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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 Decoração, Entrevistas, Imóveis, Miami | 10:23

Badalada decoradora paulista fecha acordo com premiado arquiteto americano

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Decoração sempre correu no sangue de Camilla Matarazzo, que desde pequena se encantava com as plantas de apartamentos nos jornais e as corrigia.  E agora, a designer de interiores paulista, que virou sinônimo de bom gosto em São Paulo, está trazendo seu trabalho para Miami.

Camilla Matarazzo chega em Miami com força total. Foto de Carla Guarilha.

“Pode ser um passo a mais para o escritório”, diz a decoradora que logo completa duas décadas de existência e sucesso de sua empresa – Camilla Matarazzo Interior Designer.

Sua irmã, a fotógrafa Paola Matarazzo, conhecida aqui como Jade — pelo nome de seu estúdio fotográfico, sempre insistia para que Camilla expandisse os negócios e oferecesse serviços para velhos e novos clientes em Miami.

E agora, diz a designer de interiores, chegou a hora.

E já chegou com dois grandes clientes, que preferem não se expor.

“Agora o escritório já está estabelecido.  Não preciso ficar lá o tempo todo, dá para ir e vir”, diz Camilla, que pela primeira vez, participou de um evento em parceria com sua irmã.

Numa exposição conjunta de fotografia e decoração, as Matarazzo receberam cerca de 150 convidados num coquetel na loja da Ornare, no Design District, para lançar a chegada de Camilla aos Estados Unidos.

Camilla com Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, cônsul-geral do Brasil em Miami, no coquetel da Ornare. Foto de Carla Guarilha.

Entre eles estava presente Tony Abbate, professor de arquitetura e vice-reitor da Florida Atlantic University e dono da Anthony Abbate Architect PA, uma grande e tradicional firma de arquitetura na Flórida, com mais de 20 prêmios nas costas, e agora, parceiro da decoradora brasileira.

Jaye Abbate, Camilla Matarazzo, Tony Abbate e Jade Matarazzo. Foto de Carla Guarilha

Camilla diz que entrar no mercado americano vai ser um “desafio interessante.”

“Em São Paulo, todo mundo me conhece, conhece a qualidade do meu trabalho.  Não sei se consigo transportar isso para cá”, diz, com humildade, a designer de interiores conhecida pelos grandes projetos comerciais, como o Iate Clube de Santos, um enorme escritório de marketing esportivo e a BM&F Bovespa.

Camilla também executa projetos residenciais milionários e participa com freqüência da Casa Cor, onde em 2011, foi responsável pela decoração do espaço de uma suite para o jogador Neymar, o que foi alvo de admiração pela perfeição da mistura do ambiente – moderno com classe, que é sua marca registrada.

“Era um desafio mostrar para todo mundo que eu também posso fazer essa coisa mais jovem”, diz.  “Acho que ele [Neymar] tem a cara do Brasil de hoje, do desafio, meio irreverente”.

E é essa irreverência com classe que a brasileira espera trazer para o mercado americano em Miami.

Atrás, um painel expondo um de seus trabalhos, no coquetel da Ornare. Foto de Carla Guarilha.

“Gosto é muito subjetivo, mas brinco que o bom gosto não,” diz ela.  “Quando é bonito, todo mundo gosta”.

Suas primeiras experiências com decoração começaram com projetos de família, primeiro fazendo uma casa de fazenda para seu sogro na época, uma outra casa no sítio do seu pai, até realizar seu primeiro projeto profissional na Casa Cor, em 1994, que foi ambientada na casa de seu avô paterno na Rua Argentina.

“Fiz um banheiro, e era como se estivesse fazendo na minha casa, então foi bárbaro”, conta.  “Muitas pessoas não sabiam quem eu era, estava lá parada e ouvia comentarem entre elas.  Todo mundo elogiou muito”.

A cortina de plástico americana no banheiro de mármore fez enorme sucesso, dando inicio a sua marca registrada: simplicidade com sofisticação. Foto cortesia de Camilla Matarazzo.

Foi um marco profissional para Camilla.

“Naquele período, a Casa Cor dava uma projeção muito grande”, diz.  “Tenho grandes amigos dessa fase”.

