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terça-feira, 3 de julho de 2012 Comida, Direto de Miami, Gastronomia, Miami, Saude | 09:52

Direto de Miami está trazendo dicas do que há de “Melhor” em programação e serviço para brasileiros no sul da Flórida.

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Direto de Miami aproveita as férias escolares e o grande número de turistas brasileiros desembarcando aqui para iniciar, esta semana, uma série de dicas do que há de melhor no sul da Flórida. Vamos começar a nossa degustação com um “brunch” incrível e com uma ótima opção de serviço médico, uma parceria pioneira entre o governo do Brasil e a maior drugstore americana.

DOMINGO POR AQUI É DIA DE BRUNCH!

O tradicionalíssimo Hotel Biltmore, em Coral Gables, oferece aos domingos o verdadeiro brunch americano “extraordinaire”.   No cardápio, há opções para todos os gostos distribuídos em nove pontos de buffet no enorme pátio do restaurante Fontana.

Regado a champagne, é possível se deliciar de sushi a ovos quentes, omeletes e “Eggs Benedict”, ostras, camarão e caviar à vontade, saladas variadíssimas e massas, que é o forte da chef mineira Betania Salles, 42 anos, há 12 em Miami.

Betania Salles.

Betania nasceu em Teófilo Otoni, mas foi em Porto Seguro, onde teve quatro restaurantes, que construiu sua carreira culinária.

Resolveu vir passar três meses em Miami, mas logo surgiu trabalho em um restaurante indiano, onde ficou sete anos, até ser contratada pelo Biltmore há pouco mais de quatro anos. Há dois, ela é chef executiva do Fontana, o restaurante italiano do hotel e local do brunch aos domingos.

Ela diz que adora cozinhar comida brasileira, como picanha, feijoada e “tutu à mineira” – mas não tem uma especialidade.

“Minha especialidade é cozinhar”, conta, rindo. “Eu faço comida indiana, comida japonesa, comida italiana, comida brasileira. Eu só cozinho”.

E a chef não se incomoda de dar receitas. É só mandar um email para bsalles@biltmorehotel.com.

Mas antes disso, se ainda sobrar espaço no brunch, há uma sala inteira de sobremesas, com pelo menos 20 deliciosas opções – de torta de maçã a cheesecake, sorvetes e crepes feitos na hora e a gosto.

Bon appétit!

Box:
Hotel Biltmore
1200 Anastasia Avenue
Coral Gables, FL 33134
Fontana: Aberto segunda à sábado para almoço e jantar -11hrs30 às 22hrs30. Domingo para brunch e jantar.
Brunch: Domingo – 10hrs – 16hrs (última reserva às 14hrs)
Telefone para reserva: (305) 445-8066, ext. 2407
US$75/pessoa
Web site: http://www.biltmorehotel.com/dining/brunch.php

ATENDIMENTO MÉDICO À COMUNIDADE BRASILEIRA NA FLÓRIDA

Não existe nada mais chato do que viajar e ficar doente. Além de atrapalhar a viagem, há todos os custos-extras que não estavam planejados. Pensando nisso e em todos os brasileiros que moram na Flórida, o Consulado-Geral do Brasil em Miami acaba de assinar um acordo com as clínicas “Take Care”, um programa da Walgreens, a maior rede de drugstores dos Estados Unidos.

O brasileiro precisa apenas apresentar um passaporte válido, mesmo que o visto esteja vencido, para receber 10% de desconto no atendimento médico, que vai de um machucado a dores em geral, bronquite e outros cuidados. Assim, todo brasileiro na Flórida – turista ou residente — tem hoje uma opção fácil, rápida e barata para cuidados médicos básicos.

“É uma colaboração que vai permitir à comunidade brasileira ter acesso a serviços médicos de qualidade com preços acessíveis, que é uma das maiores preocupações de brasileiros que vivem ou visitam a Flórida”, diz o Embaixador Helio Vitor Ramos Filho, cônsul-geral do Brasil em Miami.

Walgreens/“Take Care” tem mais de 360 clínicas pelo país, 48 na Flórida, o primeiro estado a oferecer esse serviço em benefício da comunidade brasileira.

Embaixador Helio Ramos, na sua sala no Consulado-Geral de Miami, assina o acordo com Roy Ripak, vice-presidente de mercado da Walgreens.

O embaixador Hélio Ramos espera que o programa seja bastante utilizado por brasileiros aqui e logo se expanda para outros estados americanos. “A ideia é que isso possa ser aplicado a toda a comunidade brasileira nos Estados Unidos”, diz ele. “Não tenho dúvida que a iniciativa será um sucesso”.

Para mais informações ou para localizar a clínica mais próxima, visite o site http://takecarehealth.com ou ligue para o centro de atendimento da Walgreens, pelo telefone 1-866-825-3227 nos Estados Unidos (atendimento em inglês ou espanhol).

**Fotos de divulgação.

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segunda-feira, 25 de junho de 2012 Direto de Miami, Esporte, Miami | 10:29

Jovem boxeador Michael Oliveira se prepara para revanche com Popó

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Michael Oliveira na sua primeira luta contra Popó. Foto de Jade Matarazzo.

Como muitas crianças, Michael Oliveira chegou a sonhar em ser astronauta.  Mas com três anos, ganhou um par de luvas de boxe e, naquele momento, começou sua carreira.  Sabia, exatamente, o que queria ser quando crescesse.  E hoje não se imagina fazendo outra coisa.

Michael com 3 anos. Cortesia da família.

“Eu sei cozinhar, eu sei limpar”, brinca o boxeador, aos 22 anos, que também adora motores e diz, rindo, que poderia ser até  mecânico.  “Acho que tenho talento para ser o que for mas não vou estar contente fazendo qualquer outra coisa”.

Michael lutou profissionalmente, pela primeira vez,  aos 18 anos.

Desde então, venceu 17 lutas e perdeu uma, no início do mês no Uruguai, para  Acelino “Popó” Freitas, 36 anos e campeão mundial quatro vezes, que acaba de aceitar a revanche, prevista para novembro, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

“Aprendi que na vida, quando você cai, não quer dizer que você é um perdedor”, diz Michael.  “Mas se você levanta, quer dizer que você é um vencedor”.

Em seu quarto em Miami. Foto de Carla Guarilha.

E é com esse espírito que o boxeador está chegando em São Paulo para uma coletiva de imprensa, marcada para sexta-feira no Hotel Fasano e para finalizar as negociações de patrocínio com a Everlast, grande empresa de equipamentos, roupas e acessórios esportivos, que está lançando também uma linha de óculos Michael Oliveira.

Michael retorna em seguida para Miami, onde vai entrar em uma maratona de treinamento mais intenso nos próximos quatro meses.

Sua grande inspiração foi seu avô paterno, João Pedro, com quem assistia lutas de boxe quando era criança. O avô, que nunca chegou a lutar profissionalmente,  treinou com o campeão mundial Éder Jofre, um dos ídolos do jovem boxeador.

“Ele me inspira muito”, diz Michael sobre o pugilista, que se tornou um amigo da família.

Mas é do avô, que faleceu há 5 anos, que ele fala com enorme carinho, adoração e saudade.

“Eu acho que ele, às vezes, entra no meu corpo, me ajuda, me dá força”, diz o neto.  “É por isso que está dando tudo certo”.

Mas nem sempre foi assim.  Com 13 anos, Michael pesava mais de 100 quilos.

“Quando ia para a escola, as crianças me empurravam, derrubavam meus livros”, conta.  “Mas eu sempre fui forte.  Sempre tive personalidade e nunca me importei com o que as pessoas pensavam.  Quando eu quero uma coisa, eu luto até o final para conseguir”.

Para emagrecer, passou a frequentar uma academia de boxe. Mas só ficava na pratica.  Ele pedia para os pais deixá-lo lutar, mas eles sempre empurravam para o ano seguinte.

Até que com 17 anos, Michael teve sua primeira experiência em uma luta amadora, e em seguida outra, ambas vencidas por nocaute.

Daí em diante, o sucesso vem chegando rapidamente.

O pai Carlos Oliveira com Michael. Foto de Jade Matarazzo.

