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terça-feira, 19 de março de 2013 Arte & Cultura, Direto de Miami, Educação, Empreendedorismo, Entrevistas, Miami, Negócios | 09:05

Embaixador de Donald Trump no Brasil lança o verdadeiro “Aprendiz” nas ruas de Miami.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Ricardo Bellino sempre foi empreendedor, algumas vezes por aptidão outras por necessidade. Por isso mesmo, ele sabe da importância deste instinto para fazer sucesso no ambiente empresarial.

Assim, amanhã, às 14 horas, horário de Brasília, Bellino irá lançar oficialmente o programa School of Life durante o Congresso Global de Empreendedorismo no Rio de Janeiro.

A Escola da Vida traz um novo conceito de educação e tem muita similaridade com os reality shows que fazem tanto sucesso ao redor do planeta. O objetivo: descobrir talentos empreendedores. O nome do primeiro concurso: “Em Busca do Novo Steve Jobs” (“Finding the Next Steve Jobs”), título do novo livro de Nolan Bushnell, gênio do vídeo game que fundou a Atari.  Bushnell, que foi um mentor de Jobs, o legendário fundador da Apple, será o “presidente de honra” da School of Life.

O conceito básico do programa será formar empreendedores de sucesso e, o segredo desse sucesso, diz Bellino, começa com caráter.

“Não quero saber de ideias.  Quero saber quem está por trás das ideias, quero saber quem são as pessoas”, diz ele.  “Queremos conseguir dar as pessoas a capacidade, a resiliência, que são valores fundamentais, intrínsecos a qualquer empreendedor de sucesso para que ele possa enfrentar a guerra, o dia a dia dos seus negócios, e construir negócios aonde muitos não acreditam que seria possível, e fazer o impossível”.

Ricardo Bellino na sede da School of Life, em Miami. Foto de Carla Guarilha.

A primeira turma da Escola da Vida, com 20 aprendizes, deve começar em julho.  A sede da ONG vai ser montada inicialmente dentro de um novo centro de “start-ups”, ou inovações empreendedoras chamado The Lab Miami, um investimento da Fundação Knight, no Design District, região criativa e artística de Miami.  Mas a School of Life vai operar virtualmente no mundo inteiro através do site www.schooloflife.com, que vai ao ar amanhã, assim que for cortada a fita simbólica, simultaneamente em três cantos do mundo.  No congresso no Brasil vai estar Gustavo Caetano, fundador da SambaTech, gigante em distribuição de vídeos educativos e educacionais; Bellino estará em Atenas, na Grécia, participando como o 111º convidado de um jantar anual oferecido pelo escritor Paulo Coelho em homenagem a seu padroeiro São José; e em Los Angeles vai estar Bushnell, a grande estrela do anuncio.

“Juntos vamos procurar pessoas com talento extraordinário, com ideias extraordinárias, e que possam, de fato, fazer a diferença e serem tratadas e desenvolvidas, incubadas dentro do ambiente da School of Life”, diz Bellino.

School of Life vai estar localizada nessa primeira fase no The Lab Miami. Foto de Carla Guarilha.

Assim que o website for lançado, os candidatos podem começar a concorrer a vaga.

Como Bellino foi o 111º convidado de Coelho, um numero importante na Cabala, simbolicamente, o “jogo da vida” também terá duração de 111 dias, diz ele.

O curso será dividido em três módulos, que Bellino compara com reality shows.  O primeiro será como o “Survivor” ou “No Limite”, onde os alunos vão se submeter a testes psicológicos que vão avaliar sua capacidade de enfrentar os outros dois estágios. “Fizemos o trabalho orientado para realmente quebrar, destruir para construir de novo”, diz Bellino.  A segunda fase será como o programa “Aprendiz”, com  uma série de atividades, outros testes e projetos concretos.  A última fase, para aqueles que não tiverem desistido ou sido eliminados, será parecido com o “reality” americano “Shark Tank”, ou “Tanque de Tubarão”, onde, assim como no programa, os aprendizes da Escola da Vida terão três minutos para apresentar seus projetos a um grupo de investidores e a chance de tornar seu sonho realidade.

Bellino numa das salas do The Lab Miami. Foto de Carla Guarilha.

“Mostrar que você pode atingir o sucesso, mas não o sucesso a qualquer preço, é muito importante para criar valores morais, que para nós são fundamentais”, diz Bellino, que ainda afirma que as escolas tradicionais não dão esta oportunidade.  “Ela quer que você ande dentro de uma reta, dentro de uma caixa para você seguir um protocolo, terminar recebendo uma certificação para que com essa certificação você procure um emprego, e esse circulo vicioso destrói a capacidade, a imaginação e o sonho das pessoas”, diz Bellino que nunca completou uma faculdade mas passou com nota 10 na escola da vida, se transformando num dos melhores “aprendizes” de Donald Trump.

Em 2003, Bellino convenceu o magnata a fazer o primeiro investimento imobiliário Trump no Brasil. Mas não foi tão simples quanto parece. Trump não estava em seus melhores dias e deu três minutos para Bellino vender sua ideia de levar a marca Trump para o mercado de imóveis no Brasil.  Perante a situação inesperada, Bellino imediatamente deixou de lado sua apresentação original e para vencer o desafio, usou de sua genialidade empresarial, baseada em dois fatores: carisma e coragem de errar.  O projeto Villa Trump Golf & Resort em Itatiba, São Paulo, acabou não indo para frente mas rendeu uma forte amizade entre eles até hoje.

E agora, Bellino quer aplicar a mesma regra de “3 minutos” para criar novos aprendizes.

“Quero poder resetar essas pessoas no sentido de dar a elas a possibilidade de acreditar no sonho de novo, acreditar no impossível de novo, porque quando somos crianças, acreditamos que podemos fazer coisas extraordinárias, mas a nossa vida, nossa escola, nossa igreja, nossos amigos, nosso clube, estornam a nossa capacidade de sonhar”, diz o CEO da School of Life.

Parece um tanto arrojado, mas ele está calcando o sucesso do seu novo projeto na sua própria história de ousadia.

O quadro ao lado de Bellino é outra iniciativa do empreendedor.  São 100 obras feitas com capsulas da Nespresso.  Este é de Andy Warhol, artista que desenhou a lata de sopa Campbell's, inspiração para Sopa de Pedras, tema de palestras de Ricardo Bellino.  Os quadros vendem por US$15 mil cada.  Este foi uma doação para a sede da School of Life.  Todos podem ser vistos no site http://www.saatchionline.com/Artmakers. Foto de Carla Guarilha.