Desde então, Camilla diz que muita coisa mudou no ramo de decoração, mas não seu estilo, que ela preservou ao longo dos anos.  A sua fórmula de sucesso é a essência do equilíbrio entre a “sofisticação do clássico e a praticidade do moderno”.

“Meus projetos são muito atemporais.  Eles podem ter sido feitos hoje ou há 10 anos”, afirma.  “Gosto de alguns detalhes clássicos, de algumas peças que têm uma história na vida da pessoa.  Se você põe tudo muito contemporâneo, muito moderno, parece que mora em uma loja”.

E essa mistura que agrada os clientes: conseguir trazer numa decoração elegante um pouco da personalidade do cliente, transformando assim uma casa impessoal em um lar.

Seu maior prazer é ver a satisfação do resultado final.

“É muito bom quando vejo um projeto realizado e falo, ‘nossa, era exatamente isso que eu imaginei’ e melhor ainda, quando a pessoa fala, ‘ai, que delícia chegar em casa, como é gostoso’.  Acho fantástico uma pessoa me pagar para fazer isso”, brinca.  “Eu faria de graça”.

No vídeo, Camilla Matarazzo conta, em menos de 60 segundos, o segredo do seu sucesso:

Badalada decoradora paulista expande seu trabalho em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 20 de novembro de 2012 Decoração, Direto de Miami, Entrevistas, Imóveis, Miami | 10:27

Arquiteto brasileiro “faz a América”: da capital americana à capital latina nos EUA

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

“Audacioso” é como o arquiteto Marco Aurélio Gonçalves descreve sua trajetória profissional.  Mas sua postura não tem um pingo de petulância.  Pelo contrário.  De forma um pouco tímida, e com enorme humildade, ele encara os projetos com “Impulso da alma para atos difíceis ou perigosos”, uma das definições precisas do termo audácia em dicionários.

Marco abraça cada projeto como se fosse o único e o ultimo.  E foi assim com essa garra, que o carioca vem conquistando a América — primeiro a capital dos Estados Unidos, onde tem uma empresa de arquitetura e decoração — e agora a capital da América Latina nos Estados Unidos, que é como muitos se referem a Miami.

“Às  vezes, quando olho para trás, me vejo como muito audacioso, e penso, como é que fiz isso?  Mas no final acaba dando certo”, diz o arquiteto, que como um desbravador, tem como meta agora abrir novos caminhos na Flórida.  “Sempre tive esse sonho de vir para Miami”.

Marco, na frente de um de seus novos projetos em Miami. Foto de Carla Guarilha.

Ele chegou a fazer alguns projetos aqui em 2005 e 2006, mas acabou voltando para Washington para atender outros clientes na época e ficou por lá — até agora.

Em 2013, ele diz que vai ficar na ponte-aérea Washington-Miami.

“Me sinto agora mais estruturado profissionalmente”, diz Marco, que hoje tem um showroom em Alexandria, uma cidade do estado de Virginia, considerada parte da Grande Washington, onde sua empresa EuroDesign Solutions atende grandes nomes da elite americana, como Louis Hughes, ex-presidente da Lockheed Martin e da General Motors, que está reformando um apartamento de luxo na Ave. Massachusetts, numa área nobre da capital americana.

“Decidimos continuar trabalhando em D.C., mas abrir também o caminho em Miami, onde achamos que tem um público que se assemelha muito com nosso trabalho.  Achamos que vai haver um bom reconhecimento”.

E assim tem sido a história de sua vida: primeiro o desejo depois a meta, o desafio e a realização – e entre cada etapa, um obstáculo, que como numa concepção arquitetônica, pode apenas atrasar um pouco o projeto, mas no fim, todos seus passos acabam sempre em grandes conquistas sustentáveis, como pilares numa construção.

Foto de Carla Guarilha

E é assim também que ele começa seu processo de criação: como um desejo, quase irracional, de achar soluções para o estilo de vida do cliente.  “Tenho muito forte essa vontade de consertar, achar soluções para os problemas”, diz o arquiteto, que às vezes se posiciona quase como um psicólogo.   “Primeiro, tenho que entender qual o problema, o que a pessoa quer.  Acho que isso faz a diferença.  Enquanto não encontro aquela solução, não tenho paz”.

