividir sua vida, isso é um fato relevante e você não pode esconder”, diz Robierb, que hoje divide sua vida entre Miami e Nova York, onde amanhã abre a exposição da série “Bullet-Fly Effect” na galeria Emmanuel Fremin em Chelsea, que vai até 10 de novembro.

BULLET-FLY EFFECT SERIE Nº3 faz parte da exposição. Foto: Cortesia Rubem Robierb.

Rubem nasceu em Bacabal, no Maranhão, criado pela sua mãe, dona Maria das Graças de Freitas.  Aos 14 anos, foi morar em São Luís, na casa de amigos da família, um casal de idade que, hoje, é como se fosse seus avós.   Quando completou faculdade de turismo e hotelaria, resolveu passar um mês de férias em São Paulo e acabou ficando por lá.

Foi na capital paulista que descobriu a fotografia.  Sempre gostou de escrever e queria publicar um livro de poesias, mas precisava de imagens. Fotografando para seu livro, descobriu sua nova paixão.

“Queria aprender fotografia para ilustrar meu livro”, diz Robierb.  “Seis meses depois, me apaixonei por fotografia”.

Na sala de seu apartamento em South Beach. Na parede, parte da série "Show me the Money". Foto de Carla Guarilha

Com o tempo, montou um estúdio e passou a fotografar modelos, mas queria mesmo era fazer fotografia artística.

“Comecei a fotografar todo tipo que eu achava interessante, que tinha uma personalidade interessante.  Sempre via beleza em todo tipo de gente”, diz ele.  “Se via uma mulher obesa, interessante, achava ela linda e pedia para fotografá-la nua”.

E foi com essas fotografias artísticas que lançou sua carreira internacional.

Em 2005, recebeu um convite para expôr sua séria Brésil Autrement em Aix-en-Provence, na França.  De lá, seguiu para Paris, Mônaco, Zurique e Milão. Dois anos depois, voltou para São Paulo, mas sua passagem por lá não durou muito.  Resolveu vir a Miami no fim de 2007 para a famosa feira de arte Art Basel e aqui ficou e conheceu seu futuro marido.

Eles estão comprando um apartamento em South Beach para os fins de semana e devem passar mais tempo agora em Nova York, onde Robierb está montando seu novo estúdio.

Mas ele diz que não querem nada de presente para casa.  Estão pedindo de presente de casamento doações para a ONG americana Point Foundation, que dá bolsas de estudos para jovens homossexuais.

“Desde muito jovem, meu sonho é montar uma fundação que ajude crianças carentes extremamente talentosas no meio da arte a terem uma oportunidade de vida melhor.  Assim, consequentemente, vão dar uma oportunidade de vida melhor para sua família, sua comunidade, para pessoas ao seu redor”, diz ele.  “Se você dá uma chance de uma exposição internacional para essa criança e ela vê o talento que tem, como eu vi um dia, e percebe que pode ser alguém na vida, que pode fazer a diferença, ela no futuro vai ajudar a transformar a vida de algumas pessoas que estão ao seu redor, como eu tento fazer para minha família.  É uma pirâmide, assim que é a vida”.

Foto de Carla Guarilha

E uma das grandes alegrias de sua vida é poder ajudar sua mãe, que hoje mora em seu apartamento em São Paulo e, recentemente, resolveu retomar os estudos.  Passou no vestibular e está fazendo faculdade de pedagogia.  “Os professores não dão mole para ela porque tem 61”, diz Robierb, orgulhoso.

Arcanjo Obama. Cortesia Rubem Robierb.

Para mais informações sobre sua arte e exposições, visite o website.

No vídeo, Rubem Robierb revela o segredo do seu sucesso: fé e persistência.

Fotógrafo brasileiro Rubem Robierb diz que o segredo do seu sucesso é fé e persistência. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 30 de outubro de 2012 Direto de Miami, Turismo, Viagem | 09:42

Gol inicia vôos regulares para os EUA em dezembro. Conheça o pioneiro das operações.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha


A partir de dezembro, o brasileiro ganha uma nova opção aérea para os Estados Unidos, com vôos diários da Gol chegando em Miami e Orlando.