O quadro ao lado de Bellino é outra iniciativa do empreendedor. São 100 obras feitas com capsulas da Nespresso. Este é de Andy Warhol, artista que desenhou a lata de sopa Campbell's, inspiração para Sopa de Pedra, tema de palestras de Ricardo Bellino. Os quadros são vendidos por US$15 mil cada. Este foi uma doação para a sede da School of Life. Para ver todos, visite http://www.saatchionline.com/Artmakers. Foto de Carla Guarilha.

Aos 14 anos, Bellino teve sua primeira experiência empreendedora ao negociar com o dono de uma oficina eletrônica uma comissão por cada Atari que seus amigos de escola levavam até ele para codificar do modelo americano para o brasileiro. Quando conseguiu juntar US$300 com as comissões, Bellino investiu num equipamento de som e se associou ao grupo que mais tocava nas festas dos colegas.

Bellino e sua lata de sopa de pedra.

E esta foi a primeira de muitas vezes que Bellino aproveitou o limão para fazer uma boa limonada.

O investimento surgiu de um pequeno problema que na época lhe incomodava. Como tinha vergonha de chamar as meninas para dançar, ele ficava atrás dos DJs nas festas.  Assim, acabou virando sócio da equipe.

“Essa timidez foi o que me alavancou”, diz ele.  “Eu consegui transformar literalmente timidez em carisma”.

E foi, exatamente, esse carisma que o ajudou a vencer barreiras, aproveitar todas as oportunidades que sua escola da vida apresentou e conquistar grandes negócios.

No fim dos ano 80, com pouco mais de 20 anos, ele convenceu John Casablancas, dono da famosa agência de modelos “Elite”, em Nova York a abrir a Elite Models Brasil.  Casablancas concordou e se tornou seu “mentor e pai espiritual”.  Foi quem, de fato, o apresentou ao Trump, que acabou sendo a chave de sua trajetória de sucesso.

Seu lema:  “Como não sabia que era impossível, fui lá e fiz!”, uma frase do escritor francês Jean Cocteau.

“O empreendedor de sucesso assume risco, ele vai no limite, acredita no impossível, passa pelas chamas, abre o mar e atravessa o oceano”, diz Bellino. “Acho que uma das minhas maiores virtudes é não ter medo de errar e, não tendo medo de errar, eu arrisco mais, dentro de uma perspectiva responsável, com a cabeça no céu e pé no chão”.

E “não ter medo de errar” , diz ele, é um de cinco simples conceitos para o sucesso.  Os outros quatro são: entusiasmo, persistência, coragem de assumir risco e a verdade.

Sendo a “verdade” o fator determinante na seleção dos aprendizes, diz Bellino.  “A verdade vem com o caráter. Se você não tem caráter, a verdade não existe”.

Para testar suas aptidões de empreendedor, visite o site em inglês do livro “You Have 3 Minutes”.

No vídeo, Ricardo Bellino conta o segredo do seu sucesso, em menos de 1 minuto:

Empreendedor brasileiro Ricardo Bellino abre Escola da Vida em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012 Arte & Cultura, Decoração, Imóveis, Miami | 11:01

Ornare premia arquitetos brasileiros em Miami esta semana. Mas é o sucesso do casal – na vida e nos negócios – que merece um grande prêmio.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Vinte-seis anos atrás, Esther e Murillo Schattan abriam a primeira loja da Ornare em São Paulo.

Jovens, recém casados, Murillo decidiu deixar o trabalho como engenheiro e abrir seu próprio negócio.  Depois de muita pesquisa, resolveu entrar no ramo de armários de luxo para casa, um nicho de mercado não tão comum na época.

Esther, engenheira química, com 22 anos, topou o desafio.  Largou o emprego na sua área e assumiu a parceria ao lado do marido nessa nova trajetória profissional.

Pioneiros, hoje o casal, considerado um modelo de sucesso, tanto na vida pessoal como profissional, continua unido, feliz e tem dois filhos que os ajudam a manter, renovar e expandir a empresa internacionalmente.   Pitter, 24, e Stefan, que faz 22 daqui a dois dias, também se formaram em engenharia, por conselho e recomendação dos pais, que estão por aqui para vários eventos da Ornare em Miami esta semana.

“Engenharia é uma ferramenta que ensina a pensar de uma maneira mais funcional, mais técnica – problema e solução”, diz Esther.  “Tem um problema, ótimo, você vai e encontra uma solução”.

Esther Schattan na loja de Miami. Foto de Carla Guarilha.

E foi essa forma clara e estruturada de pensar e solucionar problemas que serviu de base para o crescimento da empresa, que abriu sua primeira loja nos Estados Unidos em 2006, no auge da crise econômica.

Vários prédios pararam as construções na época e o setor imobiliário estava completamente paralisado.

“Nós pensamos que íamos fazer prédios inteiros, e naquela ocasião, parou tudo”, diz Esther.

Mas já estavam aqui e não dava para voltar atrás.  “Falamos, ‘bom, se é assim, ‘vamos trabalhar’.  Sempre tem gente que quer ter suas coisas em ordem, sua casa bonita para receber os amigos, e foi o que aconteceu”.

Há seis meses, o showroom se mudou para um novo endereço, também no Design District, um bairro com as melhores lojas de decoração e design de móveis, e a segunda loja nos Estados Unidos será aberta em Dallas, no Texas, no início do ano que vem.

Esther Schattan, entre os irmãos Claudio (dir.), e Olavo Faria (esq.), donos das franquias de Miami e Dallas. Foto de Carla Guarilha.

E não para por ai.

Esther diz que espera levar a Ornare — que além de armários, hoje tem diversas linhas de cozinha, salas de banho, home offices e home theaters — para vários países da América Latina – e abrir cinco lojas nos Estados Unidos nos próximos dois anos.

Ela diz que seu sucesso vem muito de sua filosofia de vida, baseada na “corrente do bem”.  “Uma coisa puxa a outra”.

Assim, a premiada Ornare, através de seus donos, cultiva e aplica valores do bem no dia a dia das operações, sempre buscando novas causas de responsabilidade social e cativando seus funcionários e parceiros, como uma grande família.

Com a equipe do showroom de Miami. Foto de Carla Guarilha.