Michael, que já conquistou o cinturão latino-americano do Conselho Mundial de Boxe dos pesos médios, espera lutar pelo titulo mundial até o final de 2013.

O mexicano Julio Cesar Chávez Jr. é hoje um dos principais concorrentes do “Rocky Brasileiro”, como Michael foi apelidado em homenagem ao campeão mundial Rocky Marciano.

Mas sua maior identificação ainda é com o Brasil, diz o boxeador, que tem tripla cidadania: brasileira, americana e grega, pelo lado materno.

“Mesmo que as pessoas falem que não sou brasileiro, vou continuar forte representando o Brasil”, diz Michael, que chegou à Flórida com os pais em 1990, quando tinha apenas 15 dias.

Com a mãe Christina Degreas. Foto de Jade Matarazzo.

O avô materno, Nicolas Michael Degreas, que morreu há 12 anos, tinha sido sequestrado, e por questões de segurança, a família – dona da empresa paulista Beira Mar Beachwear, de trajes de banho – resolveu se mudar para Miami, onde hoje o boxeador mora com a mãe, Christina Degreas, os irmãos, Nicolas, 21, e Henrique, 18, e o pai, Carlos Oliveira, seu empresário e a pessoa que mais confia na vida – seu maior ídolo.

“Meu pai sempre me falou, ‘fecha os olhos e quando eu falar para pular do abismo, você pula, por que você pode ter certeza de que não vou querer machucá-lo nunca”, diz o boxeador, emocionado.  “Isso é muito importante”.

Christina diz, rindo, que além dos seus três filhos e marido, a família também tem outros integrantes: seis cachorros, dois macacos, duas araras e dois gatos.

Michael com Mia, sua cachorra de 2 anos. Foto de Carla Guarilha.

Com seus Lêmures na sua casa em Miami. Foto de Carla Guarilha.

“O boxe é só o começo que vai abrir muitas oportunidades para mim mais à frente, e com essas oportunidades, eu posso fazer infinitas coisas”, diz o pugilista que tem como meta de vida ajudar crianças no Brasil e, especialmente, crianças que tem o sonho de chegar às olimpíadas, principalmente, praticando boxe.

“Eu quero ajudar as pessoas e não espero nada em troca”, diz Michael, que está fazendo faculdade de fisioterapia na Florida International University e pretende usar essa experiência acadêmica para impulsionar a academia de boxe que a família vai abrir, ainda este ano, em Kendall, perto de onde moram na Flórida.

Foto de Carla Guarilha.

“Nada no mundo é impossível”, diz o rapaz, que um dia sonhou ser astronauta.  “Falam que o céu é o limite.  Não é o limite.  Tem homem andando na lua”.

*No video, Michael Oliveira releva o segredo do seu sucesso e aspirações.

Jovem boxeador Michael Oliveira se prepara para revanche com Popó. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 19 de junho de 2012 Direto de Miami, Diversão, Educação, Miami | 09:40

Diversão e aprendizagem é a fórmula desenvolvida por uma brasileira para ensinar português para crianças em Miami.

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*Fotos de Carla Guarilha

Ex-modelo paulista investiu US$100 mil para montar um playground em Miami com atividades em português.

Um cantinho de recreação e aprendizagem, divertido para as crianças, com a segurança desejada pelos pais e ainda com gostinho brasileiro. Este é o Planet Kids, que fica em Midtown Miami e foi criado pela paulistana Amanda Cavinati Lopez.

A ideia do negócio surgiu quando ela teve a primeira filha, há três anos. Amanda descobriu que não havia um espaço para brincar na cidade quando estava chovendo.

Os centros de recreação existentes ficavam longe de sua casa em Miami Beach e não tinham o que ela considerava essencial para um espaço de convívio para crianças pequenas.  Sua filha Isabella ficava misturada com crianças muito mais velhas, não havia estacionamento, não havia local para os pais ficarem – o que os obrigava a ficar em pé sem ter nem água para beber – e ainda o prédio tinha pé direito baixo e era sem janelas. Amanda diz que todos se sentiam “sufocados com um monte de criança gritando ao mesmo tempo”.

Ela levou dois anos fazendo pesquisa de mercado e, em janeiro deste ano, convenceu seus pais, Miguel e Rosa, a se mudarem do Tatuapé, em São Paulo, para ajudá-la com o Planet Kids Indoor Playground & Café.

Três gerações: Isabella entre a mãe, Amanda, e o avô, Miguel.

Agora, sim, as crianças tem um centro de recreação – com estacionamento gratuito e interno, uma lanchonete com sanduíches, saladas e quitutes brasileiros, como coxinha e brigadeiro, alas separadas para crianças de idades diferentes, pé direito alto e muito vidro com a vista da rua, dando uma maior sensação de liberdade.

Seis meses depois, e um investimento de US$100 mil, o espaço é um sucesso.

“Muita gente fala que a gente abriu a coisa certa, no lugar certo, na hora certa”, diz Amanda.  “Teve um dia chuvoso que tivemos que fechar as portas.  Chegaram 70 crianças”.

Amanda recebe, em média, 40 crianças por dia, de várias nacionalidades.  Mas diz que cerca de 50% são brasileiros, que, na maior parte, querem proporcionar aos filhos um pouco da infância que tiveram no Brasil.

Nic'co, com 1 ano, visita pela primeira vez o Planet Kids.

Jaclyn Bergman leva o filho Aven, de quase 2 anos, com frequência para brincar no Planet Kids.

O único problema, conta, são os pais que não tiveram infância.  De vez em quando, ela tem que pedir com jeitinho para saírem do tobogã.

“Aqui não é como no Brasil que o pessoal leva tudo mais na brincadeira”, diz, rindo.

Quase todo fim de semana tem festa de aniversário, com brigadeiros e outros docinhos brasileiros.

Mas não são só as brincadeiras e os docinhos que Amanda queria resgatar com seu novo estabelecimento em Miami.

Seu sonho, como mãe brasileira, era ver esse espaço infantil se tornar também um núcleo de aprendizagem para filhos de outros brasileiros.

E no inicio deste mês, Amanda conseguiu: lançou um programa de português como língua de herança para crianças e pais brasileiros.

Gabriela Barbosa, de 4 anos, é filha de brasileiros, que moram em Miami há 6 anos.

“Eu e meu marido, que não é brasileiro, achamos muito importante para nossa filha falar fluentemente e escrever na língua portuguesa”, diz Amanda, hoje com 32 anos e mais um filho, Matteo, de 5 meses.

A coordenadora do programa Planet Kids Fala Português é Ivian Destro Boruchowski, paulista, há quatro anos em Miami.  Formada em pedagogia pela Universidade de São Paulo, a professora está fazendo mestrado na mesma área na Flórida International University, com especialização em bilinguismo infantil.

“A língua não é somente um elo social de comunicação, mas também um elo de identidade cultural”, diz Boruchowski, 36 anos.

Ela conta que quando chegou aos Estados Unidos com o marido e o filho, que na época tinha oito meses, percebeu que se o casal não tomasse uma decisão consciente e agisse rapidamente, o bebê não teria a chance de aprender o idioma dos pais.

“No Brasil, você tem acesso a língua não só na escola, mas na mídia, nas placas de rua, todos os meios, não só no ambiente familiar”, diz a professora.  “Aqui não”.

Professora Ivian Destro Boruchowski lança programa "Planet Kids Fala Português".

E essa preocupação foi se transformando numa enorme vontade de estudar o bilinguismo dentro do conceito de português como língua de herança e o sentido de pertencimento à cultura brasileira no exterior.

Hoje, o filho mais velho, Heitor tem 4 anos e o mais novo, Victor, 2.

Ivian frequentava o Planet Kids como cliente e viu lá uma oportunidade de desenvolver programas didáticos voltados para filhos de brasileiros.

Amanda, que já tinha esse sonho, imediatamente aderiu a ideia de poder, de fato, implantar o português nas atividades do espaço de recreação.

Ela descobriu o enorme afeto pelo seu país natal quando foi para o Japão com 16 anos, cumprir um contrato como modelo, uma carreira que seguia desde os 5.

Depois de algum tempo, deveria ir para Milão, mas não aguentou.

“Cheguei lá sozinha”, diz.   “Eu era muito mimada”.