E o grande responsável pelo sucesso das operações experimentais no meio do ano que desencadearam as bases permanentes na Flórida foi Sydnei Luiz Casarini.

“A missão que eu tinha era montar a base, organizar e falar com as autoridades”, diz Casarini.  “A operação foi um sucesso”.

Casarini em Miami. Foto de Carla Guarilha.

O resultado foi tão positivo que no dia 15 de  dezembro a Gol dará inicio aos vôos regulares de São Paulo ou Rio de Janeiro para Orlando ou Miami, com uma rápida parada em Santo Domingo, na República Dominicana, e também abrirá uma nova base temporária em Nova York, de vôos de fretamento do programa Smiles, de milhagem e relacionamento, até 17 de fevereiro.

E mais uma vez, é Casarini que vem coordenar a chegada de brasileiros para o fim de ano “branco”, de neve em N.Y.

Casarini começou a pilotar com 16 anos.  Dois anos depois, ele foi trabalhar na Varig como agente de aeroportos.  Trabalhava de dia no aeroporto, em Congonhas, e estudava à noite – primeiro engenharia, mas logo decidiu que queria mesmo era fazer direito.

Casarini é condecorado como membro honorário da força aérea brasileira em São Paulo. Foto: Álbum pessoal.

Só que quando se formou e pegou a carteira da OAB fez uma nova escolha profissional:  decidiu  permanecer na Varig como coordenador de treinamento e não seguir carreira nem de advogado, nem de piloto.

A escolha não foi muito difícil. Casarini sempre gostou de lidar com gente. Então, fazer atendimento ao cliente dentro da aviação era a conjunção de duas paixões.

“Tomei a decisão de continuar dentro da Varig mas construir minha carreira profissional como administrador”, diz.   “Gosto de me relacionar com pessoas”.

Casarini com sua equipe de Miami. Foto: Cortesia.

E assim ele foi construindo uma carreira brilhante, por 25 anos na Varig e nos últimos cinco na Gol Linhas Aéreas, como gerente geral de controle de qualidade, diretor de aeroportos e diretor de infraestrutura.

Mas Casarini, que gosta muito do pioneirismo, está sempre buscando novos desafios e caminhos para se aprimorar e expandir seu trabalho.

Em setembro, ele deixou a Gol como funcionário e passou a prestar serviços independentes através da consultoria SLCasarini, de aviação, infraestrutura e treinamento.

Casarini vai coordenar toda a infraestrutura inicial das novas bases da Gol nos Estados Unidos.

Ele espera que essas operações tenham o mesmo resultado positivo das anteriores e diz que o segredo do sucesso de todos os seus projetos se resume no respeito ao cliente.

“Quando a gente atende numa empresa aérea, a gente vende sonhos”, diz Casarini.  “São pessoas que estão viajando pela primeira vez.  São pessoas se despedindo de entes queridos pela última vez, tem gente que vai viajar de lua de mel e vai para um paraíso tropical.  A gente tem que olhar pelas pessoas, se importar com elas”.

E isso, diz ele, se traduz na pontualidade do vôo, limpeza da aeronave e conforto.

“Nós fazemos parte desse sonho.  Temos que entregar esse sonho”, diz ele.  “E é isso que faz a diferença”.

Cerca de 3 mil passageiros passaram pelas mãos de Casarini e sua equipe entre julho e agosto, em Orlando e Miami.  Ele estava presente diariamente nos embarques e desembarques – alternando entre as duas bases.

“Chego antes da operação começar – vejo como está nosso atendimento, se estão com sorriso.  A gente tem que se colocar no lugar do cliente”, diz ele. “É um vôo, mas esse vôo é o vôo mais importante da noite. Um vôo nunca é igual a outro”.

Foto de Carla Guarilha.

E valeu a pena, diz Casarini, 49, que trata seus funcionários e clientes como visitas em sua casa e quer passar um pouco desse treinamento para os jovens que estão entrando no ramo de aviação.

“A gente não pode parar de estudar nunca.  Sou um eterno aprendiz”, diz o mestre que ministra aulas de segurança no transporte aéreo, infraestrutura aeroportuária e marketing de relacionamento com cliente na Academia do Ar, escola de aviação civil da Universidade Guarulhos.