E como parte desse reconhecimento, a Ornare criou uma premiação especial para os arquitetos que mais vendem seus produtos e, pelo terceiro ano consecutivo, a empresa traz mais de 20 deles para Miami durante Art Basel, uma das mais respeitadas feiras de arte do mundo

Este ano, chegam hoje aqui 28 brasileiros, 25 vem do Brasil e três de Dallas.  Eles estão hospedados, com tudo pago, no One Bal Harbour, um dos hotéis mais badalados atualmente, e são convidados especiais de várias atividades VIP numa das semanas mais movimentadas da cidade, com muita festa e muitos eventos.

“Uma coisa é vir para Miami como qualquer mortal – todo mundo pode vir para Miami”, diz Esther.  “Mas vir com essa honra, homenagem, com esse reconhecimento, é outra historia”.

E é com esse espírito de reconhecimento e de parceria que Esther e Murillo, e agora os filhos, lideram a empresa.

No modelo de cozinha, logo na entrada da Ornare em Miami. Foto de Carla Guarilha.

A Ornare, que trabalha com várias ONGs, este ano está oferecendo também esta semana um coquetel na quinta-feira para lançar o segundo Gala-Miami da BrazilFoundation, uma grande ONG de Nova York que arrecada fundos nos Estados Unidos para ajudar diferentes projetos de ONGs no Brasil.  O evento, tradicional e badaladíssimo em NY, fez grande sucesso no seu debut em Miami este ano e para o próximo, em março de 2013, vai contar com o novo apoio da Ornare.

“BrazilFoundation é nossa homenageada e queremos divulgá-la”, diz Esther.  “Nossa educação é voltada a ajudar o próximo.  Desde que a gente nasce, a gente sabe que isso faz parte da nossa vida.  A BrazilFoundation agora entrou na lista”.

Esther diz que o mundo hoje está muito diferente de quando se casou e abriu a primeira loja da Ornare há 26 anos.  Mas o segredo, tanto no casamento como na empresa, é simples: a renovação constante e o amor ao próximo.

“A essência é essa: amor, confiança, fidelidade e lealdade”, diz, se referindo não só ao marido, mas também a seus clientes e funcionários.

“Queria que a empresa fosse eleita a melhor empresa para se trabalhar.  Que todo mundo fosse muito feliz e orgulhoso de estar com a gente”, diz.  “Esse é meu sonho.  Trabalhamos para isso”.

No vídeo, Esther conta, em poucas palavras, o segredo de 26 anos de sucesso no casamento e nos negócios:

Esther Schattan revela aqui o segredo do sucesso da Ornare e deixa um conselho para casais que trabalham juntos. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 27 de novembro de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Entrevistas, Miami | 10:07

Brasileira faz sucesso nos Estados Unidos em “reality” que inspirou o programa Mulheres Ricas.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Aos 7 anos, Adriana de Moura frequentava um conservatório de piano em Campinas, onde cresceu, e passava as férias em Araraquara com papel, pincel e tinta nas mãos, ao lado da avó paterna, dona Elisa, artista plástica.

“Minha avó era uma mulher muito especial, com muita bagagem, muita cultura e  sempre me influenciou”, diz a curadora e marchand brasileira, que hoje vive um papel público quase oposto da mulher intelectual, caseira e tímida que é.

Com seu cachorro -- e a escultura dele -- na sala de sua casa em Miami Beach. Foto de Carla Guarilha.

Desde o ano passado, quando foi escolhida como uma das personagens do “The Real Housewives of Miami” – que inspirou aí no Brasil o programa “Mulheres Ricas” – sua vida e imagem se transformaram também.

A Bravo, o canal de TV da rede NBC que exibe o reality, classificou Adriana de Moura, como “Brazilian bombshell”, a explosiva e devastadora dona de casa, que amanhã lança seu single, “Feel the Rush”, a música que é tema da nova temporada do programa.

Ela vai se apresentar para 2 mil pessoas pela primeira vez,  ao vivo, no Mansion, um dos mais badalados clubes em South Beach.

“Não perco oportunidades”, diz.  “Pela publicidade desse show e exposição que estou tendo, tenho meus 15 minutos de fama que estou tentando transformar em 45”, brinca.

Adriana, em sua casa, com óculos de sol de uma linha que desenvolveu chamada Adri O, inspirada na ex-primeira dama americana Jacqueline Kennedy, também conhecida como Jackie O. Foto de Carla Guarilha.

Mas sua essência está em um outro evento, que está promovendo hoje à noite: uma vernissage da artista plástica Carmem Gusmão (entrevistada recentemente nessa coluna.)

“O papel da arte é de desafiar, abrir os horizontes e trazer aquela emoção que está guardada dentro de você”, diz.  “Os grandes artistas sempre tiveram um aspecto sociopolítico por trás das obras deles”.

Adriana tenta sempre apoiar artistas brasileiros.  “Gosto de mostrar ao mundo que somos mais do que samba e futebol”, diz, com orgulho.  “A Carmem [Gusmão], por exemplo, é uma guerreira que merece a visibilidade, que acho que posso trazer para ela”.

Adriana diz que a arte preenche sua alma e lembra que uma das mais importantes  lições que aprendeu com sua avó foi que as necessidades da alma são maiores do que as materiais.

“A fama é um meio.  Não um fim”, diz a curadora-cantora-atriz, que se auto denomina como “camaleoa”.

No porta-retrato, na sua sala, Adriana com Barack Obama, num jantar em Miami há quatro anos para arrecadar fundos para sua primeira campanha presidencial.

Mas é seu papel de mãe que supera todos os demais.

“No minuto que você põe uma criança no mundo, sua função número um deve ser fazer desse ser humano o melhor que ele pode ser”, diz.

Seu filho Alexandre hoje está com 12 anos e, como Adriana, é apaixonado pela musicalidade.  Frequenta duas vezes por semana o programa preparatório da faculdade de música da Universidade de Miami, Frost School of Music, para jovens pré-universitários.

Depois que Adriana se formou em letras e linguística pela PUC de Campinas, ela passou uns meses estudando arte na Sorbonne, na França, depois na Itália e acabou no Texas, nos Estados Unidos, onde conheceu o pai do seu filho.  Moraram em Dallas alguns anos até que o casamento começou a balançar.

Adriana buscava novos desafios e uma nova vida.  Resolveu, então, estudar Direito Internacional e Arte e foi aceita em quatro faculdades, inclusive a Universidade de Miami.

Para evitar maiores problemas conjugais, apesar de divorciados, o casal permaneceu morando junto e se mudou para Miami, na badalada e exclusiva ilha de Fisher Island.  Ali Adriana abriu sua primeira galeria de arte. Mas a situação entre o casal só piorava e acabaram se separando definitivamente.

Sua prioridade absoluta passou a ser os cuidados com seu filho.

Ao lado do porta-retrato do seu filho, Alexandre. Foto de Carla Guarilha.

“Você tem que prover não só as coisas materiais, como casa, comida e uma educação, mas também harmonia, amor e passar aquele senso de segurança, de amor próprio para aquela criança”, diz.  “Ser mãe e ser brasileira é, ‘levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima’. Acho que essa é uma das coisas que a mulher brasileira tem: muita garra”.

E com essa garra, Adriana foi construindo e reconstruindo sua vida, sozinha.

“Quero ser lembrada pelo meu filho como uma mulher intelectual,  que luta, que almeja, mais do que tudo, uma presença, como brasileira, como uma pessoa culta e centrada”, diz.  “Meu propósito final é me realizar como uma mulher de negócios, ter minha independência financeira completa, proporcionar uma educação de altíssimo nível para o meu filho, mas como minha avó já tinha me dito, lembrando sempre que as nossas necessidades interiores, espirituais são bem mais poderosas e muito mais demandantes do que os bens materiais”.

Seu sonho em 20 anos? Fazer doutorado em linguística.

“No mundo perfeito, estaria voltando para quem realmente sou: amante da arte e linguística.  Gostaria de terminar meus dias como professora universitária, lendo, estudando, discutindo com os alunos”, diz.  “Eu adoro tudo que tem relação com a educação.  Eu poderia ser uma eterna estudante”.

Sua mensagem?

“Acho que no fim, se você é verdadeiro, consegue sonhar e realizar, mas o sonho vem primeiro”.

No vídeo, Adriana de Moura compartilha o segredo do seu sucesso:

O segredo do sucesso de Adriana de Moura, apelidada de “Brazilian bombshell” no “reality” Real Housewives of Miami, é garra. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 13 de novembro de 2012 Arte & Cultura, Miami | 10:19

Brasileira guarda segredos por trás das telas: uma arte voltada para o bem.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Carmem Gusmão começou a pintar com 5 anos e, com 13, já fazia sua primeira exposição.

Mas seu sucesso não vem só de seu talento.  Vem mais da essência, de tudo que está por trás das telas, o que corresponde exatamente a cada momento e fase de sua vida.

Cada tom de cor de uma pincelada é resultado de muita leitura, pesquisa, pensamentos, palavras e, claro, sentimentos.  Mas bem lá no fundo é sua razão, às vezes até inconsciente, que acaba determinando o impacto final de suas obras.

“Quando tenho uma tela branca na frente, eu começo a escrever várias coisas que queria falar e por algum motivo não falei, não tive vontade de falar ou não consegui falar”, diz a artista-poeta-escritora.  “Nunca ninguém viu e nunca ninguém vai ver, mas eu sei que está ali.  Em um milhão de anos, se resolverem raspar, vai ter muita coisa escrita”.

Seu processo de criação é constante. Foto de Carla Guarilha.

E em poucos dias, algumas dessas telas estarão sendo exibidas numa mostra paralela à Art Basel, a grande feira de arte anual em Miami.

Carmem é um dos  sete brasileiros que vem expor na Artexpo Miami + Miami SOLO 2012, trazidos pela “B Licenças Poéticas”, de Bia Duarte. Hoje, um coquetel de “bota-fora” reúne, em São Paulo, os artistas que participarão da exposição em Miami nos dias 5 a 9 de dezembro.

Além de Carmem, vem para os três estandes da “B Licenças Poéticas”: Anna Guerra, Daniel Azulay, Martin Gurfen, Eduardo Kobra, Alessandro Jordão e Federico Guerreros.

"The art to see beyond the normal range of sensorial perception" é uma das obras que vai entrar na exposição Artexpo Miami Solo "Basel". Foto: Cortesia Carmem Gusmão.

“Miami inspira arte”, diz Carmem, que mora aqui há quatro anos.  “É bacana participar da semana de Art Basel com uma pessoa como a Bia.  O escritório “B Licenças Poéticas” é fantástico.  Acho que é um trabalho muito sério e, de uma certa forma, você está representando o Brasil, mostrando o que a gente tem de bom”.

Ainda no final deste mês, Carmem inaugura também em Miami uma exposição solo, que tem um significado muito especial para a artista plástica.

Em julho, Carmem perdeu seu pai, que sempre foi sua maior influência emocional e intelectual. “Acho que foi o ano mais difícil da minha vida”, diz ela.  “Meu pai foi quem me inspirou, me ensinou e me apoiou.  De repente, ele foi arrancado de minha vida”.

E nesse período de sofrimento, tristeza e luto, Carmem passou refletindo através das tintas e palavras que colocava por trás de uma tela, que batizou de “July 12”, 12 de julho, o dia que seu pai faleceu.

"July 12". Cortesia: Carmem Gusmão.

“Na hora que terminei, falei, agora estou pronta.  Vamos embora, né? pai.  Você deve estar num lugar bom, bacana”.

Logo depois veio uma boa notícia e nascia o seu neto, Pedro, no dia 30 de outubro. “É o ciclo da vida“’ diz.  “Essa exposição encerra um ciclo”.

Entre as 15 obras que fazem parte da exposição “The art to see beyond the imagination”  (“A Arte de ver além da imaginação”) no dia 27 de novembro na galeria Markowicz Fine Art está o quadro “July 12”.

Mas durante seus 37 anos de criação e inspiração, sua arte nem sempre, ou melhor, quase nunca, refletiu uma mensagem de âmbito tão pessoal.   São causas sociais que mais lhe atraem.

Sua obra vem de uma influência regional muito forte de Minas Gerais, onde nasceu, e da Amazônia, onde cresceu depois dos 12 anos, quando seu pai comprou uma fazenda e a família se mudou para Belém, onde ela passou grande parte de sua vida.

Carmem Gusmão no seu "loft" e estúdio em Miami. Foto de Carla Guarilha.

Suas ideias surgem como uma luz e ela as abraça e se dedica inteira e profundamente, como fez há mais de uma década quando conviveu intimamente com os Kayapós para conhecer e divulgar a cultura desses índios da Amazônia.

E assim, sua obra transmite com clareza, de forma sútil, porém firme mensagens que se codificam visualmente, muitas vezes, em forma de símbolos da psicologia, que é sua formação universitária.

“Acho que não teria o trabalho que eu tenho se não tivesse estudado psicologia. A arte tem que ser muito mais do que um trabalho lindo e maravilhoso que vai ficar enfeitando uma casa”, diz ela.  “A arte tem que fazer pensar”.

E com essa meta de educar e transformar, Carmem usa sua arte como instrumento do bem, que nem ela, às vezes, sabe como começou e, muito menos, como conseguiu acabar.

“Tem obra que eu termino e tenho que ajoelhar no chão e falar, ‘Deus, obrigada’.  Nem eu sei como eu fiz aquilo”, conta.  “Eu falo, ‘como é que isso chegou pra mim?’.  Tem dias que tento fazer a mesma coisa e não vem de jeito nenhum.  Pintar é visceral”.

Rodeada de sua arte e seus livros. Foto de Carla Guarilha.

E é essa essência do ser humano, na sua forma mais pura, que mais lhe fascina.

“Acredito em tudo que se posiciona na minha frente, mas em primeiro lugar, acredito no ser humano e na bondade que você tem que ter dentro de você”, diz ela.  “Não adianta nada você praticar mil religiões.  Sua religião tem que ser a bondade e a verdade”.

Para conhecer mais o trabalho de Carmem Gusmão, visite seu website.

No vídeo, ela resume o segredo de seu sucesso em uma palavra: verdade.  Confira.

Artista plástica Carmem Gusmão usa uma palavra para definir o segredo de seu sucesso: a verdade. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Miami | 10:02

Brasileiro rouba coração de âncora americano

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

“Hoje soa estranho aos ouvidos quando alguém fala:  ‘vamos a um casamento inter-racial este final de semana’.  A gente espera que em alguns anos também soe estranho ouvir vamos a um casamento gay”, diz Rubem Robierb, fotógrafo brasileiro.  Em dezembro, ele se casa com Sam Champion, âncora do tempo do programa matinal, Good Morning America, da rede de televisão americana ABC.  “Não existe casamento inter-racial ou gay.  Existe casamento entre duas pessoas”.

Rubem Robierb com Sam Champion. Foto: Álbum de família.

Mas casamento gay ainda é ilegal em vários estados norte-americanos, inclusive na Flórida.

O matrimônio civil será realizado em Nova York, onde é permitido casamento entre dois homens ou duas mulheres, e a festa será em Miami, com poucos e seletos convidados.

“A gente não quer transformar num grande evento.  Em Nova York, seria uma festa para 500 pessoas, mas não é a nossa cara”, diz o brasileiro.  “Se pudéssemos casar na praia com as 20 pessoas mais próximas, pé na areia, seria o ideal, mas não é possível por questão de logística, porque não pode ter segurança na praia.”

Em Nova York e Miami, o casal costuma andar de mãos dadas nas ruas e recebeu muitos cumprimentos e carinho do grande público que assistiu, recentemente, o anúncio do casamento e a declaração de amor de Champion ao companheiro, feita ao vivo durante o programa da ABC.

“Encontrei a pessoa mais maravilhosa, carinhosa e cuidadosa.  Tenho a maior sorte do mundo de ter uma pessoa assim na minha vida”, disse publicamente o âncora americano.

Os dois já se relacionavam há dois anos.  Champion nunca escondeu sua homossexualidade, mas preferia manter sua privacidade até encontrar o fotógrafo e artista brasileiro.

“Sam sempre foi uma pessoa muito discreta e reservada, mas se você encontra alguém que você quer dividir sua vida, isso é um fato relevante e você não pode esconder”, diz Robierb, que hoje divide sua vida entre Miami e Nova York, onde amanhã abre a exposição da série “Bullet-Fly Effect” na galeria Emmanuel Fremin em Chelsea, que vai até 10 de novembro.

BULLET-FLY EFFECT SERIE Nº3 faz parte da exposição. Foto: Cortesia Rubem Robierb.

Rubem nasceu em Bacabal, no Maranhão, criado pela sua mãe, dona Maria das Graças de Freitas.  Aos 14 anos, foi morar em São Luís, na casa de amigos da família, um casal de idade que, hoje, é como se fosse seus avós.   Quando completou faculdade de turismo e hotelaria, resolveu passar um mês de férias em São Paulo e acabou ficando por lá.

Foi na capital paulista que descobriu a fotografia.  Sempre gostou de escrever e queria publicar um livro de poesias, mas precisava de imagens. Fotografando para seu livro, descobriu sua nova paixão.

“Queria aprender fotografia para ilustrar meu livro”, diz Robierb.  “Seis meses depois, me apaixonei por fotografia”.

Na sala de seu apartamento em South Beach. Na parede, parte da série "Show me the Money". Foto de Carla Guarilha

Com o tempo, montou um estúdio e passou a fotografar modelos, mas queria mesmo era fazer fotografia artística.

“Comecei a fotografar todo tipo que eu achava interessante, que tinha uma personalidade interessante.  Sempre via beleza em todo tipo de gente”, diz ele.  “Se via uma mulher obesa, interessante, achava ela linda e pedia para fotografá-la nua”.

E foi com essas fotografias artísticas que lançou sua carreira internacional.

Em 2005, recebeu um convite para expôr sua séria Brésil Autrement em Aix-en-Provence, na França.  De lá, seguiu para Paris, Mônaco, Zurique e Milão. Dois anos depois, voltou para São Paulo, mas sua passagem por lá não durou muito.  Resolveu vir a Miami no fim de 2007 para a famosa feira de arte Art Basel e aqui ficou e conheceu seu futuro marido.

Eles estão comprando um apartamento em South Beach para os fins de semana e devem passar mais tempo agora em Nova York, onde Robierb está montando seu novo estúdio.

Mas ele diz que não querem nada de presente para casa.  Estão pedindo de presente de casamento doações para a ONG americana Point Foundation, que dá bolsas de estudos para jovens homossexuais.

“Desde muito jovem, meu sonho é montar uma fundação que ajude crianças carentes extremamente talentosas no meio da arte a terem uma oportunidade de vida melhor.  Assim, consequentemente, vão dar uma oportunidade de vida melhor para sua família, sua comunidade, para pessoas ao seu redor”, diz ele.  “Se você dá uma chance de uma exposição internacional para essa criança e ela vê o talento que tem, como eu vi um dia, e percebe que pode ser alguém na vida, que pode fazer a diferença, ela no futuro vai ajudar a transformar a vida de algumas pessoas que estão ao seu redor, como eu tento fazer para minha família.  É uma pirâmide, assim que é a vida”.

Foto de Carla Guarilha

E uma das grandes alegrias de sua vida é poder ajudar sua mãe, que hoje mora em seu apartamento em São Paulo e, recentemente, resolveu retomar os estudos.  Passou no vestibular e está fazendo faculdade de pedagogia.  “Os professores não dão mole para ela porque tem 61”, diz Robierb, orgulhoso.

Arcanjo Obama. Cortesia Rubem Robierb.

Para mais informações sobre sua arte e exposições, visite o website.

No vídeo, Rubem Robierb revela o segredo do seu sucesso: fé e persistência.

Fotógrafo brasileiro Rubem Robierb diz que o segredo do seu sucesso é fé e persistência. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012 Direto de Miami, Educação, Miami | 09:22

Carioca entra na lista dos 100 latinos mais influentes de Miami

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

A arquiteta Adriana Sabino chegou aos Estados Unidos em 1983.

Destino: Nova York.  Previsão de estada: 6 meses.

Ela veio com Marcelo, seu marido, que faria um curso sobre o sistema bancário americano na New York University, e com suas duas filhas pequenas, uma com 10 meses e a outra com 2 anos e meio.

Logo voltariam ao Brasil.

Mas isso não aconteceu.

“Foi o maior conto do vigário que já passaram em alguém”, brinca Adriana, que havia deixado para trás um escritório de arquitetura com projetos em andamento e uma casa montada em Belo Horizonte, onde a carioca se estabeleceu depois do casamento.

Sabino na sala de sua casa em Key Biscayne. Foto de Carla Guarilha.

O curso em Nova York terminou. Mas a direção do Banco Rural, da família do Marcelo, estava querendo avaliar as opções do mercado bancário em Miami na época, e ninguém melhor do que o casal que já se encontrava no país.

“Eu continuava com minhas duas malinhas e minhas duas crianças – com mais suas duas malinhas”, conta Adriana, que 30 anos atrás iniciava aqui uma vida de desafios – mas também muitas conquistas.

E foram essas conquistas que levaram à grande homenagem que recebeu na semana passada: sua foto agora faz parte da exposição “100 Latinos”, um painel dos latinos mais influentes daqui, que ficará exposto por um ano no Aeroporto Internacional de Miami.

Foto oficial, de Dora Franco. Cortesia "100 Latinos".

O projeto, uma iniciativa da Associação Fusionarte, de Madrid, está na sua segunda edição em Miami, e espera em breve fazer parte de muitos outros aeroportos nos Estados Unidos.

A colombiana Verónica  Durán, fundadora e presidente da Fusionarte, diz que o objetivo do projeto, que resulta em um livro e exposição, é mostrar para o mundo os latinos que são exemplos de sucesso, são imigrantes profissionais que contribuem para o desenvolvimento da cidade onde vivem em vários aspectos: econômicos, sociais e culturais.

“Queremos mostrar o rosto da América Latina”, diz ela.

E Adriana hoje está neste seleto hall.

Cortesia "100 Latinos"

“Tinha achado a iniciativa muito interessante – de valorizar as pessoas que estão fazendo a diferença em Miami”, diz Sabino.  “Agora sou uma delas.  Acho que trago essa integração da minha comunidade com a sociedade multinacional de Miami”.

O outro brasileiro selecionado este ano foi o piloto Hélio Castroneves.

Yolanda Sánchez, diretora para assuntos artísticos e culturais do aeroporto, disse que os 100 latinos escolhidos representam modelos de perseverança e comprometimento.  “Para muitos, não têm sido fácil”, diz ela.  “Tenho muito orgulho de poder mostrar os aspectos positivos da cultura latina”.

Já para Adriana, é especificamente a cultura brasileira que ela pretende disseminar cada vez mais por aqui.

Ela divide seu tempo quase igualmente entre sua empresa de planejamento e decoração de interiores, Adriana Sabino Interiors, e o Centro Cultural Brasil-USA, que acaba de completar 15 anos.

Adriana cofundou o CCBU, uma entidade sem fins lucrativos, que nasceu com o objetivo de difundir e divulgar a cultura brasileira em Miami.

“Foi uma estratégia de sobrevivência de imigrante.   A ideia era mostrar toda a riqueza que o Brasil tem e que não era muito divulgada,” diz ela.  “A gente queria abrir um espaço de prestígio para o brasileiro que estava morando aqui e marcar nossa presença de uma maneira simpática”.

Uma de suas prioridades sempre foi a disseminação da língua portuguesa do Brasil, de forma abrangente, onde o aprendizado iria além do idioma, envolvendo história, geografia e outros aspectos da cultura, representando assim um resgate cultural completo através do idioma.

Existe uma grande diferença entre falar um idioma e suas nuances culturais, diz Adriana, que foi uma das principais vozes para a criação do estudo bilíngue da pioneira escola Ada Merritt em Miami, onde as crianças aprendem as matérias em inglês e português e, recentemente, recebeu das mãos do cônsul-geral do Brasil em Miami, Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, a Ordem do Rio Branco, uma grande homenagem do Itamaraty.

Na varanda de seu apartamento. Foto de Carla Guarilha.

“Ser brasileiro é falar a língua mas também entender o espírito brasileiro, compreender de onde você vem, que é fundamental”, diz Adriana, que enfrentou esse desafio ao chegar nos Estados Unidos: manter sólidas suas referências como brasileira.

“[Como imigrante] você precisa criar sua base”, diz ela. “O segredo da vida é você se colocar desafios que dão trabalho, demandam esforço, mas que estão dentro do seu alcance.  Sou muito boa em criar uma base para mim”.

No vídeo, Adriana reflete sobre sua visão de vida e de sucesso:

Exposição “100 Latinos” volta para o Aeroporto Internacional de Miami, este ano com a brasileira Adriana Sabino. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 14 de agosto de 2012 Arte & Cultura, Cinema, Direto de Miami, Diversão, Entrevistas, Miami | 09:05

Falta de patrocínio não impede uma mato-grossense de continuar divulgando o cinema brasileiro em Miami, em grande estilo.

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Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

O Festival de Cinema Brasileiro de Miami completa 16 anos e, apesar da falta de grandes patrocínios, vai manter a qualidade e o padrão que o consagra.  Tudo isto por conta do amor de Viviane B. Spinelli e suas sócias, as irmãs Cláudia e Adriana Dutra. A crise econômica atingiu em cheio os negócios, mas não a garra, a dedicação e o empenho desse trio.

Spinelli diz que apesar de ter menos ajuda financeira, a edição deste ano continua com o apoio local e alguns patrocínios importantes, como do Consulado do Brasil em Miami, e não deixa nada a desejar aos outros festivais.

“O conteúdo do festival está lindo, e a gente está com um cinema maravilhoso com filmes belíssimos”, diz ela.  “Acho que é isso que vale no fim das contas”. E foi com esse mesmo espírito que deu início, em 1997, ao primeiro Brazilian Film Festival of Miami.

Viviane diz que sempre buscou desafios e nunca gostou de se acomodar em nada na vida.

Viviane na piscina de sua casa com Athena Von Claude, uma cadela da raça Pastor Alemão - capa branca, com um ano e meio e 50 kg. Foto de Carla Guarilha.

Com 15 anos, tinha um vida confortável em Cuiabá e um Mustang na garagem.  Mas queria conhecer o mundo e começou pelo Rio de Janeiro, onde morava sua avó Dilza Maria Curvo Bressane, hoje com 91 anos.

Viviane, em Cuiabá, ao lado de sua vózinha, dona Dilza, sua "segunda mãe", hoje com 91 anos. Album de família,

Queria estudar artes plásticas mas acabou cedendo as pressões da família e, com 17 anos,  começou a estudar arquitetura.  Mas, sua vida mudou mesmo quando foi estudar inglês na Califórnia e na volta passou uns dias em Miami visitando as amigas Cláudia e Adriana  – sim, as mesmas que hoje são suas sócias. Ela adorou a cidade e sabia que voltaria. Assim foi.

Assim que conseguiu, retornou a Miami para morar, e em seguida, as três amigas abriram a Inffinito Promotions, transformando um sonho em um dos eventos mais importantes da cidade.

“O Brasil ainda era um pouco visto pelo estigma de futebol e samba.  Ninguém falava do lado cultural, dos filmes, teatro, da cultura brasileira”, conta Spinelli.  “A gente pensou, vamos fazer um festival de cinema brasileiro para mostrar a cultura por um outro prisma”.

Viviane ainda se emociona ao lembrar do primeiro ano do festival.

“Foi uma repercussão muito bonita”, diz Spinelli.  “A gente não esperava”.

Cortesia Inffinito

Cortesia Inffinito

A edição de lançamento foi realizada no cinema Bill Cosford, da Universidade de Miami, em Coral Gables, onde passa muitos filmes experimentais, estrangeiros e documentários, voltados para um público intelectual e apaixonado por cinema.   Só que o mais novo evento da cidade na época contava com um diferencial: o “glamour” brasileiro.

Vieram especialmente para o ocasião nomes importantes da grande tela do Brasil, como Andrea Beltrão, Marieta Severo e Evandro Mesquita, e mostraram filmes premiados e celebrados, como “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, de Carla Camurati, “O pequeno Dicionário Amoroso”, de Sandra Werneck, “Como Nascem os Anjos”, de Murilo Salles, e “Terra Estrangeira”, de Walter Salles e Daniela Thomas, entre outros.

“Às vezes, você tem umas ideias que não sabe o que vão dar, e dão certo”, diz Spinelli.  “A gente não tinha noção da dimensão que poderia tomar isso”.

O sucesso foi tanto que a prefeitura de Miami Beach convidou o grupo para fazer o segundo festival no Colony Theatre, na Lincoln Road, com a noite de estreia em um telão ao ar livre.

A sociedade das três amigas começou a crescer e hoje a empresa é dividida em três operações: Inffinito Núcleo de Arte e Cultura e Inffinito Eventos e Produções no Rio de Janeiro, onde Cláudia e Adriana moram atualmente, e Inffinito Foundation, em Miami, onde está Viviane.

“São 18 anos de parceria”, diz orgulhosa Spinelli, que cuida de toda a produção internacional.

Viviane no meio das sócias, Cláudia e Adriana. Cortesia Inffinito.

A Inffinito apresenta cerca de 10 festivais de cinema brasileiro no mundo, da América Latina à Europa, passando por Vancouver no Canadá e Canudos no Brasil.

Viviane conta que nunca esqueceu quando recebeu o primeiro grande patrocínio da Petrobras.  Diz que apareceu uma coruja na janela do escritório em Miami e, naquele momento, sabia que estava no caminho certo.

Ela acredita que ainda vai ter de volta os grandes patrocínios e aposta na força da letra F, que aparece em dose dupla no nome da empresa Inffinito, em palavras essências nesta história: filme, força e feminino.

“Acho que tudo na vida da gente é trabalho, realização e busca”, diz.  “Estou buscando ainda.  Não me sinto estagnada com 43 anos – não me sinto completa ainda”.

Spinelli nunca deixou de pintar ou perdeu sua paixão por arte.

Seu próximo desafio agora é abrir uma galeria de arte em Miami.

“A gente sempre tem que ter um sonho na gaveta”, diz. “Quando a gente para de sonhar, a gente para de ter razão para viver”.

Viviane com Samantha Jones, sua gata, ao lado de um de seus quadros. Ela tem um pequeno atelier em casa e ainda sonha em abrir uma galeria de arte em Miami. Foto de Carla Guarilha.

O Festival de Cinema Brasileiro de Miami acontece entre os dias 18 e 25 de agosto. Serão exibidos 22 filmes, entre curtas e longa metragens da Mostra Competitiva no Colony Theatre e Mostra Paralela no Miami Beach Cinematheque.

O festival vai abrir com uma programação gratuita do “O Palhaço”, de Selton Mello, no paredão ao ar livre no New World Symphony, em Miami Beach.

Para mais informações ou compra de ingressos visite http://www.brazilianfilmfestival.com/miami/2012/miami2012_en.html

*No vídeo, Viviane fala da relação com sua avó, sua grande inspiração:

Festival de Cinema Brasileiro de Miami completa 16 anos. from Chris Delboni on Vimeo.

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segunda-feira, 30 de abril de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Entrevistas, Miami, Sem categoria | 08:42

Fotógrafa recebe prêmio de Artes Visuais do “Oscar” da comunidade brasileira no exterior. A categoria, até então, era dominada por artistas plásticos.

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Jade no estudio em sua casa. Foto de Carla Guarilha.

A fotógrafa Jade Matarazzo vai receber esta semana o prêmio “Brazilian International Press Awards 2012”, na categoria de Artes Visuais, até então dominada por artista plásticos.

Jade, a primeira fotografa a receber o prêmio desta categoria, se junta a outras estrelas como Romero Britto, Vick Muniz, Carmen Gusmão, Albery, Naza, Pedro Lázaro e Erick Vittorino.

“Sempre tem fotógrafos indicados nessa categoria, mas a Jade foi a primeira a vencer essa barreira”,  diz Carlos Borges, criador e presidente do Press Awards, que existe há 15 anos nos Estados Unidos, e em 2011, estreou também no Reino Unido e no Japão.

A premiação vem coroar a vida desta mulher apaixonada pela fotografia desde os 17 anos.

Fruto da tradicional família Matarazzo, em São Paulo, foi batizada pelos pais de Paola.  O encontro com a fotografia aconteceu por uma via transversa. Aos 16 anos, ela se apaixonou pelo mundo da patinação, quando passou no teste do “Holiday on Ice” em turnê pelo Brasil e fugiu com o grupo para Londres.  Foi localizada pela Interpol e seus pais a encaminharam para Suíça para uma escola de meninas.  Lá, ela  descobriu a fotografia.

“Sempre esperavam que eu me encaixasse em um certo molde, que é a família tradicional, não trabalhasse, tivesse filhos e casasse”, afirma.

Ficou um ano na Suíça, voltou ao Brasil, estudou, casou, se divorciou e, com 19 anos, veio para Miami. A fotografia, que era um hobby, virou paixão.

Mas, como Paola Matarazzo virou Jade Matarazzo?

A sua empresa se chama Jade Photoart.

“As pessoas ligavam e falavam, a Jade está?,” diz a fotógrafa, que aos poucos foi assumindo o nome da pedra preciosa que sempre adorou.

Atualmente, Jade está participando da exposição Eco Art na galeria ArtServe em Fort Lauderdale, perto de Miami, na Flórida, onde em outubro também expõe solo com 20 fotos de suas várias séries e vai lançar um livro com 70 páginas, 50 fotografias e um pouco da sua trajetória e história dessas imagens – uma publicação do Museu das Américas, que levará algumas de suas fotos para expor em maio, em Istambul.

Foto vai para exposição em Istambul. Cortesia Jade Matarazzo.

Jade tem hoje uma agenda profissional lotada e pessoal ainda mais.  Ela tem cinco filhos – entre 6 e 20 anos – e vive feliz com o marido Patrick Callahan, em Weston, cidade próxima de Miami.

Jade com o marido Patrick no jardim de sua casa. Foto de Carla Guarilha.

“Patrick ainda me tira o folego”, diz a fotógrafa, que aos 45 anos, tem acumulado um vasto acervo — desde fotos de concertos de músicos famosos como Mick Jagger à desabrigados, uma série, de imagens e histórias, que ela demorou cinco anos coletando pelo mundo.

Esse foi um dos trabalhos que teve maior repercussão profissional para Jade e, também, uma das séries que mais mexeu com ela.

“É uma imagem diferente que a gente vê através da lente,” diz ela, conhecida como uma artista eclética, que fotografa de uma flor à uma pessoa abandonada, passando fome, com a mesma naturalidade e sensibilidade.

“Acho que esse contraste do meu trabalho vem do meu leque de interesse”, conta Jade, que utiliza muito — através de sua lente fotográfica — o conceito filosófico tibetano, “Miksang”, que tem como princípio mostrar o que o olho nu nem sempre consegue enxergar.

“Sou um pouco introvertida.”, diz ela.   “A lente me ajuda a mostrar aquilo que talvez eu não estaria falando, tipo, ‘olha, você não percebe que tem isso, acorda.  Tem coisas acontecendo no mundo e vocês não estão vendo, não estão percebendo – tanto o belo quanto o não tão belo e o difícil”.

Serie "Compassion": Pai e filho em Los Angeles. Cortesia Jade Matarazzo.

E foi o conceito de “belo” que levou a outro de seus trabalhos favoritos.

Sessão especial no estúdio com Maria, que comemorava o fim do tratamento de um câncer. Cortesia Jade Matarazzo.

Tudo começou com uma cliente, Maria, que estava terminando o tratamento de um câncer.  Paola fez uma sessão de fotos que acabou em um livro deslumbrante para a cliente.  “Ela estava careca na época, bem pouquinho cabelo e sempre teve um cabelão enorme.  Foi uma experiência que mudou a vida dela, mudou a percepção dela com ela mesma”.

Jade se emocionou com o impacto do trabalho e, nos últimos três anos, já fotografou mais de 25 mulheres diagnosticadas com câncer.  Ela não cobra pela sessão, que normalmente custaria US$650, e nem pelo livro de fotos que dá de presente para cada uma dessas clientes.

“É uma recompensa pra mim”, diz a fotógrafa.  “A pessoa vai ter aquela imagem pra sempre.  Pode olhar e pensar, se eu me arrumar, eu fico assim, pôr um batonzinho, uma coisinha, eu sou assim.  É tão legal poder fazer essa diferença.”

E esse é o segredo do sucesso de Jade, que faz cada trabalho com paixão, sempre buscando fazer a diferença.

Ela diz que seu trabalho e suas séries muitas vezes refletem uma fase de sua vida, que no momento é de introspecção.

Paola, recentemente, perdeu o pai, seu melhor amigo, que, ela afirma, compreendia sua alma melhor do que ninguém.

“Estou me reinventando”, diz ela, que deixa uma dica para o fotógrafo principiante: “Experimentar todos os tipos de fotografia. Você pode se apaixonar por uma coisa e ser excelente naquilo ou pode se apaixonar por um leque de coisas e se sair bem em todas elas”.

Foto de Carla Guarilha

No video, Jade Matarazzo conta o segredo de seu sucesso e deixa um conselho para todos os fotógrafos, principalmente no inicio de carreira:

Fotógrafa paulistana recebe maior prêmio de brasileiros nos EUA from Chris Delboni on Vimeo.

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