Publicidade

Posts com a Tag Educação

segunda-feira, 22 de abril de 2013 Direto de Miami, Educação, Entrevistas, Miami | 11:03

Direto de Miami Exclusivo: Professor do ano deixa aqui mensagem de inclusão, tolerância e otimismo

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami @ http://diretodemiami.ig.com.br
Editora: Liliana Pinelli
Fotos: Carla Guarilha

O brasileiro Alexandre Lopes, Professor do Ano da Flórida, será recebido amanhã com todas as honras pelo presidente Barack Obama na Casa Branca, em Washington. Ele foi um de quatro finalistas do título de “Professor do Ano dos Estados Unidos”.  Infelizmente, não levou o prêmio. O título foi para Jeff Charbonneau, professor de química, física e engenharia no estado de Washington.

Mas seu caminho até aqui é uma grande vitória, e daqui para frente será ainda mais.

Alexandre agora vai terminar o doutorado e voltar para os seus alunos e ao programa de inclusão na sala de aula que o levou a essa trajetória de sucesso.

Alexandre agora deve voltar aos seus alunos e ao programa de inclusão que criou. Foto de Carla Guarilha.

Durante este ano que vestiu a “coroa” de Embaixador de Educação da Flórida, Alexandre deixou sua marca e o mais importante, conseguiu transmitir uma mensagem não só de inclusão na educação especial, mas de tolerância e aceitação de ideias – e principalmente, do convívio entre diferentes pessoas.

Sua voz ganhou força e ele espera poder transmitir sua visão ainda mais, aqui e no Brasil, através de palestras, de um blog e um livro que está escrevendo sobre sua vida, uma história de inspiração, motivação e superação.  Alexandre está negociando com algumas editoras para publicação em português e inglês.

Alexandre escorrega com seus alunos no "playground" da escola. Foto de Carla Guarilha.

Mas enquanto isso, antes de saber quem levaria o título nacional, Alexandre Lopes deixou aqui, com exclusividade para Direto de Miami, uma reflexão e mensagem direta aos professores, educadores e todos que torceram desde o início pelo sucesso desse brasileiro que trouxe, através de suas conquistas, a esperança para tantos imigrantes que lutam por uma vida digna fora de seu país.

Por Alexandre Lopes — Melhor Professor do Ano da Flórida
Miami, Flórida

Logo estarei sendo recebido pelo presidente dos Estados Unidos na Casa Branca. Sou um dos quatro finalistas ao título de Professor do Ano dos Estados Unidos. Lutei muito para chegar até aqui. Jamais esperei que o “aqui” tornar-se-ia a Casa Branca. Pensava, simplesmente, que o “aqui” seria um momento de auto-aceitação, um estado de felicidade e uma sensação de trabalho cumprido.

Alexandre Lopes com alguns de seus alunos na escola Carol City Elementary. Foto de Carla Guarilha.

No entanto, aqui estou: satisfeito, feliz, e prestes a apertar a mão do Presidente Barack Obama. Trabalho cumprido? Ainda não. Ainda tenho muito a fazer. Para falar a verdade, a sensação de trabalho cumprido só virá quando sentir-me digno de minha própria morte. Ainda não sou digno dela. Porém, um dia serei. E quando esse dia chegar, dormirei tranquilo, deixando para trás um mundo mais compreensivo, mais carinhoso e mais inclusivo.

Quando vejo o carinho e a compreensão que meus alunos têm uns com os outros, vejo que a inclusão é não somente possível como também saudável para todos. Meus alunos são brancos, negros e amarelos. Eles entram na escola falando inglês, espanhol, português ou outra língua ou dialeto. Eles vêm de famílias com estruturas diversas. Eles têm autismo ou não. Por mais variados que sejam, eles têm pelo menos uma coisa em comum: eu.

Com um de seus alunos. Foto de Carla Guarilha.

Cabe a mim implementar um programa onde, ao longo dos anos, meus alunos e eu aprendemos a confiar uns nos outros, a respeitar uns aos outros e a aceitar que tudo é possível. Juntos, aprendemos as matérias acadêmicas, aperfeiçoamos nossa motricidade fina e nossa integração sensorial, praticamos nossas técnica de relaxamento e implementamos o currículo social. Não importa quem somos: Todos seguimos em frente juntos.

Quero ver todos os meus alunos – sejam eles quem forem – atingirem o seu potencial – seja ele qual for – e assim, aos poucos, um a um, fazer com que nossa sociedade não só enxergue como também aceite o potencial máximo individual que todos temos.  Quando penso nas nossas diferenças, nas nossas deficiências, nos nossos preconceitos, pergunto-me até que ponto eles são “nossos”? Até que ponto nossas deficiências não são parcialmente socialmente construídas, e assim, nossas oportunidades, destruídas?  Será que nossas diferenças, sejam elas quais forem, não são geradas por normas sociais restritas e absolutas? Sinto-me, às vezes, inocente como meus alunos.  Porém, inocente ou não,  tento transmitir diariamente a visão de mundo na qual acredito: Se construíssemos nossa percepção social de uma maneira mais flexível e mais compreensiva, seríamos menos preconceituosos, mais cheios de compaixão, mais livres e, consequentemente, mais  felizes.

Alexandre Lopes canta com as crianças. Foto de Carla Guarilha.

Acho que ganhei o titulo de Melhor Professor da Flórida não só pelo meu preparo e capacidade profissional como também por essa minha inocência e determinação de transformar o mundo, pessoa por pessoa, criando em cada uma delas um pouquinho mais de tolerância.

E agora, seja qual for o nome pronunciado pelo Presidente Obama hoje, continuarei buscando essa meta e, através dela, a felicidade: a minha, a de meus alunos, a das pessoas ao meu redor e a da sociedade com a qual sonho e na qual acredito.

Sinto-me privilegiado de ter chegado até aqui e conseguido, nessa jornada dos últimos meses, transmitir minha visão de vida e de mundo. Continuarei sempre lutando pelo meu ideal de uma sociedade mais justa, mais compreensível, mais flexível e mais inclusiva.

O desejo de aproximar-me cada vez mais desse ideal é muito maior do que minha ambição por qualquer premiação.  Ele só não é maior do que o carinho e a gratidão que sinto pelas adoráveis crianças de três, quatro e cinco anos de idade que dia após dia reforçam o meu desejo de tornar-me uma pessoa melhor e mostram-me a beleza de uma diversidade cultural, social e humana.

A vida nem sempre é justa. Porém, ela é bela e merece ser bem vivida.  Todos nós merecemos um lugar no sol.  Só nos resta aprender a brilhar juntos.

Para acompanhar os próximos passos do professor Alexandre Lopes, visite sua página no Facebook.

Neste vídeo logo após ter sido selecionado como finalista ao título nacional, Alexandre Lopes reflete sobre sua filosofia e missão de vida e conta o que o levou ao título de “Melhor Professor do Ano da Flórida”.

Alexandre Lopes é finalista para Melhor Professor do Ano dos Estados Unidos em 2013 from Chris Delboni on Vimeo.

Veja aqui a primeira reportagem quando Alexandre Lopes ganhou o prêmio de Melhor Professor do Ano do Condado de Miami Dade e assista ao vídeo:

Alexandre Lopes, brasileiro radicado em Miami, é escolhido melhor professor do ano de todo condado de Miami-Dade. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 19 de março de 2013 Arte & Cultura, Direto de Miami, Educação, Empreendedorismo, Entrevistas, Miami, Negócios | 09:05

Embaixador de Donald Trump no Brasil lança o verdadeiro “Aprendiz” nas ruas de Miami.