“Treinamento é mudança de comportamento.  A área de atendimento ao cliente se renova todo dia”.

Casarini diz que o maior desafio que teve na primeira fase das operações internacionais da Gol foi mostrar para os americanos no comando nos aeroportos aqui o “jeito brasileiro” de ser e agir.

“A gente se abraça, se beija – o brasileiro é assim.  E eu consegui, ao logo desse período, mostrar para o americano que a gente transporta crianças, senhoras grávidas, idosos — com carinho”.

Para mais informações sobre os novos vôos da Gol para os Estados Unidos, visite http://voegol.com.br.

No vídeo, Sydney Luiz Casarini revela um pouco mais o segredo do seu sucesso: “dedicação, muito trabalho e carinho com as pessoas – não tem outra fórmula”, diz ele.

Gol inicia vôos regulares para os EUA em dezembro. Conheça o pioneiro das operações. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 23 de outubro de 2012 Direitos Humanos, Direto de Miami, Educação, Entrevistas, Imigração, Miami, Sem categoria | 09:09

Brasileira revela os motivos do intenso fluxo migratório para a Flórida

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Valéria Magalhães estudou em escola pública toda sua vida, na periferia da zona leste de São Paulo, para onde seus pais migraram na década de 60.  O pai  havia deixado o Maranhão e a mãe, Minas.

“Não tenho uma formação brilhante”, diz Valéria, que superou os obstáculos de uma educação primária e secundária relativamente fraca e criou sua própria – e brilhante – trajetória acadêmica.

Valéria no quarto do hotel Hampton Inn, de Coconut Grove. Foto de Carla Guarilha.

Hoje, socióloga, doutora em História Social e docente da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, ela esteve aqui em Miami na semana passada para lançar seu livro: “O Brasil no Sul da Flórida: Subjetividade, identidade e memória”, publicado e lançado no ano passado no Brasil, pela editora Letra e Voz.

Valéria diz que não sabe se seu interesse por questões migratórias vem da história de seus pais, mas ela tem absoluto fascínio pelo tema.

“Sempre tive uma paixão pelas viagens e pela imigração, não só como objeto de estudo”, diz ela.  “Sempre fiquei fascinada com o fato da pessoa sair do lugar dela e às vezes não voltar, ficar longe de tudo e de todos”.

O livro, resultado de sua tese de doutorado, inclui 40 entrevistas feitas com brasileiros entre 2002 e 2006 nos condados de Miami-Dade e Broward.

“Cada história que ouvia era incrível”, diz ela.

Um dos capítulos conta o caso de um gay que conseguiu asilo político alegando às autoridades americanas que corria risco de vida no seu país de origem pela sua preferência sexual.  Outro conta a história de uma go go girl que se tornou garota de programa.  “Quando entrevistei, ela estava atendendo no hotel. Ela deu a entrevista nos intervalos.  Foi uma história, metodologicamente falando, bastante curiosa”.

Mas o que mais lhe surpreendeu foi o depoimento sobre um casamento para obter os papéis de imigração e condição legal como imigrante nos Estados Unidos, que custou R$18 mil.   “Era uma exploração muito grande da pessoa que vendia o casamento.  Fiquei meio surpresa com aquilo e quanto as pessoas se desdobravam para conseguir esse documento, o que elas aguentavam para se legalizarem aqui nos Estados Unidos”.

A noite de autógrafos foi na pizzaria Piola em South Beach, onde Valéria recebeu mais de 40 pessoas, entre velhos amigos e novos imigrantes.

“Eu acho que tem mais brasileiros chegando para abrir negócios aqui ou investir, aproveitando a situação econômica brasileira e as taxas de juros americanas”, diz. “Esse não é um fenômeno novo, mas sazonal, que acompanha conjunturas específicas dos dois países”.

Valéria aproveitou sua visita a Miami agora também para dar início ao seu próximo projeto, que deve ter duração de dois anos.  Será uma pesquisa extensa sobre gays brasileiros na Flórida, uma parceria com Steven F. Butterman, diretor do Programa de Estudos de Gênero e Sexualidade na Universidade de Miami e autor de “Vigiando a (in)visibilidade:  Representações midiáticas da maior parada gay do planeta.”