Amanda, então, contou com o auxílio do consulado do Brasil para romper o contrato e retornar ao Brasil.

“Quando cheguei no aeroporto, eu beijei o chão”.

Mas o tempo passou e 13 anos atrás veio para Miami com uma colega de faculdade. Trabalhou em vários lugares, de restaurantes à hotéis, até se firmar no ramo de decoração. Sempre falava que queria voltar ao Brasil, mas acabou ficando até que um dia saindo do escritório para almoçar, conheceu o marido, Jared, um advogado americano de família porto-riquenha.

Amanda com Isabella

“Quando as coisas estão para acontecer, não precisa procurar, acontecem”, diz ela.  “Nunca mais ouviram eu falar, vou embora”.

Com 300 mil brasileiros no sul da Flórida, Amanda agora tem como meta criar cartilhas “Planet Kids” de alfabetização em português e sessões semanais de “contação de história” na língua portuguesa.

E no futuro?

“Quero ver vários Planet Kids espalhados por Miami e meus filhos crescerem com saúde”.

BOX:

Planet Kids Indoor Playground & Café
Telefone em Miami: 786-312-0737 ou 305-573-1379
Endereço: 2403 NE 2nd Ave., Suíte 107, Miami, Florida 33137
info@planetkidsplayground.com
http://planetkidsplayground.com

PROGRAMAÇÃO:

Diário: US$10/primeira criança, US$7/segunda criança em diante

Férias escolares para brasileiros de passeio em Miami (a partir de 20 de junho): US$40/período/criança, das 10 às 13hrs ou das 14hrs às  17 hrs – crianças de 3 a 9 anos.  Incluí lanche.

Férias de verão nos EUA (23 de julho à 17 de agosto): US$250/semana, das 9hrs às  15 hrs, com várias programações, como aula de musica, arte, teatro, culinária e jogos.

* No vídeo, Amanda revela o segredo de seu sucesso e fala um pouco  sobre seu sonho de difundir o português como língua de herança para filhos de brasileiros em Miami.

Brasileira investe US$100 mil para montar playground em Miami com atividades em português. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 12 de junho de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Gastronomia | 08:58

Ele não falava inglês. Hoje comanda um grupo de restaurantes em Miami. Conheça João Carlos Oliveira.

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*Fotos de Carla Guarilha

Juca no Tutto's Mare

João Carlos Oliveira cresceu entre pratos da comida mineira e italiana. O que era gosto de infância virou profissão de sucesso. Hoje, ele é um dos chefs de cozinha mais respeitados de Miami, dono de uma cadeia de restaurantes.

Mas, a porta de entrada dele nos Estados Unidos foi Nova York. Foi lá, que aos 17 anos, João Carlos vendia  livros numa mesinha nas ruas da cidade.  Não falava inglês, mas com sorriso solto e os preços na ponta da língua, ganhava US$60 por dia, de comissão.  Não era pouco, 25 anos atrás, mas Juca, como é conhecido aqui, tinha vontade de trabalhar no ramo da gastronômia.

Pode-se dizer que esta conexão com a culinária começou em casa.  O avô dele, Antonio Delleu, imigrante italiano, abriu um restaurante em Belo Horizonte, e sua filha, Lourdes, mãe do Juca, aprendeu muito com o pai e sempre gostou de cozinhar.

Mas, eram apenas alguns privilegiados que se deliciavam com os quitutes de Dona Lourdes. Dona de casa, ela só cozinhava para a família, que não era pequena: marido e sete filhos.

Lourdes fazia questão da família reunida na hora do almoço, e desde cedo, plantou a raiz da culinária no Juca. No cardápio, não podia faltar arroz e feijão para o marido – tradicional patriarca mineiro –  e massa, carne e legumes. As refeições tinham, no mínimo, seis pratos, um costume que Juca mantem até hoje quando recebe amigos em casa.

“Era um banquete diário”, diz ele, saudoso, ainda mais, dos almoços de domingo e da sopinha de grão de bico. “Ela gostava de descascar grão por grão”, conta.  “A gente sentava ali para tomar o café da manhã, e cada um contava uma história e descascava o grão de bico.  E ela fazia a sopa”.

Juca na cozinha aberta do restaurante

Hoje, com 43 anos, é Juca quem mais cozinha na família. Sua mãe, de 75 anos, mora em Miami, mas não está mais por conta dos almoços.  Está, sim, curtindo os netos e degustando da culinária do filho, que abriu seu primeiro restaurante, o Tutto Pasta, em 1994, e acaba de abrir as portas do Tutto’s Mare.

Mas, houve pedras no caminho.  No local, onde hoje fica o Tutto’s Mare, Juca abriu em 2008, um restaurante chamado Zucchero.  Este foi o início de uma fase difícil para o chef, que passou por duas grandes crises de sua vida: a econômica, que foi uma das maiores enfrentadas pelos Estados Unidos, e uma pessoal – estava se divorciando da mãe de seus três filhos, Fabrício, hoje, com 12 anos, Luciano, 10 e Daniela, 7.

Juca tinha investido US$1 milhão no restaurante e não tinha a menor pretensão de abandonar seu sonho. “É na crise que a gente aprende”, diz ele.

E Juca aprendeu, acima de tudo, a ter paciência para se reerguer.  Diariamente tinha gente espalhando a mentira de que o Zucchero havia fechado.

No bar que ele criou para o Zucchero, hoje Tutto's Mare

“Me enterraram e jogaram terra em cima, e todo dia jogavam uma pá de cal nessa porta”, conta, com determinação mas sem a menor mágoa.  “Falei, não vão me enterrar”.

E assim foi.  Logo que as difíceis negociações do divórcio foram concluídas, Juca transformou o Zucchero no Tutto’s Mare, que renasceu, com sucesso imediato, em maio de 2012.

“Sempre tive esperança nesse lugar”, diz o chef, que concebeu a ideia do espaço – do piso até o teto.  “Comprei tudo aqui dentro, até os parafusos.  Fiz com muito carinho, muito esforço e muitos anos de trabalho para poder investir aqui”.

Mas, como foi a transformação profissional do menino que vendia livros para o grande chef? Três meses depois que Juca havia chegado em Nova York, o Bice, o tradicional restaurante italiano de Milão, estava abrindo a primeira casa nos Estados Unidos.  Um amigo do irmão conhecia o gerente.  Juca imediatamente largou o trabalho como vendedor de livros na rua, e entrou no Bice como lavador de pratos.

Logo passou para assistente de cozinha, depois cozinheiro, assistente de chef, e em um ano, já foi contratado como chef. “O Bice foi minha escola”, diz Juca que nunca fez um curso de culinária.  Aprendeu tudo na prática, e com dedicação, humildade e curiosidade, o jovem foi ganhando a confiança dos italianos.

“Viam que eu tinha interesse e comecei a gostar”, diz.   “Aprendia um prato no restaurante, e chegava em casa e fazia aquele prato no meu jantar para aperfeiçoar”.

Depois de quatro anos na posição de chef em Nova York, o Bice estava abrindo uma nova casa em Washington, D.C., e escolheu-o como chef executivo.  Deu certo, e no ano seguinte, ele abriu o Bice de Palm Beach, o que trouxe Juca para as águas da Flórida.

Sempre crescendo, aprendendo e correndo atrás de novos desafios, ele foi convidado a trabalhar em outros restaurantes em Miami Beach até que se sentiu pronto para uma carreira solo.

Em 1998, quatro anos depois do Tutto Pasta, Juca abriu o Tutto Pizza, bem ao lado um do outro.  Os dois restaurantes ficaram conhecidos pela sofisticação – simples e saborosa — de sua culinária e do local — e pela simpatia do chef mineiro, que começava a virar uma celebridade em Miami.

Juca com o pizzaiolo do Tutto Pizza & Beer House

Mas apesar do sucesso, e das visitas freqüentes de personalidades como Hebe Carmago, Juca sempre se manteve fiel às suas receitas – nunca ficou esnobe.  “Minha fama chega através do trabalho, através da dedicação”, diz.  “O que forma a pessoa é ser dedicado, saber escutar e ter uma mente aberta”.