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Ricardo Bellino sempre foi empreendedor, algumas vezes por aptidão outras por necessidade. Por isso mesmo, ele sabe da importância deste instinto para fazer sucesso no ambiente empresarial.

Assim, amanhã, às 14 horas, horário de Brasília, Bellino irá lançar oficialmente o programa School of Life durante o Congresso Global de Empreendedorismo no Rio de Janeiro.

A Escola da Vida traz um novo conceito de educação e tem muita similaridade com os reality shows que fazem tanto sucesso ao redor do planeta. O objetivo: descobrir talentos empreendedores. O nome do primeiro concurso: “Em Busca do Novo Steve Jobs” (“Finding the Next Steve Jobs”), título do novo livro de Nolan Bushnell, gênio do vídeo game que fundou a Atari.  Bushnell, que foi um mentor de Jobs, o legendário fundador da Apple, será o “presidente de honra” da School of Life.

O conceito básico do programa será formar empreendedores de sucesso e, o segredo desse sucesso, diz Bellino, começa com caráter.

“Não quero saber de ideias.  Quero saber quem está por trás das ideias, quero saber quem são as pessoas”, diz ele.  “Queremos conseguir dar as pessoas a capacidade, a resiliência, que são valores fundamentais, intrínsecos a qualquer empreendedor de sucesso para que ele possa enfrentar a guerra, o dia a dia dos seus negócios, e construir negócios aonde muitos não acreditam que seria possível, e fazer o impossível”.

Ricardo Bellino na sede da School of Life, em Miami. Foto de Carla Guarilha.

A primeira turma da Escola da Vida, com 20 aprendizes, deve começar em julho.  A sede da ONG vai ser montada inicialmente dentro de um novo centro de “start-ups”, ou inovações empreendedoras chamado The Lab Miami, um investimento da Fundação Knight, no Design District, região criativa e artística de Miami.  Mas a School of Life vai operar virtualmente no mundo inteiro através do site www.schooloflife.com, que vai ao ar amanhã, assim que for cortada a fita simbólica, simultaneamente em três cantos do mundo.  No congresso no Brasil vai estar Gustavo Caetano, fundador da SambaTech, gigante em distribuição de vídeos educativos e educacionais; Bellino estará em Atenas, na Grécia, participando como o 111º convidado de um jantar anual oferecido pelo escritor Paulo Coelho em homenagem a seu padroeiro São José; e em Los Angeles vai estar Bushnell, a grande estrela do anuncio.

“Juntos vamos procurar pessoas com talento extraordinário, com ideias extraordinárias, e que possam, de fato, fazer a diferença e serem tratadas e desenvolvidas, incubadas dentro do ambiente da School of Life”, diz Bellino.

School of Life vai estar localizada nessa primeira fase no The Lab Miami. Foto de Carla Guarilha.

Assim que o website for lançado, os candidatos podem começar a concorrer a vaga.

Como Bellino foi o 111º convidado de Coelho, um numero importante na Cabala, simbolicamente, o “jogo da vida” também terá duração de 111 dias, diz ele.

O curso será dividido em três módulos, que Bellino compara com reality shows.  O primeiro será como o “Survivor” ou “No Limite”, onde os alunos vão se submeter a testes psicológicos que vão avaliar sua capacidade de enfrentar os outros dois estágios. “Fizemos o trabalho orientado para realmente quebrar, destruir para construir de novo”, diz Bellino.  A segunda fase será como o programa “Aprendiz”, com  uma série de atividades, outros testes e projetos concretos.  A última fase, para aqueles que não tiverem desistido ou sido eliminados, será parecido com o “reality” americano “Shark Tank”, ou “Tanque de Tubarão”, onde, assim como no programa, os aprendizes da Escola da Vida terão três minutos para apresentar seus projetos a um grupo de investidores e a chance de tornar seu sonho realidade.

Bellino numa das salas do The Lab Miami. Foto de Carla Guarilha.

“Mostrar que você pode atingir o sucesso, mas não o sucesso a qualquer preço, é muito importante para criar valores morais, que para nós são fundamentais”, diz Bellino, que ainda afirma que as escolas tradicionais não dão esta oportunidade.  “Ela quer que você ande dentro de uma reta, dentro de uma caixa para você seguir um protocolo, terminar recebendo uma certificação para que com essa certificação você procure um emprego, e esse circulo vicioso destrói a capacidade, a imaginação e o sonho das pessoas”, diz Bellino que nunca completou uma faculdade mas passou com nota 10 na escola da vida, se transformando num dos melhores “aprendizes” de Donald Trump.

Em 2003, Bellino convenceu o magnata a fazer o primeiro investimento imobiliário Trump no Brasil. Mas não foi tão simples quanto parece. Trump não estava em seus melhores dias e deu três minutos para Bellino vender sua ideia de levar a marca Trump para o mercado de imóveis no Brasil.  Perante a situação inesperada, Bellino imediatamente deixou de lado sua apresentação original e para vencer o desafio, usou de sua genialidade empresarial, baseada em dois fatores: carisma e coragem de errar.  O projeto Villa Trump Golf & Resort em Itatiba, São Paulo, acabou não indo para frente mas rendeu uma forte amizade entre eles até hoje.

E agora, Bellino quer aplicar a mesma regra de “3 minutos” para criar novos aprendizes.

“Quero poder resetar essas pessoas no sentido de dar a elas a possibilidade de acreditar no sonho de novo, acreditar no impossível de novo, porque quando somos crianças, acreditamos que podemos fazer coisas extraordinárias, mas a nossa vida, nossa escola, nossa igreja, nossos amigos, nosso clube, estornam a nossa capacidade de sonhar”, diz o CEO da School of Life.

Parece um tanto arrojado, mas ele está calcando o sucesso do seu novo projeto na sua própria história de ousadia.

O quadro ao lado de Bellino é outra iniciativa do empreendedor.  São 100 obras feitas com capsulas da Nespresso.  Este é de Andy Warhol, artista que desenhou a lata de sopa Campbell's, inspiração para Sopa de Pedras, tema de palestras de Ricardo Bellino.  Os quadros vendem por US$15 mil cada.  Este foi uma doação para a sede da School of Life.  Todos podem ser vistos no site http://www.saatchionline.com/Artmakers. Foto de Carla Guarilha.

O quadro ao lado de Bellino é outra iniciativa do empreendedor. São 100 obras feitas com capsulas da Nespresso. Este é de Andy Warhol, artista que desenhou a lata de sopa Campbell's, inspiração para Sopa de Pedra, tema de palestras de Ricardo Bellino. Os quadros são vendidos por US$15 mil cada. Este foi uma doação para a sede da School of Life. Para ver todos, visite http://www.saatchionline.com/Artmakers. Foto de Carla Guarilha.

Aos 14 anos, Bellino teve sua primeira experiência empreendedora ao negociar com o dono de uma oficina eletrônica uma comissão por cada Atari que seus amigos de escola levavam até ele para codificar do modelo americano para o brasileiro. Quando conseguiu juntar US$300 com as comissões, Bellino investiu num equipamento de som e se associou ao grupo que mais tocava nas festas dos colegas.

Bellino e sua lata de sopa de pedra.

E esta foi a primeira de muitas vezes que Bellino aproveitou o limão para fazer uma boa limonada.

O investimento surgiu de um pequeno problema que na época lhe incomodava. Como tinha vergonha de chamar as meninas para dançar, ele ficava atrás dos DJs nas festas.  Assim, acabou virando sócio da equipe.