“Esses grupos, como gays, que não são estereótipos da imigração, quebram os paradigmas, de que a imigração brasileira para o exterior é só por causa das questões econômicas”, diz ela.  “É também.  Mas na Flórida, essa imigração tem muitas outras razões, muitas outras explicações e, historicamente, é diferente do resto”.

Foto de Carla Guarilha

Dez anos se passaram desde o começo da pesquisa e a catedrática da USP diz que pouca coisa parece ter mudado, mas é isso que ela está voltando para comprovar.

“A hipótese principal agora é que, com a crise [econômica], os fluxos migratórios não se alteraram.  Essa imigração continua tão importante quanto era –  o que mais uma vez reforça meu argumento de que só a economia não explica a imigração [brasileira]”.

Ela diz que apesar das diferenças sociais, culturais e econômicas, foram razões subjetivas que fizeram com que esses brasileiros se mudassem para Flórida.

“A razão econômica é fundamental mas não vai sozinha e é a mais fácil de você declarar”, diz ela.  “Nenhuma razão estrutural se sustenta sem as questões subjetivas.  A decisão de sair do país é tão difícil de tomar que você precisa de um impulso pessoal que te ajude a tomar essa decisão”.

E isso vale para a pesquisadora também.

“Eu adoro a Flórida.  Venho aqui e fico com vontade de ficar um tempo”, diz ela.

Mas agora não é mais estudante de doutorado e seus compromissos de pesquisas no Brasil lhe impedem de passar períodos mais longos como fez 10 anos atrás.  Ela pretende vir por períodos curtos cada vez para atualizar os estudos.

Valéria diz que seu maior desafio foi e continua sendo convencer os colegas que Miami é um “objeto importante de pesquisa”.

“Esse brasileiro mais metido a intelectual – o brasileiro mais voltado para questão das artes, da intelectualidade — não gosta de Miami”, diz Valéria. “Miami é visto como o lugar das compras, lugar brega, mas insisto que é interessante estudar isso aqui.  Há uma carência enorme de estudos sobre a Flórida.”

No video, Valéria conta em menos de 60 segundos o segredo do seu sucesso:

Brasileira lança livro sobre imigração brasileira em Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 16 de outubro de 2012 Direto de Miami, Economia, Imigração, Miami, Negócios | 09:30

Banco brasileiro chega com tudo nos Estados Unidos

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)

Há quase 30 anos, precisamente no dia 1/12/82, Leandro Martins Alves pisava os pés, pela primeira vez, no Banco do Brasil, como engenheiro.

Ontem, Alves abriu as portas do primeiro banco brasileiro a operar integralmente como uma instituição financeira nos Estados Unidos com serviço local, oferecendo conta bancária, cartão de credito, cartão de débito, acesso a 50 mil caixas eletrônicos, ou terminais de autoatendimento, conhecidos aqui como ATMs, e, logo terá financiamento imobiliário, entre outros produtos.

O objetivo principal da instituição é atender as necessidades da grande concentração de brasileiros na Flórida, na faixa de 300 mil, com perfil de renda diversificado, desde o trabalhador que veio “fazer América” ao estudante, o aposentado e o turista, de passagem.

“Você tem toda uma estratégia, o mais abrangente possível”, diz Alves, hoje com 51 anos e o primeiro presidente e CEO do Banco do Brasil Américas.

Leandro Alves no seu escritório do BB Américas em Coral Gables. Foto de Carla Guarilha.

O BB Américas comprou por US$6 milhões o EuroBank, um pequeno banco comunitário, que no início do ano apresentava fragilidades financeiras.  Com isso, o Federal Deposit Insurance Corporation, entidade que supervisiona o sistema bancário americano, limitou a ampliação de ativos e passivos, impedindo a atuação integral do Banco do Brasil aqui.

Desde então, o Banco do Brasil injetou US$49,5 milhões para reforçar o capital, demonstrando a força da instituição.

E assim o Banco do Brasil Américas passou a ser reconhecido pelas autoridades americanas como um banco sólido e saudável e abriu as portas oficialmente para o público ontem.

Leandro Alves no coquetel de lançamento do BB Américas na última sexta-feira. Foto: Fabiano Silva.