Marco cresceu no subúrbio do Rio de Janeiro, filho mais velho de quatro irmãos.  Sua mãe, dona Vera, era dona de casa, costureira de mão cheia, foi dona de alguns comércios e uma pequena confecção no Rio.  Seu pai, Seu João, era funcionário público, motorista de ônibus, e, nas horas extras, de taxi.  Marco lembra do pai estudando à noite para completar o segundo-grau.

E esse espírito de luta e empreendedorismo sempre fez parte da família Gonçalves.

“Não existia na minha cabeça a opção de não estudar”, diz ele, que desde cedo sabia que queria cursar uma faculdade.

Passou no vestibular e entrou na Universidade Gama Filho.

“Na época era completamente fora da nossa realidade”, conta.  “A mensalidade era muito cara”.

Mas Marco vive sua vida como o arquiteto audacioso que é: sempre em busca de soluções para projetos que cria – às vezes projetos no ramo profissional e, muitas outras vezes, na vida.

Marco no showroom da EuroDesign Solutions, na Grande Washington. Cortesia: Marco Gonçalves.

Conseguiu uma bolsa de estudos integral e crédito educativo.

“Era bem sacrificado”, diz. “Tinha dias que pegava mais de 10 ônibus”.

Ele trabalhava na administração de uma cervejaria e nos dois dias de folga que tinha na semana frequentava a universidade.  Tinha aula das 7h30 às 22h.

Nisso, pouco antes de entrar na faculdade, seus pais haviam se separado, e Seu João resolveu recomeçar a vida em Washington.  De subemprego, como muitos brasileiros que vem “fazer América”,  ele foi crescendo e logo abriu uma empresa de jardinagem, que tem até hoje, e aos poucos foi trazendo todos os filhos, um por um.

Marco resolveu trancar matricula em 1994 e veio passar uns tempos nos Estados Unidos com o pai.  Ficou seis meses, mas decidiu voltar para completar a faculdade. Três anos depois se formou e foi um dos poucos alunos na época a conseguir trabalho no ramo de arquitetura.  Mas não fazia projetos, que é sua maior vocação e paixão.  Por isso, pediu demissão e começou a correr atrás de seus próprios clientes.

Estava fazendo alguns projetos em parceria com colegas quando, em 1999, resolveu voltar a Washington em busca de novos desafios.

Lá, concorreu a uma vaga de arquitetura numa firma local e chegou a finalista, mas na última hora, perdeu.

Começou a trabalhar como entregador de pizza e garçom até que, um dia, uma festa que fez numa boate foi um sucesso tão grande que, naquele momento, Marco passou a ficar conhecido como “o promoter” brasileiro da cidade.  Logo abriu a Brazilian Night Entertainment, que chegou a promover festas para até 2 mil pessoas num dos maiores “night clubs” de Washington.

Foto de Carla Guarilha.

“Eu decidi, na época, que não iria mais tentar arrumar emprego como arquiteto.  Iria ganhar a vida e dinheiro e desenvolver meu lado de arquiteto fazendo casas para mim”, diz.  “Mas de uma certa forma, usava meu talento como arquiteto para promover eventos, da iluminação à decoração”.

Mas, novamente, apesar de Marco tentar se afastar da arquitetura, ela nunca desistiu dele.

Ele voltou a fazer um projeto aqui, outro ali, e aos poucos foi reconstruindo os pilares de sua vida.

“Acho que a arquitetura é algo que está dentro de mim.  Tenho certeza  que eu nasci para ser arquiteto”, diz, com humildade mas determinação.  “Eu deveria ter saído do Brasil consciente de que seria um percurso duro, que demoraria muito.  Por algum motivo, eu talvez subestimei”.

Mas nunca desistiu, e essa é a lição que deixa para jovens arquitetos:

“Se você acredita que tem talento, sabe que tem talento, estude, tente, não se derrote com barreiras, crie forças e crie uma meta,” diz.  “Acredite no seu potencial”.

No vídeo, Marco conta, em poucas palavras, o segredo do seu sucesso:

Arquiteto brasileiro “faz a América”: De Washington a Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

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