“Essa timidez foi o que me alavancou”, diz ele.  “Eu consegui transformar literalmente timidez em carisma”.

E foi, exatamente, esse carisma que o ajudou a vencer barreiras, aproveitar todas as oportunidades que sua escola da vida apresentou e conquistar grandes negócios.

No fim dos ano 80, com pouco mais de 20 anos, ele convenceu John Casablancas, dono da famosa agência de modelos “Elite”, em Nova York a abrir a Elite Models Brasil.  Casablancas concordou e se tornou seu “mentor e pai espiritual”.  Foi quem, de fato, o apresentou ao Trump, que acabou sendo a chave de sua trajetória de sucesso.

Seu lema:  “Como não sabia que era impossível, fui lá e fiz!”, uma frase do escritor francês Jean Cocteau.

“O empreendedor de sucesso assume risco, ele vai no limite, acredita no impossível, passa pelas chamas, abre o mar e atravessa o oceano”, diz Bellino. “Acho que uma das minhas maiores virtudes é não ter medo de errar e, não tendo medo de errar, eu arrisco mais, dentro de uma perspectiva responsável, com a cabeça no céu e pé no chão”.

E “não ter medo de errar” , diz ele, é um de cinco simples conceitos para o sucesso.  Os outros quatro são: entusiasmo, persistência, coragem de assumir risco e a verdade.

Sendo a “verdade” o fator determinante na seleção dos aprendizes, diz Bellino.  “A verdade vem com o caráter. Se você não tem caráter, a verdade não existe”.

Para testar suas aptidões de empreendedor, visite o site em inglês do livro “You Have 3 Minutes”.

No vídeo, Ricardo Bellino conta o segredo do seu sucesso, em menos de 1 minuto:

Empreendedor brasileiro Ricardo Bellino abre Escola da Vida em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 Direto de Miami, Educação, Miami | 15:02

Brasileiro está a um passo de se tornar o melhor professor dos Estados Unidos.

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

O brasileiro Alexandre Lopes foi selecionado um dos quatro finalistas escolhidos entre todos os estados norte-americanos para concorrer ao titulo de “Melhor Professor do Ano” dos EUA.  A decisão sai daqui a três meses.

Os demais candidatos são professores do colegial nas áreas de exatas, inglês e música nos estados de Washington, Maryland e New Hampshire.

O brasileiro, único finalista professor de jardim de infância, desenvolveu um programa de inclusão que já abocanhou os prêmios de “Melhor Professor do Ano” do condado de Miami-Dade, em março, e do estado da Flórida, em julho.

Alexandre Lopes com alguns de seus alunos na escola Carol City Elementary. Foto de Carla Guarilha.

Agora, o petropolitano pode se tornar o maior representante de educação dos Estados Unidos da América.

O prêmio “National Teacher of the Year” ou Melhor Professor do Ano Nacional, foi constituído em 1952 e é o mais tradicional e respeitado na área de educação aqui.

Será entregue ao finalista em abril pelas mãos do Presidente Barack Obama numa cerimônia na Casa Branca, sede do governo americano.

Nesta entrevista exclusiva ao Direto de Miami, Alexandre Lopes conta como conquistou o título estadual, como sua vida mudou no último ano desde que se tornou o “Embaixador da Educação” da Flórida e onde quer chegar.

No vídeo, Alexandre Lopes reflete sobre sua filosofia e missão de vida e conta o que o levou ao título de “Melhor Professor do Ano” da Flórida.

Alexandre Lopes é finalista para Melhor Professor do Ano dos Estados Unidos em 2013 from Chris Delboni on Vimeo.

ENTREVISTA:

Direto de Miami:  Como o título de Melhor Professor do Ano da Flórida transformou sua vida?

Alexandre Lopes: É tanta mudança que é difícil saber por onde começar.  Me tornei um palestrante, e em três meses, já fui o palestrante principal para um público de 300 pessoas em eventos que reúnem estudantes, catedráticos, políticos e pessoas influentes na área de educação, às vezes até mesmo da economia local.  Há menos de um ano, meu público eram meus alunos de 3, 4, 5 anos de idade.  Me surpreende que as pessoas queiram me escutar – escutar o que eu tenho a dizer. Fico feliz de ter me tornado uma pessoa capaz de motivar os outros, de inspirar os outros a encontrarem dentro deles o que eles tem de melhor para o mundo educacional e o mundo em geral.

DM: Qual sua mensagem principal?

AL: Sou um imigrante que vim para os Estados Unidos aos 26 anos de idade, aprendi o inglês, que não é minha língua materna.  Acho que isso tem um poder muito grande, porque fala para os imigrantes deste país, dos Estados Unidos, cujos filhos estão agora também na escola e em busca do sonho americano, fala para os americanos em si que estão educando os filhos de imigrantes. Como imigrante, como latino, ter vencido, é uma mensagem muito importante.

Em sua casa em Miami, com seus troféus ao lado. Foto de Carla Guarilha.

DM: Quem era o Alexandre antes dessa premiação e quem é o Alexandre hoje?

AL: Eu sinto que cresci muito.  O que me deixava feliz era trabalhar com crianças de 3 a 5 anos de idade, num sistema de inclusão total, numa área onde meus alunos eram imigrantes, minorias étnicas e raciais, estudantes com autismo em um sistema sem preconceitos.  Terminei meu mestrado, estava fazendo o doutorado e trabalhava com projetos para desenvolver a qualidade de ensino.  Mas eu não era uma pessoa pública.  Agora represento o Departamento de Educação da Flórida.  O meu título de “Embaixador para Educação” é regido pela lei do estado da Flórida.

DM: O senhor parece lidar muito bem com essa sua nova condição de pessoa pública.  Como chegou intimamente a essa maturidade?

AL: Acho que é importante que as pessoas vejam que eu lutei para chegar onde estou, não só profissionalmente mas como pessoa. Eu fiz um processo terapêutico com a [psicóloga brasileira] Rosane Wechsler aqui em Miami e foi muito bom.  Através de um processo de autoconhecimento, ela fez com que eu deixasse de lado incertezas e inseguranças e tivesse confiança com relação às minhas decisões e vontade de vencer, não só de uma maneira pessoal como também de forma profissional.  Eu aprendi a aceitar minhas diferenças.

DM: Hoje sua voz está transformando muita coisa na área de educação.

AL: Acho que minhas ideias são um pouco inovadoras – mas a maneira pela qual eu as exponho, eu as expresso, faz com que as pessoas não se sintam intimidadas por elas.

Alexandre escorrega com seus alunos no "playground" da escola. Foto de Carla Guarilha.

DM: O que o senhor acha que trouxe na sua trajetória de vida para chegar nesse momento?

AL: Eu vou a luta.  Não gosto de escutar quando as pessoas falam, ‘você é uma pessoa inteligente’.  Você pode ser a pessoa mais inteligente do mundo, mas se você não faz seu dever de casa, você não vai chegar em lugar algum.

DM: Inclusão seria uma palavra para descrevê-lo?

AL: Seria uma inclusão gerada através de uma aceitação social.  Minha luta é de uma aceitação social.  Todas as pessoas tem seu potencial único e que bom que é único.  O que aconteceria se não houvesse polêmica e ideias diferentes das nossas?  Será que cresceríamos? Acho que é isso, uma  aceitação social, total e irrestrita para que as pessoas acreditem em si, gostem de si e cheguem ao seu potencial, seja ele qual for.

A aluna de Alexandre foi correndo lhe dar um abraço assim que o viu. Foto de Carla Guarilha.

DM: E foi isso que os membros do comitê de seleção da Florida viram no senhor e acha que podem ver na decisão final do titulo de professor do ano de todo o país?

AL: Acho que eles viram em mim uma pessoa capaz de inspirar nos outros e de motivar os outros a buscarem o sonho americano através da educação.

DM: E agora?  Qual o futuro do Professor do Ano da Flórida de 2013, e quem sabe dos Estados Unidos?

AL: Já tive convites de filiar-me à universidades, e estou fazendo um malabarismo para terminar o doutorado o mais rápido possível.  Se quiser posso voltar para sala de aula.  Mas não sei se seria exatamente aonde eu faria a maior diferença.  Eu já esperava que no futuro me tornaria um professor universitário, trabalhando com pesquisas e ensinando a outras pessoas o que levou a tornar-me professor do ano.  Me vejo como um mediador de ideias.  Acredito nas minhas ideias mas estou sempre aberto a escutar as ideias dos outros.

DM: Sete palavras para descrever um professor de sucesso:

AL: Eduque-se, informe-se, acredite-se, ame-se, apaixone-se, entregue-se e libere-se.

DM: Qual o segredo do seu sucesso?

AL: Muito esforço, auto-aceitação e amor ao próximo.

Alexandre Lopes na sala de aula durante uma recente visita a escola. Foto de Carla Guarilha.

Para ler a coluna original quando Alexandre Lopes foi escolhido professor do ano de Miami-Dade, clique aqui.

Para acompanhar as atividades de Alexandre no Facebook, clique aqui.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 23 de outubro de 2012 Direitos Humanos, Direto de Miami, Educação, Entrevistas, Imigração, Miami, Sem categoria | 09:09

Brasileira revela os motivos do intenso fluxo migratório para a Flórida

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

Valéria Magalhães estudou em escola pública toda sua vida, na periferia da zona leste de São Paulo, para onde seus pais migraram na década de 60.  O pai  havia deixado o Maranhão e a mãe, Minas.

“Não tenho uma formação brilhante”, diz Valéria, que superou os obstáculos de uma educação primária e secundária relativamente fraca e criou sua própria – e brilhante – trajetória acadêmica.

Valéria no quarto do hotel Hampton Inn, de Coconut Grove. Foto de Carla Guarilha.

Hoje, socióloga, doutora em História Social e docente da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, ela esteve aqui em Miami na semana passada para lançar seu livro: “O Brasil no Sul da Flórida: Subjetividade, identidade e memória”, publicado e lançado no ano passado no Brasil, pela editora Letra e Voz.

Valéria diz que não sabe se seu interesse por questões migratórias vem da história de seus pais, mas ela tem absoluto fascínio pelo tema.

“Sempre tive uma paixão pelas viagens e pela imigração, não só como objeto de estudo”, diz ela.  “Sempre fiquei fascinada com o fato da pessoa sair do lugar dela e às vezes não voltar, ficar longe de tudo e de todos”.

O livro, resultado de sua tese de doutorado, inclui 40 entrevistas feitas com brasileiros entre 2002 e 2006 nos condados de Miami-Dade e Broward.

“Cada história que ouvia era incrível”, diz ela.

Um dos capítulos conta o caso de um gay que conseguiu asilo político alegando às autoridades americanas que corria risco de vida no seu país de origem pela sua preferência sexual.  Outro conta a história de uma go go girl que se tornou garota de programa.  “Quando entrevistei, ela estava atendendo no hotel. Ela deu a entrevista nos intervalos.  Foi uma história, metodologicamente falando, bastante curiosa”.

Mas o que mais lhe surpreendeu foi o depoimento sobre um casamento para obter os papéis de imigração e condição legal como imigrante nos Estados Unidos, que custou R$18 mil.   “Era uma exploração muito grande da pessoa que vendia o casamento.  Fiquei meio surpresa com aquilo e quanto as pessoas se desdobravam para conseguir esse documento, o que elas aguentavam para se legalizarem aqui nos Estados Unidos”.

A noite de autógrafos foi na pizzaria Piola em South Beach, onde Valéria recebeu mais de 40 pessoas, entre velhos amigos e novos imigrantes.

“Eu acho que tem mais brasileiros chegando para abrir negócios aqui ou investir, aproveitando a situação econômica brasileira e as taxas de juros americanas”, diz. “Esse não é um fenômeno novo, mas sazonal, que acompanha conjunturas específicas dos dois países”.

Valéria aproveitou sua visita a Miami agora também para dar início ao seu próximo projeto, que deve ter duração de dois anos.  Será uma pesquisa extensa sobre gays brasileiros na Flórida, uma parceria com Steven F. Butterman, diretor do Programa de Estudos de Gênero e Sexualidade na Universidade de Miami e autor de “Vigiando a (in)visibilidade:  Representações midiáticas da maior parada gay do planeta.”

“Esses grupos, como gays, que não são estereótipos da imigração, quebram os paradigmas, de que a imigração brasileira para o exterior é só por causa das questões econômicas”, diz ela.  “É também.  Mas na Flórida, essa imigração tem muitas outras razões, muitas outras explicações e, historicamente, é diferente do resto”.

Foto de Carla Guarilha

Dez anos se passaram desde o começo da pesquisa e a catedrática da USP diz que pouca coisa parece ter mudado, mas é isso que ela está voltando para comprovar.

“A hipótese principal agora é que, com a crise [econômica], os fluxos migratórios não se alteraram.  Essa imigração continua tão importante quanto era –  o que mais uma vez reforça meu argumento de que só a economia não explica a imigração [brasileira]”.

Ela diz que apesar das diferenças sociais, culturais e econômicas, foram razões subjetivas que fizeram com que esses brasileiros se mudassem para Flórida.

“A razão econômica é fundamental mas não vai sozinha e é a mais fácil de você declarar”, diz ela.  “Nenhuma razão estrutural se sustenta sem as questões subjetivas.  A decisão de sair do país é tão difícil de tomar que você precisa de um impulso pessoal que te ajude a tomar essa decisão”.

E isso vale para a pesquisadora também.

“Eu adoro a Flórida.  Venho aqui e fico com vontade de ficar um tempo”, diz ela.

Mas agora não é mais estudante de doutorado e seus compromissos de pesquisas no Brasil lhe impedem de passar períodos mais longos como fez 10 anos atrás.  Ela pretende vir por períodos curtos cada vez para atualizar os estudos.

Valéria diz que seu maior desafio foi e continua sendo convencer os colegas que Miami é um “objeto importante de pesquisa”.

“Esse brasileiro mais metido a intelectual – o brasileiro mais voltado para questão das artes, da intelectualidade — não gosta de Miami”, diz Valéria. “Miami é visto como o lugar das compras, lugar brega, mas insisto que é interessante estudar isso aqui.  Há uma carência enorme de estudos sobre a Flórida.”

No video, Valéria conta em menos de 60 segundos o segredo do seu sucesso:

Brasileira lança livro sobre imigração brasileira em Miami. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 9 de outubro de 2012 Direto de Miami, Educação, Miami | 09:22

Carioca entra na lista dos 100 latinos mais influentes de Miami

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha

A arquiteta Adriana Sabino chegou aos Estados Unidos em 1983.

Destino: Nova York.  Previsão de estada: 6 meses.

Ela veio com Marcelo, seu marido, que faria um curso sobre o sistema bancário americano na New York University, e com suas duas filhas pequenas, uma com 10 meses e a outra com 2 anos e meio.

Logo voltariam ao Brasil.

Mas isso não aconteceu.

“Foi o maior conto do vigário que já passaram em alguém”, brinca Adriana, que havia deixado para trás um escritório de arquitetura com projetos em andamento e uma casa montada em Belo Horizonte, onde a carioca se estabeleceu depois do casamento.

Sabino na sala de sua casa em Key Biscayne. Foto de Carla Guarilha.

O curso em Nova York terminou. Mas a direção do Banco Rural, da família do Marcelo, estava querendo avaliar as opções do mercado bancário em Miami na época, e ninguém melhor do que o casal que já se encontrava no país.

“Eu continuava com minhas duas malinhas e minhas duas crianças – com mais suas duas malinhas”, conta Adriana, que 30 anos atrás iniciava aqui uma vida de desafios – mas também muitas conquistas.

E foram essas conquistas que levaram à grande homenagem que recebeu na semana passada: sua foto agora faz parte da exposição “100 Latinos”, um painel dos latinos mais influentes daqui, que ficará exposto por um ano no Aeroporto Internacional de Miami.

Foto oficial, de Dora Franco. Cortesia "100 Latinos".

O projeto, uma iniciativa da Associação Fusionarte, de Madrid, está na sua segunda edição em Miami, e espera em breve fazer parte de muitos outros aeroportos nos Estados Unidos.

A colombiana Verónica  Durán, fundadora e presidente da Fusionarte, diz que o objetivo do projeto, que resulta em um livro e exposição, é mostrar para o mundo os latinos que são exemplos de sucesso, são imigrantes profissionais que contribuem para o desenvolvimento da cidade onde vivem em vários aspectos: econômicos, sociais e culturais.

“Queremos mostrar o rosto da América Latina”, diz ela.

E Adriana hoje está neste seleto hall.

Cortesia "100 Latinos"

“Tinha achado a iniciativa muito interessante – de valorizar as pessoas que estão fazendo a diferença em Miami”, diz Sabino.  “Agora sou uma delas.  Acho que trago essa integração da minha comunidade com a sociedade multinacional de Miami”.

O outro brasileiro selecionado este ano foi o piloto Hélio Castroneves.

Yolanda Sánchez, diretora para assuntos artísticos e culturais do aeroporto, disse que os 100 latinos escolhidos representam modelos de perseverança e comprometimento.  “Para muitos, não têm sido fácil”, diz ela.  “Tenho muito orgulho de poder mostrar os aspectos positivos da cultura latina”.

Já para Adriana, é especificamente a cultura brasileira que ela pretende disseminar cada vez mais por aqui.

Ela divide seu tempo quase igualmente entre sua empresa de planejamento e decoração de interiores, Adriana Sabino Interiors, e o Centro Cultural Brasil-USA, que acaba de completar 15 anos.

Adriana cofundou o CCBU, uma entidade sem fins lucrativos, que nasceu com o objetivo de difundir e divulgar a cultura brasileira em Miami.

“Foi uma estratégia de sobrevivência de imigrante.   A ideia era mostrar toda a riqueza que o Brasil tem e que não era muito divulgada,” diz ela.  “A gente queria abrir um espaço de prestígio para o brasileiro que estava morando aqui e marcar nossa presença de uma maneira simpática”.

Uma de suas prioridades sempre foi a disseminação da língua portuguesa do Brasil, de forma abrangente, onde o aprendizado iria além do idioma, envolvendo história, geografia e outros aspectos da cultura, representando assim um resgate cultural completo através do idioma.

Existe uma grande diferença entre falar um idioma e suas nuances culturais, diz Adriana, que foi uma das principais vozes para a criação do estudo bilíngue da pioneira escola Ada Merritt em Miami, onde as crianças aprendem as matérias em inglês e português e, recentemente, recebeu das mãos do cônsul-geral do Brasil em Miami, Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, a Ordem do Rio Branco, uma grande homenagem do Itamaraty.

Na varanda de seu apartamento. Foto de Carla Guarilha.

“Ser brasileiro é falar a língua mas também entender o espírito brasileiro, compreender de onde você vem, que é fundamental”, diz Adriana, que enfrentou esse desafio ao chegar nos Estados Unidos: manter sólidas suas referências como brasileira.

“[Como imigrante] você precisa criar sua base”, diz ela. “O segredo da vida é você se colocar desafios que dão trabalho, demandam esforço, mas que estão dentro do seu alcance.  Sou muito boa em criar uma base para mim”.

No vídeo, Adriana reflete sobre sua visão de vida e de sucesso:

Exposição “100 Latinos” volta para o Aeroporto Internacional de Miami, este ano com a brasileira Adriana Sabino. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , , , ,

terça-feira, 28 de agosto de 2012 Direitos Humanos, Direto de Miami, Educação, Imigração, Miami | 09:53

Carioca vive sonho americano e vira herói de jovens imigrantes indocumentados que querem completar os estudos nos Estados Unidos.

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)

O carioca Felipe Sousa Matos ficou muito conhecido aqui nos Estados Unidos pela caminhada de mais de dois mil quilômetros que fez de Miami a Washington para reivindicar o direito de jovens imigrantes indocumentados, como ele, acesso às universidades americanas. Mas este foi, para o brasileiro, apenas um trecho de um caminho muito longo que vem percorrendo desde pequeno.

Tinha 6 anos quando recebeu a primeira grande lição de vida. Sua mãe, faxineira no Rio de Janeiro, o fez entregar para uma outra criança que passava fome na rua o único pão que eles tinham. “Não tínhamos dinheiro para comprar outro pão”, diz Felipe. “A gente tinha muito pouco.  Quase nada”.

Na época, ele não entendeu o gesto da mãe, mas se lembra com clareza das sabias palavras de dona Francisca: “Você tem que ajudar o próximo.  Se você quer mudar o mundo, todo dia você tem que dar o máximo que pode, sem olhar para trás”.

Felipe, em Oakland, no ano passado. Fotos: Cortesia/album de família.

Hoje, aos 26 anos, Felipe reconhece que aquela atitude moldou o seu caráter e o tornou quem ele é.  “Cresci com minha mãe dizendo que eu tinha que compartilhar tudo que conquistava com todos ao meu redor, e que tinha que estudar”, conta.  “Eu lembro que ela sempre me dizia que a única forma de sair da pobreza era através da educação”.

E assim foi.

Felipe hoje é um líder estudantil, um defensor das causas homossexuais e um herói na luta pelo direito de milhares de jovens imigrantes que querem continuar os estudos universitários nos Estados Unidos, muitas vezes o único país que eles conhecem.

Sua caminhada ao lado de três amigos em janeiro de 2010 para reivindicar a aprovação do “DREAM Act” – projeto de lei que daria direito à educação superior para jovens imigrantes – resultou no primeiro passo para essa conquista: a “Ação Diferida”, uma Ordem Executiva da Casa Branca, que entrou em vigor este mês e pode permitir que mais de um milhão de jovens sem documentação nos Estados Unidos, ou seja, considerados ilegais pelas autoridades americanas, consigam permissão temporária de trabalho por dois anos.  [Veja abaixo link do Consulado do Brasil em Miami com mais informações em português e todos os requisitos para obter a documentação].

“Não é uma solução definitiva”, diz Felipe.  “Só o Congresso pode implementar uma solução definitiva, mas já é alguma coisa”.

E para Felipe, muita coisa.  É sua chance de realizar seu grande sonho de seguir adiante com os estudos para se tornar um professor universitário.

Ele mandou seus documentos para o Departamento de Segurança Interna semana passada.  “Acho que vou conseguir”, diz, sorridente e confiante, características que sempre marcaram e guiaram desde menino sua vida, que nunca foi fácil.

Durante o discurso no Miami Dade College, 15 de agosto, dia em que a "Ação Diferida" entrou em vigor. "O papel azul é minha documentação", diz orgulhoso.

Felipe nasceu no Rio de Janeiro.  Os pais se separaram quando tinha apenas 2 anos e ele foi morar em um quitinete com a mãe e as irmãs mais velhas.  Anos depois, quando as irmãs já tinham saído de casa, ele se mudou com a mãe para uma casa em Duque de Caxias.  “Não estava construída por completo. Não tinha muro nem janela direito”, diz ele.  “A gente colocava plástico na janela para que quando chovesse não entrasse água”.

Quando Felipe tinha 12 anos, sua mãe passou a ter uma dor crônica nas costas e não podia mais trabalhar como antes, então, ele começou a fazer o que podia para colocar dinheiro em casa: distribuía panfleto político, limpava casa, cortava grama.  “Trabalhava no que dava”, diz Felipe.

Mas, sua mãe estava muito preocupada com os estudos do filho: “Minha mãe sempre foi muito rigorosa”, diz ele.  “Se eu chegasse em casa com qualquer coisa menos do que uma nota 10, ela brigava comigo”.

Assim, aos 14 anos, Felipe foi morar em Miami com uma das irmãs, que já estava há alguns anos na cidade.  Conseguiu visto de turista, e pegou o vôo para os Estados Unidos, amedrontado e com um grande aperto no coração.  “Tinha medo de nunca mais voltar”, diz.  “Lembro que entrei naquele avião e chorei por oito horas”.

Ao desembarcar, recebeu um conselho de Claudia, sua irmã, hoje com 36 anos: “esse é um país que todos seus sonhos podem se realizar.  A única coisa que você tem que fazer é se manter focado e estudar”.

Felipe entendeu que o sucesso estaria em suas mãos e levou essas palavras muito a sério.

Ele só tirava nota máxima nas matérias, ganhava prêmios na escola e estava pronto para entrar na faculdade quando se deu conta que, como imigrante indocumentado, ele não tinha acesso ao ensino superior. Mas não desistiu.

Felipe passou mais de um ano trabalhando em restaurantes como garçom,  lavador de pratos e limpando casas nos fins de semana para juntar dinheiro.  Até que um amigo comentou sobre um programa especial no Miami Dade College.  Conseguiu vaga e bolsa de estudos e começou a cursar relações internacionais.  Mais uma vez, se superou: abriu uma associação na faculdade para ajudar crianças necessitadas e arrecadou fundos para construção de uma escola na África, continuou ganhando prêmios de melhor aluno e chegou a presidente do Grêmio Estudantil.

Saiu com diploma de dois anos, que é o máximo do curso oferecido no Miami Dade College, e esperava seguir para uma universidade de quatro anos.  Só que de novo, outra decepção.  Tinha as notas para ser aceito nas grandes faculdades americanas mas não tinha dinheiro.  Como imigrante sem documentos, o custo seria três vezes maior.

Perdeu mais um ano até que a amiga de uma amiga comentou sobre um programa especial da Universidade St. Thomas, em Miami.  Foi aceito imediatamente com bolsa parcial.  Dos US$25 mil por ano, a faculdade daria US$15 mil.  Mas ele não desistiu e conseguiu uma segunda bolsa de mais US$7 mil por ano e completou o pagamento com seu trabalho.

Felipe se formou em economia e administração em maio, quando realizou um outro sonho: casou-se oficialmente com seu companheiro Juan.  A festa foi em Miami e a cerimonia em Massachusetts, onde o casamento gay é legal.

Felipe, no dia do casamento, ao lado do marido, Juan Rodriguez

Felipe com a irmã Claudia, na festa de seu casamento com Juan

“Eu sinto, no meu coração, muita gratidão. Eu tive oportunidade de ter uma mãe muito boa, duas irmãs que me amam e que me ajudaram a ver a vida de uma forma melhor”, diz.  “A cada etapa de minha vida, tive sempre um anjo que caiu do céu, do nada, e conseguiu me ajudar naquele período.”

E agora, Felipe sente que é sua vez de ser esse anjo para milhares de pessoas injustiçadas.

“Embora o mundo inteiro diga que temos que ser individualistas, eu sempre aprendi o contrário.  Só vou conseguir melhorar minha vida pessoal se a comunidade inteira também estiver bem”.

E Felipe segue sua luta.

Presente de casamento do artista Julio Salgado. "Amor não é ilegal".

Serviço:

O Consulado-Geral do Brasil em Miami tem informações detalhadas em português sobre a “Ação Diferida”, o programa do governo norte-americano para a suspensão temporária de deportação de jovens imigrantes.  Veja no link da pagina de noticias.

Para informações de como obter uma carteira de matrícula consular, clique aqui.  O documento é valido em qualquer lugar dos Estados Unidos e reconhecido pelo governo americano.

Autor: Tags: , , , , , ,

sexta-feira, 13 de julho de 2012 Direto de Miami, Educação | 11:22

Brasileiro é escolhido melhor professor de escolas públicas do estado da Flórida

Compartilhe: Twitter

Por Chris Delboni | Coluna Direto de Miami (http://diretodemiami.ig.com.br)
Fotos de Carla Guarilha


Alexandre Lopes na sala de aula

O brasileiro Alexandre Lopes, de Petrópolis, foi escolhido ontem a noite “Melhor Professor do Ano” da Flórida, tendo concorrido com 180 mil professores do estado e cinco finalistas.

“Não tenho palavras para descrever o que sinto”, diz ele.  “O momento foi mágico”.

E mágico foi justamente como Alberto Carvalho, superintendente em educação no condado de Miami-Dade, descreveu o brasileiro da escola Carol City Elementary, em Miami, onde o professor criou um programa de inclusão para crianças com e sem autismo.

“O tema dessa competição foi mágico, e Alex decididamente está um passo à frente”, disse Carvalho.  “Ele faz mágica na sua sala de aula diariamente, compartilhando seu talento maravilhoso com crianças que tem alguma deficiência e se beneficiam dessa mágica que ele traz”.

Alexandre, que usa muito a música como instrumento de educação e comunicação na sala de aula, muito emocionado, cantou quando recebeu o prêmio, na cerimônia de gala no Hard Rock Live nos estúdios da Universal em Orlando, um evento promovido pela loja de departamento Macy’s e pelo Departamento de Educação da Flórida.

Ele agradeceu a todos, principalmente seus alunos, “os pequenos sonhadores que tornaram realidade o sonho desse brasileiro”, e disse, em português, “muito, muito obrigado”.

Alexandre Lopes com uma de suas turmas

Entre os prêmios, Lopes recebeu US$10 mil e uma viagem com três acompanhantes para a famosa parada de Thanksgiving, Ação de Graças, em Nova York em novembro.

Mas a maior emoção para o professor foi ter presente Enir Lopes, seu pai, que veio do Brasil para este momento tão importante na vida do filho.

“Mal posso acreditar no que está acontecendo”, diz o mais novo “Embaixador para Educação” para toda a Flórida por um ano.

Em maio, Lopes foi surpreendido na escola, quando tocou o alarme de incêndio e ao sair, se deparou com um barulhento carro de bombeiros e uma enorme faixa o parabenizando como um dos cinco finalistas da competição estadual, após ter sido escolhido o melhor professor do condado de Miami-Dade no inicio do ano.

Agora que venceu mais uma etapa na competição, Lopes concorre pelo prêmio nacional, com professores do país inteiro.  O brasileiro pode se tornar o “melhor professor dos Estados Unidos”.  Mas a decisão nacional, só no ano que vem.

Clique aqui para ler a entrevista original de Direto de Miami, quando o professor venceu a primeira etapa como Melhor Professor do condado, e assistir a um pequeno vídeo de seu programa especial que integra crianças com e sem autismo.

Primeiro troféu, do condado. Cortesia Alexandre Lopes

Notas relacionadas:

Brasileiro vence mais uma etapa para o prêmio de melhor professor de escolas públicas dos Estados Unidos.

Brasileiro é escolhido melhor professor do ano de todo condado de Miami-Dade

Autor: Tags: , , , ,

terça-feira, 19 de junho de 2012 Direto de Miami, Diversão, Educação, Miami | 09:40

Diversão e aprendizagem é a fórmula desenvolvida por uma brasileira para ensinar português para crianças em Miami.

Compartilhe: Twitter

*Fotos de Carla Guarilha

Ex-modelo paulista investiu US$100 mil para montar um playground em Miami com atividades em português.

Um cantinho de recreação e aprendizagem, divertido para as crianças, com a segurança desejada pelos pais e ainda com gostinho brasileiro. Este é o Planet Kids, que fica em Midtown Miami e foi criado pela paulistana Amanda Cavinati Lopez.

A ideia do negócio surgiu quando ela teve a primeira filha, há três anos. Amanda descobriu que não havia um espaço para brincar na cidade quando estava chovendo.

Os centros de recreação existentes ficavam longe de sua casa em Miami Beach e não tinham o que ela considerava essencial para um espaço de convívio para crianças pequenas.  Sua filha Isabella ficava misturada com crianças muito mais velhas, não havia estacionamento, não havia local para os pais ficarem – o que os obrigava a ficar em pé sem ter nem água para beber – e ainda o prédio tinha pé direito baixo e era sem janelas. Amanda diz que todos se sentiam “sufocados com um monte de criança gritando ao mesmo tempo”.

Ela levou dois anos fazendo pesquisa de mercado e, em janeiro deste ano, convenceu seus pais, Miguel e Rosa, a se mudarem do Tatuapé, em São Paulo, para ajudá-la com o Planet Kids Indoor Playground & Café.

Três gerações: Isabella entre a mãe, Amanda, e o avô, Miguel.

Agora, sim, as crianças tem um centro de recreação – com estacionamento gratuito e interno, uma lanchonete com sanduíches, saladas e quitutes brasileiros, como coxinha e brigadeiro, alas separadas para crianças de idades diferentes, pé direito alto e muito vidro com a vista da rua, dando uma maior sensação de liberdade.

Seis meses depois, e um investimento de US$100 mil, o espaço é um sucesso.

“Muita gente fala que a gente abriu a coisa certa, no lugar certo, na hora certa”, diz Amanda.  “Teve um dia chuvoso que tivemos que fechar as portas.  Chegaram 70 crianças”.

Amanda recebe, em média, 40 crianças por dia, de várias nacionalidades.  Mas diz que cerca de 50% são brasileiros, que, na maior parte, querem proporcionar aos filhos um pouco da infância que tiveram no Brasil.

Nic'co, com 1 ano, visita pela primeira vez o Planet Kids.

Jaclyn Bergman leva o filho Aven, de quase 2 anos, com frequência para brincar no Planet Kids.

O único problema, conta, são os pais que não tiveram infância.  De vez em quando, ela tem que pedir com jeitinho para saírem do tobogã.

“Aqui não é como no Brasil que o pessoal leva tudo mais na brincadeira”, diz, rindo.

Quase todo fim de semana tem festa de aniversário, com brigadeiros e outros docinhos brasileiros.

Mas não são só as brincadeiras e os docinhos que Amanda queria resgatar com seu novo estabelecimento em Miami.

Seu sonho, como mãe brasileira, era ver esse espaço infantil se tornar também um núcleo de aprendizagem para filhos de outros brasileiros.

E no inicio deste mês, Amanda conseguiu: lançou um programa de português como língua de herança para crianças e pais brasileiros.

Gabriela Barbosa, de 4 anos, é filha de brasileiros, que moram em Miami há 6 anos.

“Eu e meu marido, que não é brasileiro, achamos muito importante para nossa filha falar fluentemente e escrever na língua portuguesa”, diz Amanda, hoje com 32 anos e mais um filho, Matteo, de 5 meses.

A coordenadora do programa Planet Kids Fala Português é Ivian Destro Boruchowski, paulista, há quatro anos em Miami.  Formada em pedagogia pela Universidade de São Paulo, a professora está fazendo mestrado na mesma área na Flórida International University, com especialização em bilinguismo infantil.

“A língua não é somente um elo social de comunicação, mas também um elo de identidade cultural”, diz Boruchowski, 36 anos.

Ela conta que quando chegou aos Estados Unidos com o marido e o filho, que na época tinha oito meses, percebeu que se o casal não tomasse uma decisão consciente e agisse rapidamente, o bebê não teria a chance de aprender o idioma dos pais.

“No Brasil, você tem acesso a língua não só na escola, mas na mídia, nas placas de rua, todos os meios, não só no ambiente familiar”, diz a professora.  “Aqui não”.

Professora Ivian Destro Boruchowski lança programa "Planet Kids Fala Português".

E essa preocupação foi se transformando numa enorme vontade de estudar o bilinguismo dentro do conceito de português como língua de herança e o sentido de pertencimento à cultura brasileira no exterior.

Hoje, o filho mais velho, Heitor tem 4 anos e o mais novo, Victor, 2.

Ivian frequentava o Planet Kids como cliente e viu lá uma oportunidade de desenvolver programas didáticos voltados para filhos de brasileiros.

Amanda, que já tinha esse sonho, imediatamente aderiu a ideia de poder, de fato, implantar o português nas atividades do espaço de recreação.

Ela descobriu o enorme afeto pelo seu país natal quando foi para o Japão com 16 anos, cumprir um contrato como modelo, uma carreira que seguia desde os 5.

Depois de algum tempo, deveria ir para Milão, mas não aguentou.

“Cheguei lá sozinha”, diz.   “Eu era muito mimada”.

Amanda, então, contou com o auxílio do consulado do Brasil para romper o contrato e retornar ao Brasil.

“Quando cheguei no aeroporto, eu beijei o chão”.

Mas o tempo passou e 13 anos atrás veio para Miami com uma colega de faculdade. Trabalhou em vários lugares, de restaurantes à hotéis, até se firmar no ramo de decoração. Sempre falava que queria voltar ao Brasil, mas acabou ficando até que um dia saindo do escritório para almoçar, conheceu o marido, Jared, um advogado americano de família porto-riquenha.

Amanda com Isabella

“Quando as coisas estão para acontecer, não precisa procurar, acontecem”, diz ela.  “Nunca mais ouviram eu falar, vou embora”.

Com 300 mil brasileiros no sul da Flórida, Amanda agora tem como meta criar cartilhas “Planet Kids” de alfabetização em português e sessões semanais de “contação de história” na língua portuguesa.

E no futuro?

“Quero ver vários Planet Kids espalhados por Miami e meus filhos crescerem com saúde”.

BOX:

Planet Kids Indoor Playground & Café
Telefone em Miami: 786-312-0737 ou 305-573-1379
Endereço: 2403 NE 2nd Ave., Suíte 107, Miami, Florida 33137
info@planetkidsplayground.com
http://planetkidsplayground.com

PROGRAMAÇÃO:

Diário: US$10/primeira criança, US$7/segunda criança em diante

Férias escolares para brasileiros de passeio em Miami (a partir de 20 de junho): US$40/período/criança, das 10 às 13hrs ou das 14hrs às  17 hrs – crianças de 3 a 9 anos.  Incluí lanche.

Férias de verão nos EUA (23 de julho à 17 de agosto): US$250/semana, das 9hrs às  15 hrs, com várias programações, como aula de musica, arte, teatro, culinária e jogos.

* No vídeo, Amanda revela o segredo de seu sucesso e fala um pouco  sobre seu sonho de difundir o português como língua de herança para filhos de brasileiros em Miami.

Brasileira investe US$100 mil para montar playground em Miami com atividades em português. from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , ,

sexta-feira, 4 de maio de 2012 Direto de Miami, Educação | 20:04

Brasileiro vence mais uma etapa para o prêmio de melhor professor de escolas públicas dos Estados Unidos.

Compartilhe: Twitter

Alexandres Lopes, reconhecido como melhor professor do ano de escolas públicas do condado de Miami-Dade, foi surpreendido hoje em sua sala de aula na escola Carol City Elementary, em Miami.

Tocou o alarme de incêndio, e quando saiu com as crianças, se deparou com um barulhento carro de bombeiros e uma enorme faixa parabenizando-o como um dos cinco finalistas entre 180 mil professores da Flórida.

Alexandre Lopes na sala de aula. Foto de Carla Guarilha.

O anuncio foi feito pela chanceler de educação do estado, Pam Stewart, que saiu do carro de bombeiros, com um megafone, e disse,  “Alexandre, é uma grande honra estar aqui pra dar a noticia a você”, contou o professor emocionado.

O anunciou do finalista que vai concorrer ao prêmio nacional será feito em 12 de julho em Orlando.

“É um orgulho, uma honra muito, muito grande deles terem escolhido neste país um brasileiro nascido e criado no Brasil”, diz ele.

Clique aqui para ler a entrevista original de Direto de Miami, quando o professor venceu a primeira etapa como Melhor Professor do condado, e assistir a um pequeno vídeo de seu programa especial que integra crianças com e sem autismo.  Lopes usa a música como instrumento de inclusão.

Alexandre Lopes com seus alunos. Foto de Carla Guarilha.

Autor: Tags: , , ,

quinta-feira, 12 de abril de 2012 Direto de Miami, Educação, Miami | 09:25

Português pode se tornar língua oficial nas escolas de Miami

Compartilhe: Twitter

Algumas vezes andando pelas ruas de Miami temos a impressão de estarmos em alguma cidade do Brasil, tamanha a facilidade de encontrar pessoas em lojas, shoppings, restaurantes e supermercados falando português.  E não são só brasileiros, mas também americanos e hispanos que tentam um “tudo bom” ou “oi” para se comunicar no idioma.

Mas, o que antes era um movimento involuntário de quem via na língua portuguesa uma oportunidade de negócios, agora é prioridade do governo brasileiro e do embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, novo cônsul-geral em Miami, que chegou em setembro do ano passado.

Ramos Filho está negociando para introduzir o português como segunda língua nas salas de aula das escolas do sul da Flórida, onde há uma enorme concentração de brasileiros e turistas.

Embaixador Hélio Ramos na sua sala no consulado do Brasil em Miami. Fotos de Carla Guarilha.

“A gente quer construir uma relação formal [entre o governo brasileiro e Miami-Dade e Broward] para que nesses dois condados a gente passe a ter o português como uma opção em algumas escolas”, diz Ramos Filho.

De fato,  o contingente de turistas vindos do Brasil vem crescendo e, no ano passado, 634 mil brasileiros desembarcaram por aqui, batendo pela primeira vez o número de turistas canadenses, que mantinham o recorde há muito tempo.

“Você, hoje, tem Brasil em tudo aqui, na área imobiliária, o Brasil na cultura”, diz o cônsul-geral.  “Agora chegou a hora do Brasil na educação”.

Já existe, em Miami, uma escola pioneira quando o assunto é educação bilíngue português-inglês: Ada Merritt, uma iniciativa do Centro Cultural Brasil-USA. Lá, até a oitava série, o aluno recebe 60% das aulas em inglês e 40% em espanhol ou português.  Mas agora, ampliar o ensino do português por aqui “é uma politica de governo”, diz o cônsul-geral.

Para promover a formação de professores de português nos Estados Unidos, o Itamaraty tem colocado ênfase em um novo programa, chamado Formação Continuada de Professores de Português Língua de Herança. O piloto aconteceu em San Francisco, na Califórnia, em junho do ano passado, e em outubro, o mesmo módulo foi replicado em Washington. Agora, Miami recebe o  curso este mês.

“Esse é o começo de tudo”, diz o cônsul-geral.  “É um indicativo das muitas coisas que a gente quer fazer aqui para que o português seja efetivamente uma língua oferecida pelas escolas da Flórida”.   E isso não quer dizer o português como segunda língua, mas sim como língua de ensino, como é o inglês nas escolas americanas no Brasil.  Só que o Itamaraty quer ir além: Ramos Filho tem como objetivo um acordo com o sistema escolar do sul da Flórida.

Augusta Vono, diretora do programa de português na Florida International University, é a representante junto ao Consulado-Geral na organização do II Curso em Miami, que vai ser realizado na FIU, dias 20-22 de abril.

Professora Augusta Vono, de camisa bege, orgulhosa ao lado de alunos e colegas participando da formação do Brazilian Culture Club, na FIU. Seu programa vai receber em maio o respeitado prêmio do “Press Awards”, o “Óscar” da comunidade brasileira no exterior, na categoria de Ensino e Promoção de Idioma.

“O Programa de Formação Continuada de Professores de Português Língua de Herança chega a Miami para a satisfação de um grupo de educadores, que esperava esse momento com ansiedade”, diz Vono . “Vamos ter a oportunidade única de discutir aspectos relevantes para todos nós, educadores”.

O cônsul-geral disse que o curso vai rodar o país e servir de mecanismo e incentivo para criar mais escolas de ensino bilíngue inglês-português nos Estados Unidos.

“A gente ainda está no início, mas o principal já existe, que é a vontade politica”.

O cônsul-geral está morando em Coral Gables com a esposa Milma e o filho caçula Antônio Pedro, de 14 anos. O casal encontrou em Miami uma vida cultural que não esperava e tem desfrutado com frequência de concertos no Adrienne Arsht Center for the Performing Arts e no novo New World Symphony em Miami Beach. Foto de Carla Guarilha.

Serviço:

As inscrições para o II Curso de Formação Continuada para Professores de Português como Língua de Herança estão abertas para professores de português nos Estados Unidos até 16 de abril. Os interessados devem  mandar o currículo para o departamento cultural do Itamaraty através do e-mail dplp@itamaraty.gov.br.  O curso é gratuito.  Para mais informações, clique aqui.

Vídeo:

Embaixador Hélio Ramos, cônsul-geral do Brasil em Miami, entrou no Ministério das Relações Exteriores com 20 anos.  Neste vídeo, ele aconselha novos diplomatas e conta em poucas palavras a formula de seu sucesso: Trabalho, dedicação e amor ao Brasil.  “Eu fui formado pelo Ministério, que é uma Instituição, uma casa, como a gente chama”, diz ele. “O trabalho que a gente desenvolve aqui é o trabalho de servir o Brasil”.

Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, cônsul-geral do Brasil em Miami from Chris Delboni on Vimeo.

Autor: Tags: , , , ,