“Isso nos permite agora crescer e desenvolver com um grau de liberdade muito maior do que anteriormente”, diz o CEO, que informou às autoridades americanas sua estratégia de crescimento:  de menos de dois mil para 100 mil clientes até 2020 e a abertura de 16 agências nos Estados Unidos nos próximos cinco anos.

Hoje o banco tem três agências: em Coral Gables, Pompano Beach e Boca Raton.  Em janeiro, a agência de Coral Gables, onde fica a sede, estará se mudando para um local mais amplo na região da Brickell, que é o centro financeiro de Miami, e a quarta agência deve ser aberta em Orlando.

“Você vai poder passar numa máquina de autoatendimento do BB Américas e tirar o seu dinheiro para visitar o Pato Donald e o Mickey Mouse”, diz Alves.

Como em qualquer banco americano, o cliente aqui vai ter que apresentar dois documentos que comprovam identidade e um comprovante de endereço para abrir uma conta corrente.  O diferencial será no histórico de crédito, essencial para qualquer empréstimo ou financiamento nos Estados Unidos.

“Ninguém conhece esse brasileiro como nós.  Ninguém vai conseguir fazer uma avaliação da capacidade de pagamento ou da visão de risco desse cliente tão bem quanto nós”, diz Alves.  “Acho que é isso que a comunidade pode esperar dessa nossa chegada aqui na Flórida”.

Independentemente das condições financeiras no Brasil, quando o imigrante chega aqui, ele normalmente leva alguns anos para construir um histórico de crédito, dentro da estrutura financeira do país: sem crédito, não se tem dívidas, e sem dívidas não se consegue crédito para pegar um financiamento para um carro ou um imóvel, por exemplo.

“Temos a possibilidade de ir ao Brasil e recuperar um pouco dessa memória do histórico de investimentos desse brasileiro no seu pais de origem, que é o Brasil”, diz Alves.  “Isso faz com que, diferentemente de outras instituições, nós possamos, de alguma forma, sob jargão bancário, assumir o risco desse indivíduo, desse novo cliente, porque nós já conhecemos o seu histórico em relação ao Brasil”.

Isso vai agilizar a vida e ciclo financeiro do brasileiro aqui, assim como o fluxo de remessas entre os dois países.

“Queremos buscar essa conectividade entre o Brasil e Estados Unidos de forma que o brasileiro que aqui está possa mandar dinheiro para o Brasil de uma maneira barata, simples e direta e que esse dinheiro possa vir do Brasil para os Estados Unidos de uma forma simples”, diz Alves.  “Vamos obviamente ter tarifas adequadas, condizentes, competitivas e pode ter certeza de que o que nós pudermos fazer, inclusive conversar com nossas autoridades com vista a facilitar esse processo, nós faremos. Acho que essa própria entrada do BB aqui pode gerar alguns aprimoramentos dos processos hoje existentes”.

Leandro Martins Alves entrega simbolicamente o primeiro cartão de débito "0000000001" do Banco do Brasil Américas para o Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, Cônsul-geral do Brasil em Miami. Ao lado, Jefferson Hammes, vice presidente do Banco do Brasil Américas. Foto: Fabiano Silva.

Alves diz que espera, em breve, estar atendendo também brasileiros interessados em adquirir um imóvel aqui com a facilidade de financiamento de longo prazo.

“Nesse lançamento, focamos em produtos mais urgentes para nossa comunidade, que é conta corrente, cartão de credito e a poupança.  O financiamento imobiliário vem à frente”, diz ele.  “Temos uma grande preocupação com brasileiros aqui residentes, mas também trabalharemos com os brasileiros que vivem lá no Brasil e tem interesse em comprar imóveis aqui nos Estados Unidos”.

Gaúcho, Alves passou por várias cidades do Brasil antes de chegar em Nova York, em 2006, com a esposa e três filhos, como gerente regional para coordenar a operação do BB na América do Norte.

Seu maior desafio foi a adaptação pessoal num novo país.

Na sua sala. Foto de Carla Guarilha.

“Na chegada é sempre um processo muito mais difícil do que as pessoas imaginam, mesmo numa cidade maravilhosa como Nova York ou uma cidade maravilhosa como Miami.  Você não tem referência”, diz ele.  “A ambientação cultural não é um processo simples. Você não sabe o que comprar no supermercado.  Você tem que aprender algumas coisas, começando pela língua. Por mais que fale inglês, não é a mesma coisa.  Meu filho mais novo não entendia absolutamente nada”.

Hoje, sua filha, com 26 anos, está de volta no Brasil, e os outros dois, 18 e 20, estão na faculdade, um em Maryland e outro na Pensilvânia.

“Acho que minha responsabilidade como pai é de conseguir fazer com que os meus filhos sejam melhores, sob todos os aspectos, do que eu fui”, diz Alves, que mora hoje em Sunny Isles com a esposa e recebe os filhos na época das férias.

Alves diz que o grande segredo do sucesso é “muito trabalho, muita dedicação e muito foco”.

“Para ter sucesso, você tem que ter bastante clareza de onde quer chegar, mas tem que acreditar muito nas pessoas.  Acho que quem faz as empresas são as pessoas”, diz ele  “O sucesso para mim é saber que você está conseguindo agregar valor, conseguindo fazer alguma diferença e que, de alguma forma, isso seja percebido pelas pessoas”.

No vídeo, Leandro Martins Alves revela um pouco mais da sua fórmula de sucesso:

Banco do Brasil abre as portas oficialmente em Miami. Entrevista com Leandro Martins Alves, presidente e CEO. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012 Direto de Miami, Educação, Miami | 09:22

Carioca entra na lista dos 100 latinos mais influentes de Miami

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

A arquiteta Adriana Sabino chegou aos Estados Unidos em 1983.

Destino: Nova York.  Previsão de estada: 6 meses.

Ela veio com Marcelo, seu marido, que faria um curso sobre o sistema bancário americano na New York University, e com suas duas filhas pequenas, uma com 10 meses e a outra com 2 anos e meio.

Logo voltariam ao Brasil.

Mas isso não aconteceu.

“Foi o maior conto do vigário que já passaram em alguém”, brinca Adriana, que havia deixado para trás um escritório de arquitetura com projetos em andamento e uma casa montada em Belo Horizonte, onde a carioca se estabeleceu depois do casamento.

Sabino na sala de sua casa em Key Biscayne. Foto de Carla Guarilha.

O curso em Nova York terminou. Mas a direção do Banco Rural, da família do Marcelo, estava querendo avaliar as opções do mercado bancário em Miami na época, e ninguém melhor do que o casal que já se encontrava no país.

“Eu continuava com minhas duas malinhas e minhas duas crianças – com mais suas duas malinhas”, conta Adriana, que 30 anos atrás iniciava aqui uma vida de desafios – mas também muitas conquistas.

E foram essas conquistas que levaram à grande homenagem que recebeu na semana passada: sua foto agora faz parte da exposição “100 Latinos”, um painel dos latinos mais influentes daqui, que ficará exposto por um ano no Aeroporto Internacional de Miami.

Foto oficial, de Dora Franco. Cortesia "100 Latinos".

O projeto, uma iniciativa da Associação Fusionarte, de Madrid, está na sua segunda edição em Miami, e espera em breve fazer parte de muitos outros aeroportos nos Estados Unidos.

A colombiana Verónica  Durán, fundadora e presidente da Fusionarte, diz que o objetivo do projeto, que resulta em um livro e exposição, é mostrar para o mundo os latinos que são exemplos de sucesso, são imigrantes profissionais que contribuem para o desenvolvimento da cidade onde vivem em vários aspectos: econômicos, sociais e culturais.

“Queremos mostrar o rosto da América Latina”, diz ela.

E Adriana hoje está neste seleto hall.

Cortesia "100 Latinos"

“Tinha achado a iniciativa muito interessante – de valorizar as pessoas que estão fazendo a diferença em Miami”, diz Sabino.  “Agora sou uma delas.  Acho que trago essa integração da minha comunidade com a sociedade multinacional de Miami”.

O outro brasileiro selecionado este ano foi o piloto Hélio Castroneves.

Yolanda Sánchez, diretora para assuntos artísticos e culturais do aeroporto, disse que os 100 latinos escolhidos representam modelos de perseverança e comprometimento.  “Para muitos, não têm sido fácil”, diz ela.  “Tenho muito orgulho de poder mostrar os aspectos positivos da cultura latina”.

Já para Adriana, é especificamente a cultura brasileira que ela pretende disseminar cada vez mais por aqui.

Ela divide seu tempo quase igualmente entre sua empresa de planejamento e decoração de interiores, Adriana Sabino Interiors, e o Centro Cultural Brasil-USA, que acaba de completar 15 anos.

Adriana cofundou o CCBU, uma entidade sem fins lucrativos, que nasceu com o objetivo de difundir e divulgar a cultura brasileira em Miami.

“Foi uma estratégia de sobrevivência de imigrante.   A ideia era mostrar toda a riqueza que o Brasil tem e que não era muito divulgada,” diz ela.  “A gente queria abrir um espaço de prestígio para o brasileiro que estava morando aqui e marcar nossa presença de uma maneira simpática”.

Uma de suas prioridades sempre foi a disseminação da língua portuguesa do Brasil, de forma abrangente, onde o aprendizado iria além do idioma, envolvendo história, geografia e outros aspectos da cultura, representando assim um resgate cultural completo através do idioma.

Existe uma grande diferença entre falar um idioma e suas nuances culturais, diz Adriana, que foi uma das principais vozes para a criação do estudo bilíngue da pioneira escola Ada Merritt em Miami, onde as crianças aprendem as matérias em inglês e português e, recentemente, recebeu das mãos do cônsul-geral do Brasil em Miami, Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, a Ordem do Rio Branco, uma grande homenagem do Itamaraty.

Na varanda de seu apartamento. Foto de Carla Guarilha.

“Ser brasileiro é falar a língua mas também entender o espírito brasileiro, compreender de onde você vem, que é fundamental”, diz Adriana, que enfrentou esse desafio ao chegar nos Estados Unidos: manter sólidas suas referências como brasileira.

“[Como imigrante] você precisa criar sua base”, diz ela. “O segredo da vida é você se colocar desafios que dão trabalho, demandam esforço, mas que estão dentro do seu alcance.  Sou muito boa em criar uma base para mim”.

No vídeo, Adriana reflete sobre sua visão de vida e de sucesso:

Exposição “100 Latinos” volta para o Aeroporto Internacional de Miami, este ano com a brasileira Adriana Sabino. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 2 de outubro de 2012 Direto de Miami, Entrevistas | 09:34

CSI: Brasileira integra seleto time de artistas forenses nos EUA

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Se você gosta de assistir séries na TV, como CSI, está acostumado com cenas fortes em necrotérios, onde profissionais fazem autópsias e reconstituem os rostos das vítimas em busca de pistas.

CSI é uma febre no mundo inteiro, inclusive aí no Brasil, mas o que pouca gente sabe é que há uma brasileira no time de cerca de somente 50 profissionais contratados nos Estados Unidos para trabalhar exclusivamente como artista forense. Ela se chama Catyana Skory e trabalha no departamento de policia do condado de Broward, em Fort Lauderdale.

Catyana Skory no estacionamento do Broward Sheriff's Office. Foto de Carla Guarilha.

Desde maio de 2008, quando chegou na Flórida, Skory já fez a reconstrução facial e crânio-facial de mais de 170 vítimas para identificar cadáveres.

Quando ela não é chamada imediatamente no local do crime ou acidente, a primeira parada de Skory é no necrotério, onde ela observa o cadáver e tira fotos.  Depois, ela leva para seu escritório a cabeça do morto e todos os relatórios policiais para começar a visualizar o rosto.

“Informação de cabelo e roupa é muito importante”, diz a artista forense, que começa o trabalho esculpindo e reconstruindo a cabeça.  Primeiro ela coloca os olhos e depois músculos para dar forma.  “Só olhando o crânio dá para ler o rosto”, diz.

Skory no seu escritório do Broward Sheriff's Office. Foto de Carla Guarilha

Skory nasceu em São Paulo, em 1975.

Mas sua história com o Brasil começou em 1927, quando seus bisavós imigraram do Japão para o município de Registro, hoje conhecido como o marco da colonização japonesa no estado.  Junto no navio vinha a filha do casal, com 7 anos, a avó de Catyana, Teruko Matsuzawa, a pessoa mais importante de sua vida.

“Ela era divertida e estava sempre sorrido”, diz a neta que mantém a foto da avó no escritório, a única foto de família pendurada na parede, ao lado dos seus computadores, como se fosse uma luz inspiradora.

“Sempre busque a felicidade onde estiver” foi a maior lição que aprendeu da avó, com quem conviveu intimamente.  “Ela morou conosco depois do divórcio dos meus pais e comigo depois da minha separação”, diz Skory.

Foto de Carla Guarilha.

Sua mãe saiu de casa cedo para estudar letras em São Paulo, onde conheceu o pai de Catyana, um dos primeiros jovens americanos a aderir ao programa de Peace Corps, criado pelo governo Kennedy, em 1961, como uma espécie de intercâmbio com o intuito de aproximar os países, facilitando a paz mundial e compreensão entre os povos.  Logo se casaram e quando o prazo do trabalho voluntário do pai no Brasil terminou, o casal se mudou para Nova York, com a filha pequena.

Catyana tinha pouco mais de um ano.

Ela cresceu nos Estados Unidos, mas sua avó, apesar de ter nascido no Japão, continuou sempre sendo seu maior eixo com suas raízes no Brasil.  Era a única pessoa com quem falava português na família e com quem passava as férias escolares em Registro – até ela falecer, há dois anos.

Catyana diz que como ela, sua avó também nunca teve medo da morte.

“Ela queria conhecer o necrotério e eu levei”, conta Catyana.  Ao saírem, bem humorada, a avó ligou para alguns amigos para contar: “Eu vi uma pessoa morta hoje”.

“O mundo é maior do que conseguimos ver”, diz Catyana.  “Não dá para saber o que está embaixo de tudo ou atrás”.

Dizem que todo mundo sempre tem "esqueletos no armário". Skory traz os seus para o escritório. Foto de Carla Guarilha.

Catyana se vê mais como uma artista plástica do que uma cientista.  Ela adora pintar.

Seus estudos universitários começaram no curso de artes na Universidade de Colorado.  Mas uma aula de antropologia mudou seu rumo.  Ela se encantou com a disciplina.

“Eu queria entender as raízes da humanidade, dentro de conceitos de moral, ética e cultura”, diz a artista forense, que tem dupla nacionalidade – brasileira por nascimento e americana pelo pai.  “Era muito confuso.  No Brasil, eu não era brasileira.  Nos Estados Unidos, eu não era americana.  Não sou branca nem asiática”.

Antropologia ajudou no seu autoconhecimento e na formação de uma identidade individual que hoje compreende melhor aos 37 anos,  mas foi também a disciplina que lhe abriu as portas para uma nova descoberta: ciência forense.

Foi lendo um livro de antropologia numa visita ao Brasil, em 1997, que descobriu o trabalho de reconstrução facial.

Se formou em antropologia e história na Universidade do Estado de Nova York em 1996 e, em 2000, completou mestrado em ciência forense na Universidade George Washington, na capital americana.

Entre 2000 e 2008, trabalhou no instituto médico legal em Fairfax, Virginia, depois em Dallas no Texas e foi investigadora de CSI – Crime Scene Investigator – em Manassas, também em Virginia, até ser contratada há quatro anos em Broward, exclusivamente como artista forense.

Catyana Skory usa Photoshop no processo de reconstrução facial. Foto de Carla Guarilha.

“Os mortos têm paz mas não têm voz”, diz ela.   Com seu trabalho, Catyana diz que consegue dar “voz” através de uma imagem para que os mortos sejam identificados por seus familiares, trazendo assim um pouco de paz para eles.

Como existem muito poucos profissionais no país, o último caso que resolveu foi um pedido especial do instituto médico legal de Ohio, que enviou o crânio da vitima e todo o material disponível.  “Fiz a reconstrução facial, mandei a fotografia e colocaram na televisão”, diz a artista forense.  “Em um dia a sobrinha dele telefonou e disse: ‘acho que esse é meu tio’”.

Para saber mais sobre o trabalho de Catyana Skory, visite sua página na rede social LinkedIn, onde ela também criou um grupo de discussão para artistas forenses no mundo — Linkedin Discussion Group for Forensic Artists.

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