Hoje, renomado como um “chef internacional”, Juca está se dedicando no Tutto’s Mare à combinações de uma culinária mundial, de, por exemplo, pratos espanhóis com italianos ou peruanos com brasileiros ou asiáticos.  O escondidinho de camarão é impecável. O gnocchi, um dos carros-chefe do Tutto Pasta, é preparado no novo restaurante com cogumelos ao Barolo com parmesão. Já o arroz com mariscos é uma espécie de Paella peruana.

“O Tutto’s Mare foi um sonho”, diz o chef que acabou de fazer uma consultoria para  um restaurante que abriu em Belo Horizonte, recentemente, e foi convidado para abrir, em breve, um conceituado restaurante de São Paulo em Miami.

Mas apesar da fama, ele se mantém firme ao lado da família Tutto. E como cada filho tem um personalidade e um nível de maturidade, ele está sempre atento.

“O Tutto Pasta hoje já está na universidade, caminha sozinho.  O Tutto Pizza & Beer House é um adolescente, tem 16 anos, e tenho que ficar atrás dele.  O Tutto’s Mare é o bebê, a criança, que ainda tenho que trocar fralda.  O próximo projeto agora é o Tutto Pasta Deli”, que vai vender massa fresca para fazer em casa.

Box:

Tutto’s Mare

2525 SW 3rd Ave, Miami, Fl 33129
Segunda à quinta, das 11hrs30 às 22hrs30; sexta e sábado, das 11:30 às 23hrs.  Fechado aos domingos.
Telefone em Miami: (305) 858-2525
Email: info@tuttosmare.com
http://www.tuttosmare.com/

Tutto Pizza & Beer House

1753 SW 3rd Ave – Miami – FL – 33129
Aberto todos os dias.
Telefone em Miami: (305) 858-0909
http://www.tuttopizza.org/

*No video, Juca revela o que o transformou em um chef renomado.

Brasileiro faz sucesso com culinária italiana em Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 5 de junho de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Jornalismo, Miami | 09:17

O orgulho de ser brasileiro em terras estrangeiras. Carlos Borges construiu assim uma carreira e valorizou a imagem do país aqui fora.

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*Fotos de Carla Guarilha

Borges em sua casa com Dylan, de 6 anos, um Terrier Airedale, sempre a seu lado

“Meu sonho é ver o brasileiro que vive fora do país verdadeiramente tratado como cidadão, igual ao que vive dentro”.  Foi com esta meta que Carlos Borges traçou sua trajetória de vida: há mais de 20 anos valoriza a cultura brasileira no exterior. E por essa bagagem, na próxima semana, no dia 13 de junho, o jornalista e agitador cultural será agraciado com a Comenda da Ordem do Rio  Branco, em uma cerimônia no consulado do Brasil em Miami.

“Tudo que a gente faz é para valorizar a cultura brasileira, da imagem do Brasil como país e do brasileiro como povo”, diz Borges.  “É a confirmação de que estou no caminho certo”.

E esta é uma homenagem com um gosto especial para ele: além do reconhecimento,  a premiação tem o nome do patrono da diplomacia brasileira, o Barão de Rio Branco, um homem que Borges idolatra desde os anos de escola, quando estudava a história do Brasil e sonhava em ser diplomata.

“Confesso que foi provavelmente uma das coisas mais importantes que aconteceram para mim”, conta.  “Acho que o único sentido que uma vida pode ter, além dos prazeres cotidianos, materiais, é você fazer dela um instrumento de algum tipo de diferença positiva na vida dos outros”.

Borges trabalha e recebe apoio do corpo diplomático em Miami há duas décadas, e diz que toda vez que um novo cônsul-geral chega, dá frio na barriga.

“Ele pode gostar de você, odiar você, não entender que o você faz é relevante”, diz Borges.  “A única coisa que você tem a seu favor é sua historia”.

E foi sua história de sucesso, inclusão e determinação para divulgar a cultura do Brasil que fez com que o cônsul-geral, Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, solicitasse junto ao governo brasileiro essa condecoração.

Carlos Borges com o Embaixador Hélio Ramos no consulado do Brasil em Miami

“Esse é um reconhecimento do Itamaraty ao trabalho que Carlos Borges vem desenvolvendo há muitos anos no exterior, pela forma como ele encara as coisas – a maneira como ele enfrenta as dificuldades para fazer o que faz”, diz o Embaixador Hélio Ramos.  “Não é fácil.  O que ele se propõe a fazer para valorizar o Brasil é algo muito demandante”.

Borges, o único brasileiro condecorado este ano no exterior, nasceu na Bahia, onde foi criado por tios.  Sua mãe faleceu jovem e o pai colocou cada um dos três filhos para morar com um parente.

O valor mais importante que aprendeu quando criança foi não mentir, uma lição arraigada até hoje.

“A verdade não me assusta”, diz ele.  “A mentira me apavora”.

E é com sentido de verdade, como lema de vida, que vem lutando por um sonho: o resgate da autoestima do brasileiro no exterior, que vem conseguindo alcançar através de programas sociais, culturais e intelectuais.

Desde que chegou nos Estados Unidos, Borges criou um leque de iniciativas, que vão desde o Miss Brasil USA ao Press Awards, que começou em 1997, e hoje, representa o maior prêmio para a comunidade brasileiro no exterior.

Ele e a equipe de sua empresa, a PMM – Plus Media & Marketing, conquistaram um espaço em quase todos os segmentos da grande pirâmide social do brasileiro no sul da Flórida, e partiram no ano passado para outros pontos do mundo.

Em 2011, o Press Awards aconteceu, pela primeira vez, no Reino Unido e Japão. E a ambição de Borges não para por aí. No médio prazo, ele espera lançar a premiação em Angola, Paraguai, Portugal, Austrália ou Nova Zelândia, China, e finalmente fechar o ciclo mundial com um evento em São Paulo até 2017.

“Esses brasileiros são um exército da imagem do país no exterior e essas pessoas deveriam ser tratadas, no mínimo, com a mesma atenção, consideração e respeito”, diz Borges.

A carreira jornalística de Borges começou com 15 anos, quando lançou um jornal no Colégio Militar de Salvador.

Depois, trabalhou na Tribuna da Bahia, foi repórter e editor na Rede Globo de Salvador e diretor de produção e de eventos no SBT,  entre outros cargos e veículos da grande mídia brasileira.

“Todo mundo me conhecia, me cortejava”, conta.  “Eu era uma pessoa querida porque sempre defendi na televisão os valores locais, os artistas locais”.

Mas a desilusão com a profissão fez com que ele deixasse o Brasil.

Conversando com o grande amigo Nizan Guanaes, ele soube de uma oportunidade em Orlando, para um projeto de oito meses.

Borges gostou da ideia.

Estava casado há um ano com Andrea Vianna, que trabalhava no marketing da TV Globo, e em 1989, fizeram as malas e chegaram à Flórida.

“Quando você tem inquietações intelectuais e toma determinados socos, ou você se abaixa e, aí você vai cheirar poeira para o resto de sua vida, ou você toma uma atitude”, diz Borges.

Aqui, ele começou a escrever e editar alguns jornais comunitários até que uma nova decepção com um jornal que estava lançando afastou-o novamente do jornalismo como profissão.

Chegou a adoecer na época.  Ficou de cama quatro meses, e hoje, quase 20 anos depois, consegue identificar a fase como um período depressivo que passou, que fez com que reavaliasse a vida.

Era 1994.  E naquele ano, teve a certeza de que não conseguiria “fazer a diferença” de forma integral usando somente a mídia comunitária brasileira como instrumento.

“A ferida está exatamente nessa relação complicadíssima entre liberdade de expressão e financiamento”, diz Borges, que hoje é editor chefe da revista e website Acontece, colunista do Gazeta Brazilian News e colaborador de jornais em New Jersey, Boston e San Diego.

Mas desde então, o “agitador cultural”, como é muitas vezes identificado, passou a ir atrás de capital, agora, para realizar outros grandes projetos, traçando novos – e pioneiros – caminhos em busca da verdade, inclusão e o bem estar dos brasileiros no exterior.

“Ninguém tem o direito de ser feliz realmente enquanto você tem seus compatriotas passando fome, ignorantes”, diz ele.

E com essa mentalidade, em 2006, integrou o Press Awards ao Focus-Brazil, uma série de painéis no formato de uma conferência educativa e informativa sobre o Brasil e brasileiros no exterior.  Dois anos depois, começou um novo concurso, o Talento Brasil, com participação de adultos e crianças.

“Eu adoro crianças”, diz Borges que tem duas filhas.

Joana, de 34 anos, foi fruto de um relacionamento com uma colega de TV em Salvador.  Eles mantém uma ótima relação, mas a convivência foi limitada, muito pela distância: a filha mora na Bahia e Borges em Miami.

Já Amanda nasceu em Miami Beach em 1992, filha dele com Andrea com quem ficou casado até 2000.

Borges na frente do quadro da Amanda em sua casa, pintado por Jean Pierre Rousselet quando ela tinha 17 anos

Hoje com 19 anos, Amanda estuda filme e cinema na New York University, uma das universidades mais bem conceituadas dos Estados Unidos.  Orgulhoso, o pai, hoje diz que, aos 56 anos, seu maior sonho é ver a formatura da filha.  “Eu tenho que me preparar para isso”.

**No vídeo, Carlos Borges revela o segredo do seu sucesso: acima de tudo, ter fé e acreditar.

Carlos Borges: o orgulho de ser brasileiro em terras estrangeiras. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 29 de maio de 2012 Direto de Miami, Gastronomia, Negócios, Shopping | 09:14

Empreendimento brasileiro entra no shopping Aventura, perto de Miami, o segundo mais visitado dos EUA.

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*Fotos de Carla Guarilha

A paulistana Yara Gouveia está colocando o Brasil no mapa de um dos mais badalados shoppings do sul da Flórida, o Aventura Mall, o segundo mais visitado dos Estados Unidos.  Ela, junto com outros empreendedores, abriu lá recentemente o Rococoa Café, um grande quiosque de comidinhas francesas com mesas ao redor.  E o negócio pode desembarcar em São Paulo, em breve.

Yara – que está entre as mais bem sucedidas corretoras de imóveis de Miami – é um dos sócios-investidores.  “Nunca imaginei entrar no ramo gastronômico”, conta a empresária.  “Mas como diz nosso sócio, Pascal Cohen, às vezes, as coisas acontecem tão rápido que a gente nem entende.  Por isso é que vai dar certo”.

Yara Gouveia e sócio Pascal Cohen, na frente do Rococoa, no shopping Aventura. Foto: Cortesia Yara Gouveia.

Cohen,  que é francês, passou recentemente 10 dias no Brasil com a Yara e outros investidores para estudar o mercado e mapear as oportunidades.  Visitaram vários shoppings da capital paulista, mas antes de qualquer expansão nos Estados Unidos ou no Brasil, estão aperfeiçoando o “tempero”, os detalhes do menu, que inclui cafés e doces, saladas frescas e “waffles” e “paninis” feitos na hora, sempre com um toque especial de atenção a detalhes de um salão de chá parisiense.

Mas, Yara diz que além da possibilidade de levar o Rococoa ao Brasil, há outros grandes planos, a médio e longo prazo, aqui na Flórida.

Pascal Cohen, CEO e presidente do Foodinvest Group, que já possui vários estabelecimentos em Miami, inclusive o restaurante francês La Goulue, de Bal Harbour, está consolidando a parceria com os brasileiros. Logo, eles estarão entrando numa rede de hotéis de luxo, começando por South Beach, onde pretendem abrir e administrar um restaurante/lounge/boate, programado para inaugurar em outubro.

“Vai ser um dos quatro, cinco maiores pontos de atração de Miami”, conta Yara, que ainda não pode divulgar os detalhes, mas está muito animada com as novas perspectivas. “O Rococoa é a ponta do iceberg”, diz ela, com entusiasmo e otimismo.

“Tem que acreditar e ir atrás”, recomenda. “Não pode ter medo de ir à luta”.

E foi sua coragem que transformou-a em uma mulher vitoriosa.

Formada pela Escola Superior de Música Santa Marcelina em São Paulo, Yara foi professora de música do Porto Seguro, um dos colégios mais tradicionais da capital paulista, por 15 anos.

Hoje, o piano é um hobby.

Casada com o empresário Ricardo Frederico Freitas de Gouveia, ela decidiu parar de trabalhar quando nasceu Felipe, seu filho mais novo, hoje com 22 anos.  Ricardo estava com muitos negócios em Miami e o casal viajava com tanta frequência para cá, que resolveu comprar um apartamento de férias, no inicio dos anos 90, em Williams Island, em Aventura, que era um dos locais mais cobiçados por brasileiros.  O corretor foi Léo Ickowicz, dono da imobiliária Elite International Realty, onde hoje ela trabalha, e também um dos sócios do Rococoa, além de grande amigo.

Gostaram tanto que a família resolveu se mudar de vez: Ricardo, Yara, Frederico, o filho mais velho, hoje com 30 anos, e Felipe.

“Era dondoca”, brinca.  “Sem experiência, não pensava mais em trabalhar”.

Yara Gouveia na sala de seu apartamento em Aventura.

Mas a vida deu uma virada.  Seu marido se encantou com o jogo.  Chegou a levar uma bolada de US$1,750 milhão em um dia em um pequeno cassino da região.  Ganhava com a mesma facilidade com que acabou perdendo tudo.

“Quando vi que meu marido estava perdendo o controle da situação, fui no impulso.  Pensei, vou começar a fazer alguma coisa para me entreter porque a rotina era só ir ao shopping, spa, encontrar as amigas”.

Como Yara recomendava muitos clientes para a Elite, Léo sugeriu que tirasse licença de corretora.  Ela gostou da ideia e ia para as aulas de Bentley, um dos muitos carros na garagem.

Mas a situação piorava a cada dia, e ainda apaixonada pelo pai de seus dois filhos, decidiu voltar ao Brasil com a família, achando que iria ajudá-lo a deixar o vicio.  Mas não adiantou.

“Ele teve o azar de ter tido muita sorte”, diz ela, que dois anos depois resolveu se divorciar e voltar para Miami.

O Fred, hoje músico clássico em Nova York, havia ficado para concluir a faculdade de música na Universidade de Miami, e Yara pegou o avião de volta, com Felipe e US$12 mil no bolso. Nada mais.  Tinha vendido tudo que podia.

Ela foi trabalhar como vendedora de lingerie da Bloomingdale’s.  As antigas amigas que a viam ficavam chocadas e se escondiam atrás de araras de roupa para mostrá-la a outras conhecidas.

Acabou saindo do trabalho por não ganhar o suficiente para o sustento.  Com licença de corretora, resolveu investir de cabeça na profissão.

Mas, um ano depois que retornou a Miami, quando ainda lutava para se reerguer, outra pedra no caminho: o pai de seus filhos teve uma séria inflamação e, aos 53 anos, faleceu em São Paulo.

“Era ex-marido, mas foi sempre uma pessoa amiga, que eu admirava – um homem jovem, brilhante  e inteligentíssimo”, conta.  “Levou um tempo para eu nascer de novo”.

Mas ela conseguiu.  No ano passado vendeu US$30 milhões em imóveis e, este ano, diz que começou bem.

“Com bom humor, você abre portas, quebra gelo e interage muito melhor com sua família, seus amigos e seus clientes”, diz. E esse é seu grande segredo: o sorriso no rosto.

O sorriso sempre foi sua marca registrada.

Ela brinca que tem depressão eufórica.

“Quando você está de bem com a vida, a vida fica de bem com você”, diz, com orgulho de suas conquistas e de onde ainda espera chegar.

“Minha vida é uma roda gigante muito grande.  Eu já tive muito lá em cima.  Já tive muito lá embaixo.   Quem sabe vou dar outra volta”, diz.  “O que eu sinto é que, de tudo que eu passei, parece que estou sendo preparada para algo mais.  Eu vejo que o sucesso não é só ter dinheiro.  Você tem que ter uma bagagem de conquistas”.

No vídeo, Yara Gouveia fala um pouco mais sobre o segredo de seu sucesso – e deixa uma canjinha no piano de sua casa, lembrando os velhos tempos de professora de música.  Hoje, escutá-la tocar é um privilégio reservado somente para os amigos de verdade.

Corretora e empresária Yara Gouveia conta o segredo do seu sucesso, e dá uma canjinha no piano. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 22 de maio de 2012 Direto de Miami, Entrevistas, Negócios, Turismo | 09:27

Com US$450, o motorista Jota da novela América fez a América. E hoje, ele conta como.

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*Fotos de Carla Guarilha

“Hoje um nome, amanhã uma lenda, quiçá um mito”.

Esse é o mote de João Geraldo Abussafi, um imigrante que, em 20 anos de Estados Unidos, realizou o sonho americano: se transformou em um empresário de sucesso, que muita gente se lembra como o personagem Jota Abdalla, o carismático motorista representado pelo ator Roberto Bomfim na novela América, exibida em 2005 pela Rede Globo.

“Nada tema, com Jota não há problema”.

Jota em seu apartamento em Miami

Esse lema, agora, é tema de palestra, que ele fará nas próximas três semanas no Brasil.

Com o título “O sucesso anda de limousine”, o palestrante vai correr vários estados, entre eles, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, motivando o público com sua trajetória de vida  –  do imigrante, que dormiu nas ruas dos Estados Unidos, ao grande empresário.

Ele garante que a fórmula de sucesso é determinação, dedicação, carisma e, acima de tudo, muito trabalho e uma dose de humildade misturada com autoconfiança.

“Meu telefone está ligado 24 horas até hoje”, conta Jota, que só conheceu o prazer de ir à praia em Miami há três anos.   “Não sou escravo do dinheiro, mas sou escravo do meu trabalho”, diz, com orgulho.

João Geraldo Abussafi nasceu em Londrina, no Paraná, em 1965, e aos 13 anos, se mudou com a família para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, terra natal do pai. Aos 25 anos veio para os Estados Unidos, depois de uma série de negócios fracassados  no Brasil e total falta de interesse nos estudos.

Nada dava certo.

“Montei uma loja no shopping, quebrei.  Montei uma engraxataria, quebrei.  Concorri para vereador, perdi”, conta.  “Tudo que eu fazia dava errado”.

Jota mostra seus amuletos da sorte: olho Grego e pimenta ficam na entrada de seu apartamento.

Aí resolveu mudar totalmente de vida:  vendeu o carro, comprou uma passagem para Miami e chegou aqui com US$450 no bolso.

No quarto dia nos Estados Unidos, o dinheiro já estava acabando, e ele não conseguia trabalho em Miami.  Se mudou, então, para Orlando, onde foi contratado como lavador de pratos em um restaurante brasileiro.

Quando terminou o expediente, às 2 da manhã, tinha US$65 no bolso.  O gerente disse que não poderia dormir no restaurante, por que era contra o regulamento, e sugeriu um hotel nas redondezas.   Mas quando chegou lá, descobriu que não tinha o suficiente para a diária.  E voltou para o restaurante.

“Atrás tinha uma caixa de papelão com sangue de frango.  Exausto, com a mesma roupa, olhei pro céu e falei: Deus vai me trazer alguma coisa boa. Dei uma choradinha, virei e dormi”, conta Jota.  “Duas horas depois, tinha sol de novo, escaldante.  Fiquei esperando o restaurante abrir”.

No mesmo dia, ele foi para a casa de um garçom, onde ficou por três meses, quando, finalmente, conseguiu alugar um apartamento.  Trabalhou das 9 às 2 da manha – os sete dias da semana, por 11 meses e 26 dias.

Lá, conheceu um cliente, que gostou do seu jeito simpático e o convidou para trabalhar em sua empresa de transportes.  Foi, então, que começou sua trajetória como motorista, como se identifica até hoje.

Jota com a noiva Giuliane. Depois de ter carros de todas as marcas, diz que hoje não trocaria seu Mini Cooper conversível por nenhum outro.

“Eu gosto de ser motorista”, diz ele.  “Eu tenho empresa, mas sou motorista, e adoro ser motorista.  Adoro servir.  E cheguei onde cheguei dirigindo”.

Jota hoje tem uma empresa chamada Jota+, que abrange todo tipo de serviço — de “concierge” particular de luxo à uma frota de carros de aluguel.  Sua meta com os clientes é: “eficiência Americana, pontualidade Britânica e versatilidade Brasileira”, uma atitude que exige de todos seus funcionários.

Mas, o caminho não foi fácil. Jota só conseguiu sua residência permanente nos Estados Unidos há seis anos e não pôde sair do país para ir ao enterro do pai.

“Perguntei para a imigração se poderia ir ao Brasil e me disseram: poder, pode, só que você não volta mais.  Eu tive que ficar aqui”, diz ele.  “A vida me deu umas castigadas boas mas, me presenteou com coisas maravilhosas”.

Com simpatia e extremo profissionalismo, foi sendo indicado de boca a boca, caindo nas mãos de celebridades, como Hebe Camargo, Glória Perez e Fausto Silva.

E foi aproveitando todas as oportunidades que a vida ofereceu e correndo atrás de outras, que Jota de Miami passou de motorista à empresário, apresentador de programas de TV — como o Florida Connection, um quadro do Amaury Jr. na Rede TV!, e Viajar é com J — palestrante e escritor.

Capa da nova edição do "Dicas do Jota: O Seu Roteiro de Viagem em Miami". Lançamento será em São Paulo, em julho.

Em 5 de julho, ele lança em São Paulo a 3º edição do guia “Jota: O Seu Roteiro de Viagem em Miami”, com prefácio do Faustão.

“Não tenho como pagar tudo o que Fausto Silva fez por mim”, diz Jota.  “Esse é amigo”.

O guia da Editora Letra Livre vai sair com 30 mil exemplares e um aplicativo de iPad.  Como nas outras duas edições, as vendas nos lançamentos serão doadas inteiramente à Associação dos Amigos das Crianças com Câncer em Mato Grosso do Sul.  Mas, desta vez, há uma novidade: ele vai escolher também entidades diferentes, todo mês, para doar mais 5% das vendas.

Jota sente enorme carinho pelo estado onde cresceu, e uma divida de gratidão, que espera pagar com seu trabalho:

“Ainda vou ser Secretario de Turismo do Mato Grosso do Sul”, diz com a mesma confiança que demonstrou desde o primeiro minuto que pisou os pés nos Estados Unidos.  “Acho que tenho uma missão lá.  Tem riquezas naturais, mas o turismo nunca foi olhado com carinho”.

O casamento está previsto para o fim do ano.

Para maiores informações sobre a palestra “O Sucesso Anda de Limousine”, clique aqui.

No vídeo, Jota revela a receita do seu sucesso, com uma pitada de humildade e gratidão:

Com US$450, o motorista Jota da novela América fez a América. E hoje, ele conta como. from Chris Delboni on Vimeo.

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terça-feira, 15 de maio de 2012 Negócios, Shopping | 10:08

Brechó virtual de bolsas em Miami vende US$1 milhão em 2011

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**Fotos de Carla Guarilha

Apaixonado por luxo, o empresário colombiano Roberto Szerer descobriu uma grande oportunidade durante a crise econômica nos Estados Unidos e resolveu investir num ramo que recessão nenhuma afeta, diz ele: a paixão das mulheres por bolsas de grife.

“As mulheres são apaixonadas por bolsas. Quem pode, vai comprar produtos caros.  Mas sempre vai ter quem quer um produto original com uma boa oportunidade”, diz Szerer, que abriu em setembro de 2010 Luxe Designer Handbags.   “É como carro usado”, diz ele.  “Sempre vai ter mercado”.

Roberto Szerer, CEO, mostra uma Chanel Jumbo Flap, que estava vendendo por US$2.500. A original pode custar mais de US$4.000.

No ano passado, o site LuxeDH, como é conhecido, vendeu mais de US$1 milhão e espera um rendimento de até cinco vezes maior este ano.

As vendas correm o mundo e o Brasil é destino de 2% das mercadorias despachadas, o que representa de 30 a 40% do consumo internacional.

“O brasileiro gasta entre US$650 e US$ 1.000 por compra”, diz o CEO da empresa, que ao longo dos anos, desenvolveu extensa experiência com o comércio no Brasil.

Quando se mudou há 14 anos de Bogotá para Miami, Szerer abriu com um sócio americano, casado com uma brasileira, uma empresa de distribuição exclusiva para a América Latina de sapatos infantis – do Mickey Mouse aos tênis All Star.  O Brasil era um dos principais mercados.

“Adoro o Brasil”, diz o empresário que reconhece o bom e luxuoso gosto do brasileiro.

Prateleiras com as bolsas que chegam no estoque diariamente.

O escritório fica em Hallandale Beach, próximo de Miami, onde a mercadoria mal chega e já sai.

O site mantém um inventário constante de quinhentas a mil bolsas e tem vendido, em média, 400 por mês.  Os preços variam de US$99 à US$4.500, que foi o valor da  bolsa mais cara já vendida até hoje: uma Hermès Kelly, que de primeira mão sairia entre US$8.000 e US$10 mil.

Hèrmes Kelly - Cortesia: LuxeDH

O frete nos Estados Unidos é gratuito e o internacional, US$44,95 por item.

Szerer diz que o vendedor tem um perfil semelhante ao do consumidor: “mulheres de classe média-alta que tem bolsas no closet e não estão usando. Ai se dão conta de que podem vender”.

Elas podem oferecer a mercadoria pelo site ou, quando a quantidade é grande, levar pessoalmente no escritório para avaliação. Todas as bolsas são autenticadas no local.

Szerer disse que, uma vez, uma Venezuelana chegou com 56 bolsas para vender.

“E essas eram apenas as que ela não estava usando”, conta.

Ele diz que muitas mulheres gostam de “reciclar produtos de luxo”.  Elas querem sempre estar com bolsas novas, mesmo que usadas.

Kimberly Blue, 25, é diretora de serviços ao cliente – e também assídua consumidora.  Ela diz que adora o trabalho –  ainda mais por ter a chance de trocar as bolsas com frequência.

Depois de um tempo usando a mesma, ela vende de volta para LuxeDH e compra uma nova, de segunda mão.

Gucci Galaxy Python - Cortesia: LuxeDH

Para ela, a bolsa mais bonita que chegou foi uma Gucci Galaxy Python preta.

“Foi a bolsa mais linda que já vi”, diz Kimberly.  “Se pudesse, teria colocado em um quadro”.  A bolsa saiu por US$3.200.  Uma nova custaria US$7.000.

Szerer diz que a resistência inicial de comprar uma bolsa de segunda mão desaparece na hora que a mulher a coloca no ombro, como ocorreu com sua própria esposa, Margie.  Ele conta que ela não estava botando muito fé no negócio até as mercadorias começarem a chegar.

O primeiro pedido foi o dela: uma Balenciaga marrom por US$800.

Ninguém vai perguntar onde comprou, diz Szerer.  “Quando está nas mãos parece nova”.

A empresa oferece mais do que uma bolsa, diz ele.  Proporciona “estilo de vida”.

LuxeDH no momento oferece 11 marcas: Balenciaga, Bottega Veneta, Chanel, Chloé, Dior, Fendi, Gucci, Hermès, Louis Vuitton, Marc Jacobs e Prada.

Kimberly Blue, diretora de serviços ao cliente, mostra a sua Gucci favorita do momento.

Szerer pensa em expandir os produtos e incluir joias, e também considera abrir uma loja em Miami no futuro.  Mas no momento, sua meta é clara: “Construir a maior boutique online de bolsas de grife de segunda mão com certificado de garantia”.

Box:

Website: LuxeDH
E-mail: cs@luxedh.com
Telefone nos EUA: 888-925-3424
Direto na Flórida: (954) 362-9499

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segunda-feira, 7 de maio de 2012 Arte & Cultura, Direto de Miami, Miami | 09:53

Maestro João Carlos Martins se supera mais uma vez e faz sua primeira apresentação de piano no exterior depois da cirurgia no cérebro.

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*Fotos de Carla Guarilha

Maestro João Carlos Martins recebendo o prêmio nos EUA.

O Maestro João Carlos Martins tocou piano, pela primeira vez no exterior, depois de uma delicada cirurgia que realizou, recentemente, no cérebro.  A cidade palco foi Fort Lauderdale, perto de Miami, onde recebeu a principal categoria do  maior prêmio de brasileiros fora do país – Brazilian International Press Awards “Lifetime Achievemet”.

Carlos Borges, criador e presidente do Press Awards, que existe há 15 anos nos Estados Unidos, e em 2011, estreou também no Reino Unido e no Japão, coordena coletiva de imprensa com o ator homenageado, Marcelo Serrado, que fez o personagem Crodoaldo Valério, o Crô, na novela Fina Estampa, e dois grandes premiados do ano, o ator Juca de Oliveira e maestro João Carlos Martins.

Aqui, ele conversou com a coluna Direto de Miami sobre sua vida repleta de conquistas, mas também de enormes dificuldades.

Para quem não conhece a história dessa incrível personalidade, João Carlos Martins começou a tocar piano com 8 anos.  Aos 21, já lotava o Carnegie Hall, em Nova York.

Sua trajetória de superação foi marcada por dois grandes eventos: em 1966, perdeu o movimento da mão direita em decorrência de um acidente jogando futebol nos Estados Unidos e, 30 anos depois, um assalto na Europa também lhe tirou os movimentos da mão esquerda.  Para muitos, essa poderia ser razão mais do que suficiente para desistir.  Mas não para João Carlos Martins, que se reinventou profissionalmente há sete anos, depois de receber uma mensagem espiritual, e recomeçou sua carreira de músico, na regência.

O pianista e maestro, que já foi tema do enredo da escola de samba Vai-Vai, serviu de inspiração também para o mais novo personagem de Mauricio de Sousa na Turma da Mônica, o Maestrinho – batizado de Joca, que é seu apelido na vida real.

Ele espera que a Fundação Bachiana Filarmônica forme mil orquestras jovens no Brasil a médio prazo – e já começa a pensar em criar outras no exterior, inclusive na Flórida, onde existe uma enorme concentração de brasileiros.

Agora, uma curiosidade: a única coisa que ele ainda não fez — e gostaria — seria abrir uma Copa do Mundo.

Quem sabe esse sonho também não está próximo?

Maestro João Carlos Martins, Carlos Borges e o tenor Jean William

Leia a entrevista na integra:

Direto de Miami: Como consegue se reinventar, renascer tantas vezes?

Maestro João Carlos Martins: Eu acho que uma pessoa, de cada adversidade,  tem uma plataforma pra tentar construir seu legado ou seu caminho para o abismo.  Eu sempre procuro usar essa plataforma para criar alguma coisa.

DM:  De onde vem essa força?

JCM: Muita gente chama de superação.  Eu chamo de teimosia. Eu acho que uma pessoa quando nasce é como uma flecha.  Ela vai alcançar o seu destino.  Pode acontecer mil e uma coisas, mas ela tem que correr sua trajetória e cumprir sua missão.  Minha flecha está indo para direção certa.

DM: O senhor é espirita?

JCM: Não.  Mas minha mãe era.  Eu acredito no espiritismo.  Não frequento, mas vivo os valores.  Eu acho que o que estou passando nesta encarnação, devo ter aprontado muito na outra (risos).

DM: E foi uma mensagem de um desencarnado, o grande maestro Eleazar de Carvalho, que no sonho o chamou para reger, transformando novamente sua carreira. Como esse sonho passou a uma realidade de tanto sucesso em tão pouco tempo?

JCM: Eu tive um sonho com ele às 3 horas da madrugada, às 7 horas da manhã, tomei minha primeira aula de regência aos 64 anos, e de lá para cá, nesses sete anos, já realizei mais de mil concertos — não só em todos os grandes teatros do Brasil, como em alguns dos principais teatros do mundo, mas também nas comunidades, nas favelas, em regiões com pessoas profundamente carentes, mostrando como a música pode fazer diferença nas suas vidas.

DM: Como é o trabalho na Febem?

JCM: É muito emocionante.  Na véspera de Natal, aqueles que estavam com liberdade assistida, me deixaram uma carta, escrita: “Tio maestro, Feliz Natal.  A música venceu o crime”.

DM: Essa foi parte da mensagem divina que recebeu, de se tornar mais do que um grande maestro?

JCM: Não, mas eu assumi a responsabilidade social também.

DM: Sua última reinvenção — da recente cirurgia no cérebro — foi de uma coragem inigualável.  Por que correr o risco?

JCM: Como meu processo é degenerativo, o braço esquerdo já estava vindo cada vez mais para trás.  Então a razão da cirurgia foi abrir o braço.  E abriu o braço esquerdo no dia seguinte.  Mas durante a cirurgia, que demorou nove horas e meia com Paulo Niemeyer [neurocirurgião], ele pediu para eu abrir a mão, e eu abri.  Há 10 anos, eu não abria a mão esquerda.  Aí, eu comecei a sonhar se quem sabe ainda toco com a mão esquerda novamente.

DM: Essa é a meta?

JMC:  Voltar a tocar com a mão esquerda é o sonho.  A meta não sei, mas o sonho é esse.   Você corre atrás de um sonho, e, quando menos espera, o sonho corre atrás de você.

Maestro ao lado de Carmen, sua adorada – e adorável – esposa, no camarim do Broward Center for the Performing Arts

DM: Tem tantas fundações no mundo, a maioria com falta de verba e dificuldade para arrecadar.  Por que a Fundação Bachiana Filarmônica, que o senhor fundou em 2006, dá certo?

JCM: Porque é uma fundação que trata tudo com a palavra amor.  Hoje, estamos com 2200 crianças e o resultado que temos obtido é monumental.  Os nossos professores tratam cada criança como se fosse um filho.  Eu digo que essas crianças são meus bisnetos.

DM: Como é o processo de seleção dos músicos?  Como descobre os talentos?

Maestro com o jovem tenor Jean William

JCM: Quando você começa a educar uma criança, tem quatro partes: aquelas que, no futuro, vão fazer parte do público, as que vão ter a música como hobby, outras que poderão tornar-se músicos profissionais, e, finalmente, os diamantes a serem lapidados.  O [jovem tenor] Jean William é um diamante a ser lapidado.  De vez em quando, você encontra o diamante.

DM: E como o diamante é descoberto?

JCM: Para descobrir um diamante é muito simples. Se consegue unir ao talento, a genialidade e a disciplina, você está com um diamante.

DM: O que precisa para se tornar um João Carlos Martins?

JCM: Eu acho que como pianista, a obra de [Johann Sebastian] Bach, eu deixei um legado importante.  Como regente, iniciei uma nova carreira.  Já tem coisas que tem saído maravilhosamente bem, como a Nona Sinfonia de Beethoven no Ibirapuera [uma apresentação recente com sua orquestra Filarmônica Bachiana SESI-SP].  E tem outras coisas que você tem que ter a humildade para ir aprendendo. Se erro um gesto nos ensaios, eu falo para os músicos: “olha, acho que aqui não está muito bom.   O que acham?”  Você só consegue dar um passo pra frente quando há humildade – a humildade interna, dentro de você, funciona e te ajuda a você não ter vergonha de pedir um conselho e ter liderança pra mostrar aquilo que você quer.

DM: Já existe na sua mira o próximo João Carlos Martins?

JCM: Basta encontrar uma pessoa que quebre o braço, a perna, que toque piano e não consiga mexer as mãos, esse é o próximo (risos).  Eu estou com 71 anos, e pode ter certeza que em 10 anos, a fundação vai fazer parte da historia da música no mundo.  Eu vou começar, agora, um trabalho para formar mil orquestras jovens no Brasil.

DM: E em Miami?  Vai lançar uma orquestra para jovens brasileiros aqui?

JCM: Você está lançando esta ideia.  É uma ideia maravilhosa. E não só na Flórida, mas em outras comunidades brasileiras fora.  Só tem uma regra: disciplina de um atleta, e alma de um poeta.  E assim, você forma um músico.

Maestro com Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, cônsul-geral do Brasil em Miami

DM: O que esse prêmio, que seria a categoria mais importante do “Oscar”, representa para o senhor, que já ganhou tantos na vida?

JCM: Um prêmio que você recebe no Brasil, de brasileiros, tem muita força para você, mas quando recebe de brasileiros que vivem no exterior, une o amor com as saudades, então esse prêmio tem um significado bárbaro para mim.

Outro prêmio “Lifetime Achievement” da noite foi para o grande escritor amazonense Milton Hatoum, aqui ao lado do lutador de boxe Michael Oliveira e Embaixador Hélio Ramos

DM: Existe algo que gostaria de fazer, e ainda não teve chance?

JCM: Ainda não abri uma Copa do Mundo.

DM: A coluna Direto de Miami tem como tradição uma questão central: o segredo do sucesso.  Mas o senhor supera todos, o herói da superação, como diz minha mãe.  Qual seu segredo?

JCM: O segredo é que o sinônimo da palavra dor é esperança.

E sua esperança de voltar a tocar piano nos palcos do mundo passou a ser realidade com uma breve apresentação surpresa no fim da premiação no Broward Center for the Performing Arts ao lado do jovem Jean William, 25 anos, que com sua voz de tenor, fez a plateia delirar, ao cantar “My Way”.

Jean William também falou com exclusividade ao Direto de Miami.

Jean William descontraído ao lado do “padrinho” profissional no hotel em Fort Lauderdale na manhã da apresentação.

Direto de Miami: Como foi seu primeiro encontro com o maestro?

Tenor Jean William:  A primeira vez que me recebeu em sua casa, ele falou, “nome bonito você tem, agora vamos ver se você canta”.  Eu tinha 23 anos.  Cantei, ele gostou bastante a ponto de me colocar para cantar para 2 mil pessoas no outro dia.  Foi uma experiência muito gratificante.

DM: Qual a música que mais lhe emociona cantar?

JW:  Una furtiva lagrima da ópera L’Elisir d’Amore, e, na música popular, é “My Way”.

DM: “My Way” (“Meu Caminho”) tem algum significado especial para você?

JW:  Em muitos aspectos.  Tive uma historia de vida, não digo que infeliz, mas fui criado pelos meus avós.  Meu avô era boia-fria, minha avó faxineira de um hospital.  Mas mesmo com as dificuldades, sempre houve muito amor dentro de casa.  Meu avô é músico, toca violão. “My Way” conta um pouco do meu caminho.  Meu avô, acredito, que se realize um pouco em mim.  Infelizmente, não teve a oportunidade de se transformar num artista de verdade, e, poder saber que o neto está levando esse legado, para eles, é motivo de orgulho.

DM: E aonde esse caminho o está levando?

JW: Quero chegar nos grandes palcos do circuito internacional de ópera, ser um artista realmente da grande arte.

*Assista ao video do maestro João Carlos Martins tocando “My Way” no piano do Broward Center for the Performing Arts, com o tenor Jean William e violinista Dorin Tudoras:

João Carlos Martins, herói da superação, é premiado nos EUA from Chris Delboni on Vimeo.

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sexta-feira, 4 de maio de 2012 Direto de Miami, Educação | 20:04

Brasileiro vence mais uma etapa para o prêmio de melhor professor de escolas públicas dos Estados Unidos.

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Alexandres Lopes, reconhecido como melhor professor do ano de escolas públicas do condado de Miami-Dade, foi surpreendido hoje em sua sala de aula na escola Carol City Elementary, em Miami.

Tocou o alarme de incêndio, e quando saiu com as crianças, se deparou com um barulhento carro de bombeiros e uma enorme faixa parabenizando-o como um dos cinco finalistas entre 180 mil professores da Flórida.

Alexandre Lopes na sala de aula. Foto de Carla Guarilha.

O anuncio foi feito pela chanceler de educação do estado, Pam Stewart, que saiu do carro de bombeiros, com um megafone, e disse,  “Alexandre, é uma grande honra estar aqui pra dar a noticia a você”, contou o professor emocionado.

O anunciou do finalista que vai concorrer ao prêmio nacional será feito em 12 de julho em Orlando.

“É um orgulho, uma honra muito, muito grande deles terem escolhido neste país um brasileiro nascido e criado no Brasil”, diz ele.

Clique aqui para ler a entrevista original de Direto de Miami, quando o professor venceu a primeira etapa como Melhor Professor do condado, e assistir a um pequeno vídeo de seu programa especial que integra crianças com e sem autismo.  Lopes usa a música como instrumento de inclusão.

Alexandre Lopes com seus alunos. Foto de Carla Guarilha